A METAMORFOSE
“Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa viu-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça, e ao erguer um pouco a cabeça viu o seu ventre marrom, abaulado dividido em saliências arqueadas, em cima do qual o cobertor, quase escorregando, mal se mantinha. As suas muitas pernas, lastimavelmente finas em comparação com a largura do seu corpo, tremulavam desamparadas diante de seus olhos. „
O que aconteceu comigo?`, pensou. Não era um sonho. O seu quarto, um verdadeiro quarto humano, só que um pouco pequeno demais, estava quieto entre as quatro paredes bem conhecidas. Sobre a mesa, onde um mostruário de tecidos, desempacotado, estava espalhado – Sansa era caixeiro-viajante – pendia o retrato que ele recentemente tinha recortado de uma revista ilustrada e colocado numa linda moldura dourada.Representava uma senhora sentada ereta com um chapéu e um boá de pele, estendendo em direção ao observador um pesado regalo de pele, que ocultava todo o seu antebraço.” KAFKA, Franz. A metamorfose. São Paulo: Estação Liberdade, 1989.
Conforme o texto lido, pode-se afirmar que: