Questão
2019
IDECAN
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba
História (IFPB)
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
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 “No aluir das paredes, no ruir das pedras, no esfarelar do barro, havia um longo gemido. Era o gemido lamentoso do Passado, do Atraso, do Opróbrio. A cidade colonial, imunda, retrógrada, emperrada nas suas velhas tradições, estava soluçando no soluçar daqueles apodrecidos materiais que desabavam. Mas o hino claro das picaretas abafava esse protesto impotente. Com que alegria cantavam elas — as picaretas regeneradoras! E como as almas dos que ali estavam compreendiam bem o que elas diziam, no seu clamor incessante e rítmico, celebrando a vitória da higiene, do bom gosto e da arte!” 

BILAC, Olavo. Crônica. Revista Kosmos, Rio de Janeiro, mar.1904. 

“De uma hora pra outra, a antiga cidade desapareceu e outra surgiu como se fosse obtida por uma mutação de teatro. Havia mesmo na cousa muito de cenografia.” 

BARRETO, Afonso Henriques de Lima. Os Bruzundangas. São Paulo: Brasiliense, 1956.

Observadores de sua época e partícipes do novo jornalismo que se levantava com toda a força no início do século XX, os cronistas Olavo Bilac e Lima Barreto comentavam a nova era de metamorfoseamento material e imaterial pela qual passava o Rio de Janeiro com posições diametralmente opostas. Quanto as perspectivas adotadas por estes autores, é correto afirmar que
A
com tom ácido, desdenhoso para com os símbolos das mudanças, o escritor carioca Olavo Bilac contrapôs-se à modernidade importada vencedora da Belle Époque Tropical.
B
Lima Barreto encarava as metamorfoses urbanas com desconfiança, uma vez que percebia a manutenção e o acirramento das desigualdades sociais que essa modernidade acarretava. 
C
o que realmente incomodava o literato Olavo Bilac era a aceleração das mudanças, revelando um turbilhão em meio ao qual os ideais perdiam os seus referenciais e sensos morais mais apurados.
D
entendia as mudanças da Capital como símbolos de reabilitação moral e material.
E
Olavo Bilac combateu com devoção a pesada herança colonial de uma sociedade escravocrata, refletida na privação dos direitos dos negros africanos e seus descendentes.