Triste Fim de Policarpo Quaresma
Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se veem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, além, que dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramáticos, não se entendem no tocante à correção gramatical, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma - usando do direito que lhe confere a Constituição, vem pedir que o Congresso Nacional decrete o Tupi-Guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro.
O suplicante, deixando de parte os argumentos históricos que militam em favor de sua ideia, pede vênia para lembrar que a língua é a mais alta manifestação da inteligência de um povo, é a sua criação mais viva e original, portanto a emancipação política do País requer como complemento e consequência a sua emancipação idiomática. (BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. São Paulo: Ática, 1992)
“a língua é a mais alta manifestação da inteligência de um povo, é a sua criação mais viva e original, portanto a emancipação política do País requer como complemento e consequência a sua emancipação idiomática.”
O vocábulo sublinhado estabelece entre as duas orações uma relação de: