Questão
2012
INSTITUIÇÃO SOLER
Prefeitura Municipal da Estância Hidromineral de Ibirá (SP)
Administrador do Cemitério Municipal (Pref Estância Hidromineral de Ibirá/SP)
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000546501
“Apelo” 

Dalton Trevisan  

Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.  
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.  
Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.  

Uma das interpretações possíveis para o título do conto, “Apelo”, é a de que o narrador: 
A
faz um apelo para que alguém limpe sua casa, já que está sozinho.  
B
se dá conta da falta que a mulher faz e apela para que ela volte.
C
faz um apelo para que a mulher o visite, às vezes, para manter a casa em ordem.  
D
se dá conta da bagunça da casa e apela para que a mulher volte.