Artigo

Figuras de sintaxe (ou figuras de construção)

Confira neste artigo a engenharia estilística e os recursos gramaticais das principais figuras de sintaxe (ou figuras de construção)

Figuras de sintaxe (ou figuras de construção)
Figuras de sintaxe (ou figuras de construção)

Olá, pessoal! Tudo bem? Hoje falaremos sobre as figuras de sintaxe (ou figuras de construção) e a sua disposição na gramática normativa da Língua Portuguesa.

​​Em poucas palavras, tratar de figuras de sintaxe é entrar no coração da arquitetura da Língua Portuguesa. Basicamente, as figuras de sintaxe lidam com a engenharia da frase.

Nesse sentido, estamos falando da ordem dos termos, as omissões expressivas, as repetições intencionais e as concordâncias ideológicas. 

Neste artigo, revelaremos a lógica dessa engenharia estilística, detalhando os principais recursos gramaticais e fechando o estudo com um bloco especialmente focado nas principais armadilhas de concurso público. Acompanhe!​

Entendendo as figuras de sintaxe (ou figuras de construção)

​Em suma, quando estudamos a gramática normativa da Língua Portuguesa, aprendemos que as orações seguem uma estrutura padrão recomendada: sujeito + verbo + complementos + adjuntos. Trata-se da chamada ordem direta, projetada para garantir a clareza e a previsibilidade da comunicação diária. 

No entanto, para conferir ritmo, ênfase, dramaticidade, fluidez ou expressividade a um pensamento, o autor pode manipular conscientemente a construção sintática da frase. Dessa liberdade estilística, devidamente respaldada pelo uso culto, nascem as figuras de sintaxe.

​Diferente das figuras de palavra (como a metáfora ou a catacrese), que atuam no significado das palavras, as figuras de sintaxe operam diretamente na estrutura gramatical da oração. Desse modo, elas envolvem desvios intencionais na ordem dos termos, omissões estratégicas, repetições expressivas ou concordâncias fundadas no sentido.

​Para compreender o valor das figuras de sintaxe, precisamos enxergar a frase como um edifício. Se a sintaxe tradicional ensina a levantar as colunas nos lugares previstos pelo projeto original, as figuras de sintaxe, por sua vez, são os recursos de design de interiores e arquitetura avançada. 

Nesse sentido, é como fazer uma analogia a partir do olhar do responsável pela finalização da obra, como um arquiteto que retira uma parede para ampliar a luz (omissão), duplica um elemento decorativo para atrair o olhar (repetição) ou inverte a disposição dos móveis para criar um impacto visual imediato (inversão).

Principais figuras de sintaxe

​As figuras de sintaxe são divididas de acordo com a transformação que promovem na estrutura da frase: por omissão, por repetição, por inversão ou por quebra de concordância.

Omissão

  • Elipse: é a omissão de um termo ou expressão que não foi mencionado anteriormente no texto, mas que pode ser facilmente subentendido pelo contexto ou pela situação comunicativa. ​Exemplo: “No horizonte, apenas nuvens e o mar.” (Omissão do verbo existiam ou havia).
  • ​Zeugma: é uma forma especial de elipse. Trata-se da omissão de um termo que já foi expresso anteriormente na frase, evitando uma repetição desnecessária e cansativa. ​Exemplo: “A primeira bancada analisou o processo de licitação; a segunda, o recurso administrativo.” (Omissão do verbo analisou na segunda oração).
  • Assíndeto: é a omissão intencional dos conectivos coordenativos (como a conjunção e) entre orações ou termos, conferindo rapidez e dinamicidade ao texto. Exemplo: “Vim, vi, venci.” (Ausência de conjunções ligando os verbos).

Repetição

  • Polissíndeto: é o oposto do assíndeto. Consiste na repetição insistente e reiterada de uma mesma conjunção coordenativa (geralmente a conjunção e ou nem) para passar a ideia de acúmulo, continuidade ou intensidade. ​Exemplo: “O candidato estudou, e leu a lei seca, e resolveu questões, e revisou o mapa mental, e alcançou a posse.”
  • Anáfora: é a repetição de uma mesma palavra ou expressão no início de frases, orações ou versos sucessivos, criando um efeito ritmado e marcante. ​Exemplo: “É preciso ter disciplina. É preciso manter o foco. É preciso confiar no processo.”
  • Pleonasmo: é a redundância intencional de um termo para enfatizar uma ideia. Vale destacar que o pleonasmo estilístico é um recurso de nobreza literária, diferente do pleonasmo vicioso (como “subir para cima”), que é um erro crasso. ​Exemplo: “A mim, resta-me apenas a certeza do dever cumprido.” (O pronome mim reforça o pronome me).

Inversão e quebra de estrutura

  • Hipérbato (ou inversão): é a alteração drástica da ordem natural dos termos da oração. Trata-se da figura que marca, por exemplo, o Hino Nacional Brasileiro. ​Veja: “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante.” (Na ordem direta: As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico).
  • Silepse: é a famosa “concordância ideológica”. Ocorre quando a concordância gramatical não é feita com a palavra explícita na frase, mas com a ideia ou o conceito mental que ela representa. Pode ser de gênero, número ou pessoa. Exemplo de número: “A multidão gritava e pediam justiça.” (O verbo pediam no plural concorda com a ideia de pluralidade implícita no substantivo coletivo singular multidão). ​Exemplo de pessoa: “Os brasileiros somos um povo guerreiro.” (O verbo na primeira pessoa do plural somos inclui o próprio falante no grupo dos brasileiros).
  • Anacoluto: é a interrupção da estrutura sintática da frase. Ou seja, uma palavra ou expressão é colocada no início da oração para atrair a atenção, mas fica sem função sintática definida (sem verbo ou complemento ligado a ela), sendo “abandonada” no pensamento. Exemplo: “Esse concurso público, a preparação exige cada gota de suor.”

Como as bancas abordam as figuras de sintaxe?

​Textos líricos, crônicas e até trechos de leis são utilizados para identificar e classificar os desvios estilísticos nas provas. Veja:

  • ​Elipse vs. zeugma: questões trazendo frases com omissões podem perguntar se há elipse ou zeugma. Lembre-se: no zeugma, o termo oculto já apareceu explicitamente antes na mesma frase (“Eu estudo Português; ele, Matemática”) omissão de estuda. Na elipse, o termo oculto nunca foi dito, sendo depreendido apenas pelo contexto (“Na cabeça, um chapéu velho”) omissão de carregava ou usava.
  • ​Assíndeto vs. polissíndeto na pontuação: enunciados podem associar figuras de sintaxe às regras de pontuação e trazer alternativas que  afirmam corretamente que a substituição de conjunções por vírgulas em uma enumeração altera a classificação da figura de sintaxe. A presença reiterada da conjunção caracteriza o polissíndeto; a eliminação dos conectivos e uso exclusivo de vírgulas transforma a construção em um assíndeto.
  • ​Legitimidade da silepse: questões podem destacar frases com silepse como “A maravilhosa São Paulo é poluída” e perguntar se há erro de concordância nominal ou verbal, tentando induzir o candidato a marcar que a frase está incorreta. Fique atento: a silepse é uma figura de sintaxe perfeitamente válida e culta, fundamentada na concordância ideológica (no exemplo, poluída concorda com a ideia de cidade de São Paulo).
  • ​Hipérbato e reescrita de frases: o hipérbato pode ser cobrado em questões de reescrita e interpretação de texto, apresentado em um período longo e invertido. O candidato precisa assinalar a alternativa que apresente a ordem direta correta, preservando o sentido e a regência originais. Dominar a identificação do sujeito e do verbo na frase invertida é a chave para o sucesso.

O estudo das figuras de sintaxe agrega conhecimento que possibilita identificá-las de maneira mais assertiva. Por isso, dedique um tempo de sua preparação e domine o tema!

​​Considerações finais 

Então, é isso, pessoal! Chegamos ao fim de nossa análise sobre figuras de sintaxe (ou figuras de construção). Esperamos que tenham gostado.

Leia também:

Se você quer se preparar para chegar competitivo em qualquer prova de concurso público, invista nos cursos do Estratégia Concursos. Lá você encontrará aulas completas e detalhadas, com os melhores professores do mercado.

Conheça também o Sistema de Questões do Estratégia. Afinal, a única forma de consolidar o conteúdo de maneira satisfatória é através da resolução de questões.

Bons estudos a todos e até a próxima!

Cursos e Assinaturas

Quer saber quais serão os próximos concursos?

Confira nossos artigos!