Aprovada no concurso da TJ AM
“Não sabe o que fazer, estude. Está desmotivado, estude. Está triste, estude. Está no cadastro de reserva, continue estudando. Está aprovado dentro das vagas de um concurso, continue estudando também, porque você não sabe quanto tempo vai demorar até que haja a homologação e sua nomeação. Não pare, pois parar é pior”.
Confira nossa entrevista com Ruth Feitosa, aprovada em 28º lugar no concurso da TJ AM no cargo de Assistente Judiciário:
Estratégia Concursos: Você é formada em que área? Qual sua idade? De onde você é?
Ruth Feitosa: Oi, eu sou formada em Direito pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), tenho 27 anos e sou de Teresina-PI.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Ruth: Antes mesmo de iniciar o curso de Direito em 2011, eu já sabia o que queria: concursos públicos. Mesmo durante os 5 anos do curso, nunca quis sequer estagiar em escritórios de advocacia (apesar de reconhecer que se trata de uma excelente experiência para todo estudante de Direito). Entretanto, o meu foco sempre foi o serviço público. Estagiei na Justiça Federal, Procuradoria da UFPI e, por último, no Ministério Público do Estado do Piauí. O desejo de servir o público, de forma eficiente, impessoal, mas com empatia; de fazer valer Constituição Federal na prática, e os princípios da Administração Pública; de fazer a diferença, prezando pela equidade e justiça dentro do Brasil, isso tudo faz meus olhos brilharem quando ouço falar de concurso público ou serviço público. Além disso, o fato de meu pai ser servidor público do TRE-PI há anos e o exemplo que ele me dá de honestidade e presteza no serviço público, com certeza, me fizeram querer dizer “eu quero trabalhar nisso um dia”.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseira, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Ruth: Eu concluí o curso em 2016. Fiz um trato com meu pai dizendo que queria “só” estudar para concurso. Apesar de ter passado na OAB, eu não queria advogar. Até cheguei a expedir a carteira da OAB, mas a cancelei em 2018, visto que até então nunca havia advogado e não precisava advogar. Reconheço que sou privilegiada nesse aspecto, pois poucos têm a benção de ser sustentado/apoiado pela família até que a aprovação em um concurso chegue. Mas não se enganem nem tenham preconceito, pois, mesmo quem “só” estuda, enfrenta muitos desafios, como por exemplo, a angústia de ter 27 anos e ainda não ter trabalhado (a não ser como estagiária), a angústia de não ter seu próprio dinheiro, suas economias. Essa é a realidade de boa parte dos jovens do país: ao sair da faculdade, não ter onde trabalhar.
Essa angústia de não ter trabalho e ter que ser sustentado pela família, acaba com o psicológico da gente. A pressão de passar logo no concurso (e o desespero é tão grande que qualquer concurso serve) é enorme, talvez até maior do que a de quem tem um trabalho e estuda. Detalhe: eu estudo há 4 anos. Apesar de ter passado em alguns concursos, a maioria foi no cadastro de reserva, então imagina aí minha angústia e a pressão que eu mesma fazia em mim?
Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovada? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?
Ruth: O primeiro concurso que fiz pra valer, estudando de verdade, foi o TRF-5, 2017, em Fortaleza. Estava focada até então na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), mas como o edital da CLDF estava demorando e o edital do TRF tinha muita similaridade com os estudos da CLDF, acabei fazendo a prova como treino. Fiquei em 25º para Analista e em 68º para Técnico (salvo engano, porque faz tempo e não lembro mais a posição exata).
Acho que depois fiz a Câmara Municipal de Salvador, em 2018, e fiquei em 6º para Analista Legislativo – Área Processo Legislativo. Depois, fiz a prova do concurso em que estava focada, CLDF, e passei em 157º (eu acho) e fui eliminada na prova prática de Informática (foi o concurso que, sem dúvida, mais me dediquei).
Depois, fiz Ministério Público da União (MPU). Só tive 20 dias, mais ou menos, entre a prova da CLDF e do MPU, era pouco tempo pra estudar o que faltava, e como diziam: “só coloque seu nome entre os mil aprovados em Brasília que você será chamada”. Fiz a prova e fiquei em 424º, consegui colocar meu nome entre os mil. Quando o órgão quiser me chamar, eu vou (risos).
No mesmo ano, fiz a prova de Analista da Advocacia Geral da União (AGU). Pouquíssimo tempo de estudo entre MPU e AGU também. Apesar de ter ficado em 50º, não passei porque eram apenas 30 vagas. Acho que depois, em 2019, fiz a prova da Câmara Municipal de Petrolina, passei em 43º, mas eram apenas 30 vagas.
Em seguida, fiz a prova de nível médio da UFPI e passei, mais ou menos na 24º posição. Fiz a prova da UNILAB, e não passei. Fiz a do TJ CE, não passei (sequer fiquei no cadastro de reserva, mesmo com muita dedicação). Fiz TJ MA, para nível médio, só com a “bagagem” de conhecimento que tinha adquirido ao longo desses anos e passei por volta da 50º posição.
Em 13 de Outubro de 2019, fiz a prova, em Manaus, do TJ AM, para nível médio, que finalmente me rendeu aprovação dentro das vagas, em 28º posição, depois de tantos Cadastros de Reserva. No mesmo ano, fiz o processo simplificado de temporários do IBGE, que me redeu o 2º lugar, mas era só uma vaga no município de Regeneração-PI. E, por último, no começo de 2020, em janeiro, fiz a prova da ALEPI (Assembleia Legislativa do Piauí), que me rendeu o 2º lugar na prova de redação e o 4º lugar (sem contar os desempates) na prova objetiva, no cargo de Analista Legislativo – Área Redação Parlamentar.
E eu acho que só. Mas só para saber: nunca parei de estudar, não. Depois da prova, no outro dia, eu estava “no batente” de novo estudando.
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados?
Ruth: Não acreditei que era meu nome. Perguntei mil vezes para as pessoas se aquela RUTH OLIVEIRA FEITOSA na lista de aprovados era eu mesma. Honestamente, fiquei pensando em como Deus é bom. Fiquei sem acreditar. Nesse dia, estava na biblioteca estudando, como sempre. Quando vi meu nome, imediatamente liguei para minha casa para avisar. Não conseguia mais continuar estudando naquele dia e voltei para casa para comemorar com minha família. O TJ-AM foi o primeiro concurso, em 4 anos, que me rendeu a aprovação dentro das vagas. Depois de 4 anos, você começa a pensar se o caminho que você escolheu é o certo. Desde sempre tenho amor pelo serviço público. Desde sempre quis concurso público. Sempre pedi para que Deus não me deixasse advogar, era tudo o que menos queria na vida.
Depois de 4 anos estudando sem parar; e vendo a sua idade avançar; a situação econômica, financeira e política do país se afundar; os concursos se tornando cada vez mais difíceis, tanto por conta da corrupção, da falta de dinheiro, como por conta da concorrência altamente qualificada; você começa a se perguntar se isso é realmente para você. Costumava ler os depoimentos de aprovados, era uma coisa que me motivava, mas com o tempo, passou a me angustiar, porque a grande maioria dos depoimentos que eu lia eram de pessoas que haviam passado 3 meses a 1 ou 2 anos estudando. E eu já estava no 4º ano, só acumulando aprovação no Cadastro de Reserva. Eu queria mais, eu queria passar nas vagas.
No dia anterior ao resultado provisório do TJ-AM sair, eu havia chorado de cansaço, não por simplesmente ter estudado naquele dia, mas porque não aguentava mais estudar para concursos. E naquele dia eu orei a Deus, disse que não estava mais aguentando continuar estudando, que eu estava cansada de só ficar em cadastro de reserva. Eu disse que não queria mais aquilo para mim; eu disse, naquela noite, que se fosse da vontade de Deus, que eu continuasse na luta, que então ele “me desse” uma vaga em algum concurso público que eu fizera, em qualquer lugar do país, mesmo que fosse longe de casa, mesmo que fosse no “fim do mundo”, no cargo público mais humilde que fosse, eu só queria uma vaga certa, porque estava cansada de estudar.
Já me dando por vencida, pedi que meu primo, advogado, me arrumasse um emprego em algum Escritório. Isso tudo na noite anterior ao resultado do TJ AM. Quando acordei no outro dia, estudei normalmente como sempre faço, na biblioteca. Depois, fui ver a lista dos aprovados no concurso do TJ AM. E para minha surpresa, tinha passado em 28º lugar, em um concurso com mais de 50 mil inscritos só para o cargo que me inscrevi (nível médio). De longe, foi o concurso que eu menos estava preparada, pois fazia “séculos” que não estudava Direito Processual Civil e Penal, tive que iniciar do zero essas disciplinas e em pouco tempo (menos de 2 meses). Não sei até hoje como, mas fechei as duas disciplinas na prova. Certa vez, uns amigos me disseram que quando fosse minha vez, a prova “viria para mim” e eu saberia responder as questões.
Tem um versículo na Bíblia que tem me ajudado desde a época do vestibular: “prepara-se o cavalo para a batalha, mas de Deus vem a vitória” (Provérbios 21:31). Não importa quanto tempo você precisa se preparar para a batalha, se você acredita e confia sua vida em Deus, Ele sabe o momento certo de você passar na prova e em qual cargo e em qual órgão público; a prova virá para você nesse dia, mesmo que você não perceba, como eu não tinha percebido.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Ruth: Acho que fui bem radical. Na verdade, eu acho que sou uma pessoa bastante disciplinada. Sempre fui muito caseira, só saía para fazer meu Muay Thai todos os dias, à noite, pois de manhã é meu horário de estudos e preciso espairecer depois, à noite.
Domingo eu não estudava. Quando você estuda focado por tanto tempo, você precisa de um dia na semana para descansar. Nesse dia, dormia até mais tarde e ia à Igreja também. Às vezes saía com alguns amigos, mas evitava ao máximo sair para locais que precisassem ser pagos. Eu preferia ver meus amigos em uma atividade que não requeresse recursos financeiros, não demorasse até tarde (porque de manhã acordo às 5h para estudar) e que fosse na casa de alguém, algo mais caseiro mesmo.
Também costumava ver meus familiares só quando tivesse acabado de estudar. Para mim, diversão só pode vir depois dos estudos. Isso eu faço inclusive no pós-edital. Ah, rede social não tinha nenhuma, desde de 2016. Fui começar a ter agora o Instagram, em 2020.
Estratégia: Você é casada? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseira? Se sim, de que forma?
Ruth: Sou solteira, moro com meus pais e 2 irmãos mais novos que eu, e SEMPRE me deram apoio, especialmente nos meus piores dias. Sou grata a Deus pela família que tenho, pois também sei que poucos têm a benção de ter apoio familiar. No meu caso, o apoio não veio só da minha família, mas de familiares e amigos verdadeiros.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior? (Se esse ainda não é o concurso dos seus sonhos, se possível, citar qual é e se pretende continuar se preparando para alcançar esse objetivo).
Ruth: Quem me conhece sabe que eu só falo em concurso do Senado Federal (risos) e que meu sonho é ser Analista Legislativo – Área Processo Legislativo. Fazer a diferença nesse órgão público e estimular a formulação de leis mais justas para a nossa nação, é o que faz meu coração disparar e meus olhos brilharem.
Sim, eu acho importante fazer outros concursos públicos, especialmente se seu foco é a área legislativa, em que há raríssimos concursos, e com pouquíssimas vagas imediatas. Eu concluí meu curso em 2016, e saí sabendo que queria o Senado Federal. Porém, como estava demorando para sair o concurso do Senado, resolvi focar exclusivamente na CLDF, o que durou mais ou menos 3 anos. Apesar de ter sido eliminada nesse concurso (que até hoje foi o que eu mais me preparei), ele foi muito importante para construir minha base forte em Direito Constitucional, Administrativo, Português, Raciocínio Lógico e Informática.
Nesses quase 3 anos de CLDF, eu fiz o TRF 5 e a Câmara Municipal de Salvador. Não é que eu tenha atirado para todos os lados e tenha feito todos os concursos, mas é que os concursos que iam aparecendo se diferenciavam muito pouco do concurso legislativo da CLDF. Já pensou se eu ficasse 4 anos só estudando para o Senado Federal e, no fim das contas, não passasse? Na CLDF, eu foquei durante quase 3 anos e fui eliminada. Naquele tempo não agüentava mais sequer ler a Lei Orgânica do Distrito Federal (risos), eu tinha tudo na minha cabeça, mas não passei. Talvez meu emocional tenha me prejudicado muito no dia da prova. Fiquei no 154º (por volta disso) na prova objetiva e fui eliminada na prova prática de informática.
Enquanto isso, as provas do TRF5 e Câmara de Salvador me renderam belas aprovações, em ótima posição no cadastro de reserva, entende? Então sim, você precisa fazer outras provas, desde que você não se desligue do seu foco. Faça provas que tenham pelo menos 70% a ver com aquilo que você estuda, com o que é seu foco verdadeiro. É isso que aconselho. Ah, outra coisa importante: eu queria passar nas vagas de um concurso qualquer, para que eu pudesse estudar única e exclusivamente em paz para o Senado Federal. Se esse concurso que tanto almejo não desse certo, ao menos teria outro para segurar minhas pontas, que no caso foi o TJAM. Depois do resultado do TJAM, voltei a focar no Senado Federal e hoje estou aqui, estudando tranquilamente para ele. Com a aprovação no TJ AM, sinto que tirei um piano das costas e me sinto mais livre, menos pressionada, e mais confiante em estudar só para o Senado Federal.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso em que foi aprovada?
Ruth: Especificamente para o TJ AM, acho que uns 2 meses ou menos. Apenas estudei aquilo que estava faltando, como Processo Civil e Processo Penal; as partes mais específicas também, como Estatuto dos Servidores Estaduais do Amazonas e as Resoluções do CNJ também foram estudadas só nessa época. O restante do edital já tinha visto tudo, era só revisar por questões.
Em relação à ALEPI, acho que devo ter focado menos de um mês. Tive que fazer poucas modificações nos meus estudos, porque havia me inscrito para a prova de analista legislativo – área redação parlamentar. Basicamente, essa prova era feita só de questões de português. Foquei muito mais na redação, pois esse seria o diferencial. Inclusive, minha redação me redeu o 2º lugar na prova de redação do referido cargo.
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Ruth: Várias vezes. Na verdade, como meu foco sempre foi legislativo, tive que deixar passar vários concursos bons, porque eles não tinham nenhuma afinidade com o que eu estava estudando. Até doía um pouco o coração (risos). Mas, por exemplo, no concurso da CLDF eu tive que passar 1, quase 2 anos, estudando pelo edital antigo, antes de ser publicado o novo edital do concurso.
Motivação? Na verdade, eu acho que sou movida mais a disciplina do que à motivação. Motivação nem sempre você terá, mas disciplina é o “core business”, ou o coração da coisa toda. O que você precisa ter para passar em concurso público é disciplina e resiliência. Talvez, você que está lendo não acredite no que estou lhe falando, mas meus pais e, principalmente, Deus sabem quantas vezes fui para minha mesa de estudos ou para a Biblioteca chorando depois de uma não aprovação. Eu estudava muitas vezes chorando (risos). Mas eu dizia para mim mesma: “Ruth, engole o choro, porque agora é hora de estudar. Depois, à noite, quando você for dormir, você chora à vontade e se lamenta; mas agora não”. E eu falava isso em 3º pessoa mesmo para mim (risos).
Acho que cada tem sua forma de lidar com a tristeza da não aprovação. Muitos acham exagero que no outro dia, depois da prova, eu já vá estudar ou que eu não fique de “luto” nem uma semana para chorar depois de uma reprovação. Como eu disse, acho que cada um tem a própria forma de lidar com isso, mas se fosse para aconselhar, com certeza, eu falaria para a pessoa não parar de estudar, só cumpra o seu dever diário, deixa para chorar depois que concluir os seus estudos. Se for preciso diminuir sua carga horária para se concentrar, diminua, mas não deixe de estudar, mesmo chorando.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Ruth: Desde a época da Universidade eu já conhecia. Era o melhor (e na minha opinião, continua sendo o melhor). Eu não gosto de videoaulas, eu gosto de ler, amo ler, amo estudar grifando, então achei os PDFs do Estratégia incríveis mesmo. Inclusive, continuo estudando para o Senado Federal por meio dos PDFs do Estratégia Concursos.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? O que funcionou melhor para você?
Ruth: Só os PDFs do Estratégia Concursos são o suficiente para mim. Também contratei o Coach Dinaldo Nogueira do Estratégia Concursos para me ajudar e me ensinar como se estuda para concurso. Não é besteira e não é fraqueza pedir ajuda para um especialista lhe ajudar a chegar onde você quer. O Dinaldo me ensinou a grifar meus PDFs e revisar só pelas marcações. Eu havia dito para ele que não gostava de resumo, e que essa técnica de grifar e só revisar pelas marcações, eu já usava desde a época da escola. Dei graças a Deus que ele não me pediu para fazer resumos de tudo, mas apenas do que eu achasse necessário (o que foi preciso em algumas matérias). Com certeza aprendi a estudar de forma correta com o Coach Dinaldo Nogueira, que inclusive tem o mesmo cargo que eu almejo no Congresso Nacional, sem dúvidas, é uma grande inspiração para mim. E os PDFs, para mim, são a melhor forma de se estudar para concurso.
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo concursando é a quantidade de assuntos que deve ser memorizada. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?
Ruth: O Dinaldo me ensinou a estudar por meio de ciclos semanais. De segunda a sábado, estudava (e ainda estudo da mesma forma), colocando 4 ou 5 disciplinas por dia, 50 minutos para cada uma, em geral. Esse tempo para cada disciplina e o número de disciplinas por dia variam no pós-edital ou se eu estiver muito fadigada dos estudos. Faço revisões de 24h, 7 dias e 30 dias. Essas revisões, por mais chatinhas que sejam, são essenciais para se memorizar o conteúdo, garanto. No pré-edital, acho que estudo em torno de 5 a 6 horas líquidas. No pós-edital, se estiver faltando muita coisa para estudar e pouco tempo para a prova, por volta de 8 horas líquidas. Caso contrário, simplesmente mantenho o ritmo que eu estava no pós-edital, mantendo sempre as revisões. Se um dia não der para estudar e você tiver que escolher entre estudar um assunto novo ou fazer suas revisões de 24h, 7 dias e 30 dias, recomendo que você prefira fazer as revisões.
Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Ruth: Com certeza. Eu sou péssima em Matemática/Raciocínio Lógico. Mas estudando da forma que eu disse antes, lendo os PDFs e exaurindo 100% das questões que os professores dispõem no material, é o suficiente para aprender essas matérias. As questões de raciocínio lógico se repetem muito, assim como as de português, então é só uma questão de tempo para você não sentir mais tanta dificuldade como no início.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Ruth: Na semana da prova eu foco exclusivamente em revisão, seja por questões, seja por grifos de PDF (já que não faço resumo). Na véspera da prova, geralmente no sábado, estudo normalmente, só com revisões, porém, em geral, nesse dia coloco coisas pontuais para revisar. Acredito que o tempo de estudar para a prova já se passou. A semana e a véspera da prova são para revisão e relaxamento. As revisões de véspera (aquelas que duram o dia todo) são boas, porém recomendo que você não a assista toda, pois é extremamente cansativo, então foque naquelas disciplinas que você tem mais dificuldade. Eu prefiro fazer minhas próprias revisões, porque sei onde eu preciso revisar para a prova. Eu utilizo as revisões de véspera do Estratégia quando realmente preciso em alguma disciplina que eu me considere fraca ou que esteja com medo. Vou dar um exemplo: na prova do TJ AM, de Teresina para Manaus, foram 12 horas de voo, contando com as escalas. Acordei de madrugada e só fui chegar em Manaus umas 16h, no horário de lá. Como eu estava com muito medo de Processo Civil e Processo Penal, no Aeroporto e quando cheguei no hotel em Manaus, eu assisti exclusivamente as revisões das referidas matérias. E foi essencial. Muita coisa dessas disciplinas só consegui responder, por causa da revisão de véspera que eu tinha assistido do Estratégia.
Estratégia: Como foi seu estudo para as provas discursivas? O que você aconselha?
Ruth: No TJ AM não houve prova discursiva, mas na ALEPI (Assembleia Legislativa do Piauí), houve. E para minha surpresa fiquei em 2º lugar na prova de Redação. Acho que se você já sabe fazer redação, o importante é treinar temas e mais temas. Foi isso que eu fiz. Mas se você não sabe, é preciso fazer algum bom curso de redação para aprender. Costumo treinar redação somente no pós-edital. Geralmente, para treinar redação, eu utilizo os temas de redação dos professores do Estratégia e peço para uma amiga corrigir depois. Como são muitos temas e é pós-edital, em geral, faço umas 3 redações por semana, ou mais, com temas diferentes, logo após ter estudado as matérias do dia.
Quanto mais temas você treinar, mais chances você terá de escrever uma boa redação no dia da prova, ainda que seja um tema diferente daquilo que você treinou. Outra redação que fiz e que me ajudou a subir a colocação foi a da prova da Câmara Municipal de Salvador. A banca era FGV e a redação valia 20 pontos. Nessa prova, fiz 19,8 pontos. Perdi 0,2 décimos por conta de uma preposição. Essa pontuação me ajudou a sair do 7º lugar da prova objetiva para o 6º lugar.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?
Ruth: Acho que em relação à forma como eu estudo, eu não mudaria nada, pois já me adaptei a ela. Foi um acerto desde o princípio perceber que eu não sabia estudar certo e contratar um coach para concursos, para que pudesse me ajudar inicialmente. Se você sabe que quer concurso, mas não sabe estudar, invista alguns poucos meses em um coach. É o suficiente. Valeu a pena cada centavo investido nisso. Não me envergonho de dizer que precisei de ajuda de um coach de concursos.
Em relação aos erros, certamente um deles foi forçar muitas vezes a barra e continuar estudando, quando eu estava visivelmente cansada. Não force a barra quando estiver cansado, mas force quando estiver com preguiça ou triste demais por causa de uma reprovação. Outro erro foi fazer tanta pressão em mim mesma, e acabar levando isso para o dia da prova. Talvez tenha sido por isso que eu não tenha passado na CLDF: estava há quase 3 anos estudando para esse concurso e, na minha cabeça, era inadmissível eu não passar nas vagas. No dia da prova, eu estava nervosa, não soube remir o tempo de prova e isso acabou me tirando do páreo.
Outro erro foi ler depoimentos de aprovados que nada tinham a ver comigo. Me sentia horrível vendo as pessoas passarem mais rápido do que eu (e talvez a maioria dos depoimentos sejam realmente assim). Procure ver depoimentos de aprovados que tenham uma vida parecida com a sua. Eis aqui um depoimento de alguém que demorou 4 anos para passar nas vagas de um concurso e dizer adeus aos tantos cadastros de reserva. Cada um tem o seu tempo, Deus sabe o seu tempo.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Ruth: O mais difícil foi continuar na batalha por 4 anos, estudando continuamente e honestamente, e ver concursos sendo fraudados; ver os órgãos públicos enchendo-se de comissionados que nada sabem do órgão para o qual vão trabalhar e que não têm preparo para estar lá dentro, em detrimento de várias pessoas competentes que estão no cadastro de reserva, pedindo a Deus que sejam chamadas. Eu fui uma dessas pessoas e conheço a realidade de quem fica no cadastro de reserva. Infelizmente, isso ocorre escancaradamente na grande maioria dos órgãos públicos do Brasil. Foi difícil ver os concursos dos últimos anos diminuindo, assim como a quantidade de vagas, pois a primeira coisa que se passa na cabeça é: e se não tiver vaga para mim? Isso é que é o mais difícil, e não estudar todos os dias. Existem pessoas extremamente capacitadas nos cadastros de reservas de todo o Brasil sendo trocadas por pessoas despreparadas. Talvez seja por isso que o serviço público no Brasil é malvisto por boa parte dos brasileiros.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Ruth: O Senado Federal, em particular o cargo de Analista Legislativo – Área Processo Legislativo. A cada reprovação eu só pensava: é melhor reprovar e me dar mal agora, do que no concurso do Senado Federal. Não perca de vista o final, aonde você quer chegar ou o que você quer por meio do concurso público. Lembre-se de sua motivação diariamente.
Em 2017, tirei uma foto em frente ao Congresso Nacional e há 3 anos ela é a proteção de tela do meu celular, então, toda vez que abro o celular, a primeira coisa que vejo é essa foto. Nesse dia, fui visitar pela primeira vez o Congresso Nacional por dentro. O plenário do Senado estava fechado para reforma, então os visitantes só puderam ver o plenário da Câmara dos Deputados. No início eu fiquei triste, porque o que mais queria ver era o plenário do Senado azulzinho. Até disseram para mim que eu poderia vê-lo depois, em outra oportunidade.
Eu tive outra oportunidade de ver de novo o Congresso e o plenário do Senado, mas não quis ir, porque eu disse para mim mesma que eu só pisaria de novo no Congresso Nacional se fosse para tomar posse. Nesse dia, eu espero poder ver pela primeira vez o plenário do Senado Federal. E essa é minha principal motivação. Mas, mais do que motivação, tenha disciplina! Isso vale mais que motivação, muito mais.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Ruth: Se tem dificuldade de arrumar seus estudos, peça ajuda a quem está “na carreira” há mais tempo. Se tiver um pouco mais de recursos, invista num coach para concursos, pelo menos por alguns meses. Não se envergonhe em pedir ajuda para estudar. Aproxime-se de pessoas que o coloquem para cima quando estiver triste por causa de uma prova. A Bíblia diz que há amigos que são mais chegados que um irmão (Pv 18:24). Foque em uma área e não saia dela. Faça outras provas que se assemelhem com as disciplinas que você está estudando, pois pode ser numa dessas que você passe. Eu não estava focada no concurso do TJ AM, mas passei nas vagas. Meus melhores resultados foram em provas em que não estava focada, enquanto que na que eu mais me preparei (CLDF), eu fui eliminada. Em Pv. 16:1, a palavra de Deus diz “as pessoas podem fazer seus planos, mas de Deus é a última palavra”. Não sabe o que fazer, estude. Está desmotivado, estude. Está triste, estude. Está no cadastro de reserva, continue estudando. Está aprovado dentro das vagas de um concurso, continue estudando também, porque você não sabe quanto tempo vai demorar até que haja a homologação e sua nomeação. Não pare, pois parar é pior.