Questão
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Psicólogo (Pref Rio Quente/GO)
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4001650228
Texto 1

[...] Preocupações como essas levaram, na Grécia clássica, a duas atitudes filosóficas: a dos sofistas e a de Sócrates — com eles, os problemas do conhecimento tornaram-se centrais. Os sofistas, diante da pluralidade e do antagonismo das filosofias anteriores, ou dos conflitos entre várias ontologias, concluíram que não podemos conhecer o Ser, mas só podemos ter opiniões subjetivas sobre a realidade. Por isso, para se relacionarem com o mundo e com os outros humanos, os homens devem valer-se de um outro instrumento — a linguagem — para persuadir os outros de suas próprias ideias e opiniões. A verdade é uma questão de opinião e de persuasão, e a linguagem é mais importante do que a percepção e o pensamento. Em contrapartida, Sócrates, distanciando-se dos primeiros filósofos e opondo-se aos sofistas, afirmava que a verdade pode ser conhecida, mas primeiro devemos afastar as ilusões dos sentidos e das palavras ou das opiniões e alcançar a verdade apenas pelo pensamento.

CHAUI, M. Convite à Filosofia. 12. ed. São Paulo: Ática, 1999, p. 111.

No que se refere aos recursos coesivos e aos elementos de sequenciação textual, podemos reconhecer que no texto temos o uso de
A
anáfora, no início do trecho “[...] Preocupações como essas levaram, na Grécia clássica, a duas atitudes filosóficas: a dos sofistas e a de Sócrates”, marcada pelo pronome demonstrativo “essas”, referenciando um termo que foi dito antes. Seguida de catáfora, quando são elencadas as duas atitudes filosóficas. Para construir esse mecanismo, usa-se o sinal dos dois-pontos, demarcando algo que será enunciado.
B
referenciação comparativa no trecho “Os sofistas, diante da pluralidade e do antagonismo das filosofias anteriores, ou dos conflitos entre várias ontologias”, caracterizada pela utilização de dois apostos explicativos, que fazem referência aos sofistas e são marcados pela utilização das vírgulas, recurso linguístico necessário em casos como esse, mas que podem ser substituídos por travessões, sem prejuízo de sentido.
C
coesão lexical no trecho “os homens devem valer-se de um outro instrumento — a linguagem — para persuadir os outros de suas próprias ideias e opiniões”, materializada pelo uso dos travessões como destaque ao termo “linguagem”. A pontuação aqui reforça o sentido de complementação pretendido quando a coesão é construída por meio do léxico. Uma outra possibilidade é o uso de parêntesis, também indicado para ratificar termos.
D
conectores, nos trechos em que aparecem “Por isso” e “Em contrapartida”, os quais enunciam, respectivamente, uma ideia adversativa e uma declaração conclusiva. Tais marcadores discursivos dão fluência à argumentação e estabelecem relações entre os períodos, uma vez que funcionam como articuladores textuais, tais quais as conjunções e outros elementos que evitam repetições desnecessárias.