Bulas decifradas
Novas regras tornam textos mais simples e respondem a dúvidas de pacientes
As bulas de remédios vendidos no Brasil deverão ser redigidas com letras maiores e linguagem de fácil compreensão, no formato de perguntas e respostas. O novo modelo foi definido em resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada ontem no Diário Oficial. As novas bulas chegarão ao mercado a partir de julho de 2010, segundo a gerente-geral de Medicamentos da Anvisa, Tatiana Lowande. Ela espera que todos os remédios fabricados a partir de 2011 já venham acompanhados do novo modelo. Deficientes visuais terão direito a bulas especiais, inclusive em braile. (...)
Haverá bulas diferenciadas para leigos e especialistas em saúde. A dos pacientes terá textos sem termos técnicos. Já a dos profissionais de saúde terá ficha técnica. Os remédios vendidos em farmácias trarão bulas para pacientes. O modelo para profissionais acompanhará as embalagens hospitalares. O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, disse que o objetivo é contribuir para o uso racional de medicamentos. Daí a preocupação em apresentar as informações de maneira didática.
A resolução lista nove perguntas que deverão constar nas bulas para pacientes, seguidas das respectivas respostas. A primeira é: “Para que este medicamento é indicado?”. Uma das preocupações foi substituir o termo “contra-indicações” que, segundo Dirceu Raposo, pode confundir pacientes. Assim, a pergunta de número 8 é: “Quais os males que este medicamento pode causar?”
Queremos fazer com que o paciente entenda como fazer o uso correto do medicamento. Pesquisas nos Estados Unidos mostram que metade dos pacientes usa os remédios de forma incorreta. A informação é fundamental – disse Dirceu Raposo.
(O Globo. 10/09/09. Ciência. Fragmento.)
A preocupação em substituir o termo “contra-indicações” alegando uma possível confusão no entendimento dos pacientes demonstra: