Formação das palavras: guia prático
Olá, alunos do Estratégia! Você sabe diferenciar derivação prefixal e sufixal de derivação parassintética? E reconhece quando uma palavra foi formada por aglutinação, e não por justaposição? Essas diferenças parecem pequenas, mas são justamente o tipo de detalhe explorado pelas bancas em questões de Língua Portuguesa. Esse tópico vem no seu edital como “formação das palavras”.
O estudo da formação das palavras faz parte da Morfologia e permite compreender como novos vocábulos são criados na língua portuguesa. Para concursos públicos, o mais importante é dominar os conceitos e saber aplicá-los aos exemplos.
Neste artigo, vamos revisar os principais processos de formação de palavras, com destaque para as classificações mais cobradas e para as armadilhas que podem aparecer na prova.
O que é formação de palavras?
Inicialmente, vamos conceituar o tema. A formação de palavras corresponde aos processos pelos quais a língua cria novos vocábulos a partir de palavras ou elementos já existentes.
Observe o exemplo a seguir:
- feliz → infelizmente: criação de uma nova palavra;
- aluno → alunos: apenas flexão de número.
Essa distinção é fundamental. A formação vocabular produz uma nova unidade lexical, enquanto a flexão apenas adapta a palavra às necessidades gramaticais da frase.
Os dois principais processos são: Derivação e Composição. Nos próximos tópicos, vamos destrinchar mais esses processos. Além disso, existem processos secundários, como abreviação, siglonimização, onomatopeia e hibridismo.

Derivação: uma palavra dá origem a outra
Na derivação, uma palavra nova é formada a partir de uma palavra primitiva, geralmente mediante o acréscimo ou a retirada de elementos. Dentro da derivação, temos algumas espécies: derivação prefixal, sufixal, prefixal e sufixal, parassintética, regressiva e imprópria. A seguir vamos entender cada uma delas.
Derivação prefixal
A primeira que vamos falar é a derivação prefixal, ela ocorre com o acréscimo de um prefixo antes do radical. Confira os exemplos a seguir:
- feliz → infeliz;
- fazer → refazer;
- legal → ilegal.
O prefixo modifica o sentido da palavra primitiva.
Derivação sufixal
Ocorre com o acréscimo de um sufixo depois do radical. Conforme os exemplos abaixo:
- feliz → felicidade;
- pedra → pedreiro;
- real → realismo.
O sufixo pode, inclusive, provocar mudança de classe gramatical.
Derivação prefixal e sufixal
Nesse processo, a palavra recebe prefixo e sufixo, mas não é necessário que ambos sejam acrescentados simultaneamente.
Exemplo: feliz → infelizmente
É possível formar:
- infeliz;
- felizmente.
Logo, a retirada de um dos afixos ainda permite a existência de uma palavra. No entanto, preste atenção: a presença simultânea de prefixo e sufixo não significa, automaticamente, parassíntese, que é o tipo que estudaremos no próximo tópico.
Derivação parassintética
Na parassíntese, o prefixo e o sufixo são acrescentados ao mesmo tempo. A palavra não existe apenas com um dos elementos. Podemos citar como exemplos: triste → entristecer; noite → anoitecer; e velho → envelhecer.
Não existem, no sentido correspondente, “entriste” ou “tristecer”. Portanto, a formação depende da presença simultânea dos dois afixos.
Compare os dois tipos de derivação:
- infelizmente → derivação prefixal e sufixal;
- anoitecer → derivação parassintética.
Essa é uma das distinções mais recorrentes em provas, portanto grave bem a diferença entre elas.
Derivação regressiva
A derivação regressiva ocorre quando há redução da palavra primitiva, geralmente com a formação de um substantivo abstrato a partir de um verbo. Veja os exemplos a seguir:
- pescar → pesca;
- atacar → ataque;
- comprar → compra;
- combater → combate.
Observe que as palavras foram reduzidas em todos os exemplos, “pescar” com 6 letras foi reduzida para “pesca” com 5 letras. Em geral, os substantivos formados indicam ação ou resultado de uma ação.
Derivação imprópria
Ocorre quando uma palavra muda de classe gramatical sem alteração em sua estrutura.
Observe:
- O jantar foi servido. → substantivo;
- Vamos jantar cedo. → verbo.
Mais um exemplo:
- Ele disse um não categórico. → substantivo;
- Eu não concordo. → advérbio.
A palavra permanece formalmente igual, mas passa a exercer outra função morfológica.
Composição: união de elementos
Na composição, a nova palavra surge da união de dois ou mais radicais ou palavras.
Composição por justaposição
Os elementos se unem sem alteração significativa de sua estrutura. Como em: guarda-chuva; passatempo; beija-flor; e segunda-feira. Os componentes continuam facilmente reconhecíveis.
Composição por aglutinação
Ocorre quando a união provoca alteração ou perda de elementos sonoros ou gráficos. Exemplos: água + ardente → aguardente; plano + alto → planalto; perna + alta → pernalta.
Mas fique ligado: na justaposição, os elementos são preservados; na aglutinação, ocorre modificação na estrutura da palavra resultante.
Outros processos de formação de palavras
Embora derivação e composição sejam os processos mais importantes, outros mecanismos também podem aparecer nas questões. Por isso, temos que dar uma pincelada no assunto.
Abreviação: redução de uma palavra. Veja os exemplos: fotografia → foto; motocicleta → moto.
Siglonimização: formação de siglas, como ONU, CPF e INSS, conforme a classificação adotada.
Onomatopeia: reprodução aproximada de sons.
- miau;
- tique-taque;
- zum-zum.
Hibridismo: reunião de elementos de origens linguísticas diferentes, como em Alcaloide – Álcali (árabe) + óide (grego) e Sociologia – Socio (latim) + –logia (grego).
Neologismo: criação ou incorporação de palavras novas, especialmente em razão de transformações sociais, culturais e tecnológicas. Exemplos: deletar, linkar.
Resumo
| Processo | Característica | Exemplo |
| Prefixal | Acréscimo de prefixo | antebraço |
| Sufixal | Acréscimo de sufixo | beleza |
| Prefixal e sufixal | Dois afixos, sem simultaneidade obrigatória | infelizmente |
| Parassintética | Prefixo e sufixo simultâneos | emagrecer |
| Regressiva | Redução da palavra | pesca |
| Imprópria | Mudança de classe sem alteração formal | jantar |
| Justaposição | União sem alteração estrutural | surdo-mudo |
| Aglutinação | União com alteração estrutural | planalto |
Para resolver questões sobre formação de palavras, fique atento aos seguintes pontos:
1. Prefixal e sufixal não é igual a parassintética.
Verifique se a palavra continua existindo com a retirada de apenas um dos afixos.
2. Derivação imprópria não altera a forma da palavra.
O que muda é a classe gramatical ou o emprego no contexto.
3. Justaposição preserva os elementos.
Na aglutinação, ocorre alteração estrutural.
4. Flexão não é formação de palavras.
“Casa” e “casas” representam formas flexionadas do mesmo vocábulo.
5. Analise a palavra no contexto.
Uma mesma forma pode desempenhar funções gramaticais distintas, especialmente nos casos de derivação imprópria.
Vamos fazer uma questão para fixar o conteúdo?
Ano: 2026 Banca: EDUCA Órgão: Prefeitura de Triunfo – PE Provas: EDUCA – 2026 – Prefeitura de Triunfo – PE – Agente Administrativo
Na palavra “historiador”, presente no texto acima, identifica-se o seguinte processo de formação:
Alternativas
A – Apenas prefixal.
B – Apenas sufixal.
C – Prefixal e sufixal.
D -Composição por justaposição.
Gabarito B. Nesse caso, Historia-dor = Sufixo: é a parte que vai no final da palavra primitiva formando uma nova palavra.
Considerações finais
Pois bem, chegamos ao final de mais um artigo. A formação das palavras exige, sobretudo, atenção à estrutura dos vocábulos e às diferenças entre processos semelhantes. Para a prova, não basta decorar exemplos: é necessário compreender o mecanismo que originou cada palavra.
Se você dominar especialmente a distinção entre derivação prefixal e sufixal, parassintética, regressiva e composição, terá uma base sólida para enfrentar as questões de Morfologia nos concursos públicos.
Assim, espero que o artigo seja útil para a sua preparação. Desejo bons estudos e boa sorte em sua jornada!
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