
“[…] Quanto mais você permanece em uma direção, mais conhecimento acumula e mais eficiente se torna o seu estudo.”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com Renata Oliveira, aprovada em 9º lugar no Concurso CNU – 2ª edição para o cargo de Analista Técnico Administrativo no MGI:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo (a). Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Renata Oliveira: sou a Renata Oliveira, carioca, tenho 37 anos, sou formada em Comunicação Social pela UFRJ e tenho pós-graduação em Gestão de Marketing pelo Ibmec. Antes de ser servidora pública, trabalhei 18 anos no setor privado na área de sustentabilidade, diversidade e investimento social.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Renata: uma grande amiga foi quem me incentivou a considerar esse caminho. Ela já havia começado a estudar para concursos e, nas nossas conversas, me ajudou a olhar com mais atenção para algumas questões que estávamos enfrentando no setor privado, como a falta de estabilidade e de uma perspectiva mais clara para o futuro, inclusive em relação à aposentadoria.
Quando saí da multinacional em que trabalhava, em 2024, decidi aproveitar aquele momento de transição para me dedicar aos estudos e buscar uma nova direção profissional. Foi uma decisão que fez muito sentido para o momento de vida em que eu estava.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Renata: durante cerca de seis meses, em 2024, fiquei exclusivamente dedicada aos estudos, em um período sabático, estudando aproximadamente oito horas por dia. Esse período foi importante para construir uma boa base, mas também trouxe bastante ansiedade, porque eu colocava muita pressão sobre mim mesma para ter resultados.
Quando voltei a trabalhar, percebi, de certa forma, que estudar ficou mais fácil. Com menos tempo disponível, precisei ser mais estratégica e objetiva, e meu estudo acabou se tornando mais focado e efetivo. Passei a aproveitar, por exemplo, o tempo de deslocamento entre o trabalho e a casa para estudar, principalmente por meio da resolução de questões e da leitura de lei seca. Conseguia estudar cerca de três horas por dia e aprendi, na prática, que a qualidade e a consistência do estudo podem ser mais importantes do que simplesmente acumular muitas horas.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado (a)? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Renata: além do 9º lugar do CNU2 –meu cargo atual-, eu fiquei em 2º lugar no concurso para técnico administrativo da UFF. Passei também na reclassificação do CNU 1 para uma vaga em Comunicação no MGI (cheguei a assumir em Brasília) e fui aprovada no processo seletivo da ANPD para cargo gerencial.
Mas meu foco sempre foi continuar no Rio e agora consegui ficar na minha cidade. Estou trabalhando na Escola Superior de Guerra, e nesse momento, vou concentrar meus esforços para crescer na carreira dentro do Ministério da Defesa.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Renata: saía sim, mas sempre com moderação. Nunca deixei de ir aos aniversários e eventos importantes dos meus amigos e familiares. Mas também não bebia, nem passava várias noites seguidas em festas, por exemplo. Eram encontros mais tranquilos.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro (a)? De que forma?
Renata: apoiaram muito e eu tive uma grande sorte de poder contar com todos eles. Também fiz vários novos amigos durante o concurso, entrando em grupos de estudo. Minha mãe foi fundamental durante todo o processo e compartilhou 100% da jornada comigo. Muitas vezes eu contava as coisas novas que aprendia para ela. Minha tia também sempre esteve ao meu lado. Além disso, meu pai, já falecido, sempre foi meu grande torcedor na vida e eu pensava muito nele e no quanto ele ficaria orgulhoso de mim.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Renata: eu diria que estudei por cerca de um ano e meio de forma contínua, construindo uma base sólida e, ao mesmo tempo, me adaptando aos diferentes concursos que fui fazendo ao longo do caminho. Uma coisa importante é que o conhecimento que adquiri lá atrás para o CNU1, em 2024, não foi perdido. Pelo contrário: ele serviu como base para as etapas seguintes e tornou minha preparação cada vez mais eficiente.
Especificamente para o CNU 2, foram cerca de seis meses de preparação mais direcionada, com foco em lei seca, resolução de questões da banca e redações. Essa estratégia me ajudou a identificar o estilo de cobrança e a concentrar meus esforços no que realmente tinha maior potencial de impacto na prova.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Renata: comecei com videoaulas e PDFs, fazendo anotações por escrito dos pontos principais em um caderno. Depois que entendia mais do assunto, passava para a lei seca e questões. Acho que videoaulas eram boas para os temas que eu tinha mais dificuldade e não conseguia entender apenas lendo sozinha, como matemática financeira e contabilidade. Por outro lado também era mais fácil de dispersar. Já a leitura de PDFs e lei seca me deixava mais focada. Li também o livro de Políticas Públicas do Leonardo Secchi, fundamental.
O método mais eficaz para mim eram as questões, pois elas me estimulavam e me acostumavam ao método da banca. Gostava muito de fazer simulados e usava caderno de erros para identificar meus pontos de melhoria.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Renata: através da minha amiga que me encorajou a fazer concursos.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos?
Renata: o Estratégia foi o primeiro curso que conheci e usei. Eventualmente, também usei materiais complementares fora do Estratégia, como aulas no YouTube para tópicos específicos, e curso de discursivas.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Renata: usei bastante os Mapas Mentais para revisão, os aulões do YouTube e o Passo Estratégico. Destaco aqui os professores Herbert Almeida, de Direito Administrativo, e Jhoni Zini, de RLM e Estatística, pois sem eles eu jamais teria conseguido aprender essas matérias.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Renata: eu fiz um cronograma semanal até a data do concurso, com foco em uma matéria diferente por semana. Ter o edital verticalizado para se organizar é um bom ponto de partida. Para o CNU2 especificamente, estudava 3h por dia no deslocamento apenas com questões da FGV e treinava redações aos fins de semana.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Renata: eu fazia simulados semanais com caderno de erros para entender meus pontos fracos. Relia muitas vezes meus resumos e ficava consultando o edital para entender quais assuntos estavam sendo cobrados e onde eu precisava focar mais.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Renata: a resolução de questões foi fundamental para a minha preparação e, talvez, tenha sido a parte mais importante dos meus estudos. Ao longo da trajetória, resolvi milhares de questões, principalmente da FGV, e esse volume fez muita diferença na minha evolução.
Mais do que testar o conhecimento, as questões me ajudaram a entender como a banca pensa e de que maneira ela costuma cobrar os assuntos previstos no edital. Com o tempo, comecei a identificar padrões, temas recorrentes e até as “pegadinhas” mais comuns.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Renata: Contabilidade e AFO. Usei vários métodos combinados, como videoaulas, PDFs e questões. Para AFO, imprimi e grafei a Lei de Responsabilidade Fiscal inteira para conseguir fixar. Confesso que ainda acho contabilidade pública muito difícil até hoje.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Renata: na semana que antecedeu a prova, procurei manter uma rotina mais tranquila e focada nas matérias em que eu tinha mais dificuldade. A ideia não era tentar aprender conteúdos novos, mas consolidar o que eu já havia estudado.
Na véspera, assisti às Revisões de Véspera do Estratégia no YouTube e reli meus resumos. No fim do dia, parei de estudar, assisti a alguma comédia na televisão para descansar a cabeça e fui dormir bem cedo. Para mim, era importante chegar ao dia da prova descansada e disposta.
Já no local de prova, aproveitei até o último minuto possível antes de entrar na sala para reler alguns resumos. Era uma forma de fazer uma última revisão e, ao mesmo tempo, me sentir mais segura para começar a prova.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Renata: eu sempre tive facilidade com redação, desde a escola e a faculdade, mas, quando comecei a estudar para concursos, percebi que estava desacostumada a escrever à mão e precisava desenvolver algumas habilidades específicas para a prova discursiva.
Por isso, comecei a treinar bastante. Ao longo de aproximadamente um ano e meio, fiz mais de 50 redações e também fiz um curso específico de discursivas, com correção individualizada. Esse treinamento foi muito importante porque me permitiu identificar meus erros e entender exatamente o que precisava melhorar.
Também aprendi que, em uma prova discursiva, não basta dominar o conteúdo. É preciso prestar atenção à letra, às margens, à organização do texto e, principalmente, ao tempo disponível. Tudo isso precisa ser treinado antes da prova.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Renata: acho que meu principal erro no início foi ter muita pressa para passar. Eu estava impaciente e queria que o resultado acontecesse logo. Isso acabou prejudicando bastante meu desempenho no CNU 1, que foi meu primeiro concurso. Apesar de ter estudado muito, a ansiedade e a cobrança que eu colocava sobre mim mesma fizeram com que eu não conseguisse demonstrar na prova tudo o que havia aprendido.
Com o tempo, fui entendendo que não tinha como controlar tudo e que eu não precisava me cobrar tanto. Aprendi a respeitar mais o processo e a enxergar cada concurso como parte da preparação, e não como uma oportunidade única.
Entre os meus acertos, considero que foi muito importante ter aprendido a estudar de forma mais estratégica, aproveitando melhor o tempo disponível. Outro acerto foi direcionar a preparação para a banca.
No fim, acho que meu maior aprendizado foi entender que mais importante do que estudar desesperadamente muitas horas é ter constância, aprender com os erros e ajustar a estratégia ao longo do caminho.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Renata: sim, na época do CNU1. O dia da prova foi muito difícil para mim, eu não dormi de ansiedade, fui fazer a prova virada e não consegui ir bem como gostaria. Sem experiência de prova, não controlei o tempo de maneira adequada para a redação.
Me senti tão mal que quase não voltei para a prova da tarde. Naquele momento achei que o mundo dos concursos não era para mim. Minha mãe foi a minha principal motivação, sem dúvidas. Proporcionar uma vida melhor para ela sempre será meu objetivo.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Renata: para quem está começando, minha principal recomendação é: tenha paciência e cuide de você durante o processo. Concurso é um projeto de médio a longo prazo, e não vale a pena sacrificar o sono, a atividade física, a alimentação ou a saúde mental para estudar cada vez mais horas. Você precisa estar bem para conseguir absorver e consolidar o conteúdo.
Também aconselho a não colocar sobre si a obrigação de passar na primeira prova. Faça as provas, aprenda com cada experiência e use os resultados para ajustar sua estratégia. O conhecimento vai sendo construído e aproveitado ao longo da trajetória.
Por fim, escolha uma área com a qual você tenha afinidade ou facilidade (administrativa, fiscal, jurídica, controle, entre outras) e procure manter o foco. Evite ficar trocando de área o tempo todo. Quanto mais você permanece em uma direção, mais conhecimento acumula e mais eficiente se torna o seu estudo.