{"id":1814130,"date":"2026-10-07T02:14:14","date_gmt":"2026-10-07T05:14:14","guid":{"rendered":"https:\/\/concursos.estrategia.com\/portal\/?p=1814130"},"modified":"2026-10-07T02:14:17","modified_gmt":"2026-10-07T05:14:17","slug":"informativo-stf-1231-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/concursos.estrategia.com\/portal\/informativo-stf-1231-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STF 1231 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/10\/07021330\/stf-info-1231.pdf\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_nEsTZughjpY\"><div id=\"lyte_nEsTZughjpY\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/nEsTZughjpY\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><button tabindex=\"0\" class=\"play\"><\/button><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/nEsTZughjpY\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/nEsTZughjpY\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; A LICEN\u00c7A QUE N\u00c3O PERGUNTA COMO SE CHEGOU A SER M\u00c3E<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A licen\u00e7a-maternidade \u00e9 assegurada de forma ison\u00f4mica \u00e0s m\u00e3es biol\u00f3gicas e adotantes \u2014 <strong>afastamento remunerado de 120 dias, prorrog\u00e1vel por mais 60, em todos os regimes de trabalho<\/strong> (CLT, servi\u00e7o p\u00fablico, Minist\u00e9rio P\u00fablico, For\u00e7as Armadas) \u2014, <strong>vedada diferencia\u00e7\u00e3o pela idade da crian\u00e7a ou pela natureza do v\u00ednculo da benefici\u00e1ria<\/strong>; o compartilhamento da licen\u00e7a parental fica na margem de conforma\u00e7\u00e3o do legislador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.495\/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento finalizado em 23\/9\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crementina, servidora p\u00fablica federal, adotou um menino de sete anos e descobriu o tamanho da diferen\u00e7a: sua licen\u00e7a era mais curta que a da irm\u00e3, Chiquinha, celetista que acabara de dar \u00e0 luz \u2014 e seria menor ainda se o menino fosse mais velho, porque a lei encolhia o afastamento conforme a idade da crian\u00e7a adotada. No mosaico dos regimes, cada estatuto tinha sua r\u00e9gua: um prazo para a CLT, outro para o servi\u00e7o p\u00fablico, outro para promotoras e militares. A licen\u00e7a protege o v\u00ednculo que se forma com a crian\u00e7a, seja qual for a origem da maternidade, ou cada regime e cada idade comportam uma r\u00e9gua pr\u00f3pria?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 7\u00ba, XVIII, 39, \u00a7 3\u00ba, e 227, \u00a7 6\u00ba; CLT, arts. 392 a 392-C; Lei n. 8.112\/1990, arts. 207 e 210; LC n. 75\/1993, art. 223; Leis n. 13.109\/2015 e n. 11.770\/2008<\/strong> <em>(a licen\u00e7a \u00e0 gestante \u00e9 direito social de 120 dias; os filhos, havidos ou n\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do casamento, ou por ado\u00e7\u00e3o, t\u00eam os mesmos direitos, proibidas designa\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias; os diplomas impugnados fixavam prazos e condi\u00e7\u00f5es distintos por regime e por idade da crian\u00e7a adotada).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Nos precedentes ADO 20 e ADI 7.518, a Corte j\u00e1 havia aproximado os regimes de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade; a a\u00e7\u00e3o atacou em bloco a disciplina federal que mantinha prazos menores para adotantes, redu\u00e7\u00e3o por idade da crian\u00e7a e varia\u00e7\u00f5es conforme o v\u00ednculo \u2014 CLT, estatuto dos servidores, Minist\u00e9rio P\u00fablico e For\u00e7as Armadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Conte\u00fado uniforme definido no julgamento: licen\u00e7a remunerada de 120 dias, com prorroga\u00e7\u00e3o de mais 60, contada do nono m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o, do parto, da ado\u00e7\u00e3o, da obten\u00e7\u00e3o da guarda para fins de ado\u00e7\u00e3o ou da alta hospitalar do rec\u00e9m-nascido ou da m\u00e3e \u2014 o que ocorrer por \u00faltimo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Alcance temporal: o entendimento vale para as licen\u00e7as futuras e para as em curso em 23\/9\/2026, sem alcan\u00e7ar as j\u00e1 encerradas. Quanto ao compartilhamento da licen\u00e7a parental entre o n\u00facleo familiar, o Plen\u00e1rio remeteu a escolha ao legislador, por aus\u00eancia de modelo expl\u00edcito na Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A defesa do mosaico normativo apelava \u00e0 liberdade de cada estatuto: regimes jur\u00eddicos diferentes comportariam licen\u00e7as diferentes, <strong>e a ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a maior exigiria menos tempo de adapta\u00e7\u00e3o que um rec\u00e9m-nascido<\/strong>, racioc\u00ednio que sustentava os prazos decrescentes por idade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Para o STF, a premissa invertia a finalidade do instituto. A licen\u00e7a n\u00e3o premia a recupera\u00e7\u00e3o do parto, <strong>protege o conv\u00edvio, o v\u00ednculo afetivo e a integra\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ao n\u00facleo familiar<\/strong> \u2014 necessidades que n\u00e3o diminuem com a idade de quem chega, nem dependem da forma como se tornou m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio assentou que todas as m\u00e3es, biol\u00f3gicas ou adotantes, fazem jus a licen\u00e7a de id\u00eantico conte\u00fado, <strong>120 dias prorrog\u00e1veis por mais 60, com termo inicial flex\u00edvel<\/strong> (gesta\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada, parto, ado\u00e7\u00e3o, guarda ou alta hospitalar, o que ocorrer por \u00faltimo), derrubando dispositivos da Lei n. 8.112\/1990 e da LC n. 75\/1993 e dando interpreta\u00e7\u00e3o conforme ao restante do bloco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O julgado tamb\u00e9m marcou o pr\u00f3prio limite. Sobre o compartilhamento da licen\u00e7a parental entre pais e m\u00e3es, <strong>a Corte entendeu que a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o imp\u00f5e um modelo<\/strong> e preservou a margem de conforma\u00e7\u00e3o do legislador \u2014 a isonomia decidida foi entre m\u00e3es, n\u00e3o um redesenho geral das licen\u00e7as familiares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No plano pr\u00e1tico, segundo o ac\u00f3rd\u00e3o, a regra nova rege as licen\u00e7as futuras e as que corriam na data do julgamento, <strong>sem reabrir as j\u00e1 encerradas<\/strong>; empregadores p\u00fablicos e privados passam a operar com um \u00fanico conte\u00fado de licen\u00e7a, qualquer que tenha sido o regime do v\u00ednculo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerada a decis\u00e3o do STF sobre a licen\u00e7a-maternidade nos diversos regimes de trabalho (ADI 7.495), a servidora p\u00fablica que adota uma crian\u00e7a de sete anos tem direito a licen\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) reduzida proporcionalmente \u00e0 idade da crian\u00e7a, conforme a escala do estatuto aplic\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) condicionada \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia do n\u00facleo familiar, com 120 dias prorrog\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) de id\u00eantico conte\u00fado \u00e0 da m\u00e3e biol\u00f3gica: 120 dias, prorrog\u00e1veis por mais 60, com termo inicial flex\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) equivalente \u00e0 metade da licen\u00e7a da gestante, compartilh\u00e1vel com o c\u00f4njuge por op\u00e7\u00e3o do casal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) definida por regulamento de cada carreira, respeitado o m\u00ednimo constitucional de 90 dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A redu\u00e7\u00e3o do afastamento conforme a idade da crian\u00e7a adotada foi justamente uma das distin\u00e7\u00f5es derrubadas: a necessidade de conv\u00edvio e integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o diminui com a idade de quem chega.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Nenhum requisito econ\u00f4mico condiciona o direito; a licen\u00e7a decorre da prote\u00e7\u00e3o constitucional \u00e0 maternidade e \u00e0 crian\u00e7a, independentemente da situa\u00e7\u00e3o do n\u00facleo familiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. O conte\u00fado \u00e9 uniforme para m\u00e3es biol\u00f3gicas e adotantes, em cada um dos regimes: 120 dias prorrog\u00e1veis por mais 60, contados do parto, da ado\u00e7\u00e3o, da guarda ou da alta hospitalar, o que ocorrer por \u00faltimo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O compartilhamento da licen\u00e7a parental n\u00e3o foi institu\u00eddo pelo julgado: sem modelo expl\u00edcito na Constitui\u00e7\u00e3o, a disciplina ficou com o legislador, na sua margem de conforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A uniformiza\u00e7\u00e3o veio do pr\u00f3prio STF com conte\u00fado definido, e n\u00e3o houve remiss\u00e3o a regulamentos de carreira nem fixa\u00e7\u00e3o de piso de 90 dias.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A licen\u00e7a-maternidade deve ser assegurada de forma ison\u00f4mica \u00e0s m\u00e3es biol\u00f3gicas e adotantes, vedada qualquer diferencia\u00e7\u00e3o fundada na idade da crian\u00e7a ou na natureza do v\u00ednculo laboral ou funcional da benefici\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, foram questionadas normas federais que estabelecem diferentes per\u00edodos e condi\u00e7\u00f5es para a licen\u00e7a-maternidade e a licen\u00e7a decorrente de ado\u00e7\u00e3o, aplic\u00e1veis a empregadas regidas pela CLT, servidoras p\u00fablicas, membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico e integrantes das For\u00e7as Armadas. A disciplina impugnada previa, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, prazo inferior para m\u00e3es adotantes, redu\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de afastamento conforme a idade da crian\u00e7a adotada e distin\u00e7\u00f5es de acordo com o regime jur\u00eddico da benefici\u00e1ria. Questionou-se, ainda, a possibilidade de compartilhamento da licen\u00e7a parental entre os integrantes do n\u00facleo familiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A licen\u00e7a-maternidade visa \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da maternidade e da crian\u00e7a, proporcionando condi\u00e7\u00f5es para o conv\u00edvio, o fortalecimento do v\u00ednculo afetivo e a integra\u00e7\u00e3o ao n\u00facleo familiar. Por isso, n\u00e3o se admite tratamento distinto entre m\u00e3es biol\u00f3gicas e adotantes nem a fixa\u00e7\u00e3o de per\u00edodos distintos de licen\u00e7a em raz\u00e3o da idade da crian\u00e7a adotada ou da natureza do v\u00ednculo laboral ou funcional da benefici\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, todas as m\u00e3es, biol\u00f3gicas ou adotantes, fazem jus \u00e0 licen\u00e7a-maternidade de id\u00eantico conte\u00fado, consistente em afastamento remunerado de 120 dias, prorrog\u00e1vel por mais 60 dias, contado do nono m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o, do parto, da ado\u00e7\u00e3o ou da obten\u00e7\u00e3o da guarda para fins de ado\u00e7\u00e3o, bem como da alta hospitalar do rec\u00e9m-nascido ou da m\u00e3e, o que ocorrer por \u00faltimo. Por outro lado, quanto \u00e0 pretens\u00e3o de compartilhamento da licen\u00e7a parental, a aus\u00eancia de modelo expl\u00edcito na Constitui\u00e7\u00e3o imp\u00f5e o respeito \u00e0 margem de conforma\u00e7\u00e3o do legislador, a quem cabe disciplinar a mat\u00e9ria (1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, conheceu da a\u00e7\u00e3o direta e julgou parcialmente procedente o pedido para: (i) declarar a inconstitucionalidade, com nulidade parcial, do art. 210, <em>caput<\/em> e par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n\u00ba 8.112\/1990, e do art. 223, V, da Lei Complementar n\u00ba 75\/1993; e (ii) conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o aos arts. 392, <em>caput<\/em> e \u00a7\u00a7 1\u00ba a 3\u00ba, 392-A, <em>caput<\/em> e \u00a7\u00a7 4\u00ba e 5\u00ba, 392-B e 392-C da CLT; ao art. 207 da Lei n\u00ba 8.112\/1990; ao art. 223, III, da Lei Complementar n\u00ba 75\/1993; ao art. 1\u00ba da Lei n\u00ba 13.109\/2015; e ao art. 1\u00ba, I, da Lei n\u00ba 11.770\/2008, para assegurar \u00e0s m\u00e3es biol\u00f3gicas e adotantes licen\u00e7a de igual dura\u00e7\u00e3o e conte\u00fado, independentemente do v\u00ednculo laboral ou funcional. Determinou, ainda, a aplica\u00e7\u00e3o do entendimento \u00e0s licen\u00e7as futuras e \u00e0quelas em curso na data do julgamento, 23.09.2026, sem alcan\u00e7ar as j\u00e1 encerradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Precedentes citados: ADO 20 e ADI 7.518.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.495\/DF, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 23.09.2026 (quarta-feira)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; A CARCERAGEM N\u00c3O SE GUARDA POR CONTRATO TEMPOR\u00c1RIO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 inconstitucional a contrata\u00e7\u00e3o de agentes tempor\u00e1rios para atribui\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da Pol\u00edcia Penal: <strong>a EC n. 104\/2019 exige que seus quadros se preencham exclusivamente por concurso p\u00fablico<\/strong> ou pela transforma\u00e7\u00e3o dos cargos de agente penitenci\u00e1rio, e <strong>car\u00eancia estrutural de pessoal n\u00e3o \u00e9 necessidade tempor\u00e1ria de excepcional interesse p\u00fablico<\/strong>; efeitos modulados em dois anos para a regulariza\u00e7\u00e3o do quadro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.069\/GO, Rel. Min. Nunes Marques, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 25\/9\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Goi\u00e1s, Godines vestia o colete de &#8220;vigilante penitenci\u00e1rio&#8221; por contrato tempor\u00e1rio, renovado ano ap\u00f3s ano com mais de dois mil colegas na mesma situa\u00e7\u00e3o \u2014 um decreto chegava a autorizar 2.335 contratos dessa natureza. O nome do cargo era de vigilante, mas o dia a dia era o de pol\u00edcia penal: cust\u00f3dia de presos, seguran\u00e7a de estabelecimento prisional, poder de pol\u00edcia sobre pessoas sob a guarda do Estado. A falta cr\u00f4nica de servidores efetivos justifica o contrato tempor\u00e1rio renovado sem fim, ou fun\u00e7\u00e3o permanente de Estado s\u00f3 se ocupa por concurso?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 37, II e IX, e 144, \u00a7 5\u00ba-A; EC n. 104\/2019, art. 4\u00ba; Lei goiana n. 20.918\/2020, art. 2\u00ba, VI, a; Decreto goiano n. 9.812\/2021<\/strong> <em>(a investidura depende de concurso; a contrata\u00e7\u00e3o por tempo determinado atende a necessidade tempor\u00e1ria de excepcional interesse p\u00fablico; \u00e0s pol\u00edcias penais cabe a seguran\u00e7a dos estabelecimentos penais; seus quadros se preenchem exclusivamente por concurso ou transforma\u00e7\u00e3o dos cargos de agente penitenci\u00e1rio; as normas locais autorizavam tempor\u00e1rios na &#8220;seguran\u00e7a p\u00fablica&#8221;).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Na jurisprud\u00eancia consolidada da Corte (Tema 612, ADI 3.222, ADI 7.098, ADI 7.505), a car\u00eancia ordin\u00e1ria ou estrutural de pessoal n\u00e3o autoriza o uso continuado de v\u00ednculos tempor\u00e1rios para fun\u00e7\u00f5es estatais permanentes e essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O Plen\u00e1rio declarou a inconstitucionalidade, sem redu\u00e7\u00e3o de texto, da express\u00e3o &#8220;seguran\u00e7a p\u00fablica&#8221; da lei goiana quando aplicada \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de vigilantes penitenci\u00e1rios para atribui\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Penal, com arrastamento do decreto; modula\u00e7\u00e3o de dois anos, da publica\u00e7\u00e3o da ata, para regularizar o quadro por concurso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O estado sustentava operar dentro da v\u00e1lvula constitucional do art. 37, IX: sem gente suficiente no sistema prisional, <strong>o contrato tempor\u00e1rio evitaria o colapso de um servi\u00e7o que n\u00e3o pode parar<\/strong>, e o r\u00f3tulo de &#8220;vigilante&#8221; afastaria a discuss\u00e3o sobre a carreira policial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Na leitura do Plen\u00e1rio, o r\u00f3tulo n\u00e3o muda a fun\u00e7\u00e3o. Vigiar presos \u00e9 exercer poder de pol\u00edcia sobre pessoas custodiadas pelo Estado, <strong>atribui\u00e7\u00e3o nuclear da Pol\u00edcia Penal criada pela EC n. 104\/2019<\/strong>, cujo art. 4\u00ba fechou a porta lateral ao exigir, para o quadro, concurso p\u00fablico ou a transforma\u00e7\u00e3o dos cargos de agente penitenci\u00e1rio j\u00e1 existentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Entre derrubar os contratos de um dia para o outro e deixar pres\u00eddios sem vigil\u00e2ncia, o ac\u00f3rd\u00e3o escolheu o caminho da transi\u00e7\u00e3o: <strong>dois anos, contados da ata, para o estado realizar concurso e regularizar o pessoal<\/strong>; a inconstitucionalidade ficou certificada, e a continuidade do servi\u00e7o essencial, preservada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei estadual autoriza contrata\u00e7\u00e3o por tempo determinado para &#8220;seguran\u00e7a p\u00fablica&#8221;, e o estado a utiliza para manter milhares de vigilantes penitenci\u00e1rios tempor\u00e1rios em atribui\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Penal. Essa pr\u00e1tica \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) inconstitucional, por burlar o concurso p\u00fablico e a regra da EC n. 104\/2019 para a Pol\u00edcia Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) constitucional, pois a seguran\u00e7a prisional se enquadra na express\u00e3o legal &#8220;seguran\u00e7a p\u00fablica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) constitucional enquanto perdurar a car\u00eancia de servidores efetivos, dado o risco de colapso do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) inconstitucional s\u00f3 quando os contratos ultrapassarem o prazo m\u00e1ximo da lei local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) convalid\u00e1vel mediante prorroga\u00e7\u00e3o legislativa expressa dos contratos em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. As atribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o pr\u00f3prias da Pol\u00edcia Penal, cujo preenchimento de quadros a EC n. 104\/2019 reservou ao concurso p\u00fablico e \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o dos cargos preexistentes; a hip\u00f3tese gen\u00e9rica de contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria n\u00e3o alcan\u00e7a essa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A denomina\u00e7\u00e3o formal n\u00e3o descaracteriza a fun\u00e7\u00e3o: aplicar a express\u00e3o &#8220;seguran\u00e7a p\u00fablica&#8221; a essas contrata\u00e7\u00f5es foi exatamente o que o STF declarou inconstitucional, sem redu\u00e7\u00e3o de texto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Car\u00eancia ordin\u00e1ria ou estrutural de pessoal n\u00e3o configura necessidade tempor\u00e1ria de excepcional interesse p\u00fablico; a solu\u00e7\u00e3o dada foi o prazo de dois anos para concurso, n\u00e3o a conviv\u00eancia indefinida com os tempor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O v\u00edcio n\u00e3o est\u00e1 no prazo dos contratos, e sim na natureza permanente e exclusiva da fun\u00e7\u00e3o; dentro ou fora do limite temporal da lei local, a atribui\u00e7\u00e3o pertence ao quadro efetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Prorroga\u00e7\u00e3o legislativa repetiria o v\u00edcio de origem; a modula\u00e7\u00e3o concedida serve \u00e0 transi\u00e7\u00e3o para o concurso, n\u00e3o \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o do modelo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 inconstitucional \u2013 por violar a exig\u00eancia de concurso p\u00fablico e a regra espec\u00edfica do art. 4\u00ba da EC n\u00ba 104\/2019 \u2013 a contrata\u00e7\u00e3o de agentes tempor\u00e1rios para o desempenho de atribui\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da Pol\u00edcia Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece que a investidura em cargo ou emprego p\u00fablico, como regra, depende de pr\u00e9via aprova\u00e7\u00e3o em concurso p\u00fablico, constituindo a contrata\u00e7\u00e3o por tempo determinado uma exce\u00e7\u00e3o condicionada ao atendimento de necessidade tempor\u00e1ria de excepcional interesse p\u00fablico (1). Com a promulga\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional n\u00ba 104\/2019, as pol\u00edcias penais foram inseridas no rol dos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica encarregados da seguran\u00e7a dos estabelecimentos penais (2), prevendo-se expressamente que o preenchimento de seus quadros ocorrer\u00e1, exclusivamente, mediante concurso p\u00fablico ou pela transforma\u00e7\u00e3o dos cargos preexistentes (3).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (4), a car\u00eancia ordin\u00e1ria ou estrutural de pessoal n\u00e3o autoriza o uso continuado de v\u00ednculos tempor\u00e1rios para suprir fun\u00e7\u00f5es estatais permanentes e essenciais. As atividades de vigil\u00e2ncia e seguran\u00e7a penitenci\u00e1ria envolvem o exerc\u00edcio direto do poder de pol\u00edcia sobre pessoas custodiadas pelo Estado, exigindo desempenho exclusivo pelo quadro efetivo. Dessa forma, a mera denomina\u00e7\u00e3o formal de \u201cvigilante penitenci\u00e1rio\u201d n\u00e3o descaracteriza o exerc\u00edcio de atribui\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da Pol\u00edcia Penal, tornando inconstitucional a incid\u00eancia de hip\u00f3teses gen\u00e9ricas de contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria para esse fim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com o objetivo de assegurar a continuidade do servi\u00e7o p\u00fablico essencial e viabilizar a adequa\u00e7\u00e3o do quadro funcional mediante a realiza\u00e7\u00e3o de concurso p\u00fablico, \u00e9 cab\u00edvel a atribui\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia prospectiva \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade. Assim, fixa-se o prazo de dois anos, contados da publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento, para que o Estado promova a regulariza\u00e7\u00e3o de seu pessoal no \u00e2mbito do sistema prisional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, conheceu parcialmente da a\u00e7\u00e3o direta e, nessa extens\u00e3o, julgou procedente o pedido para declarar a inconstitucionalidade, sem redu\u00e7\u00e3o de texto, da aplica\u00e7\u00e3o da express\u00e3o \u201cseguran\u00e7a p\u00fablica\u201d, constante do art. 2\u00ba, inciso VI, al\u00ednea a, da Lei n\u00ba 20.918\/2020 do Estado de Goi\u00e1s (5), \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de vigilantes penitenci\u00e1rios para o desempenho de atribui\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da Pol\u00edcia Penal, bem como, por arrastamento, do art. 1\u00ba do Decreto n\u00ba 9.812\/2021 do Estado de Goi\u00e1s (6). Modularam-se os efeitos da decis\u00e3o para ap\u00f3s o transcurso de dois anos da publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento, para ado\u00e7\u00e3o das provid\u00eancias necess\u00e1rias \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o do quadro de pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: \u201cArt. 37. A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica direta e indireta de qualquer dos Poderes da Uni\u00e3o, dos estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios obedecer\u00e1 aos princ\u00edpios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e efici\u00eancia e, tamb\u00e9m, ao seguinte: (&#8230;) II &#8211; a investidura em cargo ou emprego p\u00fablico depende de aprova\u00e7\u00e3o pr\u00e9via em concurso p\u00fablico de provas ou de provas e t\u00edtulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomea\u00e7\u00f5es para cargo em comiss\u00e3o declarado em lei de livre nomea\u00e7\u00e3o e exonera\u00e7\u00e3o; (&#8230;) IX &#8211; a lei estabelecer\u00e1 os casos de contrata\u00e7\u00e3o por tempo determinado para atender a necessidade tempor\u00e1ria de excepcional interesse p\u00fablico;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) CF\/1988: \u201cArt. 144. A seguran\u00e7a p\u00fablica, dever do estado, direito e responsabilidade de todos, \u00e9 exercida para a preserva\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica e da incolumidade das pessoas e do patrim\u00f4nio, atrav\u00e9s dos seguintes \u00f3rg\u00e3os: (&#8230;) \u00a7 5\u00ba-A \u00c0s pol\u00edcias penais, vinculadas ao \u00f3rg\u00e3o administrador do sistema penal da unidade federativa a que pertencem, cabe a seguran\u00e7a dos estabelecimentos penais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) EC n\u00ba 104\/2019: \u201cArt. 4\u00ba O preenchimento do quadro de servidores das pol\u00edcias penais ser\u00e1 feito, exclusivamente, por meio de concurso p\u00fablico e por meio da transforma\u00e7\u00e3o dos cargos isolados, dos cargos de carreira dos atuais agentes penitenci\u00e1rios e dos cargos p\u00fablicos equivalentes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (4) Precedentes citados: RE 658.026 (Tema 612 RG), ADI 3.222, ADI 7.098 e ADI 7.505.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (5) Lei n\u00ba 20.918\/2020 do Estado de Goi\u00e1s: \u201cArt. 2\u00ba Considera-se necessidade tempor\u00e1ria de excepcional interesse p\u00fablico aquela que compromete a presta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e eficiente dos servi\u00e7os pr\u00f3prios da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, nos casos: (&#8230;) VI &#8211; de atendimento urgente \u00e0s exig\u00eancias do servi\u00e7o, com o per\u00edodo de contrata\u00e7\u00e3o em decorr\u00eancia da falta de pessoal efetivo ou enquanto perdurar necessidade transit\u00f3ria, para evitar o colapso nas atividades: m\u00e1xima de 3 (tr\u00eas) anos e a possibilidade de ser prorrogado at\u00e9 o prazo total de 5 (cinco) anos; a) relacionadas aos setores de educa\u00e7\u00e3o, cultura, esporte e lazer, seguran\u00e7a p\u00fablica, tr\u00e2nsito, transporte e obras p\u00fablicas, assist\u00eancia previdenci\u00e1ria, comunica\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o, controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (6) Decreto n\u00ba 9.812\/2021 do Estado de Goi\u00e1s: \u201cArt. 1\u00ba. O art. 1\u00ba do Decreto estadual n\u00ba 7.474, de 3 de novembro de 2011, passa a vigorar com a seguinte altera\u00e7\u00e3o: \u2018Art. 1\u00ba Fica a Diretoria-Geral de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria &#8211; DGAP autorizada a manter at\u00e9 2.335 (dois mil trezentos e trinta e cinco) contratos tempor\u00e1rios para a fun\u00e7\u00e3o de Vigilante Penitenci\u00e1rio, mediante perman\u00eancia do pessoal j\u00e1 contratado e\/ou prorroga\u00e7\u00e3o dos ajustes cuja vig\u00eancia tenha-se expirado ou vier a expirar-se, bem como a celebra\u00e7\u00e3o de novos instrumentos, nos termos da Lei estadual n\u00ba 13.664, de 27 de julho de 2000\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.069\/GO, relator Ministro Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 25.09.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; A TARIFA SOCIAL E O IMPOSTO QUE QUERIA UMA FATIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00c3O incide ICMS sobre a subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que a Uni\u00e3o repassa \u00e0s distribuidoras de energia <strong>para garantir a modicidade da tarifa dos consumidores de baixa renda<\/strong> (Lei n. 10.604\/2002): a verba recomp\u00f5e o equil\u00edbrio do contrato administrativo, <strong>n\u00e3o \u00e9 pre\u00e7o, tarifa nem receita da opera\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o de mercadoria<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RE 990.115\/SP, Rel. Min. Cristiano Zanin, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento virtual finalizado em 25\/9\/2026 (Tema 1.113).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Luzforte Distribuidora fornece energia \u00e0 Subclasse Residencial Baixa Renda cobrando a tarifa social, menor que a comum por determina\u00e7\u00e3o federal. Para a conta fechar do lado da empresa, a Uni\u00e3o repassa uma subven\u00e7\u00e3o que cobre a diferen\u00e7a \u2014 dinheiro que n\u00e3o vem do consumidor, vem do Tesouro. O fisco paulista enxergou nesse repasse um peda\u00e7o do pre\u00e7o da energia e cobrou ICMS sobre ele, tese que venceu no tribunal local e no STJ antes de chegar ao Supremo. O dinheiro p\u00fablico que barateia a conta de luz integra o valor da opera\u00e7\u00e3o de venda de energia, ou vive na rela\u00e7\u00e3o contratual entre Uni\u00e3o e concession\u00e1ria, fora do alcance do imposto estadual?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 155, II e \u00a7 3\u00ba; ADCT, art. 34, \u00a7 9\u00ba; Lei n. 10.604\/2002, art. 5\u00ba; Lei n. 10.438\/2002; LC n. 87\/1996, art. 13, \u00a7 1\u00ba, II, a<\/strong> <em>(o ICMS incide sobre opera\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o de mercadorias, calculado sobre o pre\u00e7o praticado na opera\u00e7\u00e3o final de energia el\u00e9trica; fica autorizada subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para a modicidade da tarifa da Subclasse Residencial Baixa Renda; integram a base de c\u00e1lculo os descontos concedidos sob condi\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A tese fixada na repercuss\u00e3o geral: n\u00e3o incide ICMS sobre a subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica destinada \u00e0 modicidade da tarifa de fornecimento de energia el\u00e9trica aos consumidores finais integrantes da Subclasse Residencial Baixa Renda a que se refere a Lei n. 10.438\/2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Segundo o ac\u00f3rd\u00e3o, a subven\u00e7\u00e3o \u00e9 verba de recomposi\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro do contrato administrativo, devida pela altera\u00e7\u00e3o legal dos crit\u00e9rios da classe benefici\u00e1ria (fato do pr\u00edncipe); seu valor at\u00e9 corresponde \u00e0 receita que as distribuidoras deixaram de auferir, mas o crit\u00e9rio de c\u00e1lculo n\u00e3o a converte em parcela da tarifa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Tampouco h\u00e1 desconto condicionado (LC n. 87\/1996, art. 13, \u00a7 1\u00ba, II, a): a distribuidora n\u00e3o pode escolher entre praticar ou n\u00e3o a tarifa social \u2014 o pre\u00e7o reduzido \u00e9 determinado pelo poder p\u00fablico, e ao ICMS interessa somente o valor da opera\u00e7\u00e3o entre a empresa e o consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A tese fazend\u00e1ria tinha aritm\u00e9tica sedutora e dois tribunais a seu favor: se a distribuidora recebe a tarifa social do consumidor e a diferen\u00e7a da Uni\u00e3o, <strong>a soma das duas parcelas comporia o pre\u00e7o cheio da energia entregue<\/strong>, e o imposto estadual alcan\u00e7aria o total \u2014 leitura que o TJ-SP e o STJ haviam acolhido, este exigindo conv\u00eanio para qualquer exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A soma, para o Supremo, embaralhava duas rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas distintas. A opera\u00e7\u00e3o mercantil, tribut\u00e1vel, acontece entre a Luzforte e o consumidor, <strong>e nela o pre\u00e7o \u00e9 a tarifa social fixada pelo poder p\u00fablico<\/strong>; o repasse federal corre em outra pista, a do contrato administrativo com a Uni\u00e3o, como compensa\u00e7\u00e3o pelos \u00f4nus da pol\u00edtica social \u2014 receita alheia \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de mercadoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O voto condutor qualificou a origem do dever de pagar: ao mudar os crit\u00e9rios da classe benefici\u00e1ria, o legislador criou um fato do pr\u00edncipe, <strong>e a recomposi\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio contratual virou obriga\u00e7\u00e3o do poder concedente<\/strong>; a subven\u00e7\u00e3o poderia at\u00e9 ser dimensionada de outras formas, e o crit\u00e9rio que espelha a receita perdida n\u00e3o lhe altera a natureza regulat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O argumento do desconto condicionado tamb\u00e9m caiu no voto condutor: condi\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e escolha, <strong>e a distribuidora n\u00e3o pode optar por cobrar a tarifa cheia e dispensar a subven\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2014 a tarifa reduzida \u00e9 o pre\u00e7o determinado pela Uni\u00e3o, n\u00e3o um abatimento negociado que a LC n. 87\/1996 mandaria incluir na base.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Na pr\u00e1tica do setor el\u00e9trico, a repercuss\u00e3o geral fecha a porta a autua\u00e7\u00f5es estaduais sobre os repasses da tarifa social, <strong>preservando a pol\u00edtica p\u00fablica de energia acess\u00edvel sem convers\u00e3o do subs\u00eddio em base de imposto<\/strong>; a seguran\u00e7a concedida \u00e0s filiadas do sindicato autor desfez, nesse ponto, as decis\u00f5es do tribunal paulista e do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estado-membro exige ICMS sobre os valores repassados pela Uni\u00e3o \u00e0s distribuidoras de energia el\u00e9trica a t\u00edtulo de subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da tarifa social (Lei n. 10.604\/2002). Conforme a repercuss\u00e3o geral do STF, a exig\u00eancia \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) v\u00e1lida, porque o repasse integra o valor total da opera\u00e7\u00e3o ao recompor o pre\u00e7o cheio da energia fornecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) v\u00e1lida se inexistir conv\u00eanio do CONFAZ autorizando a exclus\u00e3o da parcela subvencionada da base de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) inv\u00e1lida s\u00f3 quanto \u00e0 parcela do repasse que exceder a diferen\u00e7a entre tarifa comum e tarifa social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) v\u00e1lida, por configurar a subven\u00e7\u00e3o um desconto concedido sob condi\u00e7\u00e3o, integrante da base de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) inv\u00e1lida: a subven\u00e7\u00e3o \u00e9 verba de equil\u00edbrio do contrato administrativo com a Uni\u00e3o, estranha \u00e0 opera\u00e7\u00e3o mercantil tribut\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A composi\u00e7\u00e3o do &#8220;pre\u00e7o cheio&#8221; foi a tese recusada: o valor da opera\u00e7\u00e3o, para o ICMS, \u00e9 a tarifa social praticada entre distribuidora e consumidor, e o repasse federal n\u00e3o \u00e9 contrapresta\u00e7\u00e3o pelo consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A exclus\u00e3o n\u00e3o depende de conv\u00eanio porque a parcela nunca esteve dentro do campo de incid\u00eancia; a premissa do STJ, de que seria preciso autoriza\u00e7\u00e3o do CONFAZ, caiu com o provimento do recurso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. N\u00e3o houve meio-termo quantitativo: a subven\u00e7\u00e3o, por natureza, \u00e9 receita alheia \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de mercadoria, e nenhuma fra\u00e7\u00e3o dela comp\u00f5e a base do imposto estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Desconto condicionado pressup\u00f5e escolha do fornecedor, e a tarifa social \u00e9 pre\u00e7o imposto pelo poder p\u00fablico; a figura da LC n. 87\/1996 n\u00e3o se aplica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. \u00c9 a tese da repercuss\u00e3o geral: o repasse vive na rela\u00e7\u00e3o de direito administrativo entre Uni\u00e3o e concession\u00e1rias, como recomposi\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio contratual diante do fato do pr\u00edncipe, fora da compet\u00eancia tribut\u00e1ria estadual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cN\u00e3o incide ICMS sobre a subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica destinada \u00e0 modicidade da tarifa de fornecimento de energia el\u00e9trica aos consumidores finais integrantes da Subclasse Residencial Baixa Renda a que se refere a Lei n\u00ba 10.438\/2002.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 inconstitucional \u2013 por violar o art. 155, II e \u00a7 3\u00ba, da CF\/1988, e o art. 34, \u00a7 9\u00ba, do ADCT \u2013 a incid\u00eancia de ICMS sobre os recursos financeiros repassados pela Uni\u00e3o \u00e0s empresas prestadoras de servi\u00e7o p\u00fablico de energia el\u00e9trica, a t\u00edtulo de subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica (Lei n\u00ba 10.604\/2002, art. 5\u00ba), com a finalidade de contribuir para a modicidade da tarifa de fornecimento de energia el\u00e9trica aos consumidores finais integrantes da \u201cSubclasse Residencial Baixa Renda\u201d (Lei n\u00ba 10.438\/2002).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 afronta ao texto constitucional (1) (2), pois a aludida subven\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ada pela hip\u00f3tese de incid\u00eancia do ICMS e os valores repassados \u00e0s empresas prestadoras do servi\u00e7o n\u00e3o integram a base de c\u00e1lculo do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que subsidia a Tarifa Social de Energia El\u00e9trica (TSEE) (3) n\u00e3o representa pre\u00e7o, tarifa nem receita pr\u00f3pria da opera\u00e7\u00e3o mercantil (circula\u00e7\u00e3o de mercadoria), que se d\u00e1 entre prestadoras do servi\u00e7o e consumidor. N\u00e3o constitui elemento integrante do neg\u00f3cio jur\u00eddico de fornecimento de energia el\u00e9trica. Os valores n\u00e3o s\u00e3o recebidos como contrapresta\u00e7\u00e3o pelo consumo de energia, mas como verba de recomposi\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro do contrato administrativo firmado com a Uni\u00e3o, diante dos reflexos desfavor\u00e1veis da pol\u00edtica social estabelecida pelo legislador ao alterar os crit\u00e9rios de enquadramento da classe de consumidores benefici\u00e1rios (Lei n\u00ba 10.438\/2002). A ocorr\u00eancia de fato do pr\u00edncipe imp\u00f5e ao poder p\u00fablico o dever de promover a recomposi\u00e7\u00e3o da equa\u00e7\u00e3o pactuada originalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de receita alheia \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o de mercadoria. A subven\u00e7\u00e3o tem natureza de contribui\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria e, embora seu valor corresponda \u00e0 diferen\u00e7a de receita que as prestadoras deixaram de auferir, poderia, legitimamente, ser dimensionada e vertida de outras formas. Ademais, o crit\u00e9rio de c\u00e1lculo da subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica n\u00e3o lhe altera a natureza jur\u00eddica regulat\u00f3ria nem a converte em parcela da tarifa decorrente da opera\u00e7\u00e3o mercantil. Ela permanece no dom\u00ednio da atribui\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel concluir que se configura desconto concedido sob condi\u00e7\u00e3o (Lei Complementar n\u00ba 87\/1996, art. 13, \u00a7 1\u00ba, II, a), para fins de caracteriza\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ICMS, pois n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 dado \u00e0s prestadoras de servi\u00e7o p\u00fablico de energia el\u00e9trica escolher entre oferecer a tarifa social ou deixar de faz\u00ea-lo, e renunciar \u00e0 subven\u00e7\u00e3o. A tarifa social (descontada) \u00e9 o pre\u00e7o determinado pelo poder p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, o repasse efetuado a t\u00edtulo de subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica insere-se, exclusivamente, na rela\u00e7\u00e3o de direito administrativo entre a Uni\u00e3o e as empresas prestadoras do servi\u00e7o, e n\u00e3o guarda pertin\u00eancia com a compet\u00eancia tribut\u00e1ria dos estados referente \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de mercadorias, \u00e0 qual interessa apenas a TSEE, ou seja, o valor da opera\u00e7\u00e3o comercial realizada entre as prestadoras e os consumidores de baixa renda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, o Sindicato da Ind\u00fastria da Energia no estado de S\u00e3o Paulo (SIESP) interp\u00f4s recursos extraordin\u00e1rios contra ac\u00f3rd\u00e3os que conclu\u00edram pela inclus\u00e3o da referida subven\u00e7\u00e3o na base de c\u00e1lculo do ICMS. O primeiro foi apresentado contra a decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de S\u00e3o Paulo que, ao apreciar as apela\u00e7\u00f5es, denegou a seguran\u00e7a, considerando que a subven\u00e7\u00e3o n\u00e3o possuiria natureza indenizat\u00f3ria. Inadmitido na origem, ensejou a interposi\u00e7\u00e3o de agravo. O segundo foi interposto contra o ac\u00f3rd\u00e3o do STJ que negou provimento ao recurso especial. O STJ compreendeu que a subven\u00e7\u00e3o comporia o valor total da opera\u00e7\u00e3o por integrar o pre\u00e7o final da tarifa, que a exclus\u00e3o dependeria de conv\u00eanio autorizativo e que a manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro dos contratos com as concession\u00e1rias n\u00e3o interferiria na rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-tribut\u00e1ria entre elas e os estados federados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, ao apreciar o Tema 1.113 da repercuss\u00e3o geral, (i) conheceu em parte do recurso extraordin\u00e1rio interposto pelo SIESP contra o ac\u00f3rd\u00e3o do STJ e, nessa extens\u00e3o, deu-lhe provimento para reformar a decis\u00e3o recorrida e conceder a seguran\u00e7a, a fim de afastar a incid\u00eancia de ICMS sobre as parcelas de subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica recebidas pelas distribuidoras de energia el\u00e9trica filiadas ao recorrente, em decorr\u00eancia da altera\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio de classifica\u00e7\u00e3o do consumidor de baixa renda pela Lei n\u00ba 10.438\/2002; (ii) julgou prejudicado o recurso extraordin\u00e1rio com agravo; e (iii) fixou a tese anteriormente citada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: \u201cArt. 155. Compete aos estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (&#8230;) II \u2013 opera\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e sobre presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os de transporte interestadual e intermunicipal e de comunica\u00e7\u00e3o, ainda que as opera\u00e7\u00f5es e as presta\u00e7\u00f5es se iniciem no exterior; (&#8230;) \u00a7 3\u00ba \u00c0 exce\u00e7\u00e3o dos impostos de que tratam o inciso II do <em>caput<\/em> deste artigo e os arts. 153, I e II, e 156-A, nenhum outro imposto poder\u00e1 incidir sobre opera\u00e7\u00f5es relativas a energia el\u00e9trica e servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es e, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o destes e do previsto no art. 153, VIII, nenhum outro imposto poder\u00e1 incidir sobre opera\u00e7\u00f5es relativas a derivados de petr\u00f3leo, combust\u00edveis e minerais do Pa\u00eds.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) ADCT: \u201cArt. 34. O sistema tribut\u00e1rio nacional entrar\u00e1 em vigor a partir do primeiro dia do quinto m\u00eas seguinte ao da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, mantido, at\u00e9 ent\u00e3o, o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1967, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda n\u00ba 1, de 1969, e pelas posteriores. (&#8230;) \u00a7 9\u00ba At\u00e9 que lei complementar disponha sobre a mat\u00e9ria, as empresas distribuidoras de energia el\u00e9trica, na condi\u00e7\u00e3o de contribuintes ou de substitutos tribut\u00e1rios, ser\u00e3o as respons\u00e1veis, por ocasi\u00e3o da sa\u00edda do produto de seus estabelecimentos, ainda que destinado a outra unidade da Federa\u00e7\u00e3o, pelo pagamento do imposto sobre opera\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de mercadorias incidente sobre energia el\u00e9trica, desde a produ\u00e7\u00e3o ou importa\u00e7\u00e3o at\u00e9 a \u00faltima opera\u00e7\u00e3o, calculado o imposto sobre o pre\u00e7o ent\u00e3o praticado na opera\u00e7\u00e3o final e assegurado seu recolhimento ao estado ou ao Distrito Federal, conforme o local onde deva ocorrer essa opera\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Lei n\u00ba 10.604\/2002: \u201cArt. 5\u00ba Fica autorizada a concess\u00e3o de subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com a finalidade de contribuir para a modicidade da tarifa de fornecimento de energia el\u00e9trica aos consumidores finais integrantes da Subclasse Residencial Baixa Renda a que se refere a Lei n\u00ba 10.438, de 2002, com efeito a partir da data de sua publica\u00e7\u00e3o. (&#8230;)\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; RE 990.115\/SP, relator Ministro Cristiano Zanin, julgamento virtual finalizado em 25.09.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">4. O BENEF\u00cdCIO QUE UM ESTADO SOZINHO N\u00c3O PODE DESFAZER<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 inconstitucional o ato unilateral de estado-membro que revoga, total ou parcialmente, <strong>benef\u00edcio ou isen\u00e7\u00e3o de ICMS concedidos mediante conv\u00eanio do CONFAZ<\/strong> sem o rito da LC n. 24\/1975 \u2014 que exige, para a revoga\u00e7\u00e3o, <strong>aprova\u00e7\u00e3o de pelo menos quatro quintos dos representantes presentes<\/strong> \u2014, sob pena de viola\u00e7\u00e3o ao federalismo cooperativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADIs 7.822, 7.830, 7.844 e 7.848\/SP, Rel. Min. C\u00e1rmen L\u00facia, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento finalizado em 24\/9\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Despachanorte Distribuidora, de S\u00e3o Paulo, vendia produtos industrializados para as \u00c1reas de Livre Com\u00e9rcio da Amaz\u00f4nia com a isen\u00e7\u00e3o de ICMS que o Conv\u00eanio 52\/1992 estendera \u00e0quelas pra\u00e7as, sem prazo final. Em 2022, um decreto paulista marcou sozinho a data da morte do benef\u00edcio: 31 de dezembro de 2024 \u2014 sem levar o assunto ao CONFAZ, o colegiado de fazendas estaduais onde a isen\u00e7\u00e3o nasceu. O que entrou no ordenamento por decis\u00e3o un\u00e2nime dos estados pode sair por decreto de um deles, ou a porta de sa\u00edda tamb\u00e9m \u00e9 colegiada?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 155, \u00a7 2\u00ba, XII, g; LC n. 24\/1975, arts. 1\u00ba e 2\u00ba, \u00a7 2\u00ba; Conv\u00eanio ICMS n. 52\/1992<\/strong> <em>(cabe \u00e0 lei complementar regular a forma como, mediante delibera\u00e7\u00e3o dos estados, isen\u00e7\u00f5es e benef\u00edcios de ICMS ser\u00e3o concedidos e revogados; a concess\u00e3o exige decis\u00e3o un\u00e2nime dos estados representados, e a revoga\u00e7\u00e3o total ou parcial, aprova\u00e7\u00e3o de quatro quintos dos presentes; o conv\u00eanio estendeu \u00e0s \u00c1reas de Livre Com\u00e9rcio a isen\u00e7\u00e3o na sa\u00edda de produtos industrializados nacionais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Pela jurisprud\u00eancia da Corte (ADPF 198, ADI 5.929, ADI 3.803, ADI 6.222), os conv\u00eanios do CONFAZ t\u00eam natureza autorizativa e dependem de internaliza\u00e7\u00e3o, mas, ratificados, vinculam: o ente n\u00e3o pode restringir, descaracterizar ou revogar unilateralmente o que acordou, sob pena de guerra fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O Plen\u00e1rio declarou inconstitucional o dispositivo paulista introduzido pelo Decreto n. 67.383\/2022 e fixou a tese da invalidade de revoga\u00e7\u00e3o unilateral sem o rito e o qu\u00f3rum da lei complementar; o restabelecimento tempor\u00e1rio da isen\u00e7\u00e3o (29\/12\/2025 a 30\/9\/2026) apenas prejudicou em parte as a\u00e7\u00f5es, sem convalidar a supress\u00e3o nos demais per\u00edodos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 S\u00e3o Paulo defendia a leitura da autonomia: conv\u00eanio autorizativo n\u00e3o obriga a conceder, <strong>logo o estado que aderiu poderia, por ato pr\u00f3prio, fixar um termo final ao benef\u00edcio<\/strong> \u2014 gest\u00e3o da pr\u00f3pria receita, sem necessidade de pedir licen\u00e7a ao colegiado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio separou os dois momentos. Antes da ratifica\u00e7\u00e3o, o conv\u00eanio de fato apenas autoriza; depois dela, vincula \u2014 <strong>aderir \u00e9 entrar num pacto federativo cuja sa\u00edda tem rito e qu\u00f3rum pr\u00f3prios<\/strong>, a aprova\u00e7\u00e3o de quatro quintos dos representantes que a LC n. 24\/1975 reserva \u00e0 revoga\u00e7\u00e3o. Decreto estadual solit\u00e1rio n\u00e3o substitui a delibera\u00e7\u00e3o do CONFAZ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Por tr\u00e1s do formalismo do qu\u00f3rum, a Corte apontou o que ele protege: sem a trava colegiada, <strong>cada estado desfaria por conveni\u00eancia o que todos constru\u00edram por unanimidade<\/strong>, reabrindo a guerra fiscal que o art. 155, \u00a7 2\u00ba, XII, g, quis conter \u2014 e as empresas que planejaram opera\u00e7\u00f5es com base no benef\u00edcio ficariam ao sabor de cada di\u00e1rio oficial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A tese fixada pelo Plen\u00e1rio transcende o caso paulista: a supress\u00e3o unilateral, total ou parcial, de benef\u00edcio nascido de conv\u00eanio \u00e9 inv\u00e1lida sem o rito da lei complementar, <strong>e restabelecimentos tempor\u00e1rios posteriores n\u00e3o convalidam o per\u00edodo suprimido<\/strong> \u2014 nas a\u00e7\u00f5es julgadas, o intervalo de vig\u00eancia restaurada apenas prejudicou parcialmente os pedidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estado-membro que ratificou conv\u00eanio do CONFAZ concessivo de isen\u00e7\u00e3o de ICMS edita decreto fixando, por ato pr\u00f3prio, termo final ao benef\u00edcio, sem delibera\u00e7\u00e3o do colegiado. Esse ato \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) v\u00e1lido, express\u00e3o da autonomia federativa na gest\u00e3o da pr\u00f3pria receita tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) inconstitucional, por suprimir benef\u00edcio convenial sem o rito e o qu\u00f3rum da LC n. 24\/1975.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) v\u00e1lido se o conv\u00eanio original n\u00e3o estipulou prazo de vig\u00eancia para o benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) anul\u00e1vel, convalidando-se com o restabelecimento posterior do benef\u00edcio por novo decreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) inconstitucional s\u00f3 se o benef\u00edcio houver sido concedido por prazo certo e sob condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A autonomia opera na ades\u00e3o; ratificado o conv\u00eanio, suas disposi\u00e7\u00f5es vinculam, e a revoga\u00e7\u00e3o exige a delibera\u00e7\u00e3o colegiada \u2014 o ato solit\u00e1rio viola o federalismo cooperativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. \u00c9 a tese fixada: a supress\u00e3o unilateral, integral ou parcial, de benef\u00edcios conveniais de ICMS sem o estrito cumprimento das regras da lei complementar (delibera\u00e7\u00e3o no CONFAZ e quatro quintos para revogar) \u00e9 inconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A aus\u00eancia de prazo no conv\u00eanio refor\u00e7a a invalidade do termo final criado por decreto: coube ao estado justamente inventar, sozinho, um limite que o colegiado n\u00e3o estabeleceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O restabelecimento tempor\u00e1rio n\u00e3o convalidou a supress\u00e3o: apenas prejudicou as a\u00e7\u00f5es quanto ao per\u00edodo de vig\u00eancia restaurada, permanecendo inv\u00e1lida a revoga\u00e7\u00e3o nos demais intervalos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende da modalidade do benef\u00edcio; a tese alcan\u00e7a revoga\u00e7\u00f5es totais ou parciais de quaisquer benef\u00edcios ou isen\u00e7\u00f5es concedidos na forma da al\u00ednea g do inciso XII do \u00a7 2\u00ba do art. 155.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201c\u00c9 inconstitucional ato unilateral de estado federado que revogue, total ou parcialmente, benef\u00edcios ou isen\u00e7\u00f5es concedidos, relativos a ICMS, sem o estrito cumprimento dos princ\u00edpios constitucionais e das regras fixadas em Lei Complementar no atendimento \u00e0 al. g do inc. XII do \u00a7 2\u00ba do art. 155 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resumo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 inconstitucional ato unilateral de estado-membro que revogue, total ou parcialmente, benef\u00edcio ou isen\u00e7\u00e3o de Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS) concedidos mediante conv\u00eanio do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (CONFAZ), sem a observ\u00e2ncia do princ\u00edpio federativo, do rito procedimental e da delibera\u00e7\u00e3o pelo qu\u00f3rum qualificado de quatro quintos estabelecidos na lei complementar (CF\/1988, art. 155, \u00a7 2\u00ba, XII, g).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o Federal atribui \u00e0 lei complementar a disciplina da forma pela qual, mediante delibera\u00e7\u00e3o dos estados e do Distrito Federal, ser\u00e3o concedidos e revogados incentivos, isen\u00e7\u00f5es e benef\u00edcios fiscais relativos ao ICMS. Nesse contexto, a Lei Complementar n\u00ba 24\/1975 condiciona a concess\u00e3o dessas medidas \u00e0 decis\u00e3o un\u00e2nime dos entes representados no CONFAZ e exige a aprova\u00e7\u00e3o de, pelo menos, 4\/5 (quatro quintos) dos representantes presentes para sua revoga\u00e7\u00e3o total ou parcial (1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (2), embora os conv\u00eanios celebrados no \u00e2mbito do CONFAZ possuam natureza autorizativa e dependam de internaliza\u00e7\u00e3o por cada ente federativo, suas disposi\u00e7\u00f5es tornam-se vinculantes ap\u00f3s a ratifica\u00e7\u00e3o. Por isso, as unidades federadas n\u00e3o podem restringir, descaracterizar ou revogar unilateralmente benef\u00edcios fiscais previamente acordados, sob pena de viola\u00e7\u00e3o ao federalismo cooperativo e de est\u00edmulo \u00e0 guerra fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, o Conv\u00eanio ICMS n\u00ba 52\/1992 (3) estendeu \u00e0s \u00c1reas de Livre Com\u00e9rcio localizadas nos Estados do Amap\u00e1, de Roraima, de Rond\u00f4nia, do Amazonas e do Acre a isen\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel \u00e0 sa\u00edda de produtos industrializados ou semielaborados de origem nacional, sem estabelecer prazo final para o benef\u00edcio. Posteriormente, o Decreto paulista n\u00ba 67.383\/2022 fixou o dia 31 de dezembro de 2024 como termo de sua vig\u00eancia, sem pr\u00e9via delibera\u00e7\u00e3o do CONFAZ e sem a aprova\u00e7\u00e3o de 4\/5 dos representantes exigida para a revoga\u00e7\u00e3o. O restabelecimento tempor\u00e1rio da isen\u00e7\u00e3o, entre 29 de dezembro de 2025 e 30 de setembro de 2026, n\u00e3o afastou a invalidade da supress\u00e3o unilateral nos per\u00edodos n\u00e3o abrangidos pela nova disciplina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, em julgamento conjunto e por maioria: (i) converteu a aprecia\u00e7\u00e3o da medida cautelar em julgamento de m\u00e9rito; (ii) julgou parcialmente prejudicadas as a\u00e7\u00f5es quanto ao per\u00edodo de 29 de dezembro de 2025 a 30 de setembro de 2026, durante o qual o benef\u00edcio foi restabelecido pelo Decreto paulista n\u00ba 70.348\/2026; e (iii) julgou procedentes os pedidos para declarar a inconstitucionalidade do \u00a7 5\u00ba do art. 5\u00ba do Anexo I do Decreto paulista n\u00ba 45.490\/2000, com a reda\u00e7\u00e3o dada pelo Decreto n\u00ba 67.383\/2022. Por fim, fixou a tese anteriormente citada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Lei Complementar n\u00ba 24\/1975: \u201cArt. 1\u00ba As isen\u00e7\u00f5es do imposto sobre opera\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de mercadorias ser\u00e3o concedidas ou revogadas nos termos de conv\u00eanios celebrados e ratificados pelos estados e pelo Distrito Federal, segundo esta Lei. (&#8230;) Art. 2\u00ba Os conv\u00eanios a que alude o art. 1\u00ba, ser\u00e3o celebrados em reuni\u00f5es para as quais tenham sido convocados representantes de todos os estados e do Distrito Federal, sob a presid\u00eancia de representantes do Governo federal. (&#8230;) \u00a7 2\u00ba A concess\u00e3o de benef\u00edcios depender\u00e1 sempre de decis\u00e3o un\u00e2nime dos Estados representados; a sua revoga\u00e7\u00e3o total ou parcial depender\u00e1 de aprova\u00e7\u00e3o de quatro quintos, pelo menos, dos representantes presentes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADPF 198, ADI 5.929, RE 96.545, ADI 3.803 e ADI 6.222.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Conv\u00eanio ICMS n\u00ba 52\/1992: \u201cCl\u00e1usula primeira. Ficam estendidos \u00e0s \u00c1reas de Livre Com\u00e9rcio de Macap\u00e1 e Santana, no estado do Amap\u00e1, Bonfim e Boa Vista, no estado de Roraima, Guajaramirim, no estado de Rond\u00f4nia, Tabatinga, no estado do Amazonas, e Cruzeiro do Sul e Brasil\u00e9ia, com extens\u00e3o para o Munic\u00edpio de Epitaciol\u00e2ndia, no estado do Acre, os benef\u00edcios e as condi\u00e7\u00f5es contidas no Conv\u00eanio ICM 65\/88, de 6 de dezembro de 1988.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.822\/SP, relatora Ministra C\u00e1rmen L\u00facia, julgamento finalizado em 24.09.2026 (quinta-feira)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.830\/SP, relatora Ministra C\u00e1rmen L\u00facia, julgamento finalizado em 24.09.2026 (quinta-feira)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.844\/SP, relatora Ministra C\u00e1rmen L\u00facia, julgamento finalizado em 24.09.2026 (quinta-feira)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.848\/SP, relatora Ministra C\u00e1rmen L\u00facia, julgamento finalizado em 24.09.2026 (quinta-feira)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">5. A AUTORIZA\u00c7\u00c3O PARA ISENTAR QUE VIROU PRETEXTO PARA COBRAR<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 inconstitucional a interpreta\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usula de conv\u00eanio do CONFAZ que permita a estado-membro <strong>cobrar ICMS sobre a subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica repassada pela Uni\u00e3o \u00e0s concession\u00e1rias de energia<\/strong>: a verba pertence \u00e0 rela\u00e7\u00e3o administrativa entre poder concedente e prestadoras, <strong>e normas regulat\u00f3rias de tarifa n\u00e3o s\u00e3o isen\u00e7\u00e3o heter\u00f4noma<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 3.973\/DF, Rel. Min. Luiz Fux, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento virtual finalizado em 25\/9\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Conv\u00eanio ICMS 60\/2007 autorizava alguns estados a isentar a parcela da subven\u00e7\u00e3o da tarifa social de energia. Bahia e Rond\u00f4nia leram o texto pelo avesso: se havia autoriza\u00e7\u00e3o para isentar, a parcela seria tribut\u00e1vel por padr\u00e3o \u2014 e passaram a mirar os repasses que a Uni\u00e3o fazia a concession\u00e1rias como a Clar\u00e3o Energia para bancar o desconto dos consumidores de baixa renda. Autoriza\u00e7\u00e3o para dispensar o imposto pressup\u00f5e que ele incida, ou o conv\u00eanio n\u00e3o pode criar, por interpreta\u00e7\u00e3o, uma incid\u00eancia que a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 151, III, e 175; Lei n. 10.604\/2002, art. 5\u00ba; Conv\u00eanio ICMS n. 60\/2007, cl\u00e1usula primeira<\/strong> <em>(\u00e9 vedado \u00e0 Uni\u00e3o instituir isen\u00e7\u00f5es de tributos alheios; incumbe ao poder p\u00fablico a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos sob regime de concess\u00e3o; autorizada a subven\u00e7\u00e3o para a modicidade da tarifa da baixa renda; o conv\u00eanio autorizava estados a isentar a parcela subvencionada).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O modelo vigente desde 2002 compensa as concession\u00e1rias pelos \u00f4nus da pol\u00edtica tarif\u00e1ria social, via repasses da ANEEL: rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica entre Uni\u00e3o e prestadoras, voltada ao equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro da concess\u00e3o, sem repasse dos custos aos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O Plen\u00e1rio deu interpreta\u00e7\u00e3o conforme (inconstitucionalidade parcial sem redu\u00e7\u00e3o de texto) \u00e0 cl\u00e1usula primeira do Conv\u00eanio 60\/2007, afastando a leitura que permitia a Bahia e Rond\u00f4nia tributar a subven\u00e7\u00e3o; a pol\u00edtica de descontos fixada pela Uni\u00e3o tampouco configura isen\u00e7\u00e3o heter\u00f4noma, porque norma regulat\u00f3ria de tarifa n\u00e3o \u00e9 norma de isen\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A l\u00f3gica fazend\u00e1ria partia de uma infer\u00eancia: conv\u00eanio que autoriza isentar s\u00f3 faz sentido se a parcela for tribut\u00e1vel, <strong>de modo que a pr\u00f3pria exist\u00eancia da cl\u00e1usula provaria a incid\u00eancia do imposto<\/strong> sobre os repasses federais \u00e0s concession\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Para o Plen\u00e1rio, a infer\u00eancia esticava os conceitos nucleares do tributo: tomar a subven\u00e7\u00e3o como &#8220;valor da opera\u00e7\u00e3o&#8221; alargaria indevidamente <strong>as express\u00f5es que definem os aspectos material e quantitativo do ICMS<\/strong>, onerando uma verba de recomposi\u00e7\u00e3o contratual em preju\u00edzo da capacidade contributiva, da isonomia e do n\u00e3o confisco \u2014 e do pr\u00f3prio acesso \u00e0 energia barata que a pol\u00edtica social persegue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Quanto \u00e0 suposta isen\u00e7\u00e3o heter\u00f4noma, o ac\u00f3rd\u00e3o desfez a confus\u00e3o de planos: as resolu\u00e7\u00f5es da ANEEL e a pol\u00edtica tarif\u00e1ria da Uni\u00e3o <strong>regulam pre\u00e7o de servi\u00e7o concedido, n\u00e3o dispensam tributo estadual<\/strong>; os efeitos reflexos sobre a arrecada\u00e7\u00e3o n\u00e3o convertem norma regulat\u00f3ria em norma de isen\u00e7\u00e3o vedada pelo art. 151, III.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base em conv\u00eanio do CONFAZ que autoriza a isen\u00e7\u00e3o da parcela subvencionada da tarifa social de energia, estado-membro passa a exigir ICMS sobre os repasses da Uni\u00e3o \u00e0s concession\u00e1rias, ao argumento de que a autoriza\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e a incid\u00eancia. Conforme o STF, essa exig\u00eancia \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) leg\u00edtima, pois a cl\u00e1usula autorizativa de isen\u00e7\u00e3o evidencia que a parcela integra o campo de incid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) leg\u00edtima nos estados que n\u00e3o internalizaram a isen\u00e7\u00e3o autorizada pelo conv\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) ileg\u00edtima por configurar a pol\u00edtica tarif\u00e1ria da Uni\u00e3o isen\u00e7\u00e3o heter\u00f4noma vinculante para os estados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) ileg\u00edtima: a subven\u00e7\u00e3o pertence \u00e0 rela\u00e7\u00e3o administrativa entre a Uni\u00e3o e as concession\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) leg\u00edtima at\u00e9 a edi\u00e7\u00e3o de lei complementar que discipline a base de c\u00e1lculo do imposto no setor el\u00e9trico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A infer\u00eancia foi rejeitada: a exist\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o para isentar n\u00e3o cria incid\u00eancia, e l\u00ea-la assim alarga indevidamente os aspectos material e quantitativo do ICMS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A internaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 irrelevante para o ponto: a parcela n\u00e3o comp\u00f5e o valor da opera\u00e7\u00e3o mercantil em nenhum estado, e a interpreta\u00e7\u00e3o tributante da cl\u00e1usula foi afastada com efic\u00e1cia geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O fundamento da invalidade n\u00e3o foi isen\u00e7\u00e3o heter\u00f4noma \u2014 figura expressamente descartada, pois regular tarifa n\u00e3o equivale a dispensar tributo \u2014, e sim a natureza administrativa da verba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. A interpreta\u00e7\u00e3o conforme dada \u00e0 cl\u00e1usula primeira do Conv\u00eanio 60\/2007 excluiu a leitura tributante: o repasse federal \u00e0s concession\u00e1rias vive no plano do contrato de concess\u00e3o, longe do campo do imposto estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Nenhuma lacuna de lei complementar foi apontada; a exig\u00eancia cai por incompatibilidade direta com o desenho constitucional do imposto, n\u00e3o por falta de regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 inconstitucional a interpreta\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usula de Conv\u00eanio do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (CONFAZ) que permite ao estado-membro tributar, por meio do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS), subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica repassada pela Uni\u00e3o \u00e0s concession\u00e1rias de energia el\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, institu\u00edda para garantir a modicidade da tarifa de fornecimento de energia el\u00e9trica aos consumidores finais integrantes da Subclasse Residencial Baixa Renda (1), opera a partir do repasse de valores \u00e0s empresas concession\u00e1rias pela Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (ANEEL). Portanto, trata-se de uma rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica estabelecida entre a Uni\u00e3o e as concession\u00e1rias de energia el\u00e9trica, que s\u00e3o prestadoras de servi\u00e7o p\u00fablico, nos moldes do art. 175 da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse modelo foi implementado a partir de 2002 e representa uma compensa\u00e7\u00e3o financeira pelos \u00f4nus impostos pelo poder concedente \u00e0s empresas prestadoras do servi\u00e7o diante da mudan\u00e7a na pol\u00edtica tarif\u00e1ria. Trata-se, portanto, de verba para a manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro da aven\u00e7a, de maneira a n\u00e3o ocasionar o repasse das novas restri\u00e7\u00f5es \u00e0 cobran\u00e7a dos valores tarif\u00e1rios aos consumidores finais, preservando-se a pol\u00edtica de modicidade das tarifas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste cen\u00e1rio, incluir a subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica paga pela Uni\u00e3o \u00e0s concession\u00e1rias no \u00e2mbito de incid\u00eancia do ICMS seria alargar a compreens\u00e3o das express\u00f5es \u201csa\u00edda de mercadoria do estabelecimento comercial\u201d e \u201cvalor da opera\u00e7\u00e3o\u201d eleitas para definir os aspectos material e quantitativo do ICMS incidente sobre o fornecimento de energia el\u00e9trica. Isso levaria \u00e0 atribui\u00e7\u00e3o de \u00f4nus tribut\u00e1rios consider\u00e1veis, em detrimento de princ\u00edpios constitucionais caros ao sistema de prote\u00e7\u00e3o social do cidad\u00e3o, representados pela capacidade contributiva, isonomia e n\u00e3o confisco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, a quest\u00e3o discutida se enquadra no Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) n\u00ba 7: \u201cEnergia Acess\u00edvel e Limpa &#8211; Assegurar o acesso confi\u00e1vel, sustent\u00e1vel, moderno e a pre\u00e7o acess\u00edvel \u00e0 energia para todos\u201d. Os ODS podem servir como diretriz para a forma\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es judiciais em aten\u00e7\u00e3o ao art. 1\u00ba, III; e art. 3\u00ba, II, da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, a pol\u00edtica tarif\u00e1ria fixada pela Uni\u00e3o, com descontos a consumidores de baixa renda, n\u00e3o configura isen\u00e7\u00e3o heter\u00f4noma (CF\/1988, art. 151, III), pois as normas da ag\u00eancia reguladora n\u00e3o s\u00e3o normas de isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, ainda que produzam efeitos reflexos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o Fisco estadual e as concession\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, julgou procedente a a\u00e7\u00e3o para declarar a inconstitucionalidade parcial sem redu\u00e7\u00e3o de texto da Cl\u00e1usula Primeira do Conv\u00eanio ICMS n\u00ba 60\/2007 do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (2), de maneira a afastar a interpreta\u00e7\u00e3o que permita aos Estados da Bahia e de Rond\u00f4nia tributar por via do ICMS o valor da subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica repassado pela Uni\u00e3o \u00e0s concession\u00e1rias de energia el\u00e9trica, consoante a Lei n\u00ba 10.438\/2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Lei n\u00ba 10.604\/2002: \u201cArt. 5\u00ba. Fica autorizada a concess\u00e3o de subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com a finalidade de contribuir para a modicidade da tarifa de fornecimento de energia el\u00e9trica aos consumidores finais integrantes da Subclasse Residencial Baixa Renda a que se refere a Lei n\u00b0 10.438, de 2002, com efeito a partir da data de sua publica\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Conv\u00eanio ICMS n\u00ba 60\/2007 do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (CONFAZ): \u201cCl\u00e1usula primeira: Ficam os estados da Bahia, Minas Gerais, Rond\u00f4nia, Rio Grande do Sul e Santa Catarina autorizados a conceder isen\u00e7\u00e3o do ICMS relativo \u00e0 parcela da subven\u00e7\u00e3o da tarifa de energia el\u00e9trica estabelecida pelas Leis n\u00ba 10.604, de 17 de dezembro de 2002, e n\u00ba 12.212, de 20 de janeiro de 2010, no respectivo fornecimento a consumidores enquadrados na \u2018subclasse Residencial de Baixa Renda\u2019, de acordo com as condi\u00e7\u00f5es fixadas nas Resolu\u00e7\u00f5es n\u00ba 246, de 30 de abril de 2002, n\u00ba 485, de 29 de agosto de 2002 e n\u00ba 431, de 29 de mar\u00e7o de 2011, da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica &#8211; ANEEL. Par\u00e1grafo \u00fanico. A partir de 20 de janeiro de 2010, a defini\u00e7\u00e3o de Subclasse Residencial Baixa Renda, referida no <em>caput<\/em> desta cl\u00e1usula, passa a ser feita com base na Lei n\u00ba 12.212, de 20 de janeiro de 2010.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 3.973\/DF, relator Ministro Luiz Fux, julgamento virtual finalizado em 25.09.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">6. AS CUSTAS MAIS CARAS E O REL\u00d3GIO DOS NOVENTA DIAS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 constitucional a majora\u00e7\u00e3o de custas judiciais que guarde <strong>coer\u00eancia com o custo do servi\u00e7o, equival\u00eancia e limites m\u00ednimos e m\u00e1ximos adequados<\/strong>, preservados a gratuidade e o acesso \u00e0 justi\u00e7a; por terem natureza de taxa, <strong>as custas majoradas sujeitam-se \u00e0 anterioridade nonagesimal<\/strong>, com efic\u00e1cia fixada, no caso, a partir da data do julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.935\/ES, Rel. Min. C\u00e1rmen L\u00facia, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento finalizado em 23\/9\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Esp\u00edrito Santo encareceu o acesso ao balc\u00e3o do Judici\u00e1rio: al\u00edquota das custas de 2% para 2,5% do valor da causa (3% a partir de 2027), piso de 75 para 135 VRTEs, tetos aut\u00f4nomos de 20.000 VRTEs para a a\u00e7\u00e3o e para os recursos, cobran\u00e7a de 30% para a concilia\u00e7\u00e3o pr\u00e9-processual e custas no recurso inominado dos Juizados. A Cobraforte Cobran\u00e7as, frequentadora ass\u00eddua do foro capixaba, viu a conta de litigar subir em todas as frentes. Encarecer custas \u00e9 ped\u00e1gio inconstitucional \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o, ou pre\u00e7o leg\u00edtimo do servi\u00e7o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 145, II, e 150, III, c; Leis capixabas n. 12.695\/2025 e n. 12.861\/2026<\/strong> <em>(as taxas remuneram a utiliza\u00e7\u00e3o efetiva ou potencial de servi\u00e7os p\u00fablicos espec\u00edficos e divis\u00edveis; \u00e9 vedado cobrar tributos antes de noventa dias da publica\u00e7\u00e3o da lei que os instituiu ou aumentou; as leis estaduais majoraram al\u00edquotas, pisos e tetos das custas e despesas processuais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Custas e despesas processuais s\u00e3o taxas prestacionais, e sua fixa\u00e7\u00e3o observa equival\u00eancia, capacidade contributiva e veda\u00e7\u00e3o ao confisco, admitido o valor da causa como par\u00e2metro desde que com limites m\u00ednimos e m\u00e1ximos razo\u00e1veis (ADI 2.211, ADI 3.154, ADI 5.612, ADI 7.063, ADI 7.658).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O Plen\u00e1rio julgou improcedentes os pedidos e validou a majora\u00e7\u00e3o \u2014 inclu\u00eddas as custas da concilia\u00e7\u00e3o pr\u00e9-processual (30% do valor do ajuizamento), as do recurso inominado nos Juizados e o complemento por retifica\u00e7\u00e3o do valor da causa \u2014, fixando, por\u00e9m, a efic\u00e1cia da Lei n. 12.695\/2025 a partir de 23\/9\/2026, data do julgamento da ADI, para prevenir cobran\u00e7as retroativas no intervalo entre a noventena e a decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A a\u00e7\u00e3o enxergava na escalada de valores um obst\u00e1culo ao jurisdicionado: al\u00edquota maior, piso quase dobrado, <strong>custas at\u00e9 para tentar conciliar antes do processo<\/strong> \u2014 um conjunto que, no argumento, transformaria a porta do Judici\u00e1rio capixaba em catraca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Na avalia\u00e7\u00e3o da Corte, os n\u00fameros passaram pelos testes que a jurisprud\u00eancia cobra das taxas judici\u00e1rias: h\u00e1 correla\u00e7\u00e3o com o custo do aparato, <strong>tetos que impedem o confisco nas causas milion\u00e1rias e pisos que n\u00e3o barram as pequenas<\/strong>, al\u00e9m das isen\u00e7\u00f5es e da gratuidade preservadas \u2014 e cobrar pela estrutura de concilia\u00e7\u00e3o ou pelo recurso inominado remunera servi\u00e7o espec\u00edfico efetivamente prestado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O ponto em que o tempo importou foi o da vig\u00eancia: taxa majorada respeita a noventena, e, como o prazo j\u00e1 se consumara durante o processo, <strong>o Plen\u00e1rio fixou a efic\u00e1cia da majora\u00e7\u00e3o na data do pr\u00f3prio julgamento<\/strong>, evitando cobran\u00e7as retroativas e disputas sobre complementa\u00e7\u00e3o de valores recolhidos no intervalo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei estadual majora custas judiciais elevando al\u00edquota sobre o valor da causa, piso e tetos, e cria custas para a concilia\u00e7\u00e3o pr\u00e9-processual e para o recurso inominado nos Juizados. \u00c0 luz do decidido pelo STF na ADI 7.935:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) h\u00e1 inconstitucionalidade na cobran\u00e7a da fase pr\u00e9-processual, que oneraria o acesso \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) as custas de concilia\u00e7\u00e3o dependem de lei complementar federal, embora v\u00e1lido o restante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) falta \u00e0 lei a atualiza\u00e7\u00e3o equivalente das hip\u00f3teses de gratuidade, o que a invalida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) a cobran\u00e7a pode retroagir \u00e0 data do fim da noventena, consumada antes do julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00e9 constitucional a majora\u00e7\u00e3o, observadas equival\u00eancia, limites adequados e a anterioridade nonagesimal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A cobran\u00e7a de 30% para a concilia\u00e7\u00e3o pr\u00e9-processual foi expressamente validada: remunera a utiliza\u00e7\u00e3o dos centros de concilia\u00e7\u00e3o, servi\u00e7o espec\u00edfico e divis\u00edvel posto \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Nenhuma reserva de lei complementar federal foi exigida; a disciplina coube \u00e0 lei estadual, controlada pelos princ\u00edpios constitucionais das taxas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. As hip\u00f3teses de isen\u00e7\u00e3o e a gratuidade de justi\u00e7a foram preservadas pela pr\u00f3pria lei, e essa preserva\u00e7\u00e3o pesou a favor da constitucionalidade da majora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Foi o oposto: para prevenir cobran\u00e7as retroativas e disputas de complementa\u00e7\u00e3o, a efic\u00e1cia da majora\u00e7\u00e3o ficou fixada na data do julgamento, n\u00e3o no termo final da noventena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. A majora\u00e7\u00e3o coerente com o custo da atividade estatal, com equival\u00eancia e limites adequados, \u00e9 constitucional \u2014 e, dada a natureza de taxa, submete-se \u00e0 anterioridade nonagesimal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 constitucional \u2013 desde que guarde coer\u00eancia com o custo da atividade estatal prestada, respeite os princ\u00edpios da equival\u00eancia e do acesso \u00e0 justi\u00e7a e estabele\u00e7a limites m\u00ednimos e m\u00e1ximos adequados \u2013 a majora\u00e7\u00e3o de custas judiciais e despesas processuais, observada a anterioridade nonagesimal tribut\u00e1ria (CF\/1988, art. 150, III, c).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As custas e despesas processuais possuem natureza tribut\u00e1ria de taxa prestacional vinculada \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o efetiva ou potencial de servi\u00e7os p\u00fablicos judici\u00e1rios espec\u00edficos e divis\u00edveis (1). Por consubstanciarem retribui\u00e7\u00e3o aos custos da mobiliza\u00e7\u00e3o do aparato estatal, a fixa\u00e7\u00e3o de suas al\u00edquotas e valores deve observar os princ\u00edpios da equival\u00eancia, da capacidade contributiva e da veda\u00e7\u00e3o ao confisco, sendo leg\u00edtima a utiliza\u00e7\u00e3o do valor da causa como par\u00e2metro referencial, desde que estabelecidos limites m\u00ednimos e m\u00e1ximos razo\u00e1veis (2).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a eleva\u00e7\u00e3o da al\u00edquota das custas do ju\u00edzo comum de 2% para 2,5% e, a partir de 2027, 3% sobre o valor da causa, a eleva\u00e7\u00e3o do piso de 75 para 135 VRTEs (Valor de Refer\u00eancia do Tesouro Estadual) e a fixa\u00e7\u00e3o de tetos aut\u00f4nomos de 20.000 VRTEs para a a\u00e7\u00e3o e para os recursos n\u00e3o configuram majora\u00e7\u00e3o abusiva nem \u00f3bice ao acesso \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o, mormente diante da preserva\u00e7\u00e3o das hip\u00f3teses de isen\u00e7\u00e3o e da gratuidade de justi\u00e7a. Ademais, revela-se constitucional a fixa\u00e7\u00e3o de custas para a utiliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os dos centros de concilia\u00e7\u00e3o na fase pr\u00e9-processual em 30% do valor que seria devido para o ajuizamento da demanda, a incid\u00eancia de custas para a interposi\u00e7\u00e3o de recurso inominado nos Juizados Especiais e a exig\u00eancia de complemento em raz\u00e3o da retifica\u00e7\u00e3o do valor da causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por terem natureza tribut\u00e1ria, as custas judiciais majoradas sujeitam-se \u00e0 anterioridade nonagesimal (3). Embora j\u00e1 se tenha consumado o prazo de noventa dias contado da publica\u00e7\u00e3o da Lei estadual n\u00ba 12.695\/2025, imp\u00f5e-se fixar a efic\u00e1cia da majora\u00e7\u00e3o das custas a partir da data do julgamento da a\u00e7\u00e3o direta, a fim de conferir estabilidade \u00e0s rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, prevenir cobran\u00e7as retroativas e evitar disputas quanto \u00e0 complementa\u00e7\u00e3o de valores recolhidos entre a conclus\u00e3o da noventena e o julgamento desta a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, converteu a aprecia\u00e7\u00e3o da medida cautelar em julgamento de m\u00e9rito e julgou improcedentes os pedidos formulados na a\u00e7\u00e3o direta, reconhecendo a constitucionalidade da Lei n\u00ba 12.695\/2025 e da Lei n\u00ba 12.861\/2026, ambas do Estado do Esp\u00edrito Santo, e fixou que a majora\u00e7\u00e3o decorrente da Lei n\u00ba 12.695\/2025 produz efeitos a partir de 23.09.2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: \u201cArt. 145. A Uni\u00e3o, os estados, o Distrito Federal e os Munic\u00edpios poder\u00e3o instituir os seguintes tributos: (&#8230;) II &#8211; taxas, em raz\u00e3o do exerc\u00edcio do poder de pol\u00edcia ou pela utiliza\u00e7\u00e3o, efetiva ou potencial, de servi\u00e7os p\u00fablicos espec\u00edficos e divis\u00edveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposi\u00e7\u00e3o;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADI 2.211, ADI 3.154, ADI 5.612, ADI 7.063 e ADI 7.658.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) CF\/1988: \u201cArt. 150. Sem preju\u00edzo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, \u00e9 vedado \u00e0 Uni\u00e3o, aos estados, ao Distrito Federal e aos Munic\u00edpios: (&#8230;) III &#8211; cobrar tributos: (&#8230;) c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na al\u00ednea b;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.935\/ES, relatora Ministra C\u00e1rmen L\u00facia, julgamento finalizado em 23.09.2026 (quarta-feira)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-a4ba97e2-2252-4b87-8435-949a61a13ee3\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/10\/07021330\/stf-info-1231.pdf\">STF &#8211; Info 1231<\/a><a 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