Aprovado no concurso TJ-AM
Faça aquilo que você pode, com constância, com dedicação, sem exageros, que a sua hora vai chegar. Quando você menos acreditar, seu nome vai estar na lista dos aprovados
Confira nossa entrevista com Francisco Érisson Xavier Brandão, aprovado no concurso TJ AM para o cargo de Assistente Judiciário:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam te conhecer melhor. Você é formado em que área? Qual sua idade? De onde você é?
Francisco Brandão: Meu nome é Francisco Érisson Xavier Brandão e tenho 21 anos. Nasci e cresci em Anori (um município do interior do Amazonas) e aos 17 anos vim morar em Manaus (a capital do Estado) para fazer faculdade. Atualmente, estou no 8º período do curso de Direito e estou aprovado em 24º lugar no cargo de assistente judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Francisco: Eu terminei o ensino médio aos 17 anos e não sabia bem o que queria fazer. Por esse motivo, não optei por estudar para vestibular. Muitos familiares meus (inclusive minha mãe) são formados em matemática e, talvez por estar no “sangue”, eu sempre fui muito bom nas matérias de exatas, tanto que alguns professores diziam que eu iria ser engenheiro, físico, matemático ou algo do tipo. Entretanto, eu não conseguia me ver exercendo essas profissões.
Entre o término do meu ensino médio (em novembro de 2016) e o início das aulas nas faculdades (fevereiro de 2017), minha tia estava estudando para um concurso de TRT e me chamou para ir assistir algumas aulas em um determinado cursinho presencial daqui de Manaus. Chegando lá, eu via que os professores eram delegados, juízes, servidores públicos que ganhavam bem e eu me encantei por aquilo e pensei: é isso que eu quero pra minha vida. A partir de então, decidi cursar Direito e, posteriormente, estudar para concursos.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Francisco: Durante a minha preparação, eu fazia estágio no Tribunal de Contas do Estado, de 08h a 13h, e à noite eu ia para a faculdade, de 18:30h a 22:00h.
Então, eu só conseguia estudar para concurso pela parte da tarde.
Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?
Francisco: Dentro das vagas, eu só passei nesse último, qual seja: assistente judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas, em 24º lugar. Entretanto, já reprovei em vários outros (rs).
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados?
Francisco: Eu simplesmente não acreditei. Pensei: será que existe outra pessoa com o nome igual ao meu?
Fiquei em choque. Para mim, parecia algo quase que impossível. Dentre mais de 50 mil candidatos, eu, um menino de 20 anos (tinha essa idade quando saiu o resultado) ter passado nesse concurso tão concorrido, vindo gente de todo Brasil fazer.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Francisco: Eu nunca fui tão radical em relação a isso. Geralmente, eu saía uma vez por semana para ir ao cinema, shopping, beber com os amigos, festas, etc. Lógico que quando estava chegando mais próximo da prova eu evitava um pouco, mas nunca fui de me fechar 100%. Inclusive, minha prova ocorreu em um domingo e na quinta-feira antecedente foi o aniversário da minha irmã. Nesse dia, eu tentei dar meu máximo nos estudos pela parte do dia e à noite fui pra festa e bebi um pouco. Muitos chamariam isso de loucura, mas estou aqui, aprovado.
Estratégia: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?
Francisco: Estou namorando há pouco tempo, mas durante a preparação eu estive solteiro. Moro com minha irmã em Manaus e meus pais moram na minha cidade natal. Sempre tive o apoio da minha família. Minha mãe e meu pai pagavam minha faculdade e me ajudavam a comprar os materiais para estudo. Entretanto, eles não entendem muito como funciona o mundo dos concursos hoje em dia. Saia um edital de um concurso de qualquer prefeitura, eles me mandavam (Kk).
Minha mãe também é concursada pelos correios e já passou em vários outros concursos antes desse, entretanto, foi naquele tempo. Ela achava que eu tinha que fazer igual ela: sair atirando para todo lado. Mas hoje em dia as coisas não funcionam mais assim. Se você não focar em uma área, dificilmente terá bons resultados.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?
Francisco: Acredito que dá sim para conciliar o estudo para concursos diferentes, contanto que eles tenham uma boa quantidade de matérias em comum. Eu foquei no meu concurso, mas fazia as provas semelhantes que apareciam no meio do caminho, era uma maneira de testar meu desempenho e me habituar com aquele clima de fazer provas. Agora que passei, estou focado em concursos de carreiras jurídicas, por exemplo: juiz, delegado, procurador, etc.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso que foi aprovado?
Francisco: Mais ou menos 1 ano. Mas eu não comecei do zero. Eu já estava no 4º período de Direito, então já tinha um pouquinho de bagagem. Assim que saiu a notícia de que teria o concurso, eu comecei a estudar. Entretanto, eu ainda não estava tão focado, pois a faculdade tomava muito o meu tempo. Comecei a levar mesmo a sério uns 6 meses antes da prova.
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Francisco: Eu comecei a estudar quando surgiu a notícia de que haveria concurso para o tribunal, então ainda não tinha edital na praça. Eu me baseei no edital anterior, de 2013. Entretanto, quando saiu o edital, vieram muitas matérias inesperadas que pegaram todo mundo de surpresa.
Durante esse tempo, eu descobri que o celular tirava muito o meu foco, então deixava ele em outro cômodo da casa. Para conseguir manter meus estudos ao longo prazo, eu não estudava até a exaustão. Tinha um ritmo razoável de, em média, 3 horas por dia e forcei até que o estudo virou hábito.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens e desvantagens de cada um?
Francisco: Em quase todas as matérias eu utilizava os PDF´s do Estratégia. Sempre achei eles bem completos e eram mais rápidos para estudar, se comparado às videoaulas. Acho que não tem desvantagens neles.
Entretanto, em matérias que eu tinha mais dificuldades (como português e raciocínio lógico) eu utilizava as videoaulas, pois a compreensão era melhor. A única desvantagem era o tempo para terminar as aulas, em comparação aos PDF´s. Entretanto, vale ressaltar que, por conta do curso de Direito, eu já tinha construído uma base em algumas matérias de Direito por doutrina.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Francisco: O Estratégia tá em todo lugar, em redes sociais, amigos comentando, anúncios, etc. Mas acho que a primeira vez que ouvi falar, foi quando minha tia estava estudando para o concurso de TRT. Ela ia para um cursinho presencial aqui em Manaus, mas usava os materiais do Estratégia.
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que devem ser memorizados. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?
Francisco: No início da preparação eu costumava estudar duas matérias por dia. Conforme ia fechando cada matéria, ia aumentando a quantidade por dia, pois eu começava uma fase de revisão e era muito mais rápido para ver o assunto. Nas duas últimas semanas antes da prova, em que eu já estava em fase de revisão em quase todas as matérias, eu cheguei a estudar 5-6 matérias por dia.
Antes de sair o edital eu fazia muitos resumos manuscritos, mas sempre achei que eu demorava muito para fazê-los. Quando saiu o edital e eu vi a quantidade de assunto que ainda teria que estudar pela primeira vez, desisti dos resumos. Continuei usando os resumos que eu já tinha feito e comecei a só grifar os PDF’s. Hoje em dia não faço mais resumos, pois percebi que o “custo x benefício” não compensa quando se trata de concursos públicos, uma vez que o candidato tem uma quantidade imensa de matérias para estudar e, geralmente, pouco tempo até a prova.
Fui bem equilibrado em relação a questões e leitura de teoria. Entretanto, para algumas disciplinas existiam poucas questões disponíveis (ex: regimento interno do TJ, geografia e outras). Nesses casos, eu focava mais na teoria. O meu plano de estudos foi feito “de cabeça”, não tinha nada anotado. Eu buscava colocar com mais frequência as matérias em que eu tinha mais dificuldades e as que teriam mais incidência na prova (geralmente 2 a 3 vezes por semana). A matérias que eu já tinha fechado e as que eu tinha mais facilidade, dava uma carga menor na semana (geralmente só uma vez na semana). Com exceção das últimas semanas, em que eu tentei estudar o dia todo, eu mantinha uma rotina de, em média, 3h por dia.
Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Francisco: Eu tive um pouco de dificuldade em informática. Em relação a essa matéria, eu tomei uma atitude que não recomendo (rs). Como eu sabia que viria uma quantidade baixa de questões, eu simplesmente deixei de estudar a teoria e, de vez em quando, só fazia algumas questões da banca para tentar descobrir o padrão de como essa matéria era cobrada. No final de tudo, gabaritei essa matéria na prova.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Francisco: Nas duas semanas que antecederam a prova, eu pedi férias do estágio e faltava algumas aulas da faculdade. Quando eu tive que ir à faculdade por algum motivo nessas semanas (trabalhos em grupos, apresentações, etc..), eu levava um fone de ouvido e ficava tentando revisar algum assunto do concurso na sala. Nessas últimas semanas eu passava o dia todo estudando. De 7h a 22h. Claro que eu parava para comer, ir ao banheiro e para descansar por uns 20 minutos de vez em quando. Foi uma semana muito puxada. Minha mãe via o cansaço no meu rosto e pedia para eu parar de estudar um pouco.
Na véspera da prova não foi diferente, estudei até o último momento. Fiquei na frente da sala onde seria aplicada a prova revisando o assunto no celular até dar a hora de entrar.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS.
Francisco: Entre os erros: me comparar demais, principalmente com as pessoas do instagram; fazer resumos desnecessários; não dar a devida importância para os simulados; estudar uma matéria por vez até finalizá-la, dentre outros.
Entre os acertos: Além de fazer o inverso do que relatei nos erros, ter começado a estudar antes do edital sair; fazer bastante questões; estudar com o celular longe, etc.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Francisco: A pressão interna foi mais difícil. Eu sempre achei que não tinha capacidade de passar em uma prova tão concorrida.
Pensei inúmeras vezes em desistir. Inclusive, antes de saber que tinha passado, eu já tinha decidido que não ia mais estudar para concursos de técnico/assistente de tribunal, pelo fato de eu estar cursando direito e, logo logo, teria que estudar para a OAB. Tinha a impressão de que estava perdendo tempo, pois, na minha cabeça, eu não iria passar. Mas mesmo assim não baixei a cabeça, tive fé e fui até o final.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Francisco: A minha maior motivação era poder dar orgulho à minha mãe, à minha família e às pessoas que torciam por mim. Eu sempre quis mostrar para eles que eu tinha capacidade e que poderia/posso ir muito mais longe.
Óbvio que a remuneração do cargo motivou muito, mas o dinheiro não era tudo.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Francisco: Uma dica que eu dou aos iniciantes é para não se deixarem levar pelo que as pessoas postam nas redes sociais. Muitas vezes nem é verdade. Somos seres individuais e cada um tem a sua realidade. Não existe uma regra para se chegar à aprovação. Faça aquilo que você se adapte e que dê certo para você e não simplesmente porque alguém disse que era para fazer.
Eu, por exemplo, fui totalmente o contrário do que as pessoas passam por aí. Tive uma rotina de 3h de estudo, não me privei totalmente da vida social, deixei de fazer resumos manuscritos, não cronometrei horas de estudos, não tive um cronograma todo bonitinho e nem consegui bater totalmente o edital. Mas mesmo assim eu aqui, aprovado.
Então, faça aquilo que você pode, com constância, com dedicação, sem exageros, que a sua hora vai chegar. Quando você menos acreditar, seu nome vai estar na lista dos aprovados.