Meninos
Murilo Mendes
Sentado à soleira da porta
Menino triste
Que nunca leu Júlio Verne*
Menino que não joga bilboquê
Menino das brotoejas e da tosse eterna.
Contempla o menino rico na varanda
Rodando na bicicleta
O mar autônomo sem fim.
É triste a luta de classes.
(*Escritor francês do século XIX, autor da obra “Viagem ao centro da terra”)
No terceiro verso da primeira estrofe, considerando o contexto do poema, o eu lírico sugere que: