Aprovado no Concurso TJ-PA
“Quando ainda estava na faculdade e estudando para a OAB, um professor falou: suas ações revelam suas verdadeiras prioridades. Fiquei com essa frase na cabeça durante toda a minha preparação por considerá-la uma enorme verdade, afinal, se você realmente quer alguma coisa, você tem que torná-la uma prioridade na sua vida. Logicamente, nem todos possuem as mesmas oportunidades e o mesmo tempo disponível, mas o importante é dar o seu melhor, com as ferramentas que possuir”
Confira nossa entrevista com Daniel Sidou Graça, aprovado em 1º lugar no concurso TJ-PA para o cargo de Analista Judiciário:
Estratégia Concursos: Você é formado em que área? Qual sua idade? De onde você é?
Daniel Sidou Graça: Sou formado em Direito pelo Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa). Tenho 25 anos e nasci em Belém do Pará.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Daniel: Acho que eu ainda estava na faculdade e estagiava em um escritório de advocacia quando percebi que advocacia não era algo que eu queria para a minha vida profissional, então pedi para sair do escritório. Logo em seguida, comecei um novo estágio em um órgão público. Foi esse contato e vivência direta com o serviço público que aumentou a minha vontade de me tornar um servidor público.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Daniel: Como eu já tinha tomado a decisão de ser concurseiro ainda na faculdade, e já sabia que concurso seria um projeto de longo prazo, decidi guardar boa parte do que eu ganhava como estagiário para ajudar nas despesas após a faculdade, uma vez que meu objeto era me dedicar inteiramente aos estudos para concurso. Meus pais também me ajudaram muito nessa etapa, pois o que eu tinha guardado não era o suficiente.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?
Daniel: Meu primeiro concurso foi para o cargo de Analista Judiciário do TRF1, no qual consegui ser aprovado em 49º lugar, o que me motivou bastante para estudar para o próximo, do MPU. Nesse segundo concurso, também para Analista Judiciário, já estava mais bem preparado e consegui ser aprovado na 11ª colocação. Depois, no TJ/PA, fiquei em 1º.
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados(as)?
Daniel: É uma sensação indescritível. Ver o nome na lista não é somente saber que foi aprovado, mas perceber que todo aquele esforço, dedicação, inúmeras abdicações, e tempo que foram investidos nesse projeto valeram a pena. Acho que só quem já passou por essa experiência vai conseguir entender realmente.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Daniel: Não sou a favor de uma postura radical. Na minha opinião, além de desnecessária, é prejudicial ao próprio estudo, pois, a longo prazo, gera um estresse que prejudica a própria absorção do conteúdo. Acredito que o descanso também faz parte da preparação. Então, para tentar diminuir esse estresse próprio de um concurseiro, tirava um dia na semana, normalmente domingo, para me desligar completamente dos estudos, saindo com a família/amigos ou simplesmente para ficar de bobeira assistindo a séries.
Além disso, praticava atividade física todos os dias como forma de intervalo entre os estudos, o que me ajudava a manter a concentração mesmo no final do dia. Porém, independentemente disso, várias abdicações foram sim necessárias, afinal estava comprometido com a promessa que tinha feito a mim mesmo: passar em um concurso o quanto antes.
Estratégia: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?
Daniel: Não sou casado e nem tenho filhos. Felizmente, tive o privilégio de possuir pais que me apoiaram nessa caminhada, pois como morava com eles, foi possível me dedicar inteiramente aos estudos sem que a questão financeira fosse um empecilho tão grande assim.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?
Daniel: Acredito que isso seja algo muito pessoal, mas se esse outro concurso for semelhante ao do objetivo maior, penso que vale a pena sim. No meu caso, meu foco sempre foi passar o quanto antes em um desses concursos considerados “escadas”, depois de conquistar a minha vaga eu poderia pensar com mais tranquilidade para qual carreira jurídica eu seguiria estudando.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso em que foi aprovado?
Daniel: Especificamente para o TJ/PA somente após o edital, ou seja, mais ou menos 50 dias. Contudo, eu já possuía uma boa bagagem pelas provas anteriores, o que me permitiu focar mais nas revisões, pois já havia tido contato com a maior parte do edital.
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Daniel: Sem ter edital, meu estudo era basicamente revisar e refinar o material que tinha construído em preparações anteriores. Esse período realmente é o mais difícil de se manter focado, então a solução que eu achei foi reduzir a minha carga horária de estudo diária, pois metas menores são mais “fáceis” de serem cumpridas, e estudar pouco é melhor que não estudar.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Daniel: Pesquisando na internet. Como não gostava de videoaula, decidi procurar por um bom material escrito e encontrei vários relatos sobre a qualidade do material do Estratégia. Então decidi adquirir o pacote do TRF1. Desde então sigo usando os PDFs do Estratégia como base para os meus estudos em todas as provas que fiz em seguida.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? O que funcionou melhor para você?
Daniel: Nunca vi uma videoaula durante a preparação, não me dou bem com material em vídeo, muito menos com aulas, presenciais ou não. Prefiro seguir o meu próprio ritmo, estudando sozinho no meu quarto, somente com um PDF direcionado para concurso, lei seca e muitas questões.
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo concursando é a quantidade de assuntos que deve ser memorizada. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?
Daniel: Antes de começar meus estudos direcionados aos concursos, pesquisei quais seriam as melhores formas de se estudar, o que os outros aprovados fizeram durante a sua preparação, etc. A partir disso, montei o meu próprio cronograma, estudando duas matérias por dia, as quais eram bem diferentes uma da outra, a fim de tornar o estudo mais dinâmico. Dessa forma, como não eram tantas matérias, conseguia passar por quase todas durante a semana, deixando o último dia para fazer uma revisão geral.
Em relação a revisão, adotei método do 24-7-30, ou seja, revisava a matéria depois de 24h, 7 dias, 30 dias, 60 dias…O importante era manter um contato constante com o conteúdo.
Não fazia resumos, porém criei sim o meu próprio material de estudo, na forma de mapa mental, baseado nos PDFs e questões que eu havia feito. Ao longo da minha preparação (principalmente para o MPU), cheguei a fazer quase 1000 mapas mentais, os quais eram os mais sucintos possíveis, contendo as principais informações que eu precisava levar para a prova. Então, especificamente para o TJ, como eu já possuía uma boa quantidade de mapas, meu estudo foi, basicamente, resolver exaustivamente questões e refinar meus mapas com base nelas, acrescentando ou destacando os pontos que eram mais cobrados.
Em relação às horas de estudo, com o tempo fui percebendo que isso era cada vez mais irrelevante, eu não ia passar por ter mais horas de estudo líquidas, mas por absorver melhor o conteúdo. Quando eu estudava horas e horas por dia (8h, 10h, 12h/dia), percebia que meu rendimento caia muito e que era insustentável a longo prazo. Assim, resolvi estudar no máximo 6 horas por dia, bem espaçadas durante o dia, a fim de manter a concentração e o rendimento no máximo. Então, por exemplo, estudava: 3h de manhã, com teoria; 2h de tarde, com revisão; 1h à noite, com questão e jurisprudência.
Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Daniel: A que eu mais tive dificuldade foi Administração Pública, eu nunca tinha estudado essa disciplina antes, então, para tentar suprir essa deficiência, eu aumentei a sua carga horária, sendo a única que eu estudava mais de uma vez por semana.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Daniel: Nas duas semanas que antecederam a prova, eu foquei totalmente na revisão, sem estudar nenhuma teoria nova e sem aumentar a carga horária. Durante a última semana eu cheguei a estudar até menos, sendo que na véspera eu nem cheguei perto do meu material, estudar naquele momento só iria aumentar a ansiedade pra prova, não seria um único dia que iria fazer diferença no que eu tinha aprendido ou não.
Estratégia: No seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Daniel: Na minha prova, a discursiva foi uma dissertação sobre conhecimento gerais, o que me tranquilizou bastante, pois minha única preocupação seria como fazer o corpo do texto, não o conteúdo. Assim, eu cheguei a fazer um minicurso local voltado para redações do CESPE, durante o qual eu cheguei a fazer 5 dissertações, corrigidas pelo professor. Essa foi a minha única preparação para essa fase, mas isso só ocorreu porque eu acreditava que a dissertação já era um ponto forte meu, então preferi voltar meu tempo aos meus pontos fracos. Então, na minha opinião, vale a pena treinar essa fase se a considerar um ponto fraco seu.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?
Daniel: A prova do TJ/PA não foi a minha primeira prova, então eu acredito que eu já possuía uma certa experiência, já sabia o que eu deveria ou não fazer. Mesmo assim, especificamente para essa prova, logicamente, houve vários erros durante a preparação, porém no dia da prova eu já havia os corrigido. Isso só ocorreu porque eu tinha feito vários simulados, os quais foram uma importante ferramenta na preparação, pois à medida que eu os realizava, eu fazia uma autoanálise ao final, percebendo quais os erros eu tinha cometido, quais matérias eu precisava reforçar, etc. Isso ocorreu não só nos simulados, mas em provas anteriores, principalmente naquelas em que eu havia reprovado. Esse, então, foi um dos principais acertos.
Falando em erros de uma forma geral, um dos maiores foi achar que eu só conseguiria ser aprovado se estudasse mais de 10h líquidas por dia. Só com o tempo que eu fui aprendendo que a qualidade do estudo era mais importante que a quantidade.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Daniel: Sem dúvida alguma, o mais difícil foi a pressão para ser aprovado logo. Quando a gente decide se dedicar inteiramente a vida de concurso, a pressão é muito maior em comparação àquele que trabalha e estuda, porque nesse momento você está apostando todas as suas fichas em uma aprovação, não há um “plano B”, é passar ou passar, a única questão é quanto tempo isso vai levar.
Outro fator que pesa muito é a comparação, que é inevitável. Apesar de eu já ter sido aprovado em alguns concursos, ainda não tinha sido chamado pra nenhum, então, na prática, era como se eu ainda estivesse na “estaca zero”. Enquanto isso, eu via meus colegas da faculdade montando seus próprios escritórios ou trabalhando em outros, crescendo profissionalmente, a sensação que eu tinha é que estava ficando para trás.
Com todas essas coisas passando na cabeça do concurseiro, dúvidas sempre aparecem: se esse era o caminho correto, se não deveria estar advogando, se…, se…, o que não faltavam eram os “se” (risos). Mas eu já havia firmado esse compromisso comigo mesmo, e me manteria fiel a ele até o final. Hoje agradeço a Deus por ter dado certo.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Daniel: Eu havia prometido a mim mesmo que eu passaria em um concurso de Analista, não deixaria que nada (que estivesse ao meu alcance) me atrapalhasse, incluindo eu mesmo, seja por preguiça ou falta de motivação. Estudava porque era o que tinha que ser feito, não importando se eu estava ou não com vontade naquele dia, já acordava sabendo o que eu deveria fazer, e ia dormir com a sensação de dever cumprido.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Daniel: Quando ainda estava na faculdade e estudando para a OAB, um professor falou: suas ações revelam suas verdadeiras prioridades. Fiquei com essa frase na cabeça durante toda a minha preparação por considerá-la uma enorme verdade, afinal, se você realmente quer alguma coisa, você tem que torná-la uma prioridade na sua vida. Logicamente, nem todos possuem as mesmas oportunidades e o mesmo tempo disponível, mas o importante é dar o seu melhor, com as ferramentas que possuir, reclamar que X ou Y possuem mais oportunidades não vai mudar absolutamente nada.