Almeida e Malagris (2011), ao percorrerem a história das práticas da psicologia da saúde, afirmam que as instituições de saúde constituem um novo campo de atuação para os psicólogos. O crescente interesse pela atuação nessa área específica surge da necessidade de entender e pensar o processo saúde/doença e de compreender e intervir nos contextos do indivíduo ou dos grupos, expostos a diferentes doenças e condições de saúde impróprias. Considerando-se a complexidade deste novo campo profissional, encontram-se na literatura várias definições acerca desse espaço de trabalho. Assim, a questão da denominação torna-se problemática, uma vez que se baseia em referenciais teóricos e na discussão de como denominar uma área que aplica os princípios de psicologia a problemas de saúde e doença.
(ALMEIDA, R. A. A.; MALAGRIS, L. E. N. A prática da psicologia da saúde. Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar. v.14, n.2, p.183-202, 2011.)
Sobre os campos de atuação para os psicólogos, considere as afirmativas a seguir.
I. Psicologia Hospitalar é o campo de entendimento e tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento. Para lidar com essa dimensão afetiva/emocional, a Psicologia Hospitalar é a especialidade da Psicologia que disponibiliza para doentes, familiares e profissional da equipe de saúde o saber psicológico, que vem resgatar a singularidade do paciente, suas emoções, crenças e valores. O objetivo da Psicologia Hospitalar é a elaboração simbólica do adoecimento, ou seja, ajudar o paciente a atravessar a experiência do adoecimento através de sua subjetividade.
II. Psicologia Médica é a aplicação dos conhecimentos e das técnicas psicológicas à saúde, às doenças e aos cuidados de saúde, visando a promoção e a manutenção da saúde e a prevenção da doença. Sua finalidade principal é compreender como é possível, através de intervenções psicológicas, contribuir para a melhoria do bem-estar dos indivíduos e das comunidades. Nesse campo, os psicólogos se direcionam para a compreensão da forma como os fatores biológicos, comportamentais e sociais influenciam a saúde e a doença. Eles podem estar centrados na promoção da saúde e prevenção de doença, trabalhando com os fatores psicológicos que fortalecem a saúde e que reduzem o risco de adoecer. Eles também podem disponibilizar serviços clínicos a indivíduos saudáveis ou doentes em diferentes contextos e podem, ainda, estar envolvidos em pesquisa e investigação, no ensino e na formação.
III. Psicologia da Saúde é um campo primordialmente médico. A sintomatologia psíquica esconde, mascara o quadro orgânico subjacente a essas condições que necessitam de uma abordagem eminentemente médica. São situações que exigem a presença de um médico no seu comando. Entende-se que o doente do corpo, com sintomas psicossomáticos ou somatopsíquicos, é um paciente para ser assistido, a princípio, pelo médico. O paciente pode ser assistido pelo psicólogo, pelo assistente social, por nutricionistas, pelo fisioterapeuta etc, sempre sob a supervisão de um médico.
IV. Medicina Comportamental se caracteriza pela interdisciplinaridade, por se tratar de um conjunto integrado de conhecimentos biopsicossociais relacionado com a saúde e as doenças físicas, ou seja, considera a saúde e a doença como estados determinados por um amplo leque de variáveis, entre as quais se devem incluir as do tipo somático ou biofísicas, as do tipo psicológico ou comportamentais e as externas ou ambientais. O termo “Medicina Comportamental” é utilizado frequentemente e incorretamente como similar da “Psicologia da Saúde”, porém sua prática também inclui terapias psicofisiológicas aplicadas, tais como biofeedback, hipnose e terapia comportamental de distúrbios físicos, aspectos da terapia ocupacional, medicina, reabilitação e fisiatria, bem como medicina preventiva.
Assinale a alternativa correta.