Aprovado no concurso SEFAZ-AL
“Acho que o maior conselho que posso dar é ter paciência e controlar a ansiedade, porque tudo tem seu tempo. Não adianta se apressar nos estudos para tentar chegar ao nível avançado logo sem uma boa base. Estudar para concurso não é uma corrida, é uma maratona”.
Confira nossa entrevista com Danillo Barros, aprovado em 28° lugar no concurso SEFAZ-AL no cargo de Auditor Fiscal
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você. De onde você é? Qual é a sua idade? E sua formação?
Danillo Barros: Sou natural de João Pessoa, mas atualmente moro em Campina Grande. Tenho 26 anos e sou formado em estatística.
Estratégia: Você chegou a trabalhar na sua profissão? O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Danillo: Infelizmente não cheguei a trabalhar como estatístico, apesar de meu plano de vida ser me formar, pegar alguma experiência na iniciativa privada e tentar algum emprego no exterior para voltar a morar fora (fiz um intercâmbio na área de estatística nos EUA durante 1 ano).
Em 2016, estava terminando meu curso, porém já morava com minha namorada (atualmente esposa) e nós trabalhávamos em um call-center quando eu fui demitido. Ela continuou no trabalho, mas só a remuneração dela não dava para nos manter. Meu irmão falou que ia abrir o concurso para assistente administrativo na UFCG alguns meses depois. Então decidi me preparar para este concurso. Comecei em fevereiro e o edital saiu em abril, com as provas sendo realizadas em junho. Nesse período de estudo pra concurso também foi estressante porque estava terminando o meu TCC. Estudava muito para os dois.
Acabou que passei no concurso e me deu uma estabilidade. Daí em diante, não via mais sentido em tentar ir para o sudeste, com o objetivo de ir para iniciativa privada e depois tentar ir morar no exterior. Então decidi que queria seguir a vida de concurseiro.
Estratégia: Como foi a escolha pela área fiscal? O que pesou mais para você quando teve que definir esse foco de estudo?
Danillo: Acho que para quem é de exatas como eu, talvez seja a área mais confortável, visto que cobra algumas matérias de exatas como a própria estatística. Além disso, eu não tinha interesse nas outras áreas, como a policial. A área judiciária tem o problema de ter poucas vagas, então eu a descartei. A escolha da área fiscal acabou sendo tranquila.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava trabalho e estudos?
Danillo: Desde que comecei a estudar para concurso, nunca pude só estudar para concurso. Sempre trabalhei e estudei, porém no meu trabalho, como assistente administrativo, eu conseguia tempo para estudar. Fazia logo os meus processos que tinha que fazer e ficava livre o resto do dia.
Estratégia: Você já foi aprovado em outros concursos? Quais? Qual foi o último e em que cargo e colocação?
Danillo: Assistente Administrativo na UFCG. Técnico Tributário da Receita Estadual do Rio Grande do Sul e o último foi Auditor Fiscal de Alagoas, em 28º lugar.
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Danillo: Sempre começava a estudar antes de sair o edital para fazer uma boa preparação. Sempre fui autodidata, o que me ajudou bastante a estudar para concurso. Sou uma pessoa que gosta de rotina e eu gostava da minha rotina dos estudos. Logo, não tinha dificuldade em manter a disciplina.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Danillo: Meu irmão, que já era concurseiro, quando me indicou o concurso para assistente administrativo, também já me indicou o Estratégia. Então acabei conhecendo o site assim que comecei a estudar.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? O que funcionava melhor pra você, videoaulas, pdfs, livros?
Danillo: Basicamente, só pdfs mesmo. No começo eu também via videoaulas, mas logo percebi que perdia tempo nelas e não aprendia bem. A exceção das videoaulas era português, que eu achava melhor videoaula do que pdf. Certos assuntos de economia eram interessantes também ver por videoaula. Nunca estudei por livros, os pdfs atuais têm muita qualidade e não acho necessário estudar usando livros. Acho que é pouco eficiente.
Estratégia: Quantas horas por dia costumava estudar?
Danillo: No começo estudava de 5 a 6 horas por dia. Mas desde 2019, venho estudando 7 horas diárias. É o máximo que eu consigo fazer por dia. Também estudo sábados e domingos, porém em torno de 5 a 6 horas. Por semana estudo umas 45 horas mais ou menos.
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que deve ser memorizada. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos?
Danillo: Acho que cada fase da sua preparação exige determinada forma de estudar. Já mudei várias vezes minha forma de estudar até encontrar a que se encaixa melhor.
No começo dos estudos, se eu começasse a estudar direito administrativo, por exemplo, eu só ia para outra matéria quando terminasse todo o assunto teórico do pdf que comecei (a não ser que ele fosse muito grande e tomasse mais de um dia). Então eu via poucas matérias por dia. Os resumos eram no próprio pdf, mesmo usando marca-texto a fim de não perder muito tempo. Também fazia as questões que tinham no pdf como forma de revisar o assunto. Fazia a revisão 7/15/30 e dividia as questões do pdf nessas três datas.
Depois que terminei o conteúdo das principais matérias (80% pelo menos das matérias que geralmente caem na área fiscal) e já estava naquele nível de conhecimento intermediário para avançado, comecei a fazer resumos escritos mais elaborados para praticamente largar de vez os pdfs e focar em fazer só questão. Então, basicamente focava nas questões e a cada 2 meses mais ou menos eu ia nos meus resumos revisar todo o conteúdo das matérias.
Eu também marcava certas questões específicas que são boas para revisar certos assuntos. Aumentei o número de matérias por dia e a duração de cada uma delas é uma hora (como estudo 7 horas por dia mais ou menos, chego a ver 7 matérias por dia). Também comecei a usar o anki como forma de revisão diária, então eu botava certos mapas mentais, alíquotas, fórmulas, datas, entre outras coisas. Então, por exemplo, quando eu ia estudar direito civil, eu tinha uma hora para revisar os flashcards da matéria e para fazer questões. Aí primeiro revisava os flashcards e depois ia resolver questão.
Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Danillo: As disciplinas mais difíceis para mim, sem dúvida, foram TI e economia. Demorei um pouco para realmente me sentir confiante em economia, mas depois consegui dominar a matéria e até ser melhor nela do que em outras. E por mais que eu achasse difícil, eu gostava de estudá-la. Eu vi que apenas o pdf não ia me ajudar, então eu comecei a assistir às aulas do professor Heber e começou a clarear mais a minha mente para os assuntos. Além disso, também comecei a fazer muitas questões, então comecei a superar essa dificuldade e até a gostar da disciplina.
No caso de TI, eu realmente ainda tenho dificuldade, por mais que estude é muita coisa para memorizar, mesmo usando o anki. Esses assuntos como COBIT, PMBOK, ITIL, BPM não me descem haha. E eu também não gosto da disciplina, então não ajuda muito. Para mim não tinha outra saída senão fazer o máximo de questões possíveis. Mas como a matéria é difícil para quase todo mundo, eu estava no nível dos meus concorrentes. Então não achei eficiente ficar estudando muito TI para ser um expert na matéria.
Estratégia: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?
Danillo: Sou casado. Não tenho filhos (meu cachorro é meu filho haha). Minha família sempre me apoiou a estudar para concurso, porque quase todos na família são servidores públicos (pai, mãe, irmão do meio, irmã). Também me apoiaram pelo fato de que eles não queriam que eu fosse morar fora como eu havia planejado.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Danillo: Eu sempre fui caseiro e não gosto muito de sair de casa. Então, acabei unindo o útil ao agradável para evitar certas saídas com amigos e com a família, principalmente no pós-edital. Minha família às vezes pegava no pé dizendo que eu precisava sair mais, porém eu gostava de ficar em casa estudando mesmo nos sábados e domingos. Claro que às vezes eu saía para ir ao cinema com a esposa ou sair para comer. Mas nada de festas ou algo do tipo. O que realmente me fazia falta era não poder viajar.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior? (Se esse ainda não é o concurso dos seus sonhos, se possível, citar qual é e se pretende continuar se preparando para alcançar esse objetivo).
Danillo: Depende. Se o concurso não for de alto nível e você esteja querendo fazer concurso escada (aquele concurseiro que sai passando em concursos menores até chegar no concurso almejado), eu acho que vale a pena apostar nesses concursos como forma de dar uma estabilidade financeira e até confiança para encarar os de maiores níveis. Agora, se você já quer focar em concursos de alto nível como área fiscal, eu não acho que seja boa ideia ficar pulando entre as áreas, pois provavelmente vai acabar não conseguindo nenhum. O nível do pessoal está muito alto.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso em que foi aprovado?
Danillo: Comecei a estudar para Auditor Fiscal de Alagoas desde janeiro de 2019 quando eu soube que ia sair o concurso, pois queria morar perto de João Pessoa e senti que esse seria o meu concurso. Dei uma pequena pausa para estudar em torno de 1 a 2 meses para o ISS-Guarulhos e depois da prova voltei a estudar de novo.
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados?
Danillo: Sensação de dever cumprido. De que valeu a pena todo o esforço feito. Sensação de ver que você é capaz de chegar aonde você quer e que você deveria acreditar mais na sua capacidade.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Danillo: Eu estava muito exausto no pós-edital, pois eu já vinha em um ritmo muito forte no pré-edital (continuei estudando as mesmas 7 horas tanto no pré, como no pós-edital). Na semana que antecedeu a prova, fiquei basicamente vendo as videoaulas de revisão para o concurso que os professores do Estratégia fizeram.
Na véspera da prova, não vi mais nada relativo ao concurso e só fiz passar o dia deitado vendo série, filmes. Acho que revisar em véspera de prova faz com que você fique mais ansioso e inseguro. Se você não está preparado, não vai conseguir ficar preparado na véspera.
Estratégia: No seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Danillo: O que fez diferença para mim foi justamente a prova discursiva, pois fiquei em 10º (pode ser que suba, pois entrei com recurso e acredito que vou ganhar mais pontos), considerando apenas a nota discursiva.
No meu pré-edital eu já fazia redações, porque eu sabia da importância da discursiva no concurso e caso ela fosse cobrada, eu já fazia 1 redação toda semana para não perder a prática e me sentir mais confiante no domínio dos assuntos. Fazia geralmente de direito tributário, que é a matéria mais cobrada nas discursivas da área fiscal.
No pós-edital, eu fazia 4 redações por semana. Duas no sábado e duas no domingo. Duas de legislação tributária e duas de auditoria fiscal. Então eu já tinha feito muita redação antes da prova e me sentia confiante.
Eu aconselho a não menosprezar a discursiva e se preparar para ela no pré-edital, pois se você não tem o hábito de fazer redação, vai demorar um pouco para pegar o jeito, e pegar esse jeito no pós-edital pode não ser uma boa ideia e pode custar tempo. Vi pelo resultado do concurso que muita gente que teve excelentes notas na prova objetiva, não fez nem os mínimos na prova discursiva e acabou sendo eliminada. Isso mostra o peso da discursiva nos certames.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?
Danillo: Tive muitos erros durante a preparação que, se eu não os tivesse, teria uma chance maior de ser aprovado nos concursos desejados antes do tempo. Os meus maiores acertos foram justamente consertar os erros. Resumindo os principais erros:
– Não cronometrar suas horas líquidas de estudo. Antes eu achava que eu estudava 8 horas por dia, depois que eu comecei a cronometrar realmente quanto tempo estudo, vi que eu perdia muito tempo com besteira.
– Não focar no porquê de você ter errado a questão. Quando eu errava uma questão, eu deixava para lá. Focava mais nos acertos do que nos erros. E isso me fez travar minha porcentagem de acertos em mais ou menos 80% durante meses. Foi só após eu ver que eu estava cometendo esse erro que comecei a focar mais no motivo que eu errava uma questão ou não conseguia resolvê-la com certeza, então eu saí dos 80% e fui para 85 a 90% de acertos. É isso que diferencia quem está no intermediário de quem está na fase avançada. Nessa fase são os detalhes que fazem a diferença e eu os menosprezava.
– Deixar de fazer exercícios físicos para só estudar por achar que pode estar perdendo tempo de estudo. Não façam isso nunca! Exercício físico é fundamental para a qualidade dos estudos. Fiquei sedentário por mais de um ano e acabei engordando também. Depois que voltei aos exercícios físicos (faço muai thay), meu rendimento nos estudos melhorou demais. Tudo bem ir menos na academia no pós-edital, mas nunca deixar totalmente.
– Focar mais na quantidade de horas estudadas do que na qualidade do estudo. Não adianta querer estudar 8 horas por dia se você só rende 5/6 horas com boa qualidade. O que importa é a qualidade do estudo e não a quantidade. Isso só vai lhe trazer ansiedade, cansaço e pouco rendimento.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Danillo: Eu sou muito ansioso e o mais difícil foi controlar essa ansiedade de querer passar logo no cargo que eu queria. Já fazia planos de viajar ou de me estabilizar quando eu fosse aprovado e isso afetava um pouco meu rendimento. Não pensei em desistir, mas eu pensei em diminuir um pouco os estudos e deixar acontecer sem tanta pressão. Era o que provavelmente iria acontecer se eu não tivesse passado nessa prova de Alagoas.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Danillo: Acho que ter uma vida boa e estável para mim e para minha família. Ter condições para viajar e conhecer o mundo.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Danillo: Minha ansiedade me atrapalhou muito em muitos momentos da minha preparação. Então, acho que o maior conselho que posso dar é ter paciência e controlar a ansiedade, porque tudo tem seu tempo. Não adianta se apressar nos estudos para tentar chegar ao nível avançado logo sem uma boa base. Estudar para concurso não é uma corrida, é uma maratona. É muito importante ter um psicológico bom para se preparar. Às vezes, a sua ansiedade e a falta de paciência passam por cima do domínio do conteúdo que você tem e podem travar suas aprovações.
Fazer cálculo de quanto tempo precisa pra passar no concurso desejado (2 mil, 3 mil horas líquidas, por exemplo) só vai lhe trazer ansiedade de chegar a esse número e não vai mudar em nada sua preparação. O que importa é o domínio de conteúdo e qualidade do estudo e não o número de horas que você já estudou ou vai estudar.
Eu sempre fui muito pessimista com as coisas, sempre achei que não era preparado para passar em concursos de alto nível. Mas depois comecei a acreditar que eu era capaz, assim como todo mundo é. Então acredite em você! Todo mundo consegue chegar lá!
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