“Há mais de cem anos que aos cearenses é dada a alcunha de “povo moleque”. As simultâneas, sucessivas e concorrentes definições do epíteto dizem que o cearense possui um espírito irreverente e galhofeiro cultivado coletivamente. E comprovando tal assertiva é notório nos últimos vinte anos o sucesso nos meios de comunicação nacionais de humoristas oriundos do Ceará. A noção mais ou menos difundida socialmente é a de que o estado abriga um celeiro de artistas do humor porque, na verdade há, em cada cidadão, um “humorista nato”. Procuramos mostrar como a sociogênese desta ideia encontra-se na produção literária de finais do século XIX. A partir daí, a versão particular do humor cearense, que também reivindica um caráter nacional, entra em disputa com outras versões regionais do humor, por exemplo, dos personagens Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, e Macunaíma, de Mário de Andrade, outros modelos do cômico, da sátira e do grotesco”.
Fonte: Andréa Borges Leão; Francisco Secundo. Ceará, Lado Moleque (As Letras e a Sociogênese do Humor). Dossiê Literatura e Memória. Arquivos do CMD, Volume 3 N.2. Ago/Dez 2015. Disponível em http://www.culturaememoria.com.br/revista/index.php/cmd/ article/view/50/127. Acessado em 07.09.2018.
A partir da leitura do texto acima, pode-se afirmar corretamente que