DEPRESSÃO: a epidemia silenciosa do século 21
O relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre saúde mental, publicado no mês passado, indica que a depressão já é uma das doenças mais comuns do mundo e que será a principal causa de incapacitação no trabalho em 2030, à frente do câncer e das doenças cardiovasculares. Hoje, cerca de 121 milhões de pessoas sofrem da doença. A falta de consenso semântico entre os especialistas e, consequentemente, de métodos adequados de tratamento para cada caso exige a discussão urgente e aprofundada sobre o assunto. Há visões conflitantes entre as duas principais disciplinas práticas que tratam do tema: a psiquiatria e a psicanálise. O jornalista Wilker Souza conversou com especialistas das duas áreas e apresenta em sua reportagem os principais focos de divergência entre elas.Táki Cordás, renomado especialista em depressão no âmbito da psiquiatria, explica o fenômeno sob a perspectiva da medicina. Decio Gurfinkel, por outro lado, introduz a visão da psicanálise partindo da compreensão de Freud sobre a melancolia e encontrando paradoxalmente um valor positivo para a depressão. Já Christian Dunker expõe a tensão entre as duas áreas e defende antes a mutualidade do que o conflito no esclarecimento da doença, relativizando a ação dos medicamentos, sem, no entanto, demonizá-los.
Por fim, é possível enumerar algumas das necessidades clínicas prementes para o tratamento adequado dos quadros depressivos: combater o estigma de modo que a procura por assistência médica seja rápida e possibilite o diagnóstico de maneira precoce; implantar a modalidade de tratamento medicamentoso mais eficaz e com menos efeitos colaterais para o combate da fase aguda; estabelecer o melhor tratamento medicamentoso associado à psicoterapia para evitar futuras recaídas.
Fonte: Revista Cult, ano 12, out. 2009.
Considere o fragmento: “[...] antes a mutualidade do que o conflito no esclarecimento da doença, relativizando a ação dos medicamentos, sem, no entanto, demonizá-los.”
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