Aprovado em 58º lugar para Gestão Fazendária no concurso SEFAZ CE

“[…] para quem trabalha, mais importante do que esperar aparecer o momento ideal para estudar é aprender a aproveitar o tempo que realmente está disponível.”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com Felipe Magaive Lima da Silva, aprovado em 58º lugar no Concurso SEFAZ CE para o cargo de Auditor Fiscal – Gestão Fazendária:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Felipe Magaive Lima da Silva: tenho 40 anos e sou natural de Ilhéus, na Bahia. Sou casado há 11 anos e pai de três meninas: Maria Alice, de 9 anos, Marina, de 2 anos, e Amanda, de apenas 6 meses. Sou formado em Economia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e minha trajetória profissional sempre esteve ligada ao serviço público. Trabalhei no Banco do Brasil, em Salvador, entre 2009 e 2013; posteriormente, atuei como economista da Embratur, em Brasília, entre 2013 e 2014. Atualmente, sou Especialista em Regulação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), onde trabalho em regime de home office, de volta à minha cidade natal, Ilhéus.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Felipe: sou do interior da Bahia e, quando me formei em Economia, as oportunidades de trabalho na minha área na região eram bastante escassas. Por isso, enxerguei no concurso público uma oportunidade de exercer minha profissão, ter uma boa remuneração e, ao mesmo tempo, contar com a estabilidade que o serviço público proporciona. Além disso, sempre me atraiu a ideia de que, no concurso, a conquista dependeria essencialmente da minha preparação. Independentemente de indicação ou de contatos profissionais, havia um conteúdo a ser estudado, uma prova a ser feita e uma classificação a ser conquistada. Foi assim que os concursos entraram na minha vida. O que inicialmente surgiu como uma alternativa diante das poucas oportunidades profissionais na minha região acabou se tornando o caminho pelo qual construí praticamente toda a minha trajetória profissional.
Estratégia: Você trabalhava e estudava?
Felipe: sim. Praticamente toda a minha trajetória de estudos para concursos foi conciliada com o trabalho. A única exceção foi o concurso do Banco do Brasil, no qual fui aprovado quando ainda cursava a faculdade. Para os demais cargos públicos que conquistei, sempre precisei conciliar a preparação com uma jornada de trabalho de oito horas diárias. Com o tempo, percebi que, para quem trabalha, mais importante do que esperar aparecer o momento ideal para estudar é aprender a aproveitar o tempo que realmente está disponível. Por isso, fui adaptando minha rotina e fazendo do estudo uma parte do meu dia, assim como qualquer outro compromisso. Na preparação mais recente, isso se tornou ainda mais desafiador, porque, além do trabalho, já havia as responsabilidades da vida adulta e, principalmente, da paternidade. Foi quando passei a acordar por volta das 5h30 para conseguir estudar antes que a rotina da casa começasse. Não era uma rotina perfeita e nem todos os dias rendiam da mesma forma. O importante foi conseguir manter a constância mesmo nos períodos mais cansativos.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado?
Felipe: ao longo da minha trajetória, tive a felicidade de ser aprovado e nomeado em alguns concursos públicos. Em 2008, fui aprovado no Banco do Brasil e no Banestes. Em 2011, veio a aprovação para Economista da Embratur e, em 2012, para Economista do Ministério da Saúde e do Ministério das Cidades. Já em 2014, fui aprovado para Especialista em Regulação da ANTAQ, cargo que exerço atualmente. Depois da aprovação na ANTAQ, achei que minha vida de concurseiro havia terminado. Guardei os materiais e, por mais de dez anos, considerei aquela caneta definitivamente aposentada. Mas ela resolveu voltar a escrever! [risos] Mais de uma década depois, veio a aprovação que inaugurou um novo capítulo dessa história: Auditor-Fiscal da Receita Estadual da SEFAZ CE, dentro das vagas.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Felipe: acho que posso dividir essa resposta em três fases bem diferentes da minha vida. Na primeira, eu ainda conciliava os estudos para concursos com a faculdade. Naturalmente, continuava tendo bastante contato social com os colegas, porque passávamos boa parte do dia juntos na universidade. A segunda fase começou depois que assumi no Banco do Brasil. Percebi que, se quisesse dar um passo adiante na carreira, precisaria levar os estudos ainda mais a sério. Naquela época eu ainda era solteiro e, quando saía do banco, praticamente seguia direto para o meu ritual de estudos. Estudava de domingo a domingo, embora ainda mantivesse algum convívio social com amigos e colegas. Foi nesse período que vieram as aprovações para Economista da Embratur e dos Ministérios da Saúde e das Cidades. Na preparação para a ANTAQ, eu já estava morando em Brasília. Como ainda era relativamente novo na cidade e conhecia poucas pessoas, acabou sendo mais fácil conciliar trabalho e estudos. Minha vida social naturalmente já era mais restrita. A terceira fase, porém, foi completamente diferente de todas as anteriores. Quando retomei os estudos e passei a mirar a área fiscal, eu já era casado e pai. E, durante essa caminhada, nossa família cresceu ainda mais: hoje sou pai de três meninas. Pelo nível de exigência dos concursos fiscais, principalmente nos últimos dois anos, precisei fazer escolhas mais duras. Reduzi muito a vida social, deixei a academia de lado por alguns períodos e passei a organizar praticamente todo o meu tempo livre entre estudo e família. E essa foi, sem dúvida, a parte mais difícil. Abrir mão de sair ou de algum lazer é relativamente simples. Difícil mesmo é lidar com o sentimento de culpa por saber que, em determinados momentos, eu não estava tão presente para minha esposa e minhas filhas quanto gostaria. Por isso, sempre procurei lembrar que aquela ausência tinha um propósito e, principalmente, que seria temporária. Eu não estava abrindo mão da minha família para estudar; estava abrindo mão de parte do meu tempo naquele momento justamente por um projeto que também era para elas.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro? De que forma?
Felipe: para a aprovação na SEFAZ CE, tive total apoio da minha família. Na verdade, considero que essa aprovação não foi uma conquista exclusivamente minha. Durante o pós-edital, fizemos uma espécie de “pacto familiar”. Sabíamos que seriam alguns meses muito intensos e que, naquele período, eu precisaria direcionar praticamente todo o tempo disponível para os estudos. Minha esposa e minha cunhada assumiram ainda mais a rotina com as crianças, dentro do que era possível, enquanto eu me recolhia para estudar. Isso exigiu sacrifício de todos, não apenas meu. Enquanto eu estava estudando, havia alguém cuidando das meninas, resolvendo as demandas da casa e permitindo que eu tivesse a tranquilidade necessária para me preparar para uma prova daquele nível. Curiosamente, um período em que eu precisei estar mais ausente acabou se tornando também um momento de muita união e fortalecimento familiar. Todos sabiam qual era o objetivo e estavam, de alguma forma, participando daquela caminhada. No final, todo esse esforço coletivo foi coroado com a aprovação dentro das vagas em um concurso tão difícil e concorrido como o da SEFAZ CE. Por isso, quando penso nessa aprovação, não consigo dizer simplesmente “eu consegui”. Nós conseguimos. Minha esposa, minhas filhas e minha cunhada fazem parte dessa conquista.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Felipe: como mencionei anteriormente, durante muitos anos imaginei que minha “caneta de concurseiro” estivesse definitivamente aposentada. Mas a vida foi mudando, a família começou a crescer e, com a chegada da Marina, comecei a pensar novamente no futuro e no que uma nova aprovação poderia proporcionar à minha família. Foi nesse período que decidi retomar os estudos, agora direcionado para a área fiscal. Em outubro completo dois anos de preparação para a área. E foi um período bastante intenso: comecei essa caminhada já sendo pai e, durante o pós-edital, nossa terceira filha, Amanda, nasceu. Ou seja, enquanto eu tentava evoluir nos estudos, a vida continuava acontecendo — e nossa família crescendo. Para manter a disciplina, nunca precisei procurar uma motivação muito distante. Bastava olhar para dentro de casa. Pensava no que uma nova aprovação poderia representar em termos de qualidade de vida para minha esposa e minhas filhas e isso era o combustível para continuar. Também aprendi a não medir minha preparação simplesmente pela quantidade de horas estudadas por dia. Minha realidade não permitia uma rotina perfeitamente regrada, com um número fixo de horas todos os dias. Com três filhas, trabalho e todas as demandas familiares, havia dias melhores e dias mais difíceis. Por isso, minha regra passou a ser mais simples: estudar o quanto fosse possível dentro da realidade daquele dia. Se eu tivesse mais tempo, estudava mais. Se tivesse pouco, aproveitava aquele pouco. O importante era não transformar um dia ruim em uma semana ruim. Acredito que foi essa constância, muito mais do que uma rotina perfeita, que me trouxe até a aprovação. Minha motivação vinha da família, mas a disciplina estava em continuar fazendo o que precisava ser feito mesmo nos dias em que a motivação, naturally, não era a mesma.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Felipe: depois de mais de dez anos afastado dos concursos, percebi que a forma de estudar também havia mudado bastante. Antigamente, minha preparação era muito mais concentrada em materiais escritos. Quando retornei, entendi que não precisava ficar preso a uma única ferramenta. Os PDFs continuaram sendo a base da minha preparação, principalmente pela objetividade e pela possibilidade de avançar no conteúdo no meu próprio ritmo. Entretanto, em disciplinas ou assuntos mais desafiadores, eu complementava com videoaulas. Estatística Inferencial, por exemplo, foi uma matéria em que muitas vezes precisei assistir às explicações do professor para conseguir visualizar melhor determinados conceitos. Mas talvez a principal ferramenta da minha preparação tenha sido a resolução massiva de questões. Elas estavam presentes praticamente todos os dias. Além de servirem como forma de revisão, permitiam identificar rapidamente minhas lacunas e entender como determinado conteúdo era efetivamente cobrado pelas bancas. Com o tempo, percebi que resolver questões não era apenas uma maneira de testar o que eu já sabia; era também uma forma de aprender. Também passei a utilizar bastante a inteligência artificial como ferramenta complementar. Quando encontrava algum conceito que não havia compreendido bem pelo material, recorria à IA para pedir uma explicação por outro caminho, exemplos mais simples ou analogias. Muitas vezes, uma explicação diferente era suficiente para fazer aquele conteúdo finalmente “clicar”. Sempre tive o cuidado, porém, de utilizá-la como apoio ao material de estudo, e não como substituta da fonte principal. Cheguei também a tentar utilizar o Anki, mas não consegui me adaptar. Talvez até por não ter aprendido a explorar corretamente a ferramenta, sentia que gastava muito tempo revisando os cards e que, para a minha realidade, aquele tempo poderia ser mais bem aproveitado avançando em novos conteúdos ou resolvendo questões. No fim, uma das coisas que aprendi nessa nova fase foi justamente que não existe uma ferramenta obrigatória para todo mundo. O melhor método é aquele que funciona para você e que consegue ser mantido ao longo da preparação. No meu caso, encontrei meu equilíbrio entre PDFs como base, videoaulas de forma pontual, resolução massiva de questões e inteligência artificial como ferramenta de apoio.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Felipe: conheci o Estratégia durante a preparação para o concurso do Ministério da Saúde, lá em 2012. Até então, eu ainda estudava muito por apostilas físicas — o que provavelmente vai denunciar a minha idade para quem estiver lendo esta entrevista. Naquela época, para mim, o Estratégia representou uma verdadeira evolução na forma de estudar. Eu vinha de uma geração em que era normal comprar uma apostila, carregar aquele material enorme e estudar praticamente da mesma forma em todos os lugares. Com os materiais digitais, passei a ter o conteúdo literalmente na palma da mão. Podia estudar em qualquer lugar, pelo computador ou celular, bastando ter acesso à internet ou deixar o material previamente baixado. Pode parecer algo absolutamente normal para quem começou a estudar nos últimos anos, mas, para quem viveu a época das apostilas físicas, foi uma mudança enorme. O estudo deixou de estar preso a um lugar e passou a me acompanhar onde eu estivesse. Desde então, o Estratégia esteve presente em diferentes momentos da minha trajetória nos concursos — desde aquela preparação para o Ministério da Saúde até essa nova fase, mais de uma década depois, agora voltada para a área fiscal.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos?
Felipe: não se aplica. Antes de conhecer o Estratégia, minha preparação era baseada principalmente em apostilas físicas.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação?
Felipe: como falei anteriormente, para mim o Estratégia representou uma verdadeira revolução na preparação para concursos, principalmente por eu ter acompanhado essa transição dos materiais físicos para o digital. Ao longo da minha preparação, utilizei principalmente os PDFs, que sempre foram a base dos meus estudos, além das videoaulas, especialmente para os assuntos em que sentia maior dificuldade. Em alguns momentos também utilizei as Trilhas Estratégicas como apoio para organizar e direcionar a preparação. O principal diferencial, para mim, sempre foi poder encontrar em um mesmo lugar materiais completos e direcionados especificamente para cada concurso. Na área fiscal, em que o volume de conteúdo é enorme, ter esse direcionamento faz muita diferença, porque tão importante quanto saber o que estudar é saber até onde aprofundar cada assunto. Ao mesmo tempo, nunca achei que o aluno devesse ficar preso a uma única ferramenta. Fui aprendendo a identificar aquilo que funcionava melhor para mim: PDF como base, videoaula quando precisava de uma explicação diferente, questões em grande volume e as demais ferramentas como apoio. Depois de tantos anos acompanhando o Estratégia, desde aquela preparação para o Ministério da Saúde até a aprovação na SEFAZ CE, posso dizer que também acompanhei de perto a evolução das ferramentas oferecidas aos alunos.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Felipe: como meu tempo disponível para estudar era bastante limitado, percebi que não fazia sentido gastar parte dele montando e ajustando constantemente meu próprio planejamento. Por isso, optei por contratar uma mentoria especializada em concursos, que ficou responsável por organizar meu plano de estudos. Recebia as metas com as disciplinas, conteúdos, revisões e questões que deveriam ser cumpridas, e minha principal preocupação era executar o planejamento da melhor forma possível. Para a minha realidade, isso funcionou excepcionalmente bem. Com trabalho, três filhas e todas as demais responsabilidades da vida adulta, retirar da minha cabeça a preocupação de decidir diariamente “o que vou estudar hoje?” representou uma economia enorme de tempo e de energia mental. Por isso, eu não trabalhava com a obrigação de cumprir um número fixo de horas líquidas por dia. Minha meta era avançar o máximo possível nas tarefas propostas dentro do tempo que eu tivesse disponível. Havia dias em que conseguia estudar mais e outros em que as demandas familiares simplesmente não permitiam. O importante era continuar avançando.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Felipe: as revisões também faziam parte do planejamento elaborado pela mentoria. Em vez de montar grandes resumos ou estabelecer sozinho um calendário rígido de revisões, eu seguia as tarefas propostas e utilizava principalmente a resolução de questões para revisitar os conteúdos. Essa estratégia funcionava muito bem para mim porque as questões cumpriam duas funções ao mesmo tempo: revisavam aquilo que eu já havia estudado e mostravam rapidamente onde estavam minhas lacunas. Quando percebia que determinado assunto não estava bem consolidado, voltava ao material naquele ponto específico, em vez de necessariamente reler todo o conteúdo. Com pouco tempo disponível, fui percebendo que precisava buscar eficiência. Mais do que ter um método sofisticado de revisão, eu precisava de um método que coubesse na minha rotina e que eu realmente conseguisse executar com constância.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios?
Felipe: na minha retomada aos concursos, resolvi aproximadamente 38 mil questões. Então posso dizer, sem dúvida, que a resolução massiva de exercícios foi um dos principais pilares da minha preparação. Acredito que as questões sejam uma das melhores formas tanto de revisar quanto de fixar o conteúdo. É quando você sai da sensação de que “entendeu a matéria” e descobre se realmente consegue aplicar aquele conhecimento da forma como ele será exigido na prova. Além disso, a resolução de questões permite mapear com muita clareza os pontos fortes e fracos da preparação. Quando eu percebia uma incidência maior de erros em determinado assunto, aquilo funcionava como um sinal de que precisava voltar ao material, revisar aquele ponto e depois testá-lo novamente. Com o tempo, as próprias questões passaram a direcionar parte dos meus estudos. Em vez de revisar tudo indistintamente, eu conseguia concentrar mais energia justamente onde apresentava maior dificuldade. Por isso, nunca enxerguei essas 38 mil questões simplesmente como um número a ser alcançado. Mais importante do que contabilizá-las foi utilizar os erros como ferramenta de aprendizado. Acertar mostrava que eu estava no caminho; errar mostrava onde eu precisava melhorar.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade?
Felipe: sem dúvida, a disciplina mais desafiadora para mim foi Tecnologia da Informação. Como minha formação é em Economia e minha trajetória profissional não é ligada à área de tecnologia, praticamente tudo era um mundo novo. E não houve receita de bolo para superar essa dificuldade. Foi um processo gradual: muita leitura de PDFs, videoaulas para os assuntos em que eu tinha maior dificuldade — SQL, por exemplo —, uso da inteligência artificial para explicações pontuais e, principalmente, muita resolução de questões. No início, alguns assuntos pareciam quase uma língua diferente. Mas, à medida que fui acumulando conhecimento e resolvendo questões, os conceitos começaram a fazer sentido e as peças foram se encaixando. Talvez essa tenha sido uma das maiores lições que tive durante a preparação: não devemos rotular uma disciplina como “matéria que não sei” ou “matéria em que sou ruim”. Muitas vezes, ela é simplesmente uma matéria à qual ainda não dedicamos tempo suficiente. Hoje aconteceu algo que eu dificilmente imaginaria no início da preparação: TI se tornou uma das minhas matérias favoritas.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Felipe: na semana que antecedeu a prova, eu já estava bastante cansado. Depois de meses de preparação intensa, percebi que não adiantaria tentar compensar qualquer insegurança aumentando ainda mais a carga de estudos naquele momento. Por isso, optei por um estudo mais passivo. Reduzi um pouco o ritmo e passei a utilizar principalmente videoaulas de revisão, dando bastante atenção às revisões oferecidas pelo Estratégia, como o Reta Final e, posteriormente, a Revisão de Véspera. Naquele momento, meu objetivo já não era aprender uma grande quantidade de conteúdos novos, mas revisitar os principais pontos, relembrar detalhes importantes e chegar à prova com a cabeça minimamente descansada. Acredito que também é preciso saber respeitar o momento da preparação. Todo o trabalho pesado já havia sido feito nos meses anteriores. Na reta final, mais importante do que tentar estudar desesperadamente tudo aquilo que ainda poderia cair era confiar na preparação construída até ali e preservar energia para o dia da prova.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame?
Felipe: a preparação para a discursiva foi uma parte muito importante dos meus estudos. Durante a preparação, procurei manter uma frequência de aproximadamente duas a três discursivas por semana. Com isso, cheguei ao dia da prova tendo feito mais de 50 discursivas. Essa constância fez muita diferença. Depois de tantos treinos, escrever deixou de ser algo que gerava preocupação. Eu já estava acostumado a organizar as ideias, estruturar a resposta e desenvolver o conteúdo dentro do espaço e do tempo disponíveis. No dia da prova, isso ficou muito evidente: consegui concluir toda a parte discursiva em menos de duas horas. E, no meu caso, a discursiva acabou sendo decisiva para o resultado final. Foi justamente o meu desempenho nessa etapa que me permitiu avançar mais de 50 posições na classificação e entrar no grupo de candidatos aprovados dentro das vagas. Por isso, meu conselho é não deixar a discursiva para depois da prova objetiva ou apenas para as últimas semanas. Da mesma forma que aprendemos a resolver questões resolvendo milhares delas, também aprendemos a fazer uma boa discursiva escrevendo. Não precisa começar fazendo textos perfeitos. É muito mais importante criar frequência, errar durante a preparação, identificar os pontos que precisam ser melhorados e chegar ao dia da prova já acostumado àquele tipo de cobrança. No meu caso, aquelas mais de 50 discursivas feitas durante a preparação acabaram valendo muito. A objetiva me manteve competitivo; a discursiva foi o que me colocou dentro das vagas.
Estratégia: Quais foram seus principais erros e acertos nesta trajetória?
Felipe: acho que meu principal erro foi querer experimentar praticamente todas as novidades que encontrei quando retornei aos concursos depois de mais de dez anos afastado. Eu vinha de uma época de apostilas físicas e, quando voltei, encontrei um universo completamente diferente: novas plataformas, ferramentas, métodos de revisão, inteligência artificial, flashcards… Naturalmente, fiquei tentado a experimentar tudo. Os flashcards talvez sejam o melhor exemplo. Quando conheci o Anki, achei que tinha descoberto a oitava maravilha do mundo para revisões. Mas, na prática, não consegui me adaptar. Sentia que gastava muito tempo criando e revisando cards e que aquele tempo, para a minha realidade, poderia ser mais bem aproveitado de outras formas. Faço sempre a ressalva de que talvez eu simplesmente não tenha aprendido a utilizar a ferramenta corretamente e explorar todo o seu potencial. Com isso, aprendi uma lição importante: não precisamos utilizar todas as ferramentas que funcionaram para outros aprovados. Precisamos descobrir aquelas que funcionam para nós. E foi justamente aí que considero ter acertado mais: encontrei na resolução massiva de questões o método que melhor se encaixava na minha preparação. Durante essa retomada, foram aproximadamente 38 mil questões resolvidas. As questões me permitiam revisar, aprender, identificar rapidamente minhas deficiências e direcionar o estudo para aquilo que realmente precisava melhorar. Em vez de tentar seguir todas as novidades, passei a confiar mais no que efetivamente estava trazendo resultado para mim. Talvez meu maior erro tenha sido procurar, no início, a ferramenta perfeita. E meu maior acerto foi perceber que ela não existia. O que existia era um método simples que funcionava para mim e que eu conseguia repetir milhares de vezes.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir?
Felipe: com certeza. Principalmente no início, pensei muitas vezes se realmente fazia sentido continuar. A dúvida era até um pouco diferente daquela que normalmente imaginamos na vida de um concurseiro. Eu já ocupava um excelente cargo no Executivo Federal, tinha uma boa remuneração, trabalhava em home office e, depois de ter passado por Salvador e Brasília, estava novamente em minha cidade natal, perto da minha família. Então, às vezes, eu me perguntava: “Por que estou me sacrificando tanto e voltando a estudar depois de mais de dez anos?” Era muito fácil encontrar motivos para me acomodar. Mas, quando pensava no longo prazo, a resposta também aparecia. O home office é uma condição atual de trabalho, não uma garantia para o restante da minha carreira. Uma mudança administrativa poderia alterar completamente aquela realidade. Além disso, eu já estava praticamente no final da minha carreira atual em termos de progressão, enquanto a remuneração final do meu cargo se aproximava da remuneração inicial de alguns dos grandes fiscos. Então comecei a raciocinar de uma maneira muito simples: se algum dia eu tivesse que voltar a morar em uma capital, gostaria que essa mudança representasse também um avanço profissional e financeiro para a minha família. Foi isso que me fez continuar. Passei a enxergar a carreira fiscal não apenas pelo salário, mas pelo conjunto: possibilidade de crescimento profissional, maior tranquilidade financeira e condições de proporcionar ainda mais qualidade de vida à minha esposa e às minhas filhas, além da realização pessoal de exercer um cargo tão relevante quanto o de Auditor-Fiscal. Por isso, minha maior motivação sempre esteve dentro de casa. Nos dias em que eu pensava em parar, lembrava que já havia conquistado uma vida boa, mas que ainda tinha a oportunidade de construir algo melhor para elas. Eu não voltei a estudar porque estava insatisfeito com a vida que tinha. Voltei porque percebi que ainda poderia construir uma vida melhor para a minha família.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Felipe: minha mensagem vai especialmente para o pai ou para a mãe concurseira. Eu sei que o cansaço é grande. Sei que existem dúvidas, incertezas e dias em que você se pergunta se realmente vale a pena continuar. E existe algo ainda mais difícil: aquela sensação de que, enquanto você está estudando, pode estar perdendo uma parte da infância dos seus filhos. Talvez esse tenha sido um dos sentimentos mais difíceis com os quais precisei lidar durante a minha preparação. Mas tente se lembrar do motivo pelo qual você começou. Quando se tem uma família, o propósito deixa de ser exclusivamente individual. Você não está buscando apenas um cargo, um salário ou uma aprovação. Está tentando construir novas possibilidades para as pessoas que mais ama. E talvez justamente por isso o pai e a mãe concurseiros aprendam a valorizar tanto o pouco tempo que possuem. Quando eu sentava para estudar, sabia que aquele tempo precisava valer a pena. Não havia muito espaço para distrações ou para esperar o dia perfeito. Era preciso aproveitar o que fosse possível e continuar. Certa vez, ouvi de um professor uma frase que nunca esqueci: “Quando um pai vence, vence uma família inteira.” Depois de tudo o que vivi nessa caminhada, essa frase passou a fazer ainda mais sentido para mim. Então, se você é pai ou mãe e chegou até aqui nesta entrevista, espero que a minha história sirva, acima de tudo, para mostrar que é possível. Não vou romantizar: é difícil. Haverá cansaço, culpa, renúncias e momentos em que você vai questionar suas próprias escolhas. Mas continue. Um dia, depois de tantas madrugadas, cafés, questões, PDFs e horas roubadas do descanso, você pode abrir uma relação de aprovados e encontrar o seu nome ali. Eu vivi esse momento. E, quando encontrei o meu nome entre os aprovados dentro das vagas, pensei em tudo o que havia acontecido para que eu chegasse até ali. Na minha esposa, nas minhas filhas, em quem me ajudou, nos momentos em que pensei em parar e em todas aquelas manhãs comuns em que simplesmente sentei e fiz o que precisava ser feito. Naquele momento, tive a certeza de que todo o esforço havia valido a pena. Porque, no final, não era apenas a minha aprovação. Era a vitória de uma família inteira.