
“[…] aconselho que os candidatos aprendam a lidar com a derrota no meio do percurso e busquem sempre aprender com as reprovações”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com PEDRO PAULO RABELO MIRA JUNIOR, aprovado em 24º lugar no MPF para o cargo de Procurador da República:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo(a). Há quanto tempo se formou em Direito? Qual sua idade e cidade natal?
Pedro Paulo Mira: me chamo PEDRO PAULO RABELO MIRA JUNIOR, tenho 29 anos. Sou natural de Macapá/AP. Me formei em Direito em janeiro de 2019 pela Faculdade de Macapá.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos? Escolheu seu curso superior já pensando em fazer concurso ou chegou a advogar?
Pedro: no início do curso de Direito eu tinha como objetivo a advocacia, pois ainda não conhecia o mundo dos concursos. Contudo, após o 7º semestre, passei a estagiar na Procuradoria da República no Estado do Amapá – MPF/AP. A partir de então, tive contato com pessoas que viviam o mundo dos concursos e passei a me interessar. Com o dia a dia do estágio, me identifiquei com a rotina de um servidor público, com suas atribuições e com sua estabilidade financeira.
Estratégia: Sempre fez concursos para carreira jurídica?
Pedro: Sim, sempre estudei para carreiras jurídicas. Ainda durante o estágio e no final da faculdade, passei a focar no estudo para carreiras jurídicas, embora, no início, não soubesse bem qual carreira seguir. Então, comecei a fazer todas as provas de carreiras jurídicas que saíram no meu Estado ainda durante a faculdade, como Delegado de Polícia, Procurador de Estado e Defensor Público. Somente após 1 ano de formando, comecei a focar apenas no Ministério Público, bem como conciliando com o estudo para a magistratura de forma secundária.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Pedro: sempre conciliei estudo com trabalho. Após a minha formatura no curso de Direito, passei a ocupar um cargo comissionado de Assessor de Promotor de Justiça. Fui lotado no interior do Estado, em promotorias de Justiça com matéria plena. Logo, a carga de trabalho era enorme e bem desgastante. Porém, sempre arranjava um tempinho para estudar. Como eu trabalhava muito, todo o meu tempo livre era dedicado aos estudos. De domingo a domingo. Por outro lado, ter trabalhado no Ministério Público como assessor também me ajudou muito a construir uma visão jurídica alinhada à instituição, o que me ajudou muito nos concursos, sobretudo nas provas de segunda fase, nas quais se deve demonstrar um raciocínio jurídico adequado à instituição que pleiteia ingressar.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado(a)? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Pedro: durante a minha trajetória de concursos, eu fui aprovado para assistente administrativo, analista jurídico, Delegado de Polícia Federal e, finalmente, Procurador da República, como 24º colocado na ampla concorrência. Felizmente, encerrei a minha trajetória no mundo dos concursos, tendo em vista que o MPF sempre foi o meu grande sonho.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Pedro: meu objetivo final sempre foi o cargo de Procurador da República. Esse sonho teve início no ano de 2017, durante o período em que estagiei na Instituição. Minha trajetória de estudos para concurso durou cerca de 07 anos. Me mantive mais direcionado ao MPF a partir do início do ano de 2022. Isso porque neste ano foi publicado o edital do 30º Concurso para Procurador da República, no qual eu restei reprovado na fase discursiva, em abril de 2023. Contudo, me mantive focado nos estudos para o MPF enquanto aguardava a publicação do edital do 31º Concurso para Procurador da República, o qual ocorreu em março de 2025. Logo, em síntese, é possível afirmar que direcionei os meus estudos para o MPF por cerca de 04 (quatro) anos. O que mais me ajudou a manter a disciplina era, de fato, o meu sonho de ingressar na Instituição, bem como o desafio de vencer o concurso que possui a fama de ser o mais difícil do país. Nenhum outro concurso me motivava mais a estudar do que o MPF. Só os rumores da publicação do edital já eram suficientes para me manter extremamente motivado.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Pedro: eu utilizei vários materiais durante a minha preparação e acredito que o candidato deve identificar quais fontes de estudo lhe são mais proveitosas. Eu tinha preferência por PDFs e videoaulas voltadas para concursos. Isso porque sempre fui muito prático e não gostava de materiais doutrinários muito grandes. O estudo para concursos envolve um grande desafio que é estudar o máximo de conteúdo possível no menor espaço de tempo que puder, tendo em vista que ninguém quer ficar muitos anos estudando para passar em uma prova. E estudar o máximo de conteúdo possível é muito difícil, eis que o Direito é infinito. Logo, o candidato deve priorizar fontes de estudo que otimizam seu tempo. No meu caso, por exemplo, no último ano de estudos (2025-2026), eu passei a gostar muito de estudar por videoaulas, desde quando eu passei a perceber que a ferramenta de aceleração dos vídeos não prejudicava a minha compreensão e me fazia passar pelos conteúdos de maneira extremamente rápida. Para se ter uma ideia, era muito comum eu assistir videoaulas na velocidade 3×5, sem que isso prejudicasse a minha compreensão do conteúdo.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Pedro: o Estratégia Concursos foi o primeiro curso preparatório do qual tive conhecimento e mantive contato. Ainda no início da faculdade, eu via os meus colegas, que estudavam para concurso, já utilizar o material. E mais, era muito comum utilizarmos os PDFs e as videoaulas do Estratégia para a própria graduação. A difusão do curso no meu contexto de estudos nunca precisou de propaganda, eis que a sua vasta utilização por acadêmicos e concurseiros já era suficiente para a constatação da qualidade dos materiais.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Pedro: o diferencial que percebi no Estratégia é a qualidade uniforme dos conteúdos. O curso consegue manter o mesmo padrão de qualidade entre as diversas matérias e conta com professores com grande renome e uma excelente didática. Nos últimos anos, passei a acompanhar de maneira assídua o canal no YouTube ESTRATÉGIA CARREIRAS JURÍDICAS e consumi muitas aulas nas Playlists “RETA FINAL” e “HORA DA VERDADE”. São centenas de horas-aula gratuitas, com professores renomados que me ajudaram muito durante na minha preparação.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Pedro: meu plano de estudos era muito flexível. Eu costumava estudar apenas uma matéria por vez e costumava tentar exaurir o máximo possível de conteúdo daquela matéria até enjoar. Isso porque gostava de ter a percepção de ter apreendido algo considerável sobre essa determinada matéria após esse ciclo de estudos. Creio que isso me ajudava a sentir uma sensação de progresso e evolução maior. Por exemplo, se escolhia Processo Civil, eu lia todo o CPC durante dias. Se escolhia Penal, eu assistia dezenas de videoaulas da parte geral, até exaurir aquilo e passar para outra matéria.
Eu tinha apenas uma regra inegociável: A qualidade do estudo e a efetividade do aprendizado. Logo, no dia a dia, as horas líquidas costumavam variar, a depender da minha capacidade de manter aquele dia de estudos produtivo. Nesse sentido, era comum estudar entre 3 a 4 horas por dia. Contudo, com os editais abertos, eu costumava estudar bem mais horas líquidas por dia. Eu sempre utilizei aplicativos para contabilizar minhas horas líquidas, de modo que, em consulta a esses apps, verifiquei que:
-Nas semanas que antecederam as provas objetiva, subjetivas e orais do MPF eu estudei as seguintes quantidades:
-65h24m37s líquidas na semana anterior à prova objetiva (29/06/2025), o que equivale a mais 09 horas líquidas por dia;
-54h39m49s líquidas na semana anterior às provas discursivas (05 a 07/10/2025), o que equivale a cerca de 8 horas líquidas por dia;
-54h23m3s líquidas na semana anterior às provas orais (19/04/2026), o que equivale a cerca de 8 horas líquidas por dia.
No meu último dia de estudos para concurso, 18/04/2026, véspera da prova oral do MPF, eu estudei 8h56m48s líquidas. No dia anterior, 17/04/2026, estudei 12h7m líquidas, o qual foi o maior recorde de horas líquidas de estudo durante toda a minha trajetória de estudos para concurso. Ao todo, eu contabilizo 5.146 horas 23 minutos e 46 segundos de horas líquidas computadas entre os anos de 2020 a 2026.
Eu utilizava um aplicativo para contabilizar minhas horas líquidas de estudo.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Pedro: para ajudar a manter o conteúdo mais fresco na mente, eu sempre privilegiei materiais mais curtos, pois são mais fáceis de ler novamente. Eu fiz poucos cadernos, porém bons, frutos das videoaulas que eu assistia. Acredito que um bom caderno é excelente para revisar o conteúdo nas vésperas de uma prova discursiva.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Pedro: confesso que não tinha o hábito de fazer questões objetivas. Acredito sim que é um bom método, porém eu não o utilizava como uma forma de fixação de conteúdo. Sempre acreditei que buscar fazer um estudo exauriente das fontes já me ajudaria a ter uma preparação macro dos assuntos e a identificar os principais artigos e pontos mais importantes de uma matéria. Minha análise das provas objetivas era diferente. Ao invés de fazer a prova e ver quantos pontos acertava, eu costumava baixar as provas e buscava identificar quais assuntos eram cobrados e de que forma. Por exemplo, para a objetiva do concurso de Procurador da República para o qual fui aprovado, eu baixei todas as provas anteriores e selecionei todos os tratados de Direitos Humanos e Internacional que já foram objetos de prova objetiva no MPF. A partir disso, eu baixei todos esses tratados e os li integralmente. Então, eu não tinha o hábito de fazer milhares de questões objetivas em plataformas online, como muitos candidatos costumam fazer, mas acredito que é um bom método sim.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Pedro: minha rotina de estudos nas semanas que antecediam as provas era extremamente intensa. Eu me dedicava integralmente aos estudos. Durante a trajetória de estudos para concurso, mantive uma rotina de exercícios físicos, o que é muito importante para ajudar a manter a saúde física e mental. Contudo, nas vésperas das provas, eu abdicava dos exercícios e de tudo para me dedicar somente aos estudos. Para se ter uma excelente performance em uma prova de carreira jurídica, é importante que o candidato chegue no dia do exame com o máximo de conteúdo possível aprendido e da forma mais fresca na mente. Por isso, para mim não funcionava descansar na semana anterior à prova. Nem mesmo no dia anterior às provas eu costumava descansar, o que é recomendado. Conforme respondido anteriormente, nas semanas de todas as provas do MPF (objetiva, subjetivas e orais), eu cheguei a estudar entre 8 a 9 horas líquidas por dia. Mas isso varia de cada candidato. Eu mantinha essa rotina pesada de estudos nas vésperas porque identifiquei que isso não me prejudicava, de modo que é importante que o candidato identifique o seu perfil, pois, para outras pessoas, pode ser mais proveitoso descansar no dia anterior à prova e desacelerar na última semana antes dos testes.
Estratégia: Concursos para carreira jurídica são compostos por várias fases. Como foi sua preparação para a prova discursiva? E para a prova oral?
Pedro: minha preparação para a fase discursiva do concurso de Procurador da República foi voltada para o estudo dos assuntos de maior relevância para o cargo. Estudei de maneira exaustiva os informativos de jurisprudência do STF e do STJ dos últimos 5 anos. Para a prova discursiva, também fiz alguns cadernos oriundos de videoaulas que assisti, os quais foram muito importantes para o meu estudo de véspera e revisão. Também me ajudou muito na prova discursiva a marcação do Vade Mecum, o que eu negligenciava em provas anteriores. Marcar o Vade Mecum de maneira inteligente, com artigos que você sabe que serão cobrados ajuda sobremaneira a execução da prova subjetiva, tendo em vista que a prova subjetiva do MPF é de apenas 04 horas por dia, e o candidato precisa escrever muitas laudas, razão pela qual não temos tempo para procurar todos os artigos no Vade Mecum. É necessário que o candidato já vá direito nos artigos marcados e que são importantes e deixar o tempo para procurar eventual artigo que não tem tanta frequência em ser cobrado. Por exemplo, o candidato que irá fazer uma prova discursiva do MPF deve ter grifado no Vade Mecum o art. 225, § 3º da CF e o art. 14, § 1º da Lei nº. 6.938/81 (PNMA), os quais tratam da responsabilidade civil objetiva por dano ambiental. Coincidentemente, esse foi um dos temas da peça prática do primeiro dia da prova discursiva. Citar esses dispositivos enriquece a prova, mas você não terá tempo de encontrá-los caso deixe para procurar na hora da prova. Especificamente para a fase oral, eu realizei bastante treinos com os colegas também aprovados. Fazia arguições praticamente todos os dias, simulando os temas e as circunstâncias da prova oral, o que ajudou a me sentir mais confiante durante a banca examinadora.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Pedro: meu principal erro foi negligenciar, no início dos estudos, algumas fontes do Direito, como doutrina e, principalmente, jurisprudência. Hoje em dia, é praticamente impossível um candidato passar em uma prova discursiva sem dominar a jurisprudência do STF e do STJ. É necessário não apenas saber a tese conclusiva do julgado, mas sim como se deu toda a sua construção teórica até a sua conclusão. Por exemplo, uma das provas discursivas do MPF exigiu o conhecimento dos candidatos sobre a possibilidade de os órgãos de persecução penal exigirem RIF diretamente ao COAF. E para responder a esse questionamento, os candidatos deveriam estar por dentro de toda a celeuma que envolve esse assunto tanto no STF quanto no STJ. Considero que os meus principais acertos foram a minha resiliência e a capacidade de sempre buscar aperfeiçoar os meus métodos de estudo, a fim de que eu pudesse sempre ter um estudo extremamente qualitativo.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Pedro: aconselho a alguém que está começando que busque identificar, desde o início, qual o seu propósito, qual cargo pleiteia ingressar. Aconselho também a evitar distrações que possam lhe tirar o foco e buscar conviver com pessoas que possuem o mesmo propósito. Recomendo que adotem uma rotina de estudos mais focada na qualidade do que na quantidade, a qual tenderá a aumentar de forma qualitativa com o passar do tempo. Também recomendo que os candidatos mantenham uma rotina de exercícios físicos, o que ajuda a manter a saúde física e mental. Por fim, aconselho que os candidatos aprendam a lidar com a derrota no meio do percurso e busquem sempre aprender com as reprovações, sempre tendo em mente que sua aprovação final será fruto de toda uma trajetória, a qual certamente será composta por alguns fracassos, pois, ao fim, somente é necessária uma única aprovação.