Aprovado no concurso do Ministério da Economia para o cargo de Especialista em Ciências de Dados
“Construa uma rotina que te proporcione um estudo o mais ativo, equilibrado, metódico e constante possível. ’’
Confira nossa entrevista com o Pedro Correia de Siracusa, aprovado no concurso do Ministério da Economia para o cargo de Especialista em Ciências de Dados:
Estratégia Concursos: Você é formado em que área? Qual sua idade? De onde você é?
Pedro Correia de Siracusa: Sou biólogo e mestre em Modelagem Computacional. Sou de Brasília e hoje tenho 31 anos.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Pedro: Vários fatores, sendo dois deles mais decisivos. O primeiro foi a chegada da minha filha, Nicole. Neste momento percebi que teria a responsabilidade de não apenas me sustentar financeiramente, mas também minha filha. O segundo foi a péssima experiência que tive ao procurar emprego na iniciativa privada, após a conclusão do meu mestrado: não apenas salários extremamente baixos para a complexidade dos trabalhos propostos, mas também condutas desrespeitosas por parte das empresas durante os processos seletivos.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava, ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Pedro: Desde que comecei a estudar estive desempregado. Minha dedicação foi exclusiva aos estudos, o que não significa que tinha muito tempo disponível: ter uma criança pequena em casa exige muito tempo, carinho e atenção. Durante o ano 2019 rendi em média 3,5 horas (líquidas) por dia. Já em 2020, com a pandemia, o rendimento médio caiu para menos que 2 horas líquidas.
Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?
Pedro: O concurso para o cargo de Especialista em Ciência de Dados, do Ministério da Economia, foi minha primeira aprovação. Para meu cargo fiquei na 13a posição.
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados?
Pedro: A sensação é sempre muito boa. Por um lado, um alívio por finalmente ter alcançado meu primeiro emprego. Por outro, uma grande honra e responsabilidade em poder servir ao público fazendo o que mais gosto.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Pedro: Eu particularmente nunca fui uma pessoa muito “social”, mas sempre fiz questão de cultivar minhas poucas e boas amizades. Além disso, com criança pequena em casa, a rotina acaba se tornando mais “caseira”, com eventuais programas mais focados em atividades infantis. Portanto, minha vida social acabou não mudando muito durante a preparação. Durante meu primeiro ano de preparação (pré-pandemia) saía com meus amigos para colocar o papo em dia em média 1 vez por semana.
Estratégia: Você é casado? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?
Pedro: Sou casado e tenho uma filha, com as quais moro. Meus pais e esposa na realidade sempre me incentivaram a buscar o serviço público. Eu que fui teimoso e insisti por um tempo buscando emprego na iniciativa privada. Todos me apoiaram tanto financeira quanto emocionalmente. Minha esposa, meus pais e meus sogros desde o início me ajudam muito também com a questão logística, ficando com minha filha e me ajudando a cumprir minhas horas de estudo.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?
Pedro: Eu acho que esta é uma escolha muito pessoal e depende muito da realidade de cada um. De forma geral, acho que vale a pena primeiramente construir uma base de conhecimento comum para a maioria dos concursos. A partir daí, com os editais na praça, avaliar o custo/benefício de se desviar do seu foco principal. No meu caso, o concurso que assumirei agora, apesar de o cargo ser na minha área de interesse, é temporário, e, portanto, não poderei parar de estudar. Meu foco desde o início foi a área de controle externo (principalmente TCU), mas também tenho muito interesse pelos fiscos. Pretendo parar de estudar (para concursos) apenas quando atingir este objetivo.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso em que foi aprovado?
Pedro: Para o concurso do Ministério da Economia em específico foi mais ou menos 1 mês. Mas como o edital foi bem enxuto e eu já vinha estudando, já tinha uma base na maioria das matérias. Precisei apenas dar uma afiada em TI e Estatística. No fim, fiquei apenas resolvendo questões destas duas matérias.
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Pedro: Desde o dia que comecei, em 22 de janeiro de 2019, estudei praticamente todos os dias. Alguns dias estudava mais horas, outros menos, mas raramente deixei algum dia passar batido. Durante meus estudos elaborei uma planilha de controle de estudo para me ajudar a ler teoria, revisar, memorizar e fazer questões de forma mais eficiente. Meu método envolve a técnica “Pomodoro”, que consiste em organizar meu estudo em blocos de 25 minutos. Isso facilita muito no quesito disciplina, pois dá um norte aos estudos e o deixa menos cansativo. Eu sei, por exemplo, exatamente o que vou ler, revisar e que questões vou fazer todos os dias.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Pedro: Foi indicação de um colega. Ele me mandou alguns materiais com os quais estava estudando (desculpem a sinceridade – risos) e eu gostei bastante da apresentação e disposição dos conteúdos. Na mesma semana, fiz minha assinatura bianual. Pouco tempo depois veio a oportunidade de adquirir a assinatura vitalícia, e acho que foi um dos melhores negócios que fiz.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? O que funcionou melhor para você?
Pedro: Para estudo teórico, praticamente os PDFs do Estratégia. Raríssimas vezes recorri a videoaulas. Outro grande aliado desde o início foi usar um sistema de questões. Além disso, uso flashcards do Anki, que vou construindo para ajudar na memorização de alguns pontos mais específicos como fórmulas, prazos, etc.
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo concursando é a quantidade de assuntos que deve ser memorizada. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?
Pedro: Acho que o principal é entender a distribuição das probabilidades de cada assunto nas provas. Partindo por aí, você constata que não precisa estudar tudo com o mesmo afinco. Sabendo o que priorizar, é importante eleger os assuntos em que você tem maior dificuldade, o que é mensurado pela performance na resolução de questões.
Controle de estudos: Meu sistema de controle de estudos funciona basicamente usando estes princípios. Eu elenco cada matéria em três classes (1: muito importante, 2: médio, 3: pouco importante). Para cada matéria, eu elenco cada tópico seguindo a mesma classificação. Finalmente, cada tópico também recebe a classificação (1: difícil, 2: médio, 3: fácil). Com estes parâmetros eu cheguei a uma fórmula que calcula a prioridade de revisão para cada tópico de cada matéria. Assim, quando se trata de um tópico difícil e importante de uma matéria importante, o intervalo de revisão é pequeno, por exemplo 12 dias. Já quando se trata de um tópico fácil e pouco importante, de uma matéria pouco importante, o intervalo de revisão vai lá para o alto, por exemplo 400 dias. E assim é calculado para cada combinação de classificações. Então, no fim é só seguir a prioridade para revisar/fazer questões. Cada bloco de atividade dura 25 ou 30 minutos. Passou o tempo, eu pulo para o próximo.
Revisão: Quando a aula é classificada como “difícil”, eu leio os resumos/mapas mentais, além de fazer as questões. Quando a aula é “média” eu reviso pelas questões do PDF. Quando a aula é “fácil” eu refaço apenas as questões que errei do PDF e vou para o sistema de questões. Para coisas mais “decoreba” uso flaschards, gerenciados no programa Anki.
Resumos: Fiz pouquíssimos resumos, todos na forma de esquemas / mapas mentais. Acho que só vale a pena fazer quando não tem pronto e quando é uma coisa que não entra na sua cabeça de jeito nenhum.
Horas por dia: No primeiro ano, em média, 3,5 horas líquidas. No segundo ano (pandemia), menos que 2 horas líquidas em média.
Estratégia: Você tinha mais dificuldade em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Pedro: Acho que Contabilidade e AFO são as mais complexas do meu ciclo de estudos (apesar de não terem sido cobradas no concurso do ME). São duas matérias que uso bastante os flashcards e resolvo muitas questões. Com o tempo dá para ir avançando sem muitos problemas. Mas como tudo na vida, tem que ter estratégia e paciência.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Pedro: Não foi diferente do que já vinha fazendo. Na véspera da prova fiz um estudo customizado pelo Anki, resolvendo flaschards para trazer para a memória recente as coisas mais “decoreba”.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?
Pedro: Acho que uma das minhas principais limitações é a tal da procrastinação (risos). Tenho encontrado maneiras de lidar com isso, mas penso que a rotina de estudos não pode ser extremamente penosa para o estudante, caso contrário a tendência é parar de estudar cotidianamente. A procrastinação, embora seja ruim para a produtividade, é uma forma do cérebro descansar, dar uma desligada, e que faz parte da mente sã de qualquer ser humano. O que mais me ajuda a lidar com isso é o método Pomodoro: eu faço 30 minutos de estudo focado e me dou 5 minutos de descanso. Tem gente que medita, faz flexões, etc. Eu geralmente vou ouvir música ou ver vídeo no Youtube (risos). No fim você acaba rendendo razoavelmente, sem deixar seu cérebro exausto. Só precisa se policiar para não se perder na procrastinação. A longo prazo, um estudo assim torna-se sustentável.
Já meus maiores acertos foram ter adquirido material de qualidade e atualizado desde o início da preparação, além de ter construído um sistema de controle de estudos semi-automatizado, para me ajudar a otimizar meu tempo.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Pedro: Acredito que o que mais atrapalha nossa caminhada são as redes sociais. Nelas, você, mesmo que inconscientemente, fica comparando sua rotina monótona de estudos com as vidas aparentemente perfeitas e divertidas dos outros. Isso é natural do ser humano, por mais que este efeito negativo possa ser maior ou menor de pessoa para pessoa. Independentemente disso, tem momentos em que bate aquele tédio e desânimo, mas acho que desde que comecei, não cheguei a pensar seriamente em desistir. Ter uma rotina sólida de estudos é a forma mais eficaz para quem não quer parar.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Pedro: Ter um emprego que me realize profissional e financeiramente.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Pedro: Acho muito difícil aconselhar alguém, pois absolutamente tudo depende da realidade de cada um. O que mais vejo é gente na internet com fórmulas de sucesso, dizendo aos outros que é necessário abdicar de tudo e todos, dormir menos, estudar 10 horas por dia, etc. Acho esta visão muito equivocada. Tudo depende não só da situação pessoal, mas também do cenário dos concursos. Este ano de pandemia foi um grande exemplo. Vi muita gente que vinha estudando 10 horas por dia, dormindo pouco, vivendo exausto, simplesmente parar de estudar porque os concursos foram suspensos. Ninguém consegue correr maratona todos os dias sem um fim, uma data para acabar. O treino tem que ser modesto, porém constante. Caso queira ultrapassar os limites, que seja em reta final, conforme suas possibilidades. Ficar um pouco cansado na reta final tudo bem, mas nada de chegar no dia da maratona exausto.
Enfim, se há um conselho aplicável a todos é o seguinte: construa uma rotina que te proporcione um estudo o mais ativo, equilibrado, metódico e constante possível.