Aprovado no concurso IBGE
“No começo até andar é difícil. Não desistir é a parte mais importante. Fui reprovado na PMMG, TJMG e TRF-1, mas chega uma hora que não dá mais para perder, tem que começar a ganhar”
Confira nossa entrevista com Pedro Cardoso Batalha Neto, aprovado em 17° lugar no concurso IBGE no cargo de Agente Censitário Operacional (Belo Horizonte):
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam te conhecer melhor. Você é formado em que área? Qual sua idade? De onde você é?
Pedro Cardoso: Tenho 30 anos e sou de Prudente de Morais – MG (cidade bem pequena). Não possuo formação superior, cheguei a fazer 1 ano de Direito em 2012, mas a empresa que eu trabalhava fechou e precisei abandonar (triste). Em 2015 terminei um curso de Técnico Administrativo em Sete Lagoas-MG, este curso foi crucial para decidir estudar para concursos.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Pedro: Cheguei a fazer em 2014 a prova da PMMG para soldado, fiquei fora da correção da redação por 1 questão. Havia estudado com uma daquelas apostilas de R$50,00 que tinha página repetida, conteúdo fora do lugar, se passar o dedo mancha a página. Foi terrível! Estudei por menos de dois meses para esse concurso e acredito que o fato de ter batido na trave, com esse material péssimo, foi o marco inicial.
Fiquei parado nos estudos desde então até o fim de 2017, quando saiu o edital do TJMG. Não estudei e fui aprovado numa posição que o computador trava antes de chegar nela (kkkk). Veio o TRF1 e estudei uma semana antes da prova (pedi para ser reprovado, né?!). A prova do TRF1 foi o marco da retomada dos estudos. Estudei Raciocínio Lógico só na madrugada antes da prova e fiz 9/10. Vi então que se persistisse dava! TJMG e TRF1 estudei com apostilas do mesmo nível que a da PMMG (péssimo material).
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Pedro: Houve período de estudo + trabalho e período só de estudo. Eu trabalhava e estudava quando fiz a prova da Câmara de BH – foi quando conheci o material do Estratégia – e fui relativamente bem para dois meses de estudo (janeiro iniciei e março era a prova). Estudei sem técnica alguma, só lia e resolvia os exercícios do material. Trabalhava das 7hs às 17hs e os estudos eram das 18hs às 22hs. Em outubro de 2018 saí da empresa para me dedicar inteiramente aos estudos e cá estou desde então, só estudando e os resultados estão vindo.
Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?
Pedro: TJMG conta? Minha colocação de “aprovado” foi 3 mil e alguma coisa (rs); Câmara Municipal de Matozinhos para Assistente Administrativo 26° colocado; MGS S/A 4° colocado para Auxiliar Administrativo para Sete Lagoas; Conselho Regional de Nutricionistas da 9ª região (MG) acredito que 3° colocado (resultado em alguns dias) cargo de Assistente Administrativo para Ipatinga; IBGE 17° colocado para Agente Censitário Operacional (último concurso aprovado, até então!).
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados?
Pedro: Eu não estava com muita fé na aprovação do IBGE, errei muita bobagem, cheguei a achar que nem classificaria. Errei 9 questões e rasurei 1 – 10 questões a menos na minha conta.
Bateu a sensação de dever cumprido (temporariamente), corrigi meus erros e já comecei a me preparar para a EBSERH. O tempo não para e os estudos também não!
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Pedro: Vida social? O que é? Onde habita? O que come? (rs)
Adotei uma postura radical mesmo! Saí do trabalho para estudar, então decide que o foco era nos estudos e o resto precisava esperar. Mantenho essa postura até hoje e pretendo manter até alcançar meu cargo esperado para voltar à faculdade de Direito. Amigos, namoro, família, festas, saídas, qualquer coisa que não for estudo precisa esperar até que eu tenha tempo livre.
Estratégia: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?
Pedro: Namoro, tenho uma filha, moro com meus pais, sobrinhos e irmã. Acho mais que entenderam do que apoiaram. O estudo depende de atenção e concentração e aqui a barulheira dentro de casa é constante. Prefiro ler a assistir videoaulas, mas aqui não tem como dedicar à leitura, precisei me adaptar.
Minha namorada e a família dela me apoiam mais que a minha (rs). Quando realmente é necessário silêncio, vou estudar na casa dela e passo a semana inteira lá. Ela mora em uma cidade vizinha (sou de Prudente de Morais e ela é de Sete Lagoas). Estou tentando atraí-la para o lado concurseiro da força.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?
Pedro: Meu “objetivo final” é alcançar algum do topo da área jurídica (juiz, promotor, procurador, defensor, advogado público, incluo aqui o delegado). Hoje eu foco em fazer concursos da área administrativa porque são os que mais saem, isso aumenta a chance de alcançar um cargo público mais rápido.
Estou em alerta sobre o concurso do INSS, pois o cargo de Técnico do Seguro Social vai me permitir continuar estudando e voltar para a faculdade de Direito, ou seja, concurso escada. As matérias dos concursos que faço são sempre matérias básicas do INSS. Então, quando esquentar, volto a estudar previdenciário. Português, Constitucional, Administrativo, Ética, Raciocínio Lógico e Informática estão presentes na maioria dos concursos, então acho válido fazer outros concursos que aproveitam estas matérias. O IBGE, por exemplo, só não teve Constitucional.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso que foi aprovado?
Pedro: 100% focado no IBGE foi um mês de estudo. Antes do IBGE eu fiz CRN9 (dia 27 de outubro e 8 de dezembro foi IBGE), só adaptei e fiz revisão.
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Pedro: Para o IBGE, especificamente, só estudei com edital publicado e um mês até a prova. Como disse, larguei o trabalho para estudar, então procrastinar não é uma opção. Eu estudo sozinho e para não me enlouquecer de vez, mantenho o sistema de recompensa: se cumprir o cronograma, então me dou um tempo para diversão.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens e desvantagens de cada um?
Pedro: Utilizo como prioridade as videoaulas, os outros materiais utilizo quando a videoaula é dispensável ou impossível (momentos como: ônibus, leitura da lei seca e revisão escrita). A videoaula, ainda que acelerada, demora mais, isso porque gosto de fazer material escrito para revisar.
Eu prefiro o PDF, mas preciso de silêncio para isso. Então coloco o fone e vou assistir a videoaula ativamente (dar play e pensar na origem da terra e do universo não é estudar!). A vantagem do PDF é que o professor consegue abordar o tema amplamente e a videoaula limita o professor a ser mais “resumido”. Acredito que algumas matérias não se encaixam bem na videoaula (“legislação seca” eu prefiro ler) e outras não se encaixam no PDF (Raciocínio Lógico/Matemática a videoaula rende mais, é só resolver e ver a correção do professor).
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Pedro: Conheci o Estratégia no final de 2017, no YouTube. Ia fazer a prova do TRF-1 e a apostila que comprei era uma porcaria. Uma semana antes da prova, lá estava eu assistindo o professor Herbert Almeida (4hs de lei 8112). Passado o TRF-1, comprei material para a Câmara de BH e estudei com o Estratégia. Infelizmente foi esse o primeiro contato com material de qualidade. Quem me dera ter conhecido antes…
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que devem ser memorizados. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?
Pedro: Eu mantenho meu material de revisão adaptável, sempre que aprendo algo novo, consigo encaixar uma folha nova ou um post-it. Isso evita que eu tenha que ficar estudando tudo de novo: é só pegar aquele conteúdo novo, encaixar e revisar meu próprio material escrito.
Resolução de questões é o que mais uso para revisar. Quando eu erro alguma, vou lá no meu resumo e confiro se já passei por isso (toda vez que erro sobre algum tema, faço uma estrela vermelha ao lado do conteúdo que errei, uso isso para medir o que está me derrubando).
Sou adepto do cronograma e não do ciclo, sempre estudo mais de uma matéria por dia, começo com as mais chatas/difíceis e termino com as que mais gosto/fáceis. Faço isso porque ao fim estarei cansado demais para aprender algo que posso ter dificuldade. Nada de corpo mole, o importante é começar! Não limito a quantidade de horas, como tenho o dia todo livre, dedico todo o dia ao estudo. Acho difícil contabilizar, por isso prefiro o cronograma.
Aos poucos fui aumentando a quantidade de aulas, hoje me sinto confortável com 15 videoaulas/dia (assisto na velocidade 2x para render mais). Tento manter 4 a 5 matérias diferentes por dia.
Exercício é uma excelente forma de treino, já viu algum atleta entrar em campo sem treinar? Eu mesmo faço a análise do meu edital para montar o cronograma. É muito relativo de edital para edital, existe a questão do peso, quantidade de questões, critério de desempate…
Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Pedro: Tento ao máximo evitar preconceito com matérias, coisas do tipo “ah, isso eu não consigo aprender!”, “é difícil”, “não é para mim”. Vou sempre até o fim do conteúdo e só depois tiro minhas conclusões. Hoje acredito que Administração Geral e Pública é a matéria mais “complicada”, são teorias diversas e autores diversos (mas em breve estará dominada!). A frase do H. Ford define bem: se você pensa que pode ou pensa que não pode, de qualquer forma você está certo. Prefiro sempre pensar que posso.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Pedro: Revisei até entrar no local de prova, inclusive com a minha namorada me perguntando sobre penalidades da 8112 e Ética. Fiz uma tabela “conduta x sanção” e ela ficava me perguntando “fazer blá blá blá” e eu respondia é “advertência”, é “suspensão”, é “demissão”. Resumindo: caiu duas questões perguntando exatamente sobre sanção administrativa e ética.
Isso de folga um dia antes da prova é mito de preguiçoso (rs), só que no dia anterior, parei de estudar mais cedo para ir descansado.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS.
Pedro: Meu maior erro para o IBGE foi ter resolvido poucas questões (a FGV repetiu muitas questões já conhecidas). Meu maior acerto foi não desistir, acho que o concursando só falha quando desiste de fato.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Pedro: O mais difícil foi decidir largar o trabalho. Eu gostava muito do pessoal e da empresa, fiz ótimas amizades lá. Eu gostava do que fazia, embora havia decidido que queria mais do que a empresa podia oferecer. Recebi uma proposta melhor para não sair, mas já havia decidido, não era por dinheiro, não era por condições melhores de trabalho, era por querer um dia olhar para trás e ver que fiz algo que beneficiou a sociedade.
Nunca pensei em desistir, se desistisse de seguir em frente, para onde eu voltaria? Ser concursado era no princípio algo que eu queria, fiz disso uma necessidade ao sair do trabalho. Sabemos que o homem é movido pela necessidade, querer não é poder.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Pedro: Minha principal motivação é saber que é possível conseguir cargos melhores se eu me dedicar aos estudos. Quando as aprovações começam a vir, cada vez que o nome aparece na lista de aprovados é uma motivação a mais.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Pedro: No começo até andar é difícil. Não desistir é a parte mais importante. Meu papel de parede no notebook é uma frase do William Douglas que diz “concurso público: a dor é temporária, o cargo é para sempre”. Fui reprovado na PMMG, TJMG e TRF-1, mas chega uma hora que não dá mais para perder, tem que começar a ganhar.
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Foi aprovado e deseja dividir com a gente e com outros concurseiros como foi sua trajetória até a aprovação?! Mande um e-mail para: [email protected]
Um abraço,
Thaís Mendes