Questão
2008
Consulplan
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Letras Português/Espanhol (IBGE)
2008
Consulplan
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Letras Português/Inglês (IBGE)
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
553615843
TEXTO I:                                                         

Ler e prazer

Nietzsche estava certo: “De manhã cedo, quando o dia nasce, quando tudo está nascendo – ler um livro é simplesmente algo depravado...” É o que sinto ao andar pelas manhãs pelos maravilhosos caminhos da Fazenda Santa Elisa, do Instituto Agronômico de Campinas. Procuro esquecer-me de tudo que li nos livros. É preciso que a cabeça esteja vazia de pensamentos para que os olhos possam ver. Aprendi isso lendo Alberto Caeiro, especialista inigualável na difícil arte de ver. Dizia ele que “pensar é estar doente dos olhos...” Mas meus esforços são frustrados. As coisas que vejo são como o beijo do príncipe: elas vão acordando os poemas que aprendi de cor e que agora estão adormecidos na minha memória. Assim, ao não pensar da visão une-se o não pensar da poesia. E penso que o meu mundo seria muito pobre se em mim não estivessem os livros que li e amei. Pois, se não sabem, somente as coisas amadas são guardadas na memória poética, lugar da beleza. “Aquilo que a memória amou fica eterno”, tal como o disse a Adélia Prado, amiga querida. Os livros que amo não me deixam. Caminham comigo. Há os livros que moram na cabeça e vão se desgastando com o tempo. Esses, eu deixo em casa. Mas há os livros que moram no corpo. Esses são eternamente jovens. Como no amor, uma vez não chega. De novo, de novo, de novo...

(ALVES, Rubem. Folha de S. Paulo, 27/1/2004)

TEXTO II:                           

O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjunção.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
 
(LEMINSKI, Paulo. Língua Portuguesa. São Paulo: Segmento,2006.p.49.)

A expressão : “Acharam um artigo indefinido na sua bagagem”, pode ser reescrita, preservando-se o sentido original e a correção gramatical de acordo com a norma culta, da seguinte forma:
A
Na sua bagagem achou um artigo indefinido.
B
Um artigo indefinido foi achado na sua bagagem.
C
Encontraram o artigo indefinido na sua bagagem.
D
Foi encontrado o artigo indefinido na sua bagagem.
E
Um artigo indefinido acharam sua bagagem.