Texto para Interpretação:
O LOBO E O CORDEIRO
Estava o cordeiro a beber num córrego, quando apareceu um lobo esfaimado, de horrendo aspecto.
__Que desaforo é esse de turvar a água a que venho beber? – disse o monstro arreganhando os dentes.
– Espere que vou castigar tamanha má-criação!…
O cordeirinho, trêmulo de medo, respondeu com inocência:
__ Como posso turvar a água que o senhor vai beber se ela corre do senhor para mim?
Era verdade aquilo e o lobo atrapalhou-se com a resposta. Mas não deu o rabo a torcer.
__Além disso – inventou ele –sei que você andou falando mal de mim o ano passado.
__ Como poderia falar mal do senhor o ano passado, se nasci este ano?
Novamente confundido pela voz da inocência, o lobo insistiu:
__ Se não foi você, foi seu irmão mais velho, o que dá no mesmo.
__ Como poderia ser meu irmão mais velho, se sou filho único?
O lobo, furioso, vendo que com razões claras não vencia o pobrezinho, veio com uma razão de lobo faminto:
__ Pois se não foi seu irmão, foi seu pai ou seu avô!
E – nhoque! – sangrou-o no pescoço.
Contra a força não há argumentos
( Monteiro Lobato)
As respostas e os argumentos que o cordeiro apresentou ao lobo: