Aprovado em 141º lugar no concurso da PF 2021 para o cargo de Escrivão
“Eu fico sempre pensando em poder levar uma vida que possa fazer o que gosto sem ter que me preocupar muito com as contas. Também penso muito em qualidade de vida e poder trabalhar com algo que eu gosto de verdade. Isso sempre foi um diferencial pra mim entre ter gás para estudar ou não.”
Confira nossa entrevista com Rômulo Telles, aprovado em 141º lugar no concurso da PF 2021 para o cargo de Escrivão:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam te conhecer melhor. Qual sua idade? De onde você é? Qual sua formação?
Rômulo Telles: Tenho 28 anos e sou formado em Engenharia Civil.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Rômulo: O mercado de trabalho não estava muito bom pra minha área, ainda mais porque não tenho muita experiência. Os poucos empregos que apareciam pagavam muito pouco.
Estratégia: Por que escolheu a área policial? Tem algum parente policial que te inspirou?
Rômulo: Não tenho nenhum parente policial, mas sempre gostei da área e admiro muito os serviços prestados pelas polícias. Além de gostar da profissão, alguns cargos possuem salários muito bons e costumam ter um número maior de vagas.
Estratégia: O fato de lidar com o crime no dia a dia gerou algum tipo de medo em você ou em sua família?
Rômulo: Na minha família um pouco, mas eu não me preocupo muito com isso. Além da minha família, minha namorada fez uma pressão boa para que prestasse só o concurso de escrivão, que em tese é mais seguro kkk.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Rômulo: Eu larguei o serviço para poder me dedicar integralmente aos estudos. Ganhava muito pouco onde estava trabalhando e fiz uma conta muito básica de que com um 1 ano como concursado ganharia uns 4 anos do salário que ganhava no serviço que estava, então valeria muito a pena.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e colocação?
Rômulo: Por enquanto só na PF. O cargo é de escrivão e na lista após a redação estava na 141º.
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados?
Rômulo: Uma sensação de dever cumprido sem igual. Além do alívio porque eu me sentia muito pressionado por causa da pandemia e dos adiamentos.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Rômulo: Eu abdiquei da maioria das coisas, até de ver minha namorada por alguns meses. Claro que dependia do momento, porque os concursos estavam sendo adiados. Sem data eu acabava dando uma relaxada (mais do que deveria), mas sempre que o concurso era remarcado a rotina intensa voltava.
Estratégia: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?
Rômulo: Eu namoro e voltei a morar com minha mãe para estudar. Foi muito importante ter o apoio dela, ainda mais quando as provas foram adiadas, porque ninguém esperava que iria ficar tanto tempo sem voltar a ter renda. Sem o apoio da minha mãe e da minha namorada eu não teria conseguido.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?
Rômulo: Olha, acho que cada caso é um caso. Eu mesmo mudei meu foco nos meses antes da prova da PF para outro concurso menor. Naquele tempo, parecia mais provável que o concurso da PF fosse adiado e o menor tinha mais chances de ocorrer.
Acho que se você já tem renda e não tá passando aperto, o ideal é escolher seu concurso dos sonhos e manter o foco. Mas se você tá na quebradeira que nem eu estava, tem que tentar acompanhar as notícias especializadas e se adaptar. Isso não quer dizer estudar pra tudo que aparece ao mesmo tempo, só que você pode tentar se adaptar um pouco mais de acordo com o cenário. Pretendo estudar agora para Policial Legislativo ou Perito.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso em que foi aprovado?
Rômulo: Foram praticamente 3 anos. Intenso quando tinha data e bem pouco (quase nada) quando os concursos eram adiados.
Estratégia: Durante a fase pré-edital, como fazia para manter a disciplina nos estudos?
Rômulo: Na fase pré-edital eu não tinha dificuldades em manter a disciplina. Sabia que o edital estava próximo (escrivão da PCDF) e que minha maior vantagem competitiva seria já ter fechado o edital antigo antes do novo ser publicado.
Mas acho que o mais importante pra se motivar é sempre procurar estudar pra um cargo que você queira de verdade e que vá te realizar. Também acho que pensar em todas as dificuldades, na falta de dinheiro e em como tudo vai melhorar com a aprovação também são ótimas maneiras de se inspirar haha.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens de cada um?
Rômulo: Eu utilizava os PDFs do Estratégia, meus resumos e muitas questões. Eu gosto muito do PDF porque consigo terminar o curso mais rapidamente e depois ficar só revisando. Vídeo eu usava só quando tinha uma dúvida ou em materiais de revisão.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Rômulo: Através dos materiais grátis disponibilizados. Já dava pra ver que o negócio aqui é diferenciado haha.
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concurseiro é a quantidade de assuntos que deve ser memorizada. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?
Rômulo: Eu gostava de ver uma disciplina por vez, de forma bem aprofundada e fazendo resumos. Só quando terminava uma que começava a outra, mesmo que durasse 2 semanas.
Quando termino todas as disciplinas, monto um ciclo de revisão com meus resumos. Nesse ciclo de revisão eu estudo uma ou duas disciplinas por dia. Acho que importante pra memorizar é a repetição. E também junto com as revisões eu fazia muitaaaas questões.
Eu estudei um pouco sobre técnicas de estudo, até dizem que essa minha técnica é a pior haha, mas é a que melhor funciona pra mim, acho que gasto muito tempo mudando de disciplina e também gosto de tirar um tempo pra meter as caras na disciplina. No meu auge estudava umas 8-10 horas brutas por dia.
Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Rômulo: Contabilidade e estatística foram as mais complicadas. Em contabilidade acho que depois de muitas revisões algumas coisas começam a fazer sentido.
Em Estatística o que me salvou foram 2 PDFs que tinham só exercícios focados para área policial. Acabou funcionando melhor focar só nesses 2 PDFs de exercícios (repeti várias vezes) do que no meu resumo.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana anterior à prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Rômulo: Para PF a reta final foi muito tensa haha, eu estava focando para outro concurso (que acabou sendo adiado) porque achava que a PF seria adiada. Quando percebi que iria rolar, o desespero bateu e comecei a revisar até quando aguentava.
Foquei mais tempo nas disciplinas que imaginei que teriam mais peso (Informática, Contabilidade, Português e Estatística). Na véspera eu também estudei, porque não me sentia 100% preparado, só parei de estudar um pouco mais cedo (18 horas) pra não chegar na prova tão cansado.
Estratégia: No seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Rômulo: Primeiro de tudo tem que fazer o curso da Janaína Arruda. Pra redação do Cebraspe não tem muito segredo, tem que seguir a “receita de bolo”. Praticar e tentar ficar antenado sobre os temas atuais também é importante. Também paguei algumas correções pra ver como estava indo e onde poderia melhorar.
Estratégia: Como foi sua preparação para o TAF? E como foi essa prova?
Rômulo: Eu gosto de fazer atividade física, tentei me manter sempre em forma. A pandemia dificultou isso um pouco. Deveria ter começado na corrida também mais cedo, acabei deixando a corrida de lado e sofrendo nos últimos meses pra bater o mínimo.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?
Rômulo: Acho que manter o foco nos momentos difíceis foi uma das minhas maiores dificuldades. Foram muitos adiamentos, isso tirava muito o “gás” de estudar. Também ter trocado o foco por um tempo também pode ter sido um erro.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Rômulo: Quando suas economias acabam e você volta a depender dos pais fica muito difícil. Nesse cenário em que as provas foram adiadas mais de uma vez pensei sim várias vezes em tentar voltar a trabalhar. Mas acho que o me manteve no caminho foi sempre pensar que tudo valeria a pena quando passasse.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Rômulo: A questão financeira (a falta de dinheiro na verdade) me motiva muito. Eu fico sempre pensando em poder levar uma vida que possa fazer o que gosto sem ter que me preocupar muito com as contas. Também penso muito em qualidade de vida e poder trabalhar com algo que eu gosto de verdade. Isso sempre foi um diferencial pra mim entre ter gás para estudar ou não.
Se fosse tentar estudar pra um cargo que eu sentisse que não gostaria de trabalhar, dificilmente teria disciplina pra estudar. Então a motivação é uma mistura de sair da pobreza com poder trabalhar com algo que tenho certeza de que irei gostar muito.
Estratégia: O que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Rômulo: Acho que continuar tentando até dar certo. Eu mesmo sempre odiei o Cespe (Cebraspe). Já na época do vestibular eu tinha muita dificuldade com o estilo de prova deles. Parecia que, mesmo estudando, eu ainda caía em todos os pegas e errava questões por uma vírgula ou uma palavra.
Mas depois de muitos anos, algumas provas e muitaaas questões eu finalmente consegui ir bem o suficiente pra passar em uma prova, e logo do Cespe (meu Nêmesis). Então minha dica é que mesmo que pareça muito difícil no começo, perseverando você acaba chegando aonde pretende.
“Eu fico sempre pensando em poder levar uma vida que possa fazer o que gosto sem ter que me preocupar muito com as contas. Também penso muito em qualidade de vida e poder trabalhar com algo que eu gosto de verdade. Isso sempre foi um diferencial pra mim entre ter gás para estudar ou não.”