Questão
2013
EXATUS
Prefeitura Municipal de Cianorte (PR)
Agente de Vigilância Sanitária e Epidemiológica (Pref Cianorte/PR)
2013
EXATUS
Prefeitura Municipal de Cianorte (PR)
Assistente Social (Pref Cianorte/PR)
2013
EXATUS
Prefeitura Municipal de Cianorte (PR)
Educador Infantil (Pref Cianorte/PR)
2013
EXATUS
Prefeitura Municipal de Cianorte (PR)
Farmacêutico (Pref Cianorte/PR)
2013
EXATUS
Prefeitura Municipal de Cianorte (PR)
Médico Clínico Geral (Pref Cianorte/PR)
2013
EXATUS
Prefeitura Municipal de Cianorte (PR)
Médico Psiquiatra (Pref Cianorte/PR)
2013
EXATUS
Prefeitura Municipal de Cianorte (PR)
Médico Radiologista (Pref Cianorte/PR)
2013
EXATUS
Prefeitura Municipal de Cianorte (PR)
Nutricionista (Pref Cianorte/PR)
2013
EXATUS
Prefeitura Municipal de Cianorte (PR)
Técnico de Laboratório de Analises Clinicas (Pref Cianorte/PR)
2013
EXATUS
Prefeitura Municipal de Cianorte (PR)
Técnico em Enfermagem (Pref Cianorte/PR)
2013
EXATUS
Prefeitura Municipal de Cianorte (PR)
Técnico em Segurança do Trabalho (Pref Cianorte/PR)
2013
EXATUS
Prefeitura Municipal de Cianorte (PR)
Tecnólogo em Engenharia Civil (Pref Cianorte/PR)
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JOGADOR71816cf0813
O JOGADOR DE PALAVRAS

Fernando Sabino

“Destarte”, “outrossim”, “obtemperar” são verdadeiros palavrões que, francamente, não há cristão que me obrigue a empregar.

Caio na asneira de dizer isso a um professor meu velho conhecido e meio abilolado que encontro na rua. _____________, ele me arrasta a um bar, a fim de repartir comigo uma cerveja e suas ideias:

– Tudo é jogo de palavras. Mas o verdadeiro jogador sabe que é do som das palavras que vem o sentido delas. Se você não compreender isso, não vai compreender mais nada. Nunca chegará a entender, por exemplo, que a palavra “almoçar” na verdade significa um templo árabe, Ou que a palavra “sinecura” quer dizer um cantinho em forma de nicho de certas sacristias. Ou que o nome “Chiquinha” é a terceira pessoa do verbo chiquinhar. Que significa simplesmente chatear. Estou chiquinhando?

Como eu dissesse que não, ele renovou os copos e prosseguiu:

– Veja a palavra “distância”: não vá me dizer que, em matéria de beleza, você a põe em pé de igualdade com a palavra “umbigo”, por exemplo, ou “perereca”. Aliás, toda palavra terminada em “eca” é feia, ridícula ou gaiata: panqueca, cueca, sapeca, rabeca, munheca, careca, moleca. E toda palavra em “ância”, já falei em “distância”, é agradável e _______________, qualquer que seja a significação: fragrância, infância, substância...

– Por causa do sentido – resolvi provoca-lo.

– Não senhor: por causa da eufonia, meu velho. A palavra “úlcera” é uma das mais belas da língua portuguesa e “cancro” uma das mais feias, significando coisas tão semelhantes. É que em geral uma palavra bela acaba adquirindo um belo sentido. E a recíproca (que palavra!) é verdadeira. “Tu” acabou cedendo lugar a “você”, de que os poetas tanto abusaram. Que rima você arranjaria para “tu”?

Antes que a conversa descambasse, ele prosseguia:

– Os maus poetas são, aliás, os grandes corruptores de palavras. Por causa deles é que “saudade” e “luar” acabaram caindo
na vida fácil. Já um Vinicius de Moraes, por exemplo, escreve versos assim: “Munevada glimou vestasudente”. Não quer dizer nada e quer dizer tudo. Leia o poema “Isso é Aquilo” do Carlos Drummond. Esses não brincam em serviço. Ou Manuel Bandeira, com a sua protonotária... Você sabe o que quer dizer protonotária?

Não deu tempo de responder:

– O Aurélio dirá que protonotário era um dignitário da cúria romana. E dignitário? Nada disso, tetrarca! Protonotária é apenas aquela a quem o poeta pede: “Pousa na minha a tua mão...”

Ordenou outra cerveja e continuou:

– As palavras em “ária” são sempre inspiradoras, a começar pela própria. Foi por isso que o poeta pediu: “Maria, digam por favor.” Assim também, devíamos dizer “calmaria”, e não “calmaria”, que já sugere algum vento. A sabedoria popular, aliás, acaba se impondo. O homem da rua, sem perceber, vai corrigindo o engano e desenvolvendo às palavras o seu verdadeiro sentido, quando diz, por exemplo, que uma mulher é “pudica”, pois sabe muito bem que “pudica” só pode ser uma mulher sem-vergonha. Assim também “rapariga”, que acabou mulher da vida, ao passo que “donzela” aguentou firme. As palavras em “iga” sempre acabam mal: barriga, lombriga, formiga – que tem no nome a expressão de sua pequenez: se fosse “formaga”, “formote” ou “formante”, poderia ter o tamanho de um elefante. Por que a palavra “convescote”, lançada para substituir um francesismo não pegou? Porque convescote jamais foi ___________. Podia ser um animal das regiões árticas, ou um tempo de verbo que significa vadiar, distrair-se: trabalhe mais e convescote menos. O povo é que sabe das coisas. “Marmelada”, por exemplo: dizer que no jogo de futebol houve goiabada ou que nas concorrências públicas há sempre pessegada não faz nenhum sentido – é marmelada mesmo. Enfim, as palavras é que falam por nós, elas é que nos usam. Deixemos que ajam e reajam como queiram. E vamos pedir outra cerveja, que esta já está morna.

A falta que ela me faz. Rio de Janeiro: Record, 1984, p. 112-115.

Analise as afirmativas sobre o texto:

I - Segundo o professor os maus poetas usam tanto as palavras belas que elas se tornam vulgares.

II - A recíproca a que o professor se refere é que uma palavra bela acaba adquirindo um belo sentido e uma palavra feia acaba adquirindo um sentido feio.

III - Para o professor as palavras não tem um significado exato, pois são as próprias palavras que nos impõem um significado.

Quais afirmativas estão corretas?
A
I e II apenas.
B
I e III apenas.
C
II e III apenas.
D
Todas as afirmativas estão corretas.