A cadeira do dentista
Fazia dois anos que Carlos não se sentava numa cadeira de dentista. Marcava várias consultas, mas suava frio folheando velhas revistas na sala de espera e fugia antes de ser atendido. Na última vez que ele pôs o pé no consultório de um dentista, quando soube o preço do tratamento, a dor transferiu-se do dente para o bolso.
Carlos adiou o tratamento. Porém, tempos depois, não haveria como escapar. Entrando no consultório, suas pernas tremiam. O dentista surgiu e Carlos desejou vê-lo sentado na própria cadeira tendo um dente extraído. Mal Carlos se acomodou, e o dentista estava curvado sobre a cadeira, louco para entrar em ação. Nem uma palavra de estímulo ou reconforto. Foi logo ordenando:
− Abra a boca.
Carlos tentou, mas a boca não obedeceu aos seus comandos.
− Não vai doer nada! Abra a boca.
− Todos dizem a mesma coisa. − Carlos reagiu.
− A anestesia vai impedir a dor. – disse o dentista, armado com uma seringa.
Enfim, Carlos se acalmou e o dentista pôde trabalhar. Mas continuava pensando que é fácil ser corajoso com a boca dos outros.
(Carlos Eduardo Novaes. A cadeira do dentista. Ed. Ática, 2003. Adaptado)
No trecho do 1º parágrafo “... fugia antes de ser atendido.”, a palavra destacada estabelece sentido de