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O bem de uma sesta

          Por coincidência, esbarrei nestes últimos dias com várias reportagens sobre o sono. Parece que a medicina anda preocupada com a falta ou o excesso dele. Alguns amigos também. Nas conversas sobre o tema, costumo ser o único a não ter do que me queixar: sou bom de cama. Até demais. Durmo na hora que quero, durante o tempo que preciso e às vezes até no lugar indevido. Quando dirigia, chegava a ser acordado com a buzina do carro de trás ao se abrir o sinal vermelho de trânsito. No entanto, conheço pessoas que vivem reclamando de insônia. Passam parte da vida em claro. Eu as invejava, achando que desse jeito o dia rendia mais, dando tempo para ler os livros que a gente não consegue, além de poder escrever, ouvir música, responder e-mails. Soube depois que não é bem assim, pois se trata de um incômodo mal-estar. Um mistério é por que não tenho déficit de sono, se deito tarde (uma, duas da manhã) e acordo cedo, em geral às seis? Quando me perguntam como é que pode, faço cara de fenômeno e só depois conto, o que vou fazer daqui a pouco. (...)
          Do que aprendi nas minhas leituras, porém, o que mais me interessou foi a matéria esclarecendo o meu “caso”, que felizmente nada tem a ver com a chamada “doença do sono”. É que um estudo acaba de revelar que dormir ou cochilar depois do almoço faz bem à saúde, principalmente a mental. O hábito estimula a aprendizagem e amplia os processos cognitivos. Já permanecer acordado muito tempo prejudica o armazenamento de novas informações. Como faço a sesta todo dia, estou bem, e esse é o meu segredo. Antes, tinha pudor de confessar. Dava sempre uma desculpa, pedia para dizerem ao telefone que não estava etc. Temia que as pessoas me achassem um preguiçoso. Se a verdade fosse dita, alguém do outro lado ia suspirar: “Isso é que é vida.” Com a descoberta de que a sesta é uma necessidade biológica que faz a gente ficar mais inteligente, assumi o hábito com orgulho, pois passei a me sentir mais... vocês não perceberam? Então é porque ainda não deu para notar. 
          Quem puder, faça como eu, mas, se dormir, não dirija.

VENTURA, Zuenir. O Globo, 29 maio 2010.

Observem-se os trechos do Texto II abaixo.

I - “Parece que a medicina anda preocupada com a falta ou o excesso dele.” (1º parágrafo)
 
II - “Durmo na hora que quero, durante o tempo que preciso e às vezes até no lugar indevido.” (1º parágrafo)
 
III - “É que um estudo acaba de revelar que dormir ou cochilar depois do almoço faz bem à saúde, principalmente a mental.” (2º parágrafo)
 
Acerca desses trechos, é correto afirmar que há elipse em
A
I, apenas.
B
II, apenas.
C
III, apenas.
D
I e II, apenas.
E
I, II e III.