Questão
2012
CONSULTEC
Polícia Militar do Estado da Bahia
Oficial (PM BA)
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1018782057
Ética Policial: uma necessidade institucional
 
     No mundo dos negócios, quando uma corporação
     antiética fere os consumidores, o governo interfere e
     implementa formas de controle para salvaguardar o
     público. A indústria privada tem que praticar
5 autorregulamentação ou se adequar à regulamentação
     governamental. Muitas profissões, tais como as de
     médicos, advogados, engenheiros etc. usam código de
     ética como uma forma de autorregulamentação.
     Curiosamente os estudos científicos sobre ética não
10 mencionam organizações policiais como um exemplo
     das entidades que possuem códigos de ética.
     Entretanto, muitas organizações policiais possuem
     código de ética. Infelizmente o que ocorre é que elas
     não priorizam a necessidade de institucionalizar tais
15 códigos; eles têm pequena significância operacional. De
     fato, um estatuto de padrões morais ou de valores
     organizacionais é uma coisa, e outra é um código de
     ética profissional.
     Destarte, tal como nas corporações
20 executivas, os dirigentes policiais têm que praticar
     autorregulamentação ou sofrer as consequências. Eles
     precisam se certificar de que seus subordinados tomem
     decisões éticas, em todos os níveis, no dia a dia do
     trabalho policial, ou arriscar a perda da confiança pública.
25 Quando os cidadãos desconfiam da polícia, seja esta
     desconfiança real, seja uma perspectiva, eles irão
     eventualmente reagir ao controle e exercê-lo por meio
     de ataques à instituição com reclamações, críticas,
     moções etc., demandando também controle externo da
     atividade policial e, até mesmo, o que se pretende fazer
     atualmente: mudança na legislação para tirar das
     mãos consagradas de profissionais experientes e
     competentes, atribuições tipicamente policiais que, se
     desenvolvidas por outras instituições, poderiam levar a
35 investigação criminal ao caos.
     Na realidade, o comportamento ético está implícito
     na polícia há muitos anos. Entretanto, as complexidades
     de uma sociedade pluralística com valores flutuantes
     ditam mais do que códigos de ética.
40 Os dirigentes de organizações policiais deveriam
     seriamente considerar a institucionalização da ética além
     de lutarem por uma legislação orgânica de regimento
     interno, pois ela significa a aquisição da ética formal e
     explicitamente dentro do trabalho cotidiano da
45 organização. Significa fazer da ética uma regularidade,
     como parte normal do policiamento. Isso requer a
     colocação da ética no topo da política organizacional e
     por meio de códigos formais.
     Um código de ética tem vantagens distintas. Ele
50 proporciona um estável guia permanente de condutas
     aceitáveis e não aceitáveis; oferece diretrizes para a
     solução de situações eticamente ambíguas; e age como
     um aferidor sobre os poderes autocráticos dos
     servidores.
55 Enfim, a institucionalização da ética não é uma
     coisa que se pode visualizar a curto prazo ou como único
     critério para tomada de decisões da organização policial.
     A integração da ética é um lento e contínuo processo.
     Algumas organizações policiais do país já tomaram essa
60 iniciativa e incorporaram um código de ética profissional.
     Será que as organizações policiais do Distrito Federal
     poderiam fazer menos do que isso?
 
ÉSPER. João Kleiber Ésper. In: ACADEPOL. Disponível em: <http://
www.acadepol.mg.gov.br/index.php?option=com_content&view=
article&id=38:etica-policial-uma-necessidade-institucional&catid=
15&Itemid=19>. Acesso em: maio 2012.


Segundo o enunciador do texto, o código de ética nas organizações policiais
A
torna-se desnecessário, por causa da condição inerente de ética do policial.
B
torna-se aspecto fundamental diante das outras profissões, sendo, portanto, mais importante.
C
segue uma linha de racicínio diferente dos códigos de ética de outras profissões.
D
possibilita as mais diversas ações policiais, garantindo a multiplicidade de soluções de acordo com a especificidade de cada caso.
E
garante a autorregulação cotidiana, permitindo que os policiais tomem sempre decisões éticas e que não sejam destituídos de atribuições inerentes à sua profissão.