Questão
2024
Instituto Darwin
Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Capibaribe (PE)
Professor Anos Finais do Ensino Fundamental - Língua Portuguesa (Pref Santa Cruz do Capibaribe/PE)
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
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Texto II

UNE: O que é um erro de português?

Bagno: Na concepção do senso comum, o “erro de português” é qualquer uso linguístico que não esteja previsto nos instrumentos normativos tradicionais, a gramática e o dicionário. No entanto, não existe uma concepção única e homogênea do que seja o português “correto” nesses instrumentos normativos, porque os gramáticos e dicionaristas têm posturas diferentes diante dos usos da língua: alguns gramáticos admitem certas formas inovadoras, enquanto outros ainda as rejeitam, por exemplo. Além disso, a noção de “erro” está muito vinculada à posição que uma pessoa ocupa na pirâmide social. Os usos já bem fixados entre as classes sociais privilegiadas, mesmo quando contradizem as prescrições tradicionais, passam despercebidos e não provocam reações extremadas: ao contrário, a atitude mais geral é do tipo “pode até estar errado, mas todo mundo fala assim”. Por outro lado, se o uso vem das camadas inferiores, nenhuma relativização é possível: é erro e ponto final. Como tudo em sociedade, o que é certo e errado depende de quem utiliza esses rótulos contra o quê e contra quem.

Confira a entrevista especial com o professor Marcos Bagno para a 9ª Bienal da UNE.

Disponível em https://www.une.org.br/2014/11/marcos-bagno-a-linguacomo-instrumento-de-poder/

De acordo com o trecho da entrevista concedida à UNE pelo professor-pesquisador Marcos Bagno, reproduzido no Texto II, a caracterização de um erro de português, normalmente, apresenta um viés
A
estilístico, já que o possível “erro” depende do estilo de falar e de escrever do emissor e de sua intenção comunicativa.
B
puramente linguístico, pois todas as ocorrências linguísticas que se desvirtuam das normas gramaticais são consideradas erro.
C
sociológico, pois os “erros” sofrem mais preconceito, ou menos, a depender da posição sociocultural de quem os comete, do que em relação ao desvio contra o padrão formal da língua.
D
filosófico, já que o “erro” no uso da linguagem deve ser tratado como um estudo de questões gerais e fundamentais sobre a existência, a mente e a linguagem humana, frequentemente colocadas como problemas a se resolver.