Texto 2
A vingança da porta
Era um hábito antigo que ele tinha: entrar dando com a porta nos batentes — "Que te fez esta porta?" a mulher vinha e interrogava... Ele, cerrando os dentes:
— "Nada! Traze o jantar." — Mas à noitinha calmava-se; feliz, os inocentes olhos revê da filha e a cabecinha lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes.
Uma vez, ao tornar à casa, quando erguia a aldrava, o coração lhe fala — "Entra mais devagar..." Pára, hesitando...
Nisso nos gonzos range a velha porta, ri-se, escancara-se. E ele vê na sala a mulher como doida e a filha morta.
Alberto de Oliveira
Vocabulário: aldrava: tranca; gonzos: dobradiça
A bingança da porta
Era um custume vesta que ele tinha intrar vatendo a porta: — "Antão Manéle! lhe dizia a mulhére, que papéle! não me faças romôre! Olha a bizinha!"
E todo dia era essa ladainha! Sujaito deshumano, pai cruéle, dizia-lhe: — Si tains amôre à pele daixa-me sussigado, ó mulherzinha!"
Uma noite em que bâiu desse jaito, a pinitrar cum falta de ruspaito na casa em que amvos eles dois residem,
avrindo a porta a punta-pés, zangado, biu pulo chão, uma de cada lado, a mulhére inguiçada e a filha idem!
Furnandes Albaralhão
Leia as assertivas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a(s) que está(ão) correta(s).
I. No texto 3, há intertextualidade explícita.
II. O texto 3 é uma paráfrase do texto 2.
III. O texto 3 é uma paródia do texto 2.