Aprovadas no Concurso TCDF
O objetivo deste texto é trazer a todos uma entrevista realizada com as colegas Cinthia Thomazi e Luiza Barcellos, aprovadas no último concurso do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).
Cada pessoa tem seu método de estudar. Elas obtiveram sucesso estudando em dupla e vão falar um pouco disso para a gente.
Aproveitamos para parabenizar novamente a Cinthia, a Luiza e todos os outros nomeados (grande parte alunos do Estratégia), bem como agradecer pela entrevista concedida, que servirá de estímulo aos colegas que continuam na luta!
Prof. Sérgio Mendes: Cinthia e Luiza, contem um pouco de sua formação e trajetória.
Cinthia: Sou engenheira mecânica formada pela UnB e iniciei minha jornada para concursos públicos em 2006, após anos de decepção com a iniciativa privada. Até mesmo pela minha formação, tinha grande resistência em estudar para concursos. Só em pensar ter que estudar esse mundo de “Direitos”, ficava desanimada.
Em 2009 optei por estudar para a área fiscal com foco no concurso para auditor da RFB. Saiu o concurso para nível médio do MF, fiz a prova e fui aprovada. Na RFB percebi que a atividade fiscal não era exatamente o que eu imaginava e decidi pesquisar sobre as carreiras para então decidir para que área estudar.
Foi então que simplesmente ME APAIXONEI pela área de controle e foquei 100% dos meus esforços nos estudos para o TCU a partir de 2010. Fiz TCU em outubro/2011 e meu desempenho foi desconcertante. Nunca imaginei que tanto esforço pudesse me render tão pouco resultado e passei pela “ressaca pós-prova”, em que deixei de acreditar em mim. Mas o desânimo logo teve que ser superado, pois em pouco tempo (dez/2011) saiu o edital do TCDF e não pude ignorar o destino.
Foi nesse momento que decidimos, eu e a Luiza, estudarmos juntas com se essa fosse a última chance de nossas vidas, era tudo ou nada.
Luiza: Sou farmacêutica, formada pela Unb. Assim que formei fiz duas pós graduações na área, uma em Bioética e outra em Vigilância Sanitária. Cheguei a estudar para concursos da área, mas a falta de perspectiva me fez procurar novos ares. E nada melhor que começar a estudar tudo novo, do zero. Até hoje lembro quando ouvi falar sobre a disciplina “AFO”, pois na minha cabeça aquilo ali só podia ser coisa de gente surtada. “Plano Plurianual?” Só podem ter ingerido algum alucinógeno, ninguém em sua sã consciência sabe esse tipo de coisa. E os direitos? Eu lia, relia e não entendia como aquilo não podia ser escrito na forma de uma reação química, com setinhas. Enfim, aos poucos aquelas loucuras foram entrando na minha cabeça e começando a fazer sentido.
Em 2009, passei no concurso do DF para Auditor de Controle Interno. Fiquei um tempo sem estudar até que resolvi que queria prestar o famoso concurso do TCU. Como nem tudo são flores, “me lasquei” na prova do TCU. Hoje em dia vejo que realmente não estava preparada, pois o emocional é decisivo na hora da prova e eu estava muito nervosa. No TCDF estava mais calma, mas consciente.
Prof. Sérgio Mendes: Como foi o seu ritmo de estudos após a publicação do edital do concurso para o TCDF?
Cinthia e Luiza: O edital do TCDF foi desanimador. Uma série de disciplinas que nenhuma de nós jamais tinha estudado, como fiscalização de obras e de TI, além do aumento do conteúdo de Economia, que nunca foi nosso forte.
Muitos comentavam nos fóruns que se tratava de “concurso para astronauta”, uma vez que concentrou em uma única prova as áreas que o TCU costuma separar em três provas distintas (Auditoria, Obras e TI). Ué, mas se o concurso era para astronauta e alguém tinha que “chegar à Lua”, que fossemos nós!
Foi então que saiu o edital do Senado… ô editalzinho bendito. Desviou o foco de muitos candidatos que, além de assustados com o edital do TCDF, também viram no Senado a possibilidade de melhor remuneração.
Foi então que percebemos, NOSSA HORA É AGORA!
Estudávamos de 2ª a sábado segundo um cronograma que revisávamos semanalmente. Os domingos eram dedicados às questões discursivas e serviam como “reserva” caso não conseguíssemos cumprir as horas determinadas para a semana. Fazíamos mapas mentais de tudo que estudávamos, que eram organizados em pastas. A quantidade de pastas passou a exigir que as carregássemos em caixas, como aquelas usadas para engradados de cerveja. Éramos motivo de piadas entre os familiares em razão disso.
O estudo para o TCU foi fundamental para o nosso sucesso no TCDF. Em boa parte das disciplinas nos concentramos nos exercícios e em revisões. Mais fundamental ainda foi o estudo em grupo. Tínhamos sempre uma à outra para motivar, discutir, compartilhar. Revezávamos na tarefa de “levantar a moral” uma da outra e de dar um “sacode” quando o desânimo batia. A fixação do conteúdo era mais eficiente quando resultava de uma discussão calorosa ou de uma piadinha oportuna. Nunca me esquecerei (Cinthia) dos tópicos de LRF que decoramos dentro do carro, em plena Avenida W3, uma das principais de Brasília…rsss.
Nas últimas três semanas antes da prova tiramos férias do trabalho e nos dedicamos exclusivamente aos estudos. Diversas vezes estudávamos em pé ou caminhando pela casa (para não dizer pulando hehehe) para vencermos o sono e o cansaço, que a essa altura nos tomavam com frequência.
Prof. Sérgio Mendes: Fora a caminhada pela casa (rsrs), vocês praticavam alguma outra atividade física?
Cinthia e Luiza: Esse é um ponto em que nós duas somos opostas. Eu (Luiza) adoro esportes. Preciso para manter o equilíbrio. Não consigo abdicar do esporte para estudar, mas detalhe, não abdicar implicou acordar às 5hs da manhã para não comprometer os estudos do dia. Mesmo assim, tive que reduzir o tempo gasto. Durante nossas férias, eu calculei o tempo que tinha disponível para correr antes que a Cinthia chegasse. Quando ela chegava eu já tinha quase corrido uma maratona e ela ainda meio sonâmbula.
Já eu (Cinthia) sou uma sedentária nata, daquelas que vai à padaria de carro. Porém a pressão dos estudos era tamanha que precisava de uma forma de aliviá-la e a Luiza me recomendou a hidroginástica. Foi providencial. Contava os dias para que chegasse a aulinha e mesmo sem grande esforço físico (era uma turma da 3ª idade), a mudança de ares e o contato com a água me deixava renovada.
Prof. Sérgio Mendes: Quais foram os principais erros e dificuldades durante sua preparação?
Cinthia e Luiza: Acho que um erro comum a nós duas era de querer fechar o edital. Não aceitávamos a ideia de ir para a prova sem ter estudado 100% do conteúdo e isso é impossível. Pelo menos na nossa realidade (trabalhando e estudando), simplesmente não havia essa possibilidade.
Para o TCU ainda pensávamos assim, e reconhecemos que foi um erro estratégico. Já para o TCDF repensamos nossa tática e focamos naquilo que achávamos ser nossa “vantagem competitiva”. Matérias como Direito Administrativo, Direito Constitucional, Controle Externo, Administração Financeira e Orçamentária e Auditoria eram nossos pontos fortes; enquanto que Obras e Economia, os fracos, sendo que todos teriam o mesmo peso segundo o edital.
Temíamos apenas que caísse uma questão discursiva de Obras (que se confirmo), então não abandonamos completamente a disciplina, apenas nos concentramos nos assuntos com maior probabilidade de cair.
Outra dificuldade é controlar o emocional. Não é fácil após uma série de derrotas, inclusive uma recente (TCU/2011), manter a autoconfiança. A calma na hora da prova é tão importante quanto todo o conteúdo estudado. Estamos depositando nossas esperanças naquelas 200 bolinhas e decidir qual delas marcar é também um jogo de estratégia e a calma é fundamental nessa hora.
Não sabemos até hoje como sobrevivemos a tantas TPMs uma da outra sem nos matar.
Prof. Sérgio Mendes: Que materiais você usou para sua preparação?
Cinthia e Luiza: Na reta final focamos principalmente em exercícios. Aulas presenciais já tinham estourado a cota no preparo para o TCU, então utilizamos aulas em .pdf do Estratégia Concursos para otimizar nosso tempo. A possibilidade de focar apenas nos assuntos que desejamos e a versatilidade de poder estudar a qualquer hora e em qualquer lugar são o ponto forte desse tipo de método de estudo, porem exige dos candidatos maior disciplina.
Destacamos o material dos professores Sérgio Mendes (Administração Financeira e Orçamentária) e Cyonil Borges (Direito Administrativo) que, sem duvida, foram de grande importância em nossa preparação. Acreditamos que o diferencial foram as discussões sobre os exercícios aliadas aos comentários dos professores.
Prof. Sérgio Mendes: Como era a vida social de vocês durante a preparação para concursos? Vocês saíam com amigos, família, etc? Ou adotaram uma postura radical, abdicando do convívio social para passar no concurso o mais rápido possível?
Tivemos que abrir mão de várias coisas, não tínhamos tanto tempo disponível para ficar com a família e amigos, afinal sempre estudamos e trabalhamos. Isso não significou que ficamos isoladas do mundo, sem comunicação. Estabelecemos um cronograma semanal, incluindo um dia de reserva para fazermos o que queríamos, quando o previsto era cumprido podíamos gastar a reserva como queríamos. Lógico que o tempo disponível não era o mesmo que em “tempos normais”. Algumas vezes íamos estudar no parque enquanto tomávamos água de coco (olha que o estudo rendia de verdade!). A companhia uma da outra foi fundamental para mantermos a sanidade mental, o isolamento traz certa frustração que conseguíamos driblar estudando juntas. Acreditamos que o equilíbrio é fundamental, não dá para se fechar numa bolha e esquecer que existe um mundo lá fora, não atender telefone e ignorar os amigos. É lógico que também não dá para ir para balada todo dia.
Prof. Sérgio Mendes: Todos os concurseiros passam por muitas dificuldades na caminhada até a aprovação. Que palavras você gostaria de transmitir a quem continua sonhando com a conquista de um cargo público?
Cinthia e Luiza: Persistam. Não há qualidade maior no ser humano que a persistência. Não somos nem mais nem menos inteligentes que ninguém, somos apenas persistentes. Sempre que virem um nome no Diário Oficial, tenham a certeza de que todos ali passaram por tudo que você esta passando agora e não desistiu. É possível, não há mágica. É apenas DEDICAÇÃO.
ABSOLUTAMENTE TUDO VALEU A PENA, certamente faríamos tudo de novo!
Espero
que tenham gostado da entrevista.
Forte abraço!
Sérgio
Mendes