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2020
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VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
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                                                                       Lentes da história

O que aconteceu com o sonho do fim da segregação racial que, há 50 anos, Martin Luther King anunciava para 250 mil pessoas na Marcha sobre Washington? Ele está perto de materializar-se ou continua uma esperança para o futuro?

A resposta depende dos óculos que vestimos. Se apanharmos a lente dos séculos e milênios, a longa duração de que falam os historiadores, há motivos para regozijo. A instituição da escravidão, especialmente cruel com os negros, foi abolida de todas as legislações do planeta. É verdade que, na Mauritânia, isso ocorreu apenas em 1981, mas o fato é que essa chaga que acompanhava a humanidade desde o surgimento da agricultura, 11 mil anos atrás, se tornou universalmente ilegal.

Apenas 50 anos atrás, vários Estados americanos tinham leis (Jim Crow laws) que proibiam negros até de frequentar os mesmos espaços que brancos. Na África do Sul, a segregação "de direito" chegou até os anos 90. Hoje, disposições dessa natureza são não só impensáveis como despertam vívida repulsa moral.

Em 2008, numa espécie de clímax, o negro Barack Obama foi eleito presidente dos EUA, o que levou alguns analistas a falar em era pós-racial.

Basta, porém, apanhar a lente das décadas e passear pelos principais indicadores demográficos para verificar que eles ainda carregam as marcas do racismo. Negros continuam significativamente mais pobres e menos instruídos que a média do país. São mandados para a cadeia num ritmo seis vezes maior que o dos brancos. As Jim Crow laws foram declaradas nulas, mas alguns Estados mantêm regras que, na prática, reduzem a participação de negros em eleições.

É um caso clássico de copo meio cheio e meio vazio. Do ponto de vista da longa duração, estamos bem. Dá até para acreditar em progresso moral da humanidade. Só que não vivemos na escala dos milênios, mas na das décadas, na qual a segregação teima em continuar existindo.

(SCHWARTSMAN, H. Lentes da História. Folha de São Paulo, 28 ago. 2013. Disponível em: https://m.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2013/08/1332952-lentes-da-historia.shtml. Acesso em: 10 out. 2020. Adaptado).

 “Basta, porém, apanhar a lente das décadas”. No trecho, a conjunção em destaque:
A
indica uma contradição no texto que não apresenta resposta definitiva para a questão sobre a realização, ou não, do fim da segregação racial.
B
indica uma mudança no direcionamento da argumentação que se opõe ao que vinha sendo apresentado no texto até então.
C
inicia a segunda parte do texto em que o autor despreza a argumentação inicial para defender uma ideia contrária àquela apresentada anteriormente.
D
anuncia a continuidade da linha de raciocínio, uma vez que o autor analisa a questão da segregação racial sob um ponto de vista único.
E
limita a argumentação, pois indica ideia contrária à de Martin Luther King que defendia o fim da segregação racial.