{"id":1800967,"date":"2026-08-24T07:54:39","date_gmt":"2026-08-24T10:54:39","guid":{"rendered":"https:\/\/concursos.estrategia.com\/portal\/?p=1800967"},"modified":"2026-08-24T07:54:42","modified_gmt":"2026-08-24T10:54:42","slug":"informativo-stj-897-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/concursos.estrategia.com\/portal\/informativo-stj-897-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 897 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/08\/24075218\/stj-info-897.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL__7AzcI2PA_8\"><div id=\"lyte__7AzcI2PA_8\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/_7AzcI2PA_8\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><button tabindex=\"0\" class=\"play\"><\/button><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/_7AzcI2PA_8\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/_7AzcI2PA_8\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-progressao-especial-e-o-conceito-de-organizacao-criminosa-tema-1374\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp; PROGRESS\u00c3O ESPECIAL E O CONCEITO DE ORGANIZA\u00c7\u00c3O CRIMINOSA (TEMA 1374)<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em aten\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios da legalidade, da taxatividade e do <em>favor rei<\/em>, <strong>o art. 112, \u00a7 3\u00ba, V, da LEP interpreta-se restritivamente<\/strong>: organiza\u00e7\u00e3o criminosa \u00e9 a hip\u00f3tese de condena\u00e7\u00e3o nos termos da Lei n. 12.850\/2013, <strong>N\u00c3O abrangendo a apenada que participou de associa\u00e7\u00e3o criminosa (art. 288 do CP) ou de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico (art. 35 da Lei n. 11.343\/2006)<\/strong> (Tema 1374).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.204.349-MG, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 12\/8\/2026 (Tema 1374).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chiquinha, m\u00e3e de uma menina pequena, cumpria pena pelo delito do art. 35 da Lei de Drogas (associar-se para o tr\u00e1fico) e preenchia os demais requisitos da progress\u00e3o especial criada para gestantes, m\u00e3es e respons\u00e1veis por crian\u00e7as (LEP, art. 112, \u00a7 3\u00ba). O ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o negou o benef\u00edcio: quem se associa para traficar &#8220;integra organiza\u00e7\u00e3o criminosa&#8221;, e o inciso V do dispositivo barra a progress\u00e3o nessa hip\u00f3tese. O grupo do tr\u00e1fico e a organiza\u00e7\u00e3o criminosa s\u00e3o a mesma coisa para a LEP?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LEP, art. 112, \u00a7 3\u00ba, V<\/strong> <em>(a progress\u00e3o especial da gestante, m\u00e3e ou respons\u00e1vel por crian\u00e7as ou pessoas com defici\u00eancia exige, entre outros requisitos, n\u00e3o ter a apenada integrado organiza\u00e7\u00e3o criminosa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 12.850\/2013, art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba<\/strong> <em>(define organiza\u00e7\u00e3o criminosa: associa\u00e7\u00e3o de 4 ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divis\u00e3o de tarefas, para obter vantagem mediante a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00f5es com penas m\u00e1ximas superiores a 4 anos ou de car\u00e1ter transnacional).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A express\u00e3o do inciso V \u00e9 norma penal em branco: o complemento vem da pr\u00f3pria Lei n. 12.850\/2013, e n\u00e3o de uma no\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica que abarcaria toda esp\u00e9cie de agrupamento criminoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Vedada a interpreta\u00e7\u00e3o extensiva <em>in malam partem<\/em> de requisito que restringe benef\u00edcio execut\u00f3rio criado para proteger crian\u00e7as e pessoas com defici\u00eancia, vulner\u00e1veis pela reclus\u00e3o de suas m\u00e3es ou respons\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Havendo mais de uma defini\u00e7\u00e3o poss\u00edvel no ordenamento, toma-se o termo na acep\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel \u00e0 acusada, por for\u00e7a do <em>favor rei<\/em>; condena\u00e7\u00f5es pelos arts. 288 do CP e 35 da Lei n. 11.343\/2006 n\u00e3o impedem a progress\u00e3o especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A leitura ampliativa tinha apelo de pol\u00edtica criminal: quem se junta a grupo est\u00e1vel para delinquir <strong>demonstraria o v\u00ednculo com o crime que o benef\u00edcio quis afastar<\/strong>, pouco importando o r\u00f3tulo formal da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Terceira Se\u00e7\u00e3o devolveu a quest\u00e3o ao terreno da legalidade: <strong>o legislador escolheu um termo com defini\u00e7\u00e3o legal pr\u00f3pria<\/strong>, e a taxatividade impede que o int\u00e9rprete o estique para alcan\u00e7ar figuras vizinhas, como a associa\u00e7\u00e3o criminosa e a associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Poderia restar a d\u00favida sistem\u00e1tica: se os grupos se parecem tanto, <strong>a distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o beiraria a incoer\u00eancia legislativa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Ainda que houvesse incoer\u00eancia, a r\u00e9gua \u00e9 o <em>favor rei<\/em>: entre acep\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, prevalece a mais favor\u00e1vel. E aqui o vetor se refor\u00e7a, porque <strong>a norma protege as crian\u00e7as e pessoas com defici\u00eancia atingidas pela pris\u00e3o de quem cuida delas<\/strong>, raz\u00e3o pela qual o requisito restritivo se l\u00ea no seu tamanho exato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao requisito de &#8220;n\u00e3o ter integrado organiza\u00e7\u00e3o criminosa&#8221; para a progress\u00e3o especial da apenada gestante, m\u00e3e ou respons\u00e1vel por crian\u00e7as (LEP, art. 112, \u00a7 3\u00ba, V):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) alcan\u00e7a a condena\u00e7\u00e3o por associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico, grupo est\u00e1vel voltado ao com\u00e9rcio de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) abrange as figuras associativas em geral, express\u00e3o gen\u00e9rica de v\u00ednculo com a criminalidade organizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) admite leitura extensiva quando o ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o identificar periculosidade concreta da apenada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) depende de condena\u00e7\u00e3o transitada em julgado por crime hediondo praticado no seio do agrupamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) restringe-se \u00e0 condena\u00e7\u00e3o nos termos da Lei n. 12.850\/2013, interpreta\u00e7\u00e3o imposta pela legalidade e pelo <em>favor rei<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O Tema 1374 exclui expressamente do conceito a associa\u00e7\u00e3o voltada ao com\u00e9rcio de drogas: o tipo do art. 35 da lei especial n\u00e3o se confunde com a organiza\u00e7\u00e3o criminosa definida em diploma pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A Terceira Se\u00e7\u00e3o afastou a leitura gen\u00e9rica: o inciso V \u00e9 norma penal em branco cujo complemento \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 12.850\/2013, e n\u00e3o um r\u00f3tulo abrangedor de qualquer agrupamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Interpreta\u00e7\u00e3o extensiva <em>in malam partem<\/em> \u00e9 vedada na defini\u00e7\u00e3o de requisito que restringe benef\u00edcio execut\u00f3rio; ju\u00edzos de periculosidade n\u00e3o autorizam alargar o texto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O requisito legal n\u00e3o exige hediondez nem qualquer qualifica\u00e7\u00e3o adicional do crime: o que importa \u00e9 a condena\u00e7\u00e3o enquadrada, ou n\u00e3o, na lei das organiza\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. \u00c9 a tese do Tema 1374: em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 legalidade, \u00e0 taxatividade e ao <em>favor rei<\/em>, organiza\u00e7\u00e3o criminosa \u00e9 a hip\u00f3tese de condena\u00e7\u00e3o pela Lei n. 12.850\/2013, sem alcan\u00e7ar a associa\u00e7\u00e3o criminosa nem a associa\u00e7\u00e3o voltada ao tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos consiste em definir se o delito de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico de drogas (art. 35 da Lei n. 11.343\/2006) equipara-se ao crime de organiza\u00e7\u00e3o criminosa (art. 2\u00ba da Lei n. 12.850\/2013), de modo a impedir a progress\u00e3o especial de regime prevista no art. 112, \u00a7 3\u00ba, da Lei n. 7.210\/1984 destinada a apenada gestante, m\u00e3e ou respons\u00e1vel por crian\u00e7as ou pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso posto, tem-se que a literalidade do art. 112, \u00a7 3\u00ba, V, da Lei Execu\u00e7\u00e3o Penal n\u00e3o permite interpreta\u00e7\u00e3o extensiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a previs\u00e3o de &#8220;n\u00e3o ter integrado organiza\u00e7\u00e3o criminosa&#8221; n\u00e3o implica express\u00e3o gen\u00e9rica abrangedora de todas as esp\u00e9cies de grupos criminosos, mas, sim, de norma penal em branco, cuja subsun\u00e7\u00e3o perfeita dos fatos ao tipo penal exige uma complementa\u00e7\u00e3o advinda de lei federal. E esse complemento j\u00e1 existe: art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 12.850\/2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o conceito de organiza\u00e7\u00e3o criminosa apresentado pelo legislador nesse dispositivo, em respeito ao princ\u00edpio da taxatividade, corol\u00e1rio do postulado da legalidade (estrita), demonstra quais os agrupamentos de pessoas devem ser objeto de alcance da referida lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a veda\u00e7\u00e3o \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o extensiva <em>in malam partem<\/em> fica ainda mais evidente quando se trata de definir requisito que restringe a aplica\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio execut\u00f3rio implementado por lei cuja finalidade \u00e9 aumentar o \u00e2mbito de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as ou pessoas com defici\u00eancia, as quais se encontram em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade em raz\u00e3o de suas genitoras ou respons\u00e1veis se encontrarem reclusas em estabelecimentos prisionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, se houver, por parte do legislador, incoer\u00eancia legislativa ou se o ordenamento jur\u00eddico brasileiro possuir mais de uma defini\u00e7\u00e3o para o que vem a ser organiza\u00e7\u00e3o criminosa, deve-se, de toda sorte, tomar o termo em sua acep\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel \u00e0 acusada, em aten\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio do <em>favor rei<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ante o exposto, fixa-se a seguinte tese para o tema 1374\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em aten\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios da legalidade, da taxatividade e do <em>favor rei<\/em>, a interpreta\u00e7\u00e3o do art. 112, \u00a7 3\u00b0, V, da LEP deve se dar de modo restritivo. Portanto, organiza\u00e7\u00e3o criminosa \u00e9 somente a hip\u00f3tese de condena\u00e7\u00e3o nos termos da Lei n. 12.850\/2013, n\u00e3o abrangendo apenada que tenha participado de associa\u00e7\u00e3o criminosa (art. 288 do CP) ou associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico (art. 35 da Lei n. 11.343\/2006).<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-nbsp-prazo-em-dobro-dos-nucleos-de-pratica-juridica-no-processo-penal\" class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; PRAZO EM DOBRO DOS N\u00daCLEOS DE PR\u00c1TICA JUR\u00cdDICA NO PROCESSO PENAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(1) O prazo em dobro dos n\u00facleos de pr\u00e1tica jur\u00eddica das faculdades de direito (CPC, art. 186, \u00a7 3\u00ba) <strong>aplica-se, por analogia, ao processo penal<\/strong> (CPP, art. 3\u00ba); (2) em mat\u00e9ria penal, os advogados desses n\u00facleos <strong>equiparam-se \u00e0 Defensoria P\u00fablica quanto \u00e0 intima\u00e7\u00e3o pessoal<\/strong>, prevalecendo a data do chamado eletr\u00f4nico dirigido ao n\u00facleo como termo inicial do prazo recursal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EAREsp 2.841.872-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 5\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem dinheiro para advogado, Creitinho foi defendido no processo criminal pelo n\u00facleo de pr\u00e1tica jur\u00eddica de uma faculdade privada. Na hora de recorrer, a d\u00favida dupla: o prazo conta simples ou em dobro? E corre da intima\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica dirigida ao n\u00facleo ou da publica\u00e7\u00e3o no Di\u00e1rio de Justi\u00e7a? A acusa\u00e7\u00e3o sustentou que a regra do CPC sobre a duplica\u00e7\u00e3o de prazos \u00e9 mat\u00e9ria civil, inaplic\u00e1vel ao feito criminal. A diverg\u00eancia entre julgados levou o tema \u00e0 Corte Especial. ASDFG<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 186, \u00a7 3\u00ba<\/strong> <em>(o prazo em dobro da Defensoria P\u00fablica aplica-se aos escrit\u00f3rios de pr\u00e1tica jur\u00eddica das faculdades de direito reconhecidas na forma da lei e \u00e0s entidades que prestam assist\u00eancia jur\u00eddica gratuita por conv\u00eanio).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 3\u00ba<\/strong> <em>(a lei processual penal admite interpreta\u00e7\u00e3o extensiva e aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica, bem como o suplemento dos princ\u00edpios gerais de direito).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A analogia com o processo civil s\u00f3 cabe diante de lacuna: onde o processo penal tem regra espec\u00edfica, como na contagem em dias corridos, a legisla\u00e7\u00e3o civil n\u00e3o entra. Sobre o prazo em dobro dos n\u00facleos, por\u00e9m, o CPP silencia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A prerrogativa compensa a estrutura limitada dos n\u00facleos e efetiva o acesso \u00e0 justi\u00e7a; com maior raz\u00e3o incide no processo penal, em que est\u00e1 em jogo a liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O termo inicial do prazo recursal \u00e9 a data da intima\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica do n\u00facleo pelo portal, pois seus advogados se equiparam \u00e0 Defensoria P\u00fablica quanto \u00e0 prerrogativa da intima\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O argumento contr\u00e1rio tinha lastro dogm\u00e1tico: prerrogativas processuais s\u00e3o regras de exce\u00e7\u00e3o, <strong>interpretam-se restritivamente e n\u00e3o migram de um ramo a outro<\/strong> sem texto expresso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Corte Especial encontrou a ponte no pr\u00f3prio CPP: o art. 3\u00ba manda usar a analogia onde houver lacuna, <strong>e sobre os n\u00facleos de pr\u00e1tica o processo penal nada disp\u00f5e<\/strong>. O contraexemplo da contagem em dias \u00fateis confirma o m\u00e9todo: l\u00e1 existe regra penal pr\u00f3pria; aqui, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Restava o corte subjetivo: faculdade privada n\u00e3o \u00e9 Defensoria, <strong>e estender prerrogativa p\u00fablica a ente particular soaria como privil\u00e9gio<\/strong> sem justificativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A raz\u00e3o da norma desfez a obje\u00e7\u00e3o: o que se compensa \u00e9 a estrutura limitada de quem presta assist\u00eancia gratuita, <strong>fun\u00e7\u00e3o id\u00eantica qualquer que seja a natureza da institui\u00e7\u00e3o de ensino<\/strong>; e, tratando-se de liberdade individual, o refor\u00e7o da defesa incide com raz\u00e3o redobrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No processo penal em que a parte \u00e9 patrocinada por n\u00facleo de pr\u00e1tica jur\u00eddica de faculdade privada, o prazo recursal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) conta-se de forma simples, restrita a prerrogativa do art. 186, \u00a7 3\u00ba, do CPC aos feitos de natureza c\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) conta-se em dobro, aplicada por analogia a regra do CPC diante do sil\u00eancio da legisla\u00e7\u00e3o processual penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) depende da natureza p\u00fablica da institui\u00e7\u00e3o de ensino \u00e0 qual o n\u00facleo esteja vinculado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) flui da publica\u00e7\u00e3o do ato no Di\u00e1rio de Justi\u00e7a Eletr\u00f4nico, marco que prevalece sobre a intima\u00e7\u00e3o pelo portal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) segue a contagem em dias \u00fateis, incorporada ao processo penal pela mesma via anal\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A Corte Especial estendeu a prerrogativa aos feitos criminais: onde a liberdade est\u00e1 em jogo, a amplitude da defesa incide com maior raz\u00e3o, e o CPP n\u00e3o traz regra espec\u00edfica que bloqueie a analogia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Foi a tese do EAREsp 2.841.872: inexistindo norma pr\u00f3pria no CPP sobre o prazo dos n\u00facleos de pr\u00e1tica jur\u00eddica, aplica-se o art. 186, \u00a7 3\u00ba, do CPC, por for\u00e7a do art. 3\u00ba do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O precedente dispensa a natureza estatal da institui\u00e7\u00e3o: a prerrogativa compensa a estrutura enxuta dos n\u00facleos que atendem gratuitamente, seja a faculdade p\u00fablica ou privada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Em mat\u00e9ria penal, os advogados dos n\u00facleos se equiparam \u00e0 Defensoria quanto \u00e0 intima\u00e7\u00e3o pessoal; o prazo corre da comunica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica recebida pelo n\u00facleo no portal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A contagem em dias \u00fateis \u00e9 o exemplo cl\u00e1ssico de analogia vedada: o processo penal tem regra espec\u00edfica de contagem, e nesse ponto a legisla\u00e7\u00e3o civil n\u00e3o penetra.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se, em processo criminal no qual a parte \u00e9 patrocinada por n\u00facleo de pr\u00e1tica jur\u00eddica de faculdade de direito, (a) o prazo recursal deve ser contado de forma simples ou em dobro; e (b) deve ser considerada, como termo inicial, a data da intima\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica ou a da publica\u00e7\u00e3o do ato impugnado no Di\u00e1rio de Justi\u00e7a Eletr\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Corte Especial concluiu que, com a entrada em vigor do art. 186, \u00a7 3\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil, aplica-se o prazo em dobro para manifesta\u00e7\u00e3o dos escrit\u00f3rios de pr\u00e1tica jur\u00eddica das faculdades de direito reconhecidas na forma da lei, independentemente da natureza estatal das referidas institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que esse entendimento foi fixado em processos de natureza c\u00edvel, permanecendo controvertida a incid\u00eancia do art. 186, \u00a7 3\u00ba, do CPC em feitos criminais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A esse respeito, o art. 3\u00ba do C\u00f3digo de Processo Penal preceitua que &#8220;[a] lei processual penal admitir\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o extensiva e aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica, bem como o suplemento dos princ\u00edpios gerais de direito&#8221;. Todavia, ressalte-se que a utiliza\u00e7\u00e3o do processo de integra\u00e7\u00e3o da lei processual penal mediante a aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o processual civil somente \u00e9 poss\u00edvel quando houver lacuna legal, sendo indevida a analogia na hip\u00f3tese de existir regramento espec\u00edfico no processo penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa dire\u00e7\u00e3o, a impossibilidade de contagem do prazo processual penal em dias \u00fateis, nos termos do CPC, \u00e9 exemplo cl\u00e1ssico da inviabilidade de aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o processual civil quando h\u00e1 norma espec\u00edfica no processo penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, inexistindo norma espec\u00edfica no CPP e na legisla\u00e7\u00e3o processual correlata sobre a prerrogativa da contagem do prazo em dobro para os n\u00facleos de pr\u00e1tica de jur\u00eddica de institui\u00e7\u00f5es de ensino, ainda que privadas, deve-se aplicar, por analogia, o art. 186, \u00a7 3\u00ba, do CPC, nos termos do art. 3\u00ba do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o art. 186, \u00a7 3\u00ba, do CPC, ao ampliar o alcance da prerrogativa da Defensoria P\u00fablica, busca compensar a estrutura limitada dos n\u00facleos de pr\u00e1tica jur\u00eddica, de modo a garantir condi\u00e7\u00f5es de igualdade na defesa dos assistidos, efetivando o princ\u00edpio constitucional de acesso \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, tratando-se de dispositivo que cont\u00e9m regra processual geral, aplic\u00e1vel a todos os n\u00facleos de pr\u00e1tica jur\u00eddica de institui\u00e7\u00f5es de ensino, n\u00e3o h\u00e1 justificativas ou impedimentos legais \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o em feitos de natureza penal. Ali\u00e1s, com maior raz\u00e3o o art. 186, \u00a7 3\u00ba, do CPC deve incidir nos processos criminais, que, por repercutirem diretamente na liberdade individual, exigem maior prote\u00e7\u00e3o e amplitude do direito de defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deve prevalecer, portanto, o entendimento no sentido de que, no processo penal, a prerrogativa da contagem dos prazos em dobro estende-se aos n\u00facleos de pr\u00e1tica jur\u00eddica vinculados \u00e0 institui\u00e7\u00e3o de ensino superior, ainda que privada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, no que se refere ao termo inicial da contagem do prazo recursal, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 pac\u00edfica no sentido de que, em mat\u00e9ria penal, os advogados integrantes de n\u00facleos de pr\u00e1tica jur\u00eddica equiparam-se \u00e0 Defensoria P\u00fablica no tocante \u00e0 prerrogativa da intima\u00e7\u00e3o pessoal dos atos processuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, deve prevalecer a compreens\u00e3o que considera a data da intima\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica do n\u00facleo de pr\u00e1tica jur\u00eddica para a contagem do prazo recursal.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-imprescritibilidade-e-os-crimes-de-maio\" class=\"wp-block-heading\">3. IMPRESCRITIBILIDADE E OS &#8220;CRIMES DE MAIO&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prescri\u00e7\u00e3o quinquenal do art. 1\u00ba do Decreto n. 20.910\/1932 <strong>N\u00c3O se aplica \u00e0s pretens\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o civil decorrentes dos &#8220;Crimes de Maio&#8221;<\/strong> (maio de 2006, em S\u00e3o Paulo): diante de graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, a regra \u00e9 incompat\u00edvel com os compromissos internacionais do Brasil, <strong>impondo-se o controle de convencionalidade<\/strong> \u00e0 luz da Conven\u00e7\u00e3o Americana sobre Direitos Humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.172.497-SP, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 12\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em maio de 2006, em repres\u00e1lia aos ataques do PCC, opera\u00e7\u00f5es policiais em S\u00e3o Paulo deixaram mais de 564 mortos, 110 feridos e ao menos 4 desaparecidos, com laudos apontando disparos em regi\u00f5es vitais e v\u00edtimas majoritariamente jovens, negras e perif\u00e9ricas. O Minist\u00e9rio P\u00fablico paulista ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica de repara\u00e7\u00e3o, e as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias aplicaram a prescri\u00e7\u00e3o de cinco anos das a\u00e7\u00f5es contra o Estado. A Defensoria, assistente litisconsorcial, levou a controv\u00e9rsia ao STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Decreto n. 20.910\/1932, art. 1\u00ba; CF, art. 37, \u00a7 6\u00ba<\/strong> <em>(as a\u00e7\u00f5es contra a Fazenda P\u00fablica prescrevem em cinco anos; o Estado responde objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a terceiros).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A S\u00famula 647\/STJ consagra a imprescritibilidade das indeniza\u00e7\u00f5es por persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no regime militar, e o STJ j\u00e1 a estendera a atos de tortura praticados em plena democracia (REsp 1.454.807).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A Corte Interamericana de Direitos Humanos (casos Fazenda Brasil Verde e Favela Nova Bras\u00edlia) amplia a imprescritibilidade a viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas e graves, ainda que n\u00e3o configurem crimes de lesa-humanidade; a Recomenda\u00e7\u00e3o CNJ n. 123\/2022 orienta o controle de convencionalidade pelas cortes brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Diante de execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias, car\u00e1ter discriminat\u00f3rio das opera\u00e7\u00f5es e aus\u00eancia de investiga\u00e7\u00e3o efetiva, a pretens\u00e3o reparat\u00f3ria \u00e9 imprescrit\u00edvel; os autos retornam \u00e0 origem para julgamento do m\u00e9rito, afastada a prescri\u00e7\u00e3o quinquenal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A defesa da prescri\u00e7\u00e3o invocava a seguran\u00e7a jur\u00eddica: o quinqu\u00eanio do Decreto n. 20.910\/1932 vale para todas as a\u00e7\u00f5es contra o Estado, e <strong>a exce\u00e7\u00e3o conhecida ficava confinada \u00e0s viola\u00e7\u00f5es do regime de exce\u00e7\u00e3o<\/strong>, como haviam decidido as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A maioria da Primeira Se\u00e7\u00e3o recusou o corte temporal: o que torna a pretens\u00e3o imprescrit\u00edvel <strong>\u00e9 a gravidade da viola\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a data do regime pol\u00edtico<\/strong>; tortura e execu\u00e7\u00e3o extrajudicial n\u00e3o mudam de natureza por ocorrerem na democracia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Pesava ainda o receio institucional: afastar prescri\u00e7\u00e3o por princ\u00edpios abriria <strong>uma cl\u00e1usula geral de imprescritibilidade contra a Fazenda<\/strong>, corroendo o regime legal das a\u00e7\u00f5es indenizat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O julgado delimita o alcance: o afastamento opera diante de viola\u00e7\u00f5es graves e sistem\u00e1ticas de direitos humanos, <strong>\u00e0 luz dos compromissos assumidos pelo Brasil no Pacto de San Jos\u00e9<\/strong> e da jurisprud\u00eancia interamericana; fora desse n\u00facleo, o quinqu\u00eanio permanece de p\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a pretens\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o civil contra o Estado por graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos praticadas por for\u00e7as policiais em per\u00edodo democr\u00e1tico:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 imprescrit\u00edvel, por incompatibilidade da prescri\u00e7\u00e3o quinquenal com os padr\u00f5es internacionais de prote\u00e7\u00e3o aos direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) prescreve em cinco anos, na forma do Decreto n. 20.910\/1932, aplic\u00e1vel \u00e0s demandas indenizat\u00f3rias contra a Fazenda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) sujeita-se \u00e0 imprescritibilidade reservada \u00e0s viola\u00e7\u00f5es praticadas durante o regime militar, na linha da S\u00famula 647\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) depende de pr\u00e9via condena\u00e7\u00e3o penal dos agentes envolvidos para que a repara\u00e7\u00e3o possa ser perseguida sem limite temporal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) prescreve no prazo comum do C\u00f3digo Civil, deslocada a controv\u00e9rsia do regime especial das a\u00e7\u00f5es contra o Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. No REsp 2.172.497, a Primeira Se\u00e7\u00e3o afastou o art. 1\u00ba do Decreto n. 20.910\/1932 no contexto dos &#8220;Crimes de Maio&#8221;, aplicando o controle de convencionalidade em sintonia com a Corte Interamericana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A regra quinquenal cede diante de execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias, desaparecimentos for\u00e7ados e viol\u00eancia sist\u00eamica: obst\u00e1culos processuais n\u00e3o podem inviabilizar o acesso das v\u00edtimas \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O marco n\u00e3o \u00e9 o regime pol\u00edtico: o STJ j\u00e1 reconhecera a imprescritibilidade de indeniza\u00e7\u00e3o por tortura praticada na plenitude democr\u00e1tica, e o precedente estende a l\u00f3gica \u00e0s viola\u00e7\u00f5es de 2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A responsabilidade civil do Estado \u00e9 objetiva (CF, art. 37, \u00a7 6\u00ba) e independe de condena\u00e7\u00e3o penal dos agentes; a aus\u00eancia de investiga\u00e7\u00e3o efetiva foi, ali\u00e1s, um dos fundamentos da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A controv\u00e9rsia permaneceu no regime das a\u00e7\u00f5es contra a Fazenda; o que se decidiu foi a inaplicabilidade da prescri\u00e7\u00e3o \u00e0quele contexto de graves viola\u00e7\u00f5es, n\u00e3o a troca do diploma regente.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia cinge-se a debater a responsabilidade civil do Estado e a aplica\u00e7\u00e3o da norma infraconstitucional, especificamente a incid\u00eancia ou n\u00e3o do art. 1\u00ba do Decreto n. 20.910\/1932, que estabelece um prazo prescricional de 5 (cinco) anos para a repara\u00e7\u00e3o civil de danos em face do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o refere-se a uma s\u00e9rie de acontecimentos ocorridos nos dias 12 e 21 de maio de 2006, no Estado de S\u00e3o Paulo, conhecidos popularmente como &#8220;Crimes de Maio&#8221;. Esses epis\u00f3dios, oficialmente classificados como confrontos entre grupos armados e a pol\u00edcia, resultaram na morte de mais de 564 pessoas, no ferimento de 110 pessoas e no desaparecimento for\u00e7ado de pelo menos 4 pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo, autor da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica, sustentou, inicialmente, a imprescritibilidade da demanda, por\u00e9m, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias reconheceram a prescri\u00e7\u00e3o quinquenal, fundamentando-se na inaplicabilidade da exce\u00e7\u00e3o de imprescritibilidade fora do contexto de viola\u00e7\u00f5es ocorridas sob o regime de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em Recurso Especial, a Defensoria P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo, assistente litisconsorcial, sustenta que a imprescritibilidade se aplica a todas as viola\u00e7\u00f5es graves de direitos humanos, como execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais e desaparecimentos for\u00e7ados, e n\u00e3o apenas a casos de tortura e pris\u00e3o, com fundamento em jurisprud\u00eancia da Corte Interamericana de Direitos Humanos e tratados internacionais ratificados pelo Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No campo do Direito P\u00fablico, em geral, as a\u00e7\u00f5es judiciais contra o Estado seguem a norma do Decreto n. 20.910\/1932, que fixa o prazo de cinco anos para que o interessado possa reivindicar seu direito em ju\u00edzo. Este decreto abrange as a\u00e7\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o de danos materiais ou morais baseadas na responsabilidade objetiva do Estado (art. 37, \u00a7 6\u00ba, da CF\/1988).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Atualmente, no entanto, alguns doutrinadores, respaldados pela jurisprud\u00eancia dos Tribunais Superiores, apontam um aspecto relevante que deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o, o qual n\u00e3o se harmoniza com as regras de prescri\u00e7\u00e3o estabelecidas por legisla\u00e7\u00f5es essencialmente privatistas e r\u00edgidas. Trata-se dos interesses previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal e em Tratados Internacionais de Direitos Humanos. Portanto, as regras de prescri\u00e7\u00e3o muito limitadoras dificultam, e por vezes impedem, a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos previstos em importantes diplomas legislativos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No tocante \u00e0s a\u00e7\u00f5es civis de indeniza\u00e7\u00e3o relacionadas a eventos ocorridos durante o regime militar, identifica-se uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra geral da prescritibilidade, amplamente reconhecida pela doutrina e respaldada pela jurisprud\u00eancia. Nesse contexto, diversos precedentes do Superior Tribunal de Justi\u00e7a evidenciam o entendimento consolidado acerca da imprescritibilidade dessas demandas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Importante tamb\u00e9m ressaltar que h\u00e1 um entendimento sumulado sobre a tem\u00e1tica em quest\u00e3o, a S\u00famula 647\/STJ, a qual disp\u00f5e: &#8220;S\u00e3o imprescrit\u00edveis as a\u00e7\u00f5es indenizat\u00f3rias por danos morais e materiais decorrentes de atos de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com viola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais ocorridos durante o regime militar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outrossim, no julgamento do Recurso Especial n. 1.454.807, de Relatoria do Ministro Herman Benjamin, a Segunda Turma entendeu pela imprescritibilidade das a\u00e7\u00f5es de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais decorrentes de atos de tortura cometidos por agentes estatais &#8220;pouco importando tenha sido praticada em per\u00edodo ditatorial ou na plenitude do regime democr\u00e1tico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No \u00e2mbito internacional, a Corte Interamericana de Direitos Humanos ainda tem ampliado a compreens\u00e3o sobre graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, estendendo a imprescritibilidade a casos que, embora n\u00e3o configurados como crimes de lesa humanidade, representam viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas e graves. Casos como &#8220;Fazenda Brasil Verde vs. Brasil&#8221; e &#8220;Favela Nova Bras\u00edlia&#8221; indicam a obriga\u00e7\u00e3o do Estado de assegurar repara\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas e impedir que obst\u00e1culos processuais, como a prescri\u00e7\u00e3o, inviabilizem o acesso \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desses precedentes da Corte Interamericana, observa-se que a aplica\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o representa um obst\u00e1culo \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de uma investiga\u00e7\u00e3o efetiva dos fatos e \u00e0 puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis, violando os princ\u00edpios de justi\u00e7a e de prote\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas. Essa posi\u00e7\u00e3o est\u00e1 em conson\u00e2ncia com o entendimento defendido no caso em an\u00e1lise de que, em situa\u00e7\u00f5es envolvendo viola\u00e7\u00f5es graves de direitos humanos, como escravid\u00e3o, tortura ou desaparecimentos for\u00e7ados, os Estados t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o positiva de adotar medidas eficazes para assegurar a responsabiliza\u00e7\u00e3o e a repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a ades\u00e3o \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o contenciosa da Corte Interamericana de Direitos Humanos, formalizada pelo Decreto n. 4.463, de novembro de 2002, trouxe consequ\u00eancias relevantes para o Brasil. Desde ent\u00e3o, o pa\u00eds figura como parte em demandas internacionais, implicando o dever de adequar suas normas e pr\u00e1ticas internas aos padr\u00f5es estabelecidos pela Conven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, destaca-se a recente iniciativa do Conselho Nacional de Justi\u00e7a com a edi\u00e7\u00e3o da Recomenda\u00e7\u00e3o n. 123\/2022, que, em seu artigo 1\u00ba, inciso I, orienta os \u00f3rg\u00e3os do Poder Judici\u00e1rio brasileiro a observarem os tratados e conven\u00e7\u00f5es internacionais de direitos humanos em vigor no Brasil. Al\u00e9m disso, recomenda a utiliza\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia da Corte Interamericana de Direitos Humanos e a realiza\u00e7\u00e3o do controle de convencionalidade das normas internas, refor\u00e7ando o compromisso do Brasil em garantir a efetividade dos direitos humanos no \u00e2mbito nacional e internacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com esse contexto, pode-se afirmar que a Corte Interamericana de Direitos Humanos e o Superior Tribunal de Justi\u00e7a t\u00eam reconhecido a imprescritibilidade de determinados direitos, dada sua natureza essencial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso dos &#8220;Crimes de Maio&#8221;, ocorridos em 2006, \u00e9 poss\u00edvel argumentar que a gravidade das viola\u00e7\u00f5es, marcadas por execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias, persegui\u00e7\u00f5es indiscriminadas e aus\u00eancia de mecanismos eficazes de responsabiliza\u00e7\u00e3o, refor\u00e7a a necessidade de tratamento similar. Os fatos narrados na exordial indicam que entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, as for\u00e7as policiais, sob o pretexto de repres\u00e1lias aos ataques do PCC, realizaram opera\u00e7\u00f5es que resultaram na morte de centenas de pessoas, muitas delas civis sem v\u00ednculo com o crime organizado. O padr\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o, evidenciado por laudos periciais e relat\u00f3rios, demonstrou execu\u00e7\u00f5es direcionadas, com disparos letais em regi\u00f5es vitais, em um claro ind\u00edcio de a\u00e7\u00f5es extrajudiciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, os dados indicam que as v\u00edtimas eram predominantemente jovens, negras ou pardas, oriundas de \u00e1reas perif\u00e9ricas, o que refor\u00e7a o car\u00e1ter discriminat\u00f3rio e desproporcional das opera\u00e7\u00f5es. A aus\u00eancia de investiga\u00e7\u00f5es efetivas e a omiss\u00e3o do Estado em adotar medidas preventivas para conter a viol\u00eancia e proteger a popula\u00e7\u00e3o agravaram o cen\u00e1rio de impunidade e viola\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a an\u00e1lise integrada da jurisprud\u00eancia e do contexto dos &#8220;Crimes de Maio&#8221; permite concluir que a aplica\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o quinquenal prevista no Decreto n. 20.910\/1932 \u00e9 incompat\u00edvel com os padr\u00f5es nacionais e internacionais de prote\u00e7\u00e3o aos direitos humanos. Al\u00e9m disso, tal posicionamento est\u00e1 alinhado com as obriga\u00e7\u00f5es assumidas pelo Brasil no plano internacional, especialmente em rela\u00e7\u00e3o ao Pacto de San Jos\u00e9 da Costa Rica, que estabelece a necessidade de mecanismos efetivos para prevenir e punir graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, o reconhecimento da imprescritibilidade das pretens\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o civil decorrentes dos &#8220;Crimes de Maio&#8221; \u00e9 essencial para garantir o direito das v\u00edtimas \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 repara\u00e7\u00e3o, de modo que os autos devem retornar ao ju\u00edzo processante para que, afastada a prescri\u00e7\u00e3o prevista no art. 1\u00ba do Decreto n. 20.910\/1932, proceda \u00e0 an\u00e1lise do m\u00e9rito da causa.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-retificacao-de-ppp-sem-o-inss-no-polo-passivo-competencia\" class=\"wp-block-heading\">4. RETIFICA\u00c7\u00c3O DE PPP SEM O INSS NO POLO PASSIVO: COMPET\u00caNCIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Compete \u00e0 <strong>Justi\u00e7a do Trabalho<\/strong> processar e julgar o lit\u00edgio sobre a retifica\u00e7\u00e3o do Perfil Profissiogr\u00e1fico Previdenci\u00e1rio (PPP), para fins previdenci\u00e1rios, <strong>quando ausente o INSS no polo passivo<\/strong> da demanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CC 220.345-SP, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 16\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Josefina, empregada p\u00fablica celetista de uma funda\u00e7\u00e3o municipal, precisava corrigir o Perfil Profissiogr\u00e1fico Previdenci\u00e1rio para retratar o agente nocivo a que ficou exposta e, no futuro, requerer a aposentadoria especial. Acionou a empregadora na Justi\u00e7a do Trabalho, que se declarou incompetente e remeteu os autos \u00e0 Vara da Fazenda P\u00fablica; o ju\u00edzo estadual suscitou o conflito. Sem o INSS na rela\u00e7\u00e3o processual, a causa \u00e9 trabalhista ou fazend\u00e1ria?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 114, I<\/strong> <em>(compete \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho processar e julgar as a\u00e7\u00f5es oriundas da rela\u00e7\u00e3o de trabalho, abrangidos os entes de direito p\u00fablico externo e a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica direta e indireta).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Na ADI 3.395, o STF excluiu da Justi\u00e7a do Trabalho as causas entre a administra\u00e7\u00e3o e servidores de v\u00ednculo estatut\u00e1rio ou jur\u00eddico-administrativo; a Primeira Se\u00e7\u00e3o segue a partilha: rela\u00e7\u00f5es celetistas v\u00e3o \u00e0 Justi\u00e7a trabalhista, rela\u00e7\u00f5es estatut\u00e1rias, \u00e0 Justi\u00e7a comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A compet\u00eancia define-se <em>ratione materiae<\/em>, pelo pedido e pela causa de pedir, sem incurs\u00e3o no m\u00e9rito; pedido de <strong>retifica\u00e7\u00e3o de PPP dirigido ao empregador tem natureza trabalhista<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A finalidade previdenci\u00e1ria do documento n\u00e3o desloca a causa: sem o INSS no polo passivo, n\u00e3o h\u00e1 lide previdenci\u00e1ria a atrair a Justi\u00e7a comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O ju\u00edzo trabalhista enxergou uma lide previdenci\u00e1ria disfar\u00e7ada: o PPP s\u00f3 interessa para a aposentadoria especial, e <strong>quem colher\u00e1 os efeitos da retifica\u00e7\u00e3o \u00e9 o regime previdenci\u00e1rio<\/strong>, n\u00e3o o contrato de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A <strong>natureza da causa se mede pelo pedido e pela causa de pedir<\/strong>. O que se exige \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o de fazer do empregador, fundada no v\u00ednculo celetista: retratar fielmente as condi\u00e7\u00f5es em que o trabalho foi prestado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A funda\u00e7\u00e3o municipal ainda invocou sua natureza p\u00fablica: lit\u00edgios da administra\u00e7\u00e3o indireta pertenceriam \u00e0 vara fazend\u00e1ria, na esteira da ADI 3.395.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O precedente do STF ressalva os v\u00ednculos estatut\u00e1rios e jur\u00eddico-administrativos; <strong>empregada p\u00fablica regida pela CLT permanece sob a jurisdi\u00e7\u00e3o trabalhista<\/strong>. Presente o INSS, a hist\u00f3ria seria outra; ausente, a compet\u00eancia \u00e9 da Justi\u00e7a do Trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na a\u00e7\u00e3o em que empregada p\u00fablica celetista postula, apenas contra a empregadora, a retifica\u00e7\u00e3o do Perfil Profissiogr\u00e1fico Previdenci\u00e1rio para fins de futura aposentadoria especial, a compet\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) cabe \u00e0 Justi\u00e7a comum estadual, dada a natureza fazend\u00e1ria da funda\u00e7\u00e3o municipal demandada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) pertence \u00e0 Justi\u00e7a Federal, porquanto a retifica\u00e7\u00e3o repercutir\u00e1 em benef\u00edcio administrado pelo INSS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) define-se pela finalidade previdenci\u00e1ria do documento, que atrai o ju\u00edzo especializado em mat\u00e9ria de seguridade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) recai na Justi\u00e7a do Trabalho, apoiada a pretens\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o de emprego mantida com a funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) alterna-se conforme o regime do futuro benef\u00edcio, comum ou especial, a ser requerido pela trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A natureza p\u00fablica da empregadora n\u00e3o desloca a causa: a ressalva da ADI 3.395 alcan\u00e7a os v\u00ednculos estatut\u00e1rios e jur\u00eddico-administrativos, n\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o celetista da empregada p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A Justi\u00e7a Federal seria chamada se o INSS integrasse a rela\u00e7\u00e3o processual; sem a autarquia no polo passivo, inexiste lide previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A finalidade do PPP n\u00e3o comanda a compet\u00eancia: o crit\u00e9rio \u00e9 o pedido e a causa de pedir, e a pretens\u00e3o \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o de fazer dirigida \u00e0 empregadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. Foi a solu\u00e7\u00e3o do CC 220.345: a controv\u00e9rsia sobre a retifica\u00e7\u00e3o do PPP, quando ausente o INSS, tem natureza trabalhista e compete \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A compet\u00eancia se fixa <em>ratione materiae<\/em> no momento da demanda, pela pretens\u00e3o deduzida, e n\u00e3o por progn\u00f3sticos sobre o benef\u00edcio que ser\u00e1 postulado \u00e0 autarquia.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia cinge-se ao conflito negativo de compet\u00eancia instaurado entre o Ju\u00edzo da Vara da Fazenda P\u00fablica e o Ju\u00edzo da Vara do Trabalho, em a\u00e7\u00e3o ajuizada por empregada p\u00fablica contra funda\u00e7\u00e3o municipal, objetivando a retifica\u00e7\u00e3o do Perfil Profissiogr\u00e1fico Previdenci\u00e1rio (PPP), para fins previdenci\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A demanda foi inicialmente proposta perante a Justi\u00e7a Trabalhista, que reconheceu a incompet\u00eancia para processar o feito e determinou a remessa dos autos para a Justi\u00e7a Comum Estadual e, em seguida, o Ju\u00edzo da Vara da Fazenda P\u00fablica suscitou o conflito de compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cumpre salientar que a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a est\u00e1 assentada no sentido de que compet\u00eancia, em regra, \u00e9 determinada <em>ratione materiae<\/em> em fun\u00e7\u00e3o da natureza jur\u00eddica da pretens\u00e3o deduzida, sendo esta caracterizada pelo pedido e pela causa de pedir, e n\u00e3o pela eventual incurs\u00e3o no m\u00e9rito da demanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse cen\u00e1rio, no julgamento da ADI n. 3.395\/DF, o Supremo Tribunal Federal, interpretando o inciso I do art. 114 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, alterado pela EC n. 45\/2004, ao analisar a express\u00e3o &#8220;rela\u00e7\u00e3o de trabalho&#8221;, afastou qualquer interpreta\u00e7\u00e3o que atribu\u00edsse \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho compet\u00eancia para decidir causas envolvendo a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e seus servidores vinculados por t\u00edpica rela\u00e7\u00e3o de ordem estatut\u00e1ria ou de car\u00e1ter jur\u00eddico-administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, a Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ, em observ\u00e2ncia \u00e0 jurisprud\u00eancia do STF, firmou o entendimento de que a compet\u00eancia para processar e julgar os lit\u00edgios instaurados entre os agentes p\u00fablicos e os entes estatais a que servem depende da natureza jur\u00eddica do v\u00ednculo entre as partes, cabendo \u00e0 Justi\u00e7a trabalhista o exame das rela\u00e7\u00f5es fundadas na CLT, e \u00e0 Justi\u00e7a comum, federal ou estadual, o exame daquelas sujeitas a regime estatut\u00e1rio ou jur\u00eddico-administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, o STJ reconhece a compet\u00eancia da Justi\u00e7a do Trabalho para julgar o pedido de retifica\u00e7\u00e3o do Perfil Profissiogr\u00e1fico Previdenci\u00e1rio &#8211; PPP, para fins previdenci\u00e1rios, quando ausente o Instituto Nacional do Seguro Social &#8211; INSS no polo passivo da demanda.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-nbsp-chip-de-celular-e-quebra-da-cadeia-de-custodia\" class=\"wp-block-heading\">5.&nbsp; CHIP DE CELULAR E QUEBRA DA CADEIA DE CUST\u00d3DIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O chip de operadora <strong>N\u00c3O \u00e9 parte integrante do aparelho celular<\/strong> e constitui <strong>fonte independente de prova<\/strong>, n\u00e3o sendo alcan\u00e7ado pela nulidade da cadeia de cust\u00f3dia declarada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de dados do aparelho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg na Rcl 48.657-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 16\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O celular de Paty, apreendido na investiga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi conservado como deveria e despareceu: a falha impediu a an\u00e1lise das mensagens e levou \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de nulidade das provas extra\u00eddas do aparelho, por quebra da cadeia de cust\u00f3dia. O Instituto-Geral de Per\u00edcias, por\u00e9m, extraiu do chip da operadora a agenda de telefones nele salva, dado que o SIM card pode ser lido em qualquer aparelho. A defesa reclamou: a m\u00e1cula do telefone contaminaria tamb\u00e9m o cart\u00e3o que estava dentro dele?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Cadeia de cust\u00f3dia (CPP, arts. 158-A a 158-F)<\/strong> <em>(conjunto de procedimentos destinados a documentar a hist\u00f3ria cronol\u00f3gica do vest\u00edgio, para rastrear sua posse e manuseio desde o reconhecimento at\u00e9 o descarte).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A nulidade decorreu da n\u00e3o preserva\u00e7\u00e3o do aparelho da v\u00edtima, que inviabilizou o exame das mensagens; a falha, contudo, n\u00e3o atingiu a agenda gravada diretamente no chip da operadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O SIM card \u00e9 acess\u00edvel independentemente do telefone em que esteja inserido: fonte aut\u00f4noma, com ele n\u00e3o se confunde, e sobre o cart\u00e3o n\u00e3o recaiu a falha de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd As raz\u00f5es que levaram ao desentranhamento dos dados do aparelho n\u00e3o se estendem ao chip; os elementos dele extra\u00eddos permanecem v\u00e1lidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Argumento 1 (efeito domin\u00f3): se o Estado n\u00e3o soube guardar o telefone, tudo o que saiu daquela apreens\u00e3o estaria contaminado, chip inclu\u00eddo, como fruto da mesma \u00e1rvore malcuidada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Terceira Se\u00e7\u00e3o separou o vest\u00edgio do seu recipiente: <strong>a falha de conserva\u00e7\u00e3o recaiu sobre o aparelho, n\u00e3o sobre o cart\u00e3o da operadora<\/strong>, cuja leitura independe do telefone que o abrigava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Argumento 2 (unidade): aparelho e chip foram apreendidos juntos, <strong>num \u00fanico ato estatal de cust\u00f3dia<\/strong>, e a fiscaliza\u00e7\u00e3o da integridade deveria valer para o conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A cadeia de cust\u00f3dia protege a confiabilidade de cada vest\u00edgio, e <strong>o dado salvo no SIM card chegou \u00edntegro \u00e0 per\u00edcia<\/strong>; anular prova confi\u00e1vel por parentesco f\u00edsico com o vest\u00edgio comprometido transformaria a garantia em formalismo (aspecto funcional).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Declarada a nulidade, por quebra da cadeia de cust\u00f3dia, das provas extra\u00eddas de aparelho celular malconservado, os dados gravados no chip da operadora que o equipava:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) seguem a sorte do aparelho, alcan\u00e7ados pela mesma m\u00e1cula que contaminou a extra\u00e7\u00e3o das mensagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) s\u00f3 se aproveitam mediante renova\u00e7\u00e3o da apreens\u00e3o, com nova autoriza\u00e7\u00e3o judicial espec\u00edfica para o SIM card.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) permanecem v\u00e1lidos, por constituir o chip fonte de prova independente, que n\u00e3o integra o aparelho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) convalidam-se se a defesa n\u00e3o impugnar a per\u00edcia no prazo da resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) dependem de confirma\u00e7\u00e3o por prova testemunhal, degradados \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de ind\u00edcio pela falha estatal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A m\u00e1cula ficou circunscrita ao aparelho: a falha de conserva\u00e7\u00e3o impediu a an\u00e1lise das mensagens do telefone, mas n\u00e3o atingiu a agenda gravada diretamente no cart\u00e3o da operadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. N\u00e3o se exigiu nova apreens\u00e3o nem autoriza\u00e7\u00e3o adicional: o chip j\u00e1 estava validamente apreendido, e sua leitura independe do aparelho em que inserido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. Foi a conclus\u00e3o da Terceira Se\u00e7\u00e3o na Rcl 48.657: o SIM card \u00e9 fonte aut\u00f4noma, n\u00e3o se confunde com o aparelho e escapa \u00e0 nulidade declarada quanto \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de dados do telefone.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A validade dos dados do chip n\u00e3o decorreu de preclus\u00e3o defensiva, e sim da aus\u00eancia de v\u00edcio na sua conserva\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Os elementos extra\u00eddos do cart\u00e3o valem como prova plena; nenhuma degrada\u00e7\u00e3o a ind\u00edcio foi imposta pelo julgado.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se os dados extra\u00eddos do chip de celular (SIM CARD) apreendido podem ser considerados prova independente e v\u00e1lida, n\u00e3o sendo abrangidos pela nulidade declarada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de dados do aparelho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a nulidade da cadeia de cust\u00f3dia decorreu da n\u00e3o preserva\u00e7\u00e3o do aparelho celular da v\u00edtima, o que impediu a an\u00e1lise das mensagens dele constantes. A falha na conserva\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o impediu que o Instituto-Geral de Per\u00edcias extra\u00edsse uma agenda de telefones salva diretamente no chip da operadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos das decis\u00f5es de primeiro grau, \u00e9 poss\u00edvel acessar os dados do SIM CARD independentemente do aparelho de celular em que esteja inserido, n\u00e3o recaindo sobre o chip a mesma m\u00e1cula que levou \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de nulidade das provas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, as raz\u00f5es que embasaram o desentranhamento dos dados extra\u00eddos do aparelho celular n\u00e3o se estendem ao chip da operadora, reconhecido como fonte aut\u00f4noma, uma vez que n\u00e3o \u00e9 parte integrante do aparelho e, portanto, com ele n\u00e3o se confunde.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, n\u00e3o h\u00e1 falar que a falha na conserva\u00e7\u00e3o que implicou a nulidade da prova recaiu diretamente sobre o SIM CARD ou mesmo que a ele tenha se estendido.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-reivindicatoria-com-estudo-do-incra-e-registro-vigente\" class=\"wp-block-heading\">6. REIVINDICAT\u00d3RIA COM ESTUDO DO INCRA E REGISTRO VIGENTE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo t\u00e9cnico do INCRA sobre a cadeia dominial <strong>N\u00c3O basta para viabilizar o processamento de a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria<\/strong>: \u00e9 necess\u00e1rio o <strong>pr\u00e9vio cancelamento do registro imobili\u00e1rio<\/strong> existente, mediante a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de nulidade do registro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AREsp 2.358.303-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 8\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Munido de um estudo t\u00e9cnico produzido em processo administrativo sobre a cadeia dominial da \u00e1rea, o INCRA ajuizou reivindicat\u00f3ria para <em>retomar<\/em> terras cujo registro imobili\u00e1rio estava em nome de Geremias. O particular resistiu com a matr\u00edcula na m\u00e3o: enquanto o registro existir, o dono \u00e9 quem nele figura. O laudo da autarquia, elaborado sem contradit\u00f3rio, poderia atropelar a fila e dispensar a a\u00e7\u00e3o de nulidade do registro?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.228<\/strong> <em>(o propriet\u00e1rio tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa e o direito de reav\u00ea-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A reivindicat\u00f3ria exige tr\u00eas requisitos concomitantes: prova da titularidade do dom\u00ednio, individualiza\u00e7\u00e3o do bem e comprova\u00e7\u00e3o da posse injusta do r\u00e9u; a defini\u00e7\u00e3o de bem p\u00fablico decorre da CF e da lei, e o registro particular, por si, n\u00e3o \u00e9 opon\u00edvel aos entes pol\u00edticos para afastar esse regime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Pelo Tema 39\/STJ, o registro de propriedade goza de presun\u00e7\u00e3o relativa: enquanto n\u00e3o decretada a invalidade em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, com o respectivo cancelamento, o titular registral continua havido como propriet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Estudo t\u00e9cnico, ainda que dotado de f\u00e9 p\u00fablica, n\u00e3o dispensa a aprecia\u00e7\u00e3o judicial: sem not\u00edcia de contradit\u00f3rio na identifica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, imp\u00f5e-se o pr\u00e9vio ajuizamento da declarat\u00f3ria de nulidade do registro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A autarquia sustentava a autossufici\u00eancia do seu laudo: documento p\u00fablico, <strong>com f\u00e9 p\u00fablica e presun\u00e7\u00e3o de legalidade<\/strong>, bastaria para demonstrar o dom\u00ednio estatal e destravar a reivindicat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Primeira Turma apontou o degrau pulado: a discuss\u00e3o envolve <strong>a validade do pr\u00f3prio t\u00edtulo registrado em nome do particular<\/strong>, e essa desconstitui\u00e7\u00e3o tem via pr\u00f3pria, a a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de nulidade, com contradit\u00f3rio pleno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Poderia parecer formalismo: se a cadeia dominial documentada aponta v\u00edcio na origem, <strong>exigir outra a\u00e7\u00e3o apenas adiaria o inevit\u00e1vel<\/strong>, onerando a atua\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O Tema 39\/STJ d\u00e1 a medida: a presun\u00e7\u00e3o do registro \u00e9 relativa, mas <strong>s\u00f3 cede pela via judicial adequada<\/strong>; enquanto a matr\u00edcula viver, o titular registral \u00e9 o propriet\u00e1rio, e a reivindicat\u00f3ria carece do primeiro dos seus requisitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria ajuizada com base em estudo t\u00e9cnico do INCRA sobre a cadeia dominial, estando vigente o registro imobili\u00e1rio em nome do particular:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) processa-se normalmente, pois o documento p\u00fablico goza de f\u00e9 p\u00fablica e presun\u00e7\u00e3o de legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) exige o pr\u00e9vio cancelamento do registro, buscado em a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de nulidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) prospera se a autarquia comprovar a posse injusta do particular, requisito que absorve a discuss\u00e3o dominial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) converte-se em desapropria\u00e7\u00e3o indireta, com solu\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia pelo pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) admite o afastamento incidental do registro, reconhecida a nulidade como quest\u00e3o prejudicial na pr\u00f3pria demanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. F\u00e9 p\u00fablica e presun\u00e7\u00e3o de legalidade n\u00e3o eximem o estudo da aprecia\u00e7\u00e3o judicial, sobretudo quando a identifica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea n\u00e3o passou pelo crivo do contradit\u00f3rio e da ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Na linha do Tema 39\/STJ, enquanto n\u00e3o decretada a invalidade do registro em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, o titular registral segue havido como propriet\u00e1rio; sem o cancelamento pr\u00e9vio, a reivindicat\u00f3ria n\u00e3o se processa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A posse injusta \u00e9 um dos requisitos, mas n\u00e3o supre a prova da titularidade do dom\u00ednio, que esbarra na matr\u00edcula vigente em nome do particular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Nenhuma convers\u00e3o foi cogitada: a controv\u00e9rsia gira em torno da via adequada para desconstituir o t\u00edtulo, n\u00e3o de apossamento administrativo indeniz\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O julgado exige a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para a decreta\u00e7\u00e3o de nulidade e o cancelamento do registro; n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o afastamento meramente incidental do t\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a saber se a apresenta\u00e7\u00e3o de estudo t\u00e9cnico realizado pelo INCRA, em processo administrativo sobre a cadeia dominial de im\u00f3vel, constitui documento suficiente para viabilizar o processamento de a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria, de modo a ser desnecess\u00e1rio o pr\u00e9vio cancelamento do registro imobili\u00e1rio existente relativo ao bem objeto da controv\u00e9rsia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria tem como objetivo resguardar direito do propriet\u00e1rio de reaver o bem de quem o adquiriu de forma injusta, conforme se depreende do art. 1.228 do CC\/2002: &#8220;O propriet\u00e1rio tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reav\u00ea-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para tanto, a referida a\u00e7\u00e3o exige a presen\u00e7a concomitante de tr\u00eas requisitos, quais sejam: (i) a prova da titularidade do dom\u00ednio da coisa reivindicada pelo autor; (ii) a individualiza\u00e7\u00e3o do bem; (iii) a comprova\u00e7\u00e3o da posse injusta do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 certo, ainda, que a defini\u00e7\u00e3o de bem p\u00fablico decorre primordialmente da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (arts. 20, 26, 225 e outros), bem como do C\u00f3digo Civil (arts. 98 a 103) e de outras leis infraconstitucionais (exemplo: Decreto-Lei n. 9.760\/1946 e Lei n. 14.133\/2021), conforme a natureza ou destina\u00e7\u00e3o do bem. Nesse sentido, o registro imobili\u00e1rio de propriedade, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 opon\u00edvel \u00e0 Uni\u00e3o e demais entes pol\u00edticos, para afastar o regime jur\u00eddico ao qual est\u00e3o submetidos os bens p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, constata-se que, embora o INCRA tenha apresentado estudo t\u00e9cnico acerca da cadeia dominial do im\u00f3vel, elaborado no \u00e2mbito de processo administrativo, n\u00e3o h\u00e1, nos autos, not\u00edcia de que a identifica\u00e7\u00e3o e a delimita\u00e7\u00e3o da \u00e1rea tenham sido realizadas sob o crivo do contradit\u00f3rio e da ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda que o referido documento seja dotado de f\u00e9 p\u00fablica e presun\u00e7\u00e3o de legalidade, tais atributos n\u00e3o o eximem da necess\u00e1ria aprecia\u00e7\u00e3o judicial, considerando que a discuss\u00e3o em apre\u00e7o diz respeito \u00e0 pr\u00f3pria validade do t\u00edtulo dominial registrado em nome do particular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a firmou o entendimento, sob a sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos, Tema 39\/STJ, de que o registro p\u00fablico de propriedade de im\u00f3vel possui presun\u00e7\u00e3o relativa e, &#8220;enquanto n\u00e3o se promover, por meio de a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, a decreta\u00e7\u00e3o de invalidade do registro e o respectivo cancelamento, a pessoa indicada no registro p\u00fablico continua a ser havida como propriet\u00e1ria do im\u00f3vel&#8221; (REsp n. 990.507\/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Se\u00e7\u00e3o, julgado em 10\/11\/2010, DJe de 1\/2\/2011).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, o estudo t\u00e9cnico apresentado pelo INCRA n\u00e3o tem o cond\u00e3o de dispensar o pr\u00e9vio ajuizamento de a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de nulidade do registro imobili\u00e1rio, meio adequado para a desconstitui\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio formalmente constitu\u00eddo em nome do particular.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-fraude-a-execucao-fiscal-antes-da-citacao-do-socio\" class=\"wp-block-heading\">7. FRAUDE \u00c0 EXECU\u00c7\u00c3O FISCAL ANTES DA CITA\u00c7\u00c3O DO S\u00d3CIO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel reconhecer a fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal quando, embora a transfer\u00eancia patrimonial anteceda a cita\u00e7\u00e3o, <strong>os elementos probat\u00f3rios comprovem a plena ci\u00eancia, por outros meios, da decis\u00e3o de redirecionamento<\/strong> pelo s\u00f3cio-administrador, especialmente em contexto de <strong>doa\u00e7\u00e3o de bens a integrantes do n\u00facleo familiar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.117.867-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, por maioria, julgado em 4\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ju\u00edzo redirecionou a execu\u00e7\u00e3o fiscal contra Crementina, administradora da empresa devedora, cujo nome n\u00e3o constava da certid\u00e3o de d\u00edvida ativa. Em 2014, antes de ser citada, ela outorgou procura\u00e7\u00e3o para que se impugnasse o redirecionamento decretado contra si e, no intervalo, doou um im\u00f3vel a parentes que moravam no mesmo endere\u00e7o; a cita\u00e7\u00e3o s\u00f3 veio em 2017. Executada, alegou que sem cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 fraude. A formalidade do ato citat\u00f3rio blinda a doa\u00e7\u00e3o feita por quem j\u00e1 sabia de tudo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 238 e 239, \u00a7 1\u00ba<\/strong> <em>(a cita\u00e7\u00e3o cientifica o r\u00e9u ou executado da pend\u00eancia do lit\u00edgio; o comparecimento espont\u00e2neo supre a sua falta).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A Corte Especial admite o suprimento da cita\u00e7\u00e3o pela juntada de procura\u00e7\u00e3o com poderes especiais ou pela apresenta\u00e7\u00e3o de embargos ou exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade (EREsp 1.709.915); e a Segunda Se\u00e7\u00e3o identifica, nas doa\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito familiar, ind\u00edcios evidentes de blindagem patrimonial, com m\u00e1-f\u00e9 extra\u00edda do v\u00ednculo e do contexto (EREsp 1.896.456).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A defesa apresentada em nome da pessoa jur\u00eddica, mas voltada a combater o redirecionamento contra a s\u00f3cia, revela conhecimento inequ\u00edvoco do processo: a outorga de poderes para proteger interesse pr\u00f3prio caracteriza a ci\u00eancia que a cita\u00e7\u00e3o formal comunicaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Doa\u00e7\u00e3o \u00e9 neg\u00f3cio gratuito e merece cautela redobrada: transfer\u00eancia a familiares residentes no mesmo endere\u00e7o, com o bem mantido no c\u00edrculo dom\u00e9stico, sugere esvaziamento patrimonial em preju\u00edzo do Fisco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A executada tinha a literalidade a seu lado: a jurisprud\u00eancia sempre exigiu a cita\u00e7\u00e3o como marco da fraude, pois <strong>ningu\u00e9m pode ser acusado de fraudar processo que formalmente desconhece<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Quem outorga procura\u00e7\u00e3o para atacar o redirecionamento decretado contra si <strong>sabe da execu\u00e7\u00e3o com todas as letras<\/strong>; a ci\u00eancia inequ\u00edvoca faz as vezes do chamado formal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Restava o escudo societ\u00e1rio: a defesa fora apresentada pela pessoa jur\u00eddica, <strong>e os atos da sociedade n\u00e3o se confundem com os da s\u00f3cia<\/strong>, aut\u00f4nomas que s\u00e3o as personalidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O v\u00e9u n\u00e3o resistiu ao caso concreto: a impugna\u00e7\u00e3o protegia interesse exclusivo da administradora, \u00fanica benefici\u00e1ria de eventual \u00eaxito. <strong>Usar o manto societ\u00e1rio para se defender e depois alegar ignor\u00e2ncia \u00e9 abuso de direito<\/strong>, agravado pela doa\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel a familiares sob o mesmo teto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acerca do reconhecimento de fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal na doa\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel feita por s\u00f3cia-administradora ap\u00f3s o redirecionamento decretado contra si, por\u00e9m antes da sua cita\u00e7\u00e3o formal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 invi\u00e1vel, pois a cita\u00e7\u00e3o constitui marco inafast\u00e1vel para a caracteriza\u00e7\u00e3o da fraude pelo redirecionado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) exige o registro da penhora sobre o bem doado, \u00fanico meio de tornar a aliena\u00e7\u00e3o ineficaz perante o Fisco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) pressup\u00f5e o incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, com contradit\u00f3rio pr\u00e9vio \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de inefic\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00e9 admiss\u00edvel quando comprovada, por outros meios, a plena ci\u00eancia da decis\u00e3o de redirecionamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende da demonstra\u00e7\u00e3o de insolv\u00eancia dos donat\u00e1rios, terceiros de boa-f\u00e9 presumida no neg\u00f3cio gratuito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A exig\u00eancia da cita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via foi temperada: atos categ\u00f3ricos que revelem conhecimento do lit\u00edgio, como a outorga de procura\u00e7\u00e3o para impugnar o redirecionamento, suprem a formalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O registro de penhora n\u00e3o foi erigido em requisito; o que fundamentou a inefic\u00e1cia foi a ci\u00eancia inequ\u00edvoca somada ao contexto de doa\u00e7\u00e3o familiar indicativa de blindagem patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O redirecionamento j\u00e1 havia sido decretado; a controv\u00e9rsia girou em torno do marco temporal da fraude, n\u00e3o da via processual de responsabiliza\u00e7\u00e3o da s\u00f3cia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. Foi a tese vencedora no REsp 2.117.867: comprovada a plena ci\u00eancia por outros meios, a transfer\u00eancia anterior \u00e0 cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o escapa ao reconhecimento da fraude, sobretudo em doa\u00e7\u00e3o a integrantes do n\u00facleo familiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Em doa\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito da fam\u00edlia, a m\u00e1-f\u00e9 se extrai do v\u00ednculo entre doador e donat\u00e1rios e do contexto f\u00e1tico; n\u00e3o se exige perquiri\u00e7\u00e3o sobre a solv\u00eancia de quem recebeu.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se \u00e9 poss\u00edvel reconhecer a fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal na hip\u00f3tese de doa\u00e7\u00e3o de bem im\u00f3vel realizada por s\u00f3cia cujo redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o em desfavor dos respectivos administradores j\u00e1 havia sido determinado, mas cuja cita\u00e7\u00e3o somente ocorreu ap\u00f3s a doa\u00e7\u00e3o patrimonial. Discute-se, em especial, se a aus\u00eancia de cita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via impede o reconhecimento da fraude ou se outros elementos do caso s\u00e3o suficientes para demonstrar a inequ\u00edvoca ci\u00eancia da demanda e o intuito de ilidir a satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, especialmente em contexto de doa\u00e7\u00e3o de bens a integrantes do n\u00facleo familiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, ap\u00f3s o redirecionamento, mas antes da cita\u00e7\u00e3o da s\u00f3cia para integrar o polo passivo, ela promoveu a doa\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel objeto da controv\u00e9rsia a integrantes de seu pr\u00f3prio n\u00facleo familiar e residentes no mesmo endere\u00e7o. As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias registraram que, antes da cita\u00e7\u00e3o, a s\u00f3cia, na qualidade de administradora da sociedade executada, outorgou procura\u00e7\u00e3o para a apresenta\u00e7\u00e3o de defesa destinada a impugnar o redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o em seu desfavor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, conquanto o reconhecimento de fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o empreendida pelo s\u00f3cio a quem foi redirecionado o executivo fiscal demande, em regra, sua pr\u00e9via cita\u00e7\u00e3o para integrar o polo passivo, \u00e0 vista da finalidade prec\u00edpua do ato citat\u00f3rio &#8211; qual seja, cientificar o r\u00e9u ou o executado acerca da pend\u00eancia do lit\u00edgio, convocando-o para integrar a rela\u00e7\u00e3o processual (art. 238 do CPC) -, a jurisprud\u00eancia do STJ passou a temperar tal exig\u00eancia em certas hip\u00f3teses, especialmente, quando demonstrada a inequ\u00edvoca ci\u00eancia do devedor a respeito da lide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a Corte Especial do STJ j\u00e1 reconheceu ser poss\u00edvel suprir a falta de cita\u00e7\u00e3o mediante comparecimento espont\u00e2neo do r\u00e9u, nas seguintes situa\u00e7\u00f5es: &#8220;[&#8230;] a) a juntada de procura\u00e7\u00e3o com poderes especiais, desde que poss\u00edvel o acesso aos autos do processo; e b) a apresenta\u00e7\u00e3o de embargos ou exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade, ainda que n\u00e3o outorgados poderes especiais ao advogado para receber a cita\u00e7\u00e3o&#8221; (EREsp 1.709.915\/CE, Ministro Og Fernandes, Corte Especial, DJe 9\/8\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em tais hip\u00f3teses, diante de atos categ\u00f3ricos comprovando a ci\u00eancia quanto \u00e0 pend\u00eancia do lit\u00edgio, tem-se por suprida a falta de cita\u00e7\u00e3o pelo comparecimento espont\u00e2neo (art. 239, \u00a7 1\u00ba, do CPC), configurado pela outorga de procura\u00e7\u00e3o com poderes especiais para receber ato citat\u00f3rio ou, ainda, em raz\u00e3o do exerc\u00edcio substancial do direito de defesa por meio da apresenta\u00e7\u00e3o de embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o ou de exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade, cuja oposi\u00e7\u00e3o denota inequ\u00edvoco conhecimento acerca da tramita\u00e7\u00e3o do processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel que, para efeito de reconhecer a pr\u00e1tica de atos anteriores destinados a ilidir a satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, elementos outros sirvam a embasar ju\u00edzo positivo acerca da fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal, independentemente de formaliza\u00e7\u00e3o de ato citat\u00f3rio ou de medidas destinadas a suprir sua aus\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 considerou presente fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o em conjuntura na qual, embora ausente ato citat\u00f3rio formal, &#8220;[&#8230;] a aliena\u00e7\u00e3o operou-se ap\u00f3s o conhecimento da execu\u00e7\u00e3o pela pessoa jur\u00eddica devedora, cujo s\u00f3cio \u00e9 parente da embargante, consoante premissa f\u00e1tica fixada nas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, o que faz presumir o conluio entre alienante e adquirente, tornando ineficaz a transmiss\u00e3o da propriedade&#8221; (REsp 1.085.933\/SP, Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 26.2.2009).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Recentemente, analisando a tem\u00e1tica sob o prisma do C\u00f3digo de Processo Civil, a Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ adotou exegese no sentido de que, &#8220;em hip\u00f3teses de doa\u00e7\u00f5es operadas no \u00e2mbito familiar&#8221;, avultam ind\u00edcios evidentes de blindagem patrimonial com o intuito de frustrar credores, raz\u00e3o pela qual &#8220;[&#8230;] em tais casos, a caracteriza\u00e7\u00e3o de m\u00e1-f\u00e9 decorre do v\u00ednculo familiar entre o devedor e o donat\u00e1rio e do contexto f\u00e1tico, como o conhecimento da pend\u00eancia de demandas judiciais e a perman\u00eancia do bem no n\u00facleo familiar&#8221; (EREsp 1.896.456\/SP, Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Segunda Se\u00e7\u00e3o, DJEN 21\/2\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em tais precedentes, partiu-se da premissa jur\u00eddica segundo a qual, quando o reconhecimento da fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o demanda anterior cita\u00e7\u00e3o, sua perfectibiliza\u00e7\u00e3o, em regra, constitui condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a declara\u00e7\u00e3o de inefic\u00e1cia da transfer\u00eancia de propriedade; por\u00e9m, tal exig\u00eancia pode ser suplantada \u00e0 luz de peculiaridades do caso concreto, quando devidamente comprovada a exist\u00eancia de atos inequ\u00edvocos direcionados a ilidir a satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, especialmente em contexto de doa\u00e7\u00e3o de bens a membros do grupo familiar, conjuntura a ser aferida com base no cen\u00e1rio f\u00e1tico subjacente \u00e0 controv\u00e9rsia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a despeito de somente ultimada a cita\u00e7\u00e3o da s\u00f3cia em 2017, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias anotaram ter sido por ela outorgada, em 2014, na qualidade de administradora da sociedade executada, procura\u00e7\u00e3o para a apresenta\u00e7\u00e3o de defesa de interesses da pr\u00f3pria pessoa f\u00edsica, mais precisamente para contestar a ordem de redirecionamento contra si determinada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa linha, ainda que formalmente manejada pela pessoa jur\u00eddica, em subst\u00e2ncia, a defesa apresentada teve como objetivo prec\u00edpuo a tutela de direitos da respectiva s\u00f3cia, \u00fanica benefici\u00e1ria de eventual acolhimento do pedido, raz\u00e3o pela qual a concess\u00e3o de poderes para prote\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios interesses, embora por atua\u00e7\u00e3o de terceiro, denota conhecimento do tr\u00e2mite da execu\u00e7\u00e3o fiscal e, em especial, do redirecionamento promovido em seu desfavor, elemento bastante para a caracteriza\u00e7\u00e3o de m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A par disso, conquanto n\u00e3o se ignore a autonomia da sociedade empres\u00e1ria relativamente aos seus s\u00f3cios, n\u00e3o sendo poss\u00edvel presumir ou confundir, na generalidade dos casos, a atua\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica e das pessoas f\u00edsicas que a administram, igualmente n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito que, valendo-se do manto societ\u00e1rio, os respectivos representantes legais empreguem estrat\u00e9gias para a prote\u00e7\u00e3o de direitos pr\u00f3prios e, n\u00e3o obtendo \u00eaxito, busquem alegar jamais ter tido conhecimento da defesa de seus interesses promovida por interposta pessoa e com sua coniv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, uma vez apresentada defesa substancial voltada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de direito da s\u00f3cia &#8211; embora valendo-se formalmente da atua\u00e7\u00e3o da sociedade empres\u00e1ria e em nome da qual, como representante, efetuou outorga de poderes -, \u00e9 aplic\u00e1vel a ratio adotada no sobredito precedente da Corte Especial, no sentido de que o manejo de embargos ou exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade, ainda que n\u00e3o concedidos poderes especiais ao advogado para receber a cita\u00e7\u00e3o, supre-lhe a falta (EREsp 1.709.915\/CE, Ministro Og Fernandes, Corte Especial, DJe 9\/8\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda, ressalta-se estar-se diante de doa\u00e7\u00e3o, neg\u00f3cio jur\u00eddico unilateral mediante o qual, por liberalidade, o doador transfere gratuitamente bens em favor do donat\u00e1rio, que, em regra, somente aufere vantagens sem encargo financeiro correspondente. Assim, diferentemente de contextos nos quais se evidenciam interesses sinalagm\u00e1ticos de ambos os contratantes (e.g. contrato de compra e venda), a formaliza\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cio gratuito h\u00e1 de ser analisada com cautela, especialmente para evitar desvios de finalidade e a utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos l\u00edcitos com o objetivo de lesar credores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E, no caso concreto, \u00e9 inequ\u00edvoco o abuso de direito perpetrado pela s\u00f3cia, pois os donat\u00e1rios s\u00e3o integrantes de seu pr\u00f3prio n\u00facleo familiar e residem no mesmo endere\u00e7o, sugerindo tentativa de blindagem disfar\u00e7ada de ativos e esvaziamento patrimonial para fraudar o Fisco, inclusive com a possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o do bem transferido diante da sua manuten\u00e7\u00e3o em poder de parentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-investigacao-social-na-seguranca-publica-e-o-tema-22-stf\" class=\"wp-block-heading\">8. INVESTIGA\u00c7\u00c3O SOCIAL NA SEGURAN\u00c7A P\u00daBLICA E O TEMA 22\/STF<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas carreiras de seguran\u00e7a p\u00fablica, <strong>\u00e9 leg\u00edtima a mitiga\u00e7\u00e3o do Tema 22\/STF<\/strong> para admitir a valora\u00e7\u00e3o negativa, na investiga\u00e7\u00e3o social, de inqu\u00e9ritos e registros de ocorr\u00eancia, quando houver <strong>hist\u00f3rico concreto e grave de condutas incompat\u00edveis com o cargo<\/strong>, previsto em lei ou edital e devidamente motivado; N\u00c3O h\u00e1 ofensa \u00e0 presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia no ju\u00edzo de idoneidade moral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RMS 77.518-RS, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 19\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aprovado nas provas do concurso para a pol\u00edcia penal (agente penitenci\u00e1rio), Tib\u00farcio caiu na sindic\u00e2ncia de vida pregressa: sua ficha de inqu\u00e9ritos policiais reunia registros de les\u00e3o corporal, amea\u00e7a, vias de fato, posse de entorpecentes e epis\u00f3dios de viol\u00eancia contra a mulher. A banca o considerou &#8220;n\u00e3o indicado&#8221; e o excluiu do certame. Ele impetrou mandado de seguran\u00e7a invocando o Tema 22\/STF: sem condena\u00e7\u00e3o definitiva, ningu\u00e9m pode ser eliminado. A r\u00e9gua vale igual para quem pretende carregar as chaves de um pres\u00eddio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema 22\/STF (RE 560.900)<\/strong> <em>(como regra geral, boletim de ocorr\u00eancia, inqu\u00e9rito, termo circunstanciado ou a\u00e7\u00e3o penal em curso n\u00e3o autorizam a elimina\u00e7\u00e3o de candidato; exige-se condena\u00e7\u00e3o colegiada ou definitiva e demonstra\u00e7\u00e3o motivada da incompatibilidade entre o crime e o cargo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A pr\u00f3pria tese admite mitiga\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es excepcional\u00edssimas e de indiscut\u00edvel gravidade, especialmente nas carreiras de seguran\u00e7a p\u00fablica (CF, art. 144), atividades t\u00edpicas de Estado com autoridade sobre a vida e a liberdade da coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A investiga\u00e7\u00e3o social vai al\u00e9m dos antecedentes criminais: abrange a conduta moral e social do candidato ao longo da vida, com valora\u00e7\u00e3o de fatos concretos, atuais ou pret\u00e9ritos, ainda que arquivados ou com punibilidade extinta, desde que previstos em edital e reveladores de incompatibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd N\u00e3o se antecipa ju\u00edzo penal de culpa: o ato administrativo afere idoneidade moral e compatibilidade da conduta com a fun\u00e7\u00e3o, o que afasta a alegada quebra da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O impetrante empunhava um precedente vinculante: o Tema 22 nasceu para impedir que <strong>anota\u00e7\u00f5es sem condena\u00e7\u00e3o definitiva virassem pena antecipada<\/strong> na porta dos concursos p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A regra convive com <strong>a v\u00e1lvula das situa\u00e7\u00f5es excepcional\u00edssimas nas carreiras de seguran\u00e7a p\u00fablica<\/strong>, reconhecida pelo pr\u00f3prio STF em precedentes sobre investigador de pol\u00edcia e bombeiro militar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Ainda assim, arquivamentos e extin\u00e7\u00f5es de punibilidade n\u00e3o deveriam pesar contra quem a Justi\u00e7a deixou de punir?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O objeto da sindic\u00e2ncia \u00e9 outro: n\u00e3o se mede culpa penal, <strong>mede-se o padr\u00e3o de conduta de quem exercer\u00e1 fun\u00e7\u00e3o sens\u00edvel<\/strong>. O conjunto reiterado e grave dos registros, previsto em edital e motivadamente valorado, sustentou a contraindica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a exclus\u00e3o de candidato ao cargo de agente penitenci\u00e1rio, na fase de investiga\u00e7\u00e3o social, com base em reiterados registros de procedimentos criminais arquivados e inqu\u00e9rito de viol\u00eancia dom\u00e9stica em curso:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 leg\u00edtima, admitida a mitiga\u00e7\u00e3o do Tema 22\/STF nas carreiras de seguran\u00e7a p\u00fablica diante de hist\u00f3rico grave e motivadamente valorado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 ilegal, uma vez que o Tema 22\/STF exige condena\u00e7\u00e3o colegiada ou definitiva para a elimina\u00e7\u00e3o de candidato em concurso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) viola a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia, por atribuir efeitos punitivos a procedimentos sem ju\u00edzo de culpa formado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) restringe-se aos antecedentes criminais em sentido estrito, alheios \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o social os fatos arquivados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) exige previs\u00e3o em lei formal, insuficiente a disciplina edital\u00edcia para legitimar a contraindica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. No RMS 77.518, a Segunda Turma manteve a exclus\u00e3o: o hist\u00f3rico concreto e grave, somado ao inqu\u00e9rito de viol\u00eancia dom\u00e9stica em curso, revelou padr\u00e3o incompat\u00edvel com a fun\u00e7\u00e3o, em hip\u00f3tese excepcional\u00edssima que o pr\u00f3prio Tema 22 comporta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A regra geral do precedente convive com a mitiga\u00e7\u00e3o reconhecida para as carreiras de seguran\u00e7a p\u00fablica, atividades t\u00edpicas de Estado que justificam crit\u00e9rios mais rigorosos de acesso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O ato administrativo n\u00e3o antecipa culpa penal: o que se mede \u00e9 a retid\u00e3o do candidato e o ajuste do seu padr\u00e3o de conduta \u00e0 fun\u00e7\u00e3o, ju\u00edzo distinto do processo criminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A investiga\u00e7\u00e3o social abrange a conduta moral e social ao longo da vida, com valora\u00e7\u00e3o leg\u00edtima de fatos antigos, mesmo ap\u00f3s arquivamento ou extin\u00e7\u00e3o da punibilidade, quando indicativos de incompatibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A previs\u00e3o em lei ou em edital legitima a valora\u00e7\u00e3o, segundo a pr\u00f3pria formula\u00e7\u00e3o adotada pelo julgado; n\u00e3o se exigiu reserva de lei formal exclusiva.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em saber se \u00e9 ilegal a exclus\u00e3o de candidato de concurso p\u00fablico para o cargo de agente penitenci\u00e1rio, na fase de sindic\u00e2ncia da vida pregressa, investiga\u00e7\u00e3o social e funcional, com base em registros de ocorr\u00eancias policiais, procedimentos criminais arquivados, extin\u00e7\u00e3o de punibilidade e inqu\u00e9rito policial em curso, \u00e0 luz da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia e da tese firmada no Tema n. 22\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o hist\u00f3rico comportamental do candidato, evidenciado por reiterados registros de natureza criminal (les\u00e3o corporal, amea\u00e7a, cal\u00fania, vias de fato, posse de entorpecentes, viol\u00eancia contra a mulher, viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra mulher, crimes contra a liberdade pessoal, entre outros) e pela exist\u00eancia de inqu\u00e9rito policial de viol\u00eancia dom\u00e9stica em curso, revela modelo de conduta manifestamente incompat\u00edvel com o padr\u00e3o \u00e9tico e funcional exigido do agente penitenci\u00e1rio, especialmente em ambiente de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acerca do tema, o Supremo Tribunal Federal, no RE n. 560.900\/DF (Tema n. 22), assentou que, como regra geral, a mera exist\u00eancia de boletim de ocorr\u00eancia, inqu\u00e9rito policial, termo circunstanciado ou a\u00e7\u00e3o penal em curso n\u00e3o autoriza a elimina\u00e7\u00e3o de candidato em concurso p\u00fablico, exigindo-se condena\u00e7\u00e3o penal colegiada ou definitiva e demonstra\u00e7\u00e3o motivada da incompatibilidade entre a natureza do crime e as atribui\u00e7\u00f5es do cargo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o obstante, a tese firmada no Tema n. 22\/STF admite mitiga\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es excepcional\u00edssimas e de indiscut\u00edvel gravidade, especialmente em carreiras de seguran\u00e7a p\u00fablica (CF\/1988, art. 144), por se tratarem de atividades t\u00edpicas de Estado com autoridade sobre a vida e a liberdade da coletividade, justificando crit\u00e9rios mais rigorosos de acesso e controle, como reconhecido pelo STF em precedentes relativos a investigador de pol\u00edcia e bombeiro militar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a possui entendimento pac\u00edfico de que a investiga\u00e7\u00e3o social n\u00e3o se limita \u00e0 apura\u00e7\u00e3o de antecedentes criminais, abrangendo a conduta moral e social do candidato ao longo da vida, com o objetivo de aferir o padr\u00e3o de comportamento para ingresso em carreiras sens\u00edveis, como a de agente penitenci\u00e1rio, sendo leg\u00edtima a valora\u00e7\u00e3o de fatos concretos, atuais ou pret\u00e9ritos, ainda que com extin\u00e7\u00e3o de punibilidade ou arquivamento, quando previstos em edital e indicativos de incompatibilidade com o cargo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, n\u00e3o se identifica viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia, pois n\u00e3o se discute culpa penal, mas idoneidade moral e compatibilidade da conduta com o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00e3o em \u00e1rea sens\u00edvel de seguran\u00e7a p\u00fablica, sendo admiss\u00edvel, em tais carreiras, a ado\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios mais severos de aferi\u00e7\u00e3o da conduta social, conforme orienta\u00e7\u00e3o do STF e do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, \u00e0 vista da jurisprud\u00eancia do STF (Tema n. 22, com mitiga\u00e7\u00e3o para carreiras de seguran\u00e7a p\u00fablica) e do STJ acerca da amplitude da investiga\u00e7\u00e3o social e da exig\u00eancia de retid\u00e3o, lisura e probidade para o exerc\u00edcio do cargo de agente penitenci\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 como reconhecer abusividade ou ilegalidade no ato que considerou o impetrante &#8220;n\u00e3o indicado&#8221; e o excluiu do certame.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-previdencia-complementar-de-dirigentes-e-salario-de-contribuicao\" class=\"wp-block-heading\">9. PREVID\u00caNCIA COMPLEMENTAR DE DIRIGENTES E SAL\u00c1RIO DE CONTRIBUI\u00c7\u00c3O<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 69, \u00a7 1\u00ba, da LC n. 109\/2001, <strong>sem distin\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 abrang\u00eancia dos benefici\u00e1rios<\/strong>, afasta a incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00f5es de qualquer natureza sobre as verbas destinadas ao custeio de previd\u00eancia complementar, <strong>revogando tacitamente, em parte, o art. 28, \u00a7 9\u00ba, p, da Lei n. 8.212\/1991<\/strong>, que exigia a extens\u00e3o do plano \u00e0 totalidade de empregados e dirigentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.142.645-PE, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 17\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Vendetudo Atacadista contratou plano de previd\u00eancia complementar aberta apenas para seus diretores e dirigentes. Veio a autua\u00e7\u00e3o fiscal: para o Fisco, benef\u00edcio que n\u00e3o alcan\u00e7a todos os empregados integra o sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o, na letra da al\u00ednea p do \u00a7 9\u00ba do art. 28 da Lei de Custeio. A empresa ajuizou anulat\u00f3ria apontando a lei mais nova: desde a LC n. 109\/2001, as contribui\u00e7\u00f5es vertidas a entidades de previd\u00eancia complementar n\u00e3o sofrem tributa\u00e7\u00e3o, sem ressalva sobre o p\u00fablico do plano. Qual das duas normas rege o caso?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.212\/1991, art. 28, \u00a7 9\u00ba, p<\/strong> <em>(exclu\u00eda do sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o o valor das contribui\u00e7\u00f5es do empregador a programa de previd\u00eancia complementar, desde que dispon\u00edvel \u00e0 totalidade de seus empregados e dirigentes).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n. 109\/2001, art. 69, \u00a7 1\u00ba<\/strong> <em>(sobre as contribui\u00e7\u00f5es vertidas \u00e0s entidades de previd\u00eancia complementar, destinadas ao custeio de planos de benef\u00edcios de natureza previdenci\u00e1ria, n\u00e3o incidem tributa\u00e7\u00e3o e contribui\u00e7\u00f5es de qualquer natureza).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O aparente conflito se resolve pelo crit\u00e9rio cronol\u00f3gico da LINDB (art. 2\u00ba, \u00a7 1\u00ba): a lei posterior, que tratou da mat\u00e9ria sem ressalvas, revogou tacitamente, em parte, a exig\u00eancia da norma anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Plano restrito a diretores e dirigentes, voltado a benef\u00edcios de natureza previdenci\u00e1ria, fica fora do sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o; a limita\u00e7\u00e3o da universalidade caiu com a nova disciplina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Fazenda defendia a leitura conjunta: a al\u00ednea p seria norma especial de custeio, <strong>convivendo com a lei complementar como requisito adicional antievasivo<\/strong>, a impedir que a c\u00fapula da empresa recebesse sal\u00e1rio disfar\u00e7ado de previd\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Segunda Turma viu incompatibilidade, n\u00e3o conviv\u00eancia: <strong>a lei nova regulou a mesma mat\u00e9ria de forma expressa e sem ressalvas<\/strong>, e onde h\u00e1 antinomia real o crit\u00e9rio cronol\u00f3gico decide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Persistia o receio de abuso: sem a exig\u00eancia de universalidade, <strong>planos seletivos virariam ve\u00edculo de remunera\u00e7\u00e3o indireta<\/strong> livre de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O filtro que sobrou \u00e9 final\u00edstico: a n\u00e3o incid\u00eancia pressup\u00f5e verbas <strong>destinadas ao custeio de benef\u00edcios de natureza previdenci\u00e1ria<\/strong>; preenchido esse requisito, a restri\u00e7\u00e3o subjetiva do plano deixou de ser condi\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sobre valores pagos pela empresa a plano de previd\u00eancia complementar oferecido apenas a diretores e dirigentes, ap\u00f3s a LC n. 109\/2001:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) incide a contribui\u00e7\u00e3o, mantida a exig\u00eancia de extens\u00e3o do plano \u00e0 totalidade dos empregados e dirigentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) incide a contribui\u00e7\u00e3o, pois a restri\u00e7\u00e3o subjetiva descaracteriza a natureza previdenci\u00e1ria do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) a solu\u00e7\u00e3o depende do regime do plano, alcan\u00e7ada pela n\u00e3o incid\u00eancia a previd\u00eancia fechada, e n\u00e3o a aberta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) a exig\u00eancia de universalidade subsiste para empresas com mais de um estabelecimento, por for\u00e7a de norma especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) n\u00e3o incide a contribui\u00e7\u00e3o, revogada tacitamente, em parte, a exig\u00eancia de universalidade da Lei n. 8.212\/1991.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A exig\u00eancia da al\u00ednea p foi superada: a LC n. 109\/2001 disciplinou a mat\u00e9ria sem ressalvas, e o crit\u00e9rio cronol\u00f3gico da LINDB resolve a antinomia em favor da lei posterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A natureza previdenci\u00e1ria decorre da destina\u00e7\u00e3o das verbas ao custeio de planos de benef\u00edcios, n\u00e3o da amplitude do p\u00fablico; o plano seletivo permanece previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O caso envolvia plano de regime aberto, e a n\u00e3o incid\u00eancia foi reconhecida; o art. 69, \u00a7 1\u00ba, n\u00e3o distingue entre entidades abertas e fechadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Nenhuma regra especial ligada ao n\u00famero de estabelecimentos foi cogitada; a discuss\u00e3o se resolveu no confronto temporal entre as duas normas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Foi a conclus\u00e3o do REsp 2.142.645: a regra do \u00a7 1\u00ba do art. 69 da lei complementar de 2001 afastou a limita\u00e7\u00e3o da al\u00ednea p, excluindo as verbas do sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia cinge-se \u00e0 an\u00e1lise da inclus\u00e3o, ou n\u00e3o, no sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o, dos valores pagos por empresas a programas de previd\u00eancia complementar que n\u00e3o s\u00e3o oferecidos \u00e0 totalidade de seus empregados e dirigentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Verifica-se que a discuss\u00e3o teve origem com a entrada em vigor do \u00a7 1\u00ba do art. 69 da Lei Complementar n. 109\/2001, o qual, em uma primeira an\u00e1lise, aparenta divergir do disposto no art. 28, \u00a7 9\u00ba, p, da Lei n. 8.212\/1991.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso uma empresa ajuizou a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria com o objetivo de desconstituir cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios oriundos de autua\u00e7\u00e3o fiscal que exigiu o recolhimento de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sobre valores voltados a plano de previd\u00eancia complementar, de regime aberto, destinado exclusivamente a diretores e dirigentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para a Fazenda Nacional, a n\u00e3o incid\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sobre os valores destinados \u00e0 previd\u00eancia complementar estaria condicionada \u00e0 extens\u00e3o do benef\u00edcio \u00e0 totalidade dos empregados e dirigentes, conforme a literalidade do art. 28, \u00a7 9\u00ba, p, da Lei n. 8.212\/1991.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, o Tribunal de origem entendeu que a LC n. 109\/2001 revogou essa exig\u00eancia, afastando a necessidade de que o plano de previd\u00eancia seja disponibilizado a todos os empregados e dirigentes para fins de exclus\u00e3o da base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria. Assim, concluiu-se que n\u00e3o incidem tributos ou contribui\u00e7\u00f5es sobre os valores destinados a entidades de previd\u00eancia complementar, desde que voltados ao custeio de planos de benef\u00edcios de natureza previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, com a entrada em vigor da LC n. 109\/2001, que disp\u00f5e sobre o regime de previd\u00eancia complementar, o \u00a7 1\u00ba do seu art. 69 passou a prever, de forma expressa e sem ressalvas, a n\u00e3o incid\u00eancia de tributos e contribui\u00e7\u00f5es de qualquer natureza sobre as contribui\u00e7\u00f5es vertidas \u00e0s entidades de previd\u00eancia complementar quando destinadas ao custeio de planos de benef\u00edcios de natureza previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, diante dessa nova disciplina legal e da incompatibilidade entre as normas coexistentes, restou revogada, de forma t\u00e1cita e parcial, a exig\u00eancia contida no art. 28, \u00a7 9\u00ba, p, da Lei n. 8.212\/1991, nos termos do crit\u00e9rio cronol\u00f3gico de solu\u00e7\u00e3o de conflito aparente de normas, previsto no art. 2\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Normas de Direito Brasileiro &#8211; LINDB.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-suspensao-da-imunidade-do-art-195-7\u00ba-e-procedimento-previo\" class=\"wp-block-heading\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; SUSPENS\u00c3O DA IMUNIDADE DO ART. 195, \u00a7 7\u00ba, E PROCEDIMENTO PR\u00c9VIO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O procedimento administrativo pr\u00e9vio do <strong>art. 32 da Lei n. 9.430\/1996 aplica-se \u00e0 suspens\u00e3o da imunidade das contribui\u00e7\u00f5es sociais<\/strong> do art. 195, \u00a7 7\u00ba, da CF: o lan\u00e7amento de tributo abrangido por imunidade pressup\u00f5e <strong>ato declarat\u00f3rio antecedente, precedido de notifica\u00e7\u00e3o, defesa e decis\u00e3o motivada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.165.172-SP, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 17\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Instituto M\u00e3os Dadas, entidade beneficente, foi surpreendido por auto de infra\u00e7\u00e3o de COFINS lavrado sem qualquer ato pr\u00e9vio que suspendesse sua imunidade. Nos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal, o auto caiu por nulidade, e a Fazenda Nacional recorreu: o rito do art. 32 da Lei n. 9.430\/1996 valeria para a imunidade dos impostos (CF, art. 150, VI, c), n\u00e3o para a das contribui\u00e7\u00f5es sociais das beneficentes (art. 195, \u00a7 7\u00ba), bastando o contradit\u00f3rio posterior do Decreto n. 70.235\/1972. O manto imunizante pode ser afastado direto no lan\u00e7amento?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.430\/1996, art. 32<\/strong> <em>(a suspens\u00e3o da imunidade tribut\u00e1ria, em raz\u00e3o do descumprimento de requisitos legais, depende de procedimento com notifica\u00e7\u00e3o da entidade, prazo de defesa, ato declarat\u00f3rio motivado e recurso).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 150, VI, c, e 195, \u00a7 7\u00ba<\/strong> <em>(imunidade dos impostos das institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia social sem fins lucrativos; s\u00e3o isentas de contribui\u00e7\u00f5es para a seguridade social as entidades beneficentes que atendam \u00e0s exig\u00eancias legais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A disciplina do art. 32 n\u00e3o se prende \u00e0 esp\u00e9cie tribut\u00e1ria, e sim ao regime jur\u00eddico da imunidade como limita\u00e7\u00e3o constitucional ao poder de tributar; a imunidade das contribui\u00e7\u00f5es tem id\u00eantica natureza, e a ADI 1.802, ao invalidar o art. 14 da Lei n. 9.532\/1997, n\u00e3o dispensou o devido processo administrativo pr\u00e9vio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Afastar a imunidade diretamente no lan\u00e7amento inverte o \u00f4nus e fere a legalidade estrita, a seguran\u00e7a jur\u00eddica e a confian\u00e7a: cabe \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o demonstrar antes o descumprimento dos requisitos; o ato declarat\u00f3rio \u00e9 pressuposto de validade do pr\u00f3prio auto de infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Fazenda apostava na literalidade: o art. 32 menciona a imunidade do art. 150, VI, e <strong>regra procedimental restritiva n\u00e3o se estende por analogia<\/strong>; para as contribui\u00e7\u00f5es, bastaria a defesa posterior do processo administrativo fiscal comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Segunda Turma olhou para a natureza, n\u00e3o para o endere\u00e7o do dispositivo: <strong>as duas imunidades s\u00e3o limita\u00e7\u00f5es constitucionais de id\u00eantica estatura<\/strong>, e tratar uma com garantias pr\u00e9vias e a outra com contradit\u00f3rio diferido criaria desigualdade sem fundamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Alegou-se ainda a queda do elo legal: se o STF invalidou o art. 14 da Lei n. 9.532\/1997, <strong>a remiss\u00e3o ao rito do art. 32 teria perdido a base normativa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A ADI 1.802 barrou a amplia\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es por lei ordin\u00e1ria, <strong>mas preservou a exig\u00eancia de procedimento regular para afastar o manto imunizante<\/strong>; sem o ato declarat\u00f3rio antecedente, o lan\u00e7amento nasce sem pressuposto de validade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 exig\u00eancia de contribui\u00e7\u00f5es sociais de entidade beneficente amparada pela imunidade do art. 195, \u00a7 7\u00ba, da CF:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) prescinde de ato pr\u00e9vio, assegurado o contradit\u00f3rio ap\u00f3s a lavratura do auto, na forma do Decreto n. 70.235\/1972.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) admite o afastamento da imunidade no pr\u00f3prio lan\u00e7amento, cabendo \u00e0 entidade provar o cumprimento dos requisitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) pressup\u00f5e procedimento administrativo pr\u00e9vio de suspens\u00e3o da imunidade, nos moldes do art. 32 da Lei n. 9.430\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) tornou-se incontrol\u00e1vel na via administrativa desde a declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade do art. 14 da Lei n. 9.532\/1997.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) segue rito pr\u00f3prio das contribui\u00e7\u00f5es, distinto do aplic\u00e1vel \u00e0 imunidade dos impostos, por op\u00e7\u00e3o do legislador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O contradit\u00f3rio diferido do processo administrativo fiscal n\u00e3o substitui o procedimento antecedente: a suspens\u00e3o da imunidade exige notifica\u00e7\u00e3o, defesa e decis\u00e3o motivada antes do lan\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Essa invers\u00e3o fere a legalidade estrita e a prote\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a: \u00e9 a Administra\u00e7\u00e3o que deve demonstrar, previamente, o descumprimento dos requisitos legais e constitucionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. Foi a conclus\u00e3o do REsp 2.165.172: o regime do art. 32 alcan\u00e7a a imunidade das contribui\u00e7\u00f5es sociais, pois a disciplina se liga \u00e0 natureza de limita\u00e7\u00e3o constitucional ao poder de tributar, comum \u00e0s duas hip\u00f3teses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A ADI 1.802 impediu que lei ordin\u00e1ria ampliasse restri\u00e7\u00f5es ao gozo da imunidade, sem eliminar o devido processo administrativo para a sua suspens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 rito diferenciado por esp\u00e9cie tribut\u00e1ria: imunidades de id\u00eantica estatura recebem o mesmo tratamento procedimental, sob pena de desigualdade injustificada.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-8\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a debater a aplicabilidade do art. 32 da Lei 9.430\/1996 \u00e0 suspens\u00e3o da imunidade tribut\u00e1ria prevista no art. 195, \u00a7 7\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, na origem, cuida-se de embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal em que se reconheceu a nulidade do auto de infra\u00e7\u00e3o da COFINS, este lavrado antes de ato declarat\u00f3rio de suspens\u00e3o da imunidade, afirmando-se a necessidade do procedimento do art. 32 da Lei n. 9.430\/1996 \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es a que alude o art. 195, \u00a7 7\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Fazenda Nacional sustenta que o procedimento pr\u00e9vio disciplinado no art. 32 da Lei n. 9.430\/1996 restringe-se \u00e0 imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF, n\u00e3o sendo juridicamente poss\u00edvel a sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 imunidade prevista no art. 195, \u00a7 7\u00ba. Assim, diante da inexist\u00eancia de previs\u00e3o legal espec\u00edfica, devem ser observadas as normas do Decreto n. 70.235\/1972, as quais garantem o contradit\u00f3rio e a ampla defesa ap\u00f3s a lavratura do auto de infra\u00e7\u00e3o, por meio da interposi\u00e7\u00e3o de recurso administrativo dotado de efeito suspensivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, ainda que o mencionado art. 32 fa\u00e7a men\u00e7\u00e3o expressa \u00e0 imunidade do art. 150, VI, da CF, sua disciplina normativa n\u00e3o se limita \u00e0 natureza do tributo, mas ao regime jur\u00eddico da imunidade tribut\u00e1ria enquanto limita\u00e7\u00e3o constitucional ao poder de tributar, exigindo, para sua desconstitui\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria, a observ\u00e2ncia de procedimento espec\u00edfico, formal e motivado, com contradit\u00f3rio pr\u00e9vio e ampla defesa. A imunidade das contribui\u00e7\u00f5es sociais, embora prevista em dispositivo diverso, possui a mesma natureza jur\u00eddica de limita\u00e7\u00e3o constitucional de compet\u00eancia, n\u00e3o podendo ser afastada de forma autom\u00e1tica ou impl\u00edcita por meio de simples lan\u00e7amento tribut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, o art. 14 da Lei 9.532\/1997, ao remeter expressamente ao art. 32 da Lei 9.430\/1996 para a suspens\u00e3o do gozo da imunidade, refor\u00e7ou a compreens\u00e3o de que o legislador ordin\u00e1rio pretendeu submeter toda e qualquer hip\u00f3tese de suspens\u00e3o de imunidade a um procedimento administrativo pr\u00e9vio e formalizado, sem distin\u00e7\u00e3o entre impostos e contribui\u00e7\u00f5es. Embora o Supremo Tribunal Federal tenha declarado a inconstitucionalidade do referido art. 14 (ADI 1.802\/DF, relator Min. Dias Toffoli, j. 12.04\/2018, DJe 2\/5\/2018), a decis\u00e3o n\u00e3o afastou a necessidade de observ\u00e2ncia do devido processo legal administrativo para a suspens\u00e3o de imunidades constitucionais, mas apenas impediu que lei ordin\u00e1ria ampliasse, de forma gen\u00e9rica e autom\u00e1tica, hip\u00f3teses restritivas ao exerc\u00edcio de imunidades, preservando-se, contudo, a exig\u00eancia de procedimento regular quando a Administra\u00e7\u00e3o pretenda afastar o manto imunizante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a interpreta\u00e7\u00e3o de que a imunidade do art. 195, \u00a7 7\u00ba, possa ser afastada diretamente quando do lan\u00e7amento afronta os princ\u00edpios da legalidade estrita em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria, da seguran\u00e7a jur\u00eddica e da prote\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a, na medida em que transfere ao contribuinte o \u00f4nus de, apenas a posteriori, discutir pressupostos constitucionais para o gozo da imunidade, quando o correto \u00e9 exigir que a Administra\u00e7\u00e3o demonstre previamente o descumprimento dos requisitos legais e constitucionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, o pr\u00f3prio desenho normativo do art. 32 da Lei 9.430\/1996 evidencia que o lan\u00e7amento de tributos potencialmente abrangidos por imunidade depende, logicamente, de ato antecedente de suspens\u00e3o, consubstanciado no ato declarat\u00f3rio executivo, precedido de notifica\u00e7\u00e3o, defesa e decis\u00e3o motivada. Cuida-se de verdadeiro pressuposto de validade do lan\u00e7amento, pois somente ap\u00f3s afastada, de forma regular, a imunidade, \u00e9 que se restabelece a compet\u00eancia tribut\u00e1ria do ente arrecadador. Essa l\u00f3gica se aplica indistintamente \u00e0s imunidades sobre impostos e \u00e0s imunidades sobre contribui\u00e7\u00f5es sociais, sob pena de tratamento desigual entre limita\u00e7\u00f5es constitucionais de id\u00eantica estatura normativa.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-celular-como-produto-essencial-e-o-art-18-3\u00ba-do-cdc\" class=\"wp-block-heading\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CELULAR COMO PRODUTO ESSENCIAL E O ART. 18, \u00a7 3\u00ba, DO CDC<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Produto essencial&#8221; (CDC, art. 18, \u00a7 3\u00ba) \u00e9 conceito jur\u00eddico indeterminado, concretizado caso a caso: <strong>N\u00c3O se pode considerar o aparelho celular, de forma generalizada, produto essencial<\/strong>. A essencialidade \u00e9 relacional e se afere por vetores como <strong>indispensabilidade objetiva, destina\u00e7\u00e3o concreta e impacto da priva\u00e7\u00e3o<\/strong> na vida cotidiana ou na dignidade do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.226.610-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por maioria, julgado em 9\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O MP moveu a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica para que se reconhecesse que todo celular defeituoso dispensa o prazo de 30 dias de conserto, por se tratar de produto essencial, liberando de imediato a troca, a devolu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o ou o abatimento (CDC, art. 18, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 3\u00ba). Nhonho, comprara um aparelho com v\u00edcio e ainda usava o antigo enquanto aguardava o reparo. Segundo os fornecedores, o caso do Nhonho era ilustrativo: para quem tem alternativa, a espera \u00e9 inc\u00f4modo; apenas para quem trabalha pelo telefone a essencialidade se imporia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 18, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 3\u00ba<\/strong> <em>(sanado o v\u00edcio em at\u00e9 30 dias, mant\u00e9m-se o produto; o consumidor pode exigir de imediato a substitui\u00e7\u00e3o, a restitui\u00e7\u00e3o ou o abatimento quando a extens\u00e3o do v\u00edcio comprometer a qualidade do produto ou quando se tratar de produto essencial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O prazo de 30 dias \u00e9, a rigor, um direito do fornecedor (REsp 1.637.628); generalizar a essencialidade do celular esvaziaria a regra, encareceria o produto e abriria caminho para igual tratamento de in\u00fameros outros bens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A essencialidade \u00e9 relacional, n\u00e3o absoluta: aferem-se (i) a indispensabilidade objetiva (necessidade b\u00e1sica atendida), (ii) a destina\u00e7\u00e3o concreta (uso efetivo, como ferramenta de trabalho) e (iii) o impacto da priva\u00e7\u00e3o (preju\u00edzo relevante ao cotidiano ou \u00e0 dignidade).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A norma foi pensada antes da era dos smartphones; a utilidade massiva do aparelho n\u00e3o o categoriza objetivamente como essencial para os efeitos do \u00a7 3\u00ba, exigindo-se a an\u00e1lise do caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A tese coletiva tinha for\u00e7a ret\u00f3rica: no pa\u00eds do gov.br, do banco no bolso e do trabalho por aplicativo, <strong>viver 30 dias sem celular seria impor exclus\u00e3o digital<\/strong> ao consumidor que j\u00e1 sofreu com o v\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A maioria da Terceira Turma desconfiou da generaliza\u00e7\u00e3o: <strong>a essencialidade abstrata de um produto multiuso n\u00e3o existe<\/strong>; quem atualiza o aparelho e segue usando o antigo n\u00e3o est\u00e1 na mesma posi\u00e7\u00e3o de quem depende do telefone para trabalhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Sobrava o argumento do risco da atividade: transferir ao consumidor a espera do diagn\u00f3stico <strong>protegeria o fornecedor \u00e0s custas da parte vulner\u00e1vel<\/strong> da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O julgado devolveu a equa\u00e7\u00e3o ao equil\u00edbrio do CDC: o prazo de reparo existe para viabilizar a apura\u00e7\u00e3o do v\u00edcio sem inflar o pre\u00e7o final, e <strong>o Direito n\u00e3o elimina todo inc\u00f4modo da vida moderna<\/strong>; onde a priva\u00e7\u00e3o causar preju\u00edzo relevante, os vetores do caso concreto destravam as alternativas imediatas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prop\u00f3sito do enquadramento do aparelho celular como &#8220;produto essencial&#8221; para os fins do art. 18, \u00a7 3\u00ba, do CDC:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) d\u00e1-se de forma objetiva e generalizada, dispensado o consumidor de aguardar o prazo de 30 dias de reparo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) foi rejeitado em abstrato pela jurisprud\u00eancia, negando-se ao celular aptid\u00e3o para configurar bem dessa natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) reserva-se aos aparelhos adquiridos como instrumento de trabalho, mediante prova documental da destina\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) depende do caso concreto, aferido por vetores como indispensabilidade objetiva, destina\u00e7\u00e3o e impacto da priva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) condiciona-se ao valor do bem, qualificando-se como essenciais os aparelhos de entrada e n\u00e3o os de alto padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A maioria recusou a categoriza\u00e7\u00e3o objetiva e generalizada: transformar a exce\u00e7\u00e3o do \u00a7 3\u00ba em regra esvaziaria o prazo legal de reparo e oneraria o pr\u00f3prio consumidor no pre\u00e7o do produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O julgado n\u00e3o nega que o celular possa ser essencial: nega que o seja sempre; a depender dos vetores concretos, a priva\u00e7\u00e3o do aparelho pode sim liberar as alternativas imediatas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A destina\u00e7\u00e3o profissional \u00e9 um dos vetores (uso efetivo como ferramenta de trabalho), mas n\u00e3o o \u00fanico: indispensabilidade objetiva e impacto da priva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m comp\u00f5em a an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. Foi a orienta\u00e7\u00e3o fixada no REsp 2.226.610: conceito jur\u00eddico indeterminado, a essencialidade \u00e9 relacional e se concretiza em cada caso, por aspectos funcionais e contextuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O pre\u00e7o do aparelho n\u00e3o figura entre os crit\u00e9rios; o que importa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do bem na vida do consumidor e o preju\u00edzo causado pela sua falta.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-9\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se o aparelho celular deve ser considerado &#8220;produto essencial&#8221;, permitindo ao consumidor o uso imediato das alternativas de substitui\u00e7\u00e3o do produto viciado, restitui\u00e7\u00e3o da quantia paga ou abatimento proporcional do pre\u00e7o, nos termos do art. 18, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 3\u00ba, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, ao tratar da responsabilidade por v\u00edcio do produto e do servi\u00e7o, disp\u00f5e que os fornecedores t\u00eam o prazo m\u00e1ximo de 30 (trinta) dias para sanar o v\u00edcio. Decorrido esse prazo, pode o consumidor exigir, alternativamente e \u00e0 sua escolha, a substitui\u00e7\u00e3o do produto, a restitui\u00e7\u00e3o imediata da quantia paga ou o abatimento proporcional do pre\u00e7o (art. 18, \u00a7 1\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 poss\u00edvel ao consumidor, no entanto, fazer uso imediato das alternativas do referido \u00a7 1\u00ba sempre que, &#8220;em raz\u00e3o da extens\u00e3o do v\u00edcio, a substitui\u00e7\u00e3o das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou caracter\u00edsticas do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O conceito jur\u00eddico de produto essencial, de fato, \u00e9 indeterminado e o Superior Tribunal de Justi\u00e7a ainda n\u00e3o teve a oportunidade de apreciar a quest\u00e3o, cingindo-se os julgados \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de que &#8220;(&#8230;) a oportunidade de sanear o v\u00edcio no prazo de 30 (trinta) dias trata-se, a rigor, de um direito do fornecedor, que apenas \u00e9 afastado nas hip\u00f3teses previstas no art. 18, \u00a7 3\u00ba, do CDC, a saber: (i) quando, em raz\u00e3o da extens\u00e3o do v\u00edcio, a substitui\u00e7\u00e3o das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou caracter\u00edsticas do produto, ou diminuir-lhe o valor; (ii) quando se tratar de produto essencial&#8221;, conforme se extrai do REsp n. 1.637.628\/ES (Relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 4\/12\/2018, DJe de 7\/12\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A doutrina consumerista apresenta algumas alternativas interpretativas para extrair a essencialidade do produto. A quest\u00e3o \u00e9 que a interpreta\u00e7\u00e3o do conceito jur\u00eddico de produto essencial deve, por um lado, estar atrelada ao microssistema de prote\u00e7\u00e3o do consumidor, ou seja, tutelar a justa expectativa do comprador de poder fazer uso imediato do produto adquirido, mas, por outro lado, sem descuidar da no\u00e7\u00e3o de abuso de direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em outras palavras, \u00e9 preciso indagar quando o prazo m\u00e1ximo de 30 (trinta) dias para a solu\u00e7\u00e3o do v\u00edcio do produto pelo fornecedor se mostra inadequado \u00e0 tutela da expectativa do consumidor, a fim de garantir a aplica\u00e7\u00e3o do disposto na exce\u00e7\u00e3o prevista na parte final do \u00a7 3\u00ba do art. 18 do CDC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o se desconsidera que todo e qualquer v\u00edcio de produto gera inc\u00f4modo e quebra de expectativa ao consumidor, que se v\u00ea frustrado do uso imediato do produto adquirido. Ocorre que, n\u00e3o por acaso, o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor previu, como regra, um prazo m\u00e1ximo de 30 (trinta) dias para solu\u00e7\u00e3o do v\u00edcio do produto, para que s\u00f3 ent\u00e3o o consumidor possa postular a restitui\u00e7\u00e3o do valor, o abatimento do pre\u00e7o ou a troca do produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na l\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o e do consumo, parece evidente que a altera\u00e7\u00e3o dessa regra, para que seja poss\u00edvel postular imediatamente as alternativas do art. 18, \u00a7 1\u00ba, do CDC, pode causar o aumento do custo do pr\u00f3prio produto, a onerar o consumidor, ainda que na tentativa de proteg\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a prevalecer o entendimento de que, como regra, o aparelho de celular \u00e9 um produto essencial, n\u00e3o haveria justificativa para que a mesma interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse conferida a outros tantos produtos que, a depender do caso concreto, podem ou n\u00e3o ser considerados essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel afastar a an\u00e1lise do caso concreto para a aferi\u00e7\u00e3o da essencialidade de um aparelho celular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apenas para ilustrar: uma hip\u00f3tese \u00e9 um consumidor que utiliza o celular para o exerc\u00edcio da sua profiss\u00e3o, que tenha perdido ou danificado o anterior, e adquira um aparelho novo que apresenta defeito que o deixe impossibilitado de trabalhar por 30 (trinta) dias. Outra hip\u00f3tese \u00e9 algu\u00e9m que escolha atualizar seu equipamento, comprando um aparelho novo, que venha a apresentar defeito, sendo vi\u00e1vel que permane\u00e7a utilizando o aparelho anterior, pelo prazo de no m\u00e1ximo 30 (trinta) dias, at\u00e9 a solu\u00e7\u00e3o do defeito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, uma quest\u00e3o de ordem t\u00e9cnica que n\u00e3o pode ser desprezada \u00e9 a dificuldade de aferir, imediatamente, no momento da apresenta\u00e7\u00e3o do produto defeituoso ao fornecedor, as causas e a extens\u00e3o do defeito do produto, a fim de permitir as alternativas previstas no art. 18, \u00a7 1\u00ba, do CDC, sem que o fornecedor tenha um prazo para a solu\u00e7\u00e3o do defeito, o que tamb\u00e9m contribuiria para o aumento do custo do produto, a ser repassado ao consumidor final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por esse quadro, mesmo compartilhando do entendimento de que com a evolu\u00e7\u00e3o da sociedade n\u00e3o se pode negar que o aparelho celular passou a ser considerado um produto de uso comum e importante \u00e0s pessoas, n\u00e3o h\u00e1 como reconhecer que sua essencialidade se projete de forma generalizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da mesma forma, n\u00e3o parece razo\u00e1vel afirmar que a possibilidade de um consumidor continuar usando o aparelho antigo, enquanto aguarda a apura\u00e7\u00e3o do v\u00edcio do produto pelo fornecedor, constitua indevida transfer\u00eancia dos riscos da atividade \u00e0 parte vulner\u00e1vel da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. \u00c9 imposs\u00edvel ao Direito afastar todo e qualquer inc\u00f4modo da vida moderna, o que inclui a infelicidade de aguardar por at\u00e9 30 (trinta) dias o conserto de um telefone celular, em situa\u00e7\u00f5es nas quais o evento n\u00e3o cause preju\u00edzo relevante \u00e0 vida cotidiana ou \u00e0 dignidade do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 preciso que se destaque que a norma do art. 18, \u00a7 3\u00ba, do CDC foi pensada para uma \u00e9poca em que sequer se podia imaginar a exist\u00eancia de um produto como o celular e suas m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es e utilidades, lembrando-se que os primeiros telefones celulares chegavam ao Brasil somente no curso da d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O desafio do presente julgamento \u00e9 exatamente esse: extrair o objetivo da norma ora em an\u00e1lise, considerada a \u00e9poca em que editada, sem descuidar da realidade atual. E, nos dias de hoje, \u00e9 inequ\u00edvoco reconhecer que os aparelhos celulares servem muito al\u00e9m de acesso \u00e0 rede de telefonia, mas, predominantemente, para acesso \u00e0 internet, comunica\u00e7\u00f5es por mensagens instant\u00e2neas, al\u00e9m de certifica\u00e7\u00f5es nos mais diversos s\u00edtios eletr\u00f4nicos e sistemas, como \u00e9 o caso do &#8220;gov.br&#8221;, bancos e outros tantos aplicativos necess\u00e1rios no dia a dia das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o se pode, com fundamento na utilidade e na massiva utiliza\u00e7\u00e3o desse produto, categoriz\u00e1-lo, objetivamente, como produto essencial, ao menos para os efeitos do citado \u00a7 3\u00ba, pensado para um contexto completamente diverso. A interpreta\u00e7\u00e3o do conceito jur\u00eddico de produto essencial disposta no art. 18, \u00a7 3\u00ba, do CDC, portanto, exatamente por se tratar de conceito jur\u00eddico indeterminado, deve ser concretizada em cada caso, levando em conta aspectos funcionais e contextuais, n\u00e3o sendo poss\u00edvel considerar o aparelho celular, de forma generalizada, um produto essencial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, \u00e9 poss\u00edvel concluir que a essencialidade \u00e9 relacional, n\u00e3o absoluta, sendo necess\u00e1rio que se extraiam vetores de interpreta\u00e7\u00e3o para o caso concreto, tais como: (i) indispensabilidade objetiva, ou seja, se o bem atende necessidade b\u00e1sica (ex.: alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, higiene, comunica\u00e7\u00e3o essencial); (ii) destina\u00e7\u00e3o concreta, entendida como o uso efetivo pelo consumidor (ex.: ferramenta de trabalho); e (iii) impacto da priva\u00e7\u00e3o, apto a causar preju\u00edzo relevante \u00e0 vida cotidiana ou \u00e0 dignidade do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-efeito-suspensivo-e-julgamento-do-recurso-principal\" class=\"wp-block-heading\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; EFEITO SUSPENSIVO E JULGAMENTO DO RECURSO PRINCIPAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s o julgamento do recurso principal, <strong>fica prejudicado, por perda de objeto<\/strong>, o pedido de tutela provis\u00f3ria para atribuir <strong>efeito suspensivo ao agravo em recurso especial<\/strong>, independentemente do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt na TutAntAnt 551-SP, Rel. Min. Daniela Teixeira, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 15\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes mesmo de seu agravo em recurso especial ser distribu\u00eddo no STJ, Jaiminho requereu tutela provis\u00f3ria para dar efeito suspensivo ao recurso e frear a execu\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o de apela\u00e7\u00e3o. O pedido foi indeferido, e ele interp\u00f4s agravo interno. Antes do julgamento deste, por\u00e9m, a Presid\u00eancia do STJ n\u00e3o conheceu do agravo em recurso especial, e a Turma confirmou a decis\u00e3o. Julgado o recurso principal, ainda sobra o que suspender?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 995, par\u00e1grafo \u00fanico, e 1.029, \u00a7 5\u00ba<\/strong> <em>(a efic\u00e1cia da decis\u00e3o recorrida pode ser suspensa quando houver risco de dano grave e probabilidade de provimento; o pedido de efeito suspensivo a recurso ainda n\u00e3o distribu\u00eddo dirige-se ao tribunal superior conforme a fase processual).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 firme: o julgamento do recurso principal, ainda que pendente o tr\u00e2nsito em julgado, esvazia o pedido de efeito suspensivo formulado em tutela provis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd N\u00e3o conhecido o agravo em recurso especial e mantida a decis\u00e3o pela Turma, o agravo interno contra o indeferimento da tutela resta prejudicado por evidente perda de objeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O requerente via utilidade remanescente: enquanto coubessem novos recursos, <strong>a execu\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o continuaria amea\u00e7ando dano grave<\/strong>, e a tutela provis\u00f3ria seguiria tendo fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Terceira Turma lembrou o car\u00e1ter acess\u00f3rio da medida: <strong>o efeito suspensivo serve a um recurso, n\u00e3o \u00e0 parte<\/strong>; julgado o principal, a acess\u00f3ria fica sem objeto sobre o qual operar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Poderia argumentar-se com o tr\u00e2nsito em julgado: sem ele, <strong>a rela\u00e7\u00e3o processual segue viva<\/strong> e o risco tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A jurisprud\u00eancia dispensa o tr\u00e2nsito: <strong>basta o julgamento do recurso principal para a perda de objeto<\/strong>; a eventual irresigna\u00e7\u00e3o subsequente ter\u00e1 seus pr\u00f3prios instrumentos, n\u00e3o o pedido antigo de suspens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Julgado o recurso principal, o pedido de tutela provis\u00f3ria anteriormente formulado para atribuir efeito suspensivo a agravo em recurso especial:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) subsiste at\u00e9 o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o que apreciou o recurso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) fica prejudicado, por perda superveniente do objeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) converte-se em pedido de efeito suspensivo aos recursos subsequentes, aproveitando-se os fundamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) mant\u00e9m-se quando demonstrado risco de dano grave decorrente da execu\u00e7\u00e3o imediata do ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) transforma-se em medida cautelar aut\u00f4noma, processada em apenso ao feito principal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A jurisprud\u00eancia do STJ dispensa o tr\u00e2nsito em julgado: o pr\u00f3prio julgamento do recurso principal esvazia a pretens\u00e3o suspensiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Foi o que assentou a Terceira Turma na TutAntAnt 551: confirmado o n\u00e3o conhecimento do recurso principal, nada restou sobre o que a pretendida suspens\u00e3o pudesse operar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 convers\u00e3o autom\u00e1tica: eventual irresigna\u00e7\u00e3o futura reclamar\u00e1 requerimento pr\u00f3prio, com pressupostos aferidos no novo contexto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O risco de dano \u00e9 pressuposto da concess\u00e3o, n\u00e3o fator de sobreviv\u00eancia do pedido depois de julgado o recurso ao qual a suspens\u00e3o serviria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A tutela provis\u00f3ria requerida em car\u00e1ter antecedente n\u00e3o se metamorfoseia em cautelar aut\u00f4noma; sem recurso pendente, falta-lhe objeto.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-10\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se o pedido de tutela provis\u00f3ria para atribuir efeito suspensivo ao agravo em recurso especial subsiste ap\u00f3s o julgamento do recurso principal, implicando perda superveniente do objeto do agravo interno interposto contra o indeferimento dessa tutela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o pedido principal da tutela provis\u00f3ria tratava da postula\u00e7\u00e3o de efeito suspensivo a agravo em recurso especial que ainda n\u00e3o havia sido distribu\u00eddo ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Consta, no sistema processual do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, que foi proferida decis\u00e3o pelo Presidente do Superior Tribunal de Justi\u00e7a que n\u00e3o conheceu do agravo em recurso especial. Contra essa decis\u00e3o, foi interposto agravo interno ao qual a Terceira Turma negou provimento, mantendo a decis\u00e3o de n\u00e3o conhecimento do agravo em recurso especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, tem-se que a jurisprud\u00eancia do STJ firmou entendimento no sentido de que o julgamento do recurso principal, independentemente de tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o, ocasiona a perda do objeto do pedido de concess\u00e3o de efeito suspensivo formulado em tutela provis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, com o julgamento do processo principal, a discuss\u00e3o acerca do indeferimento deste pedido de tutela resta prejudicada por evidente perda de objeto.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-capitalizacao-diaria-sem-taxa-diaria-expressa-no-contrato\" class=\"wp-block-heading\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CAPITALIZA\u00c7\u00c3O DI\u00c1RIA SEM TAXA DI\u00c1RIA EXPRESSA NO CONTRATO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos contratos posteriores \u00e0 MP n. 1.963-17\/2000 (atual MP n. 2.170-36\/2001), <strong>a aus\u00eancia de indica\u00e7\u00e3o expressa do percentual da taxa di\u00e1ria N\u00c3O autoriza a substitui\u00e7\u00e3o dos juros capitalizados por juros simples<\/strong> quando o contrato prev\u00ea expressamente a capitaliza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria e estabelece, com clareza, <strong>as taxas efetivas mensal e anual<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.227.062-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 12\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dona Clotilde financiou um carro no banco Cobraforte: presta\u00e7\u00f5es prefixadas, capitaliza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria pactuada e taxas efetivas mensal e anual estampadas no contrato, mas sem o percentual da taxa di\u00e1ria equivalente. Na revisional, sustentou que a omiss\u00e3o tornaria a capitaliza\u00e7\u00e3o inv\u00e1lida, devendo a d\u00edvida ser recalculada por juros simples, com presta\u00e7\u00f5es menores. A falta de um n\u00famero que ningu\u00e9m usaria muda a taxa que foi contratada?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 541\/STJ; Temas 246 e 247\/STJ<\/strong> <em>(\u00e9 permitida a capitaliza\u00e7\u00e3o de juros com periodicidade inferior a um ano em contratos posteriores a 31\/3\/2000, desde que pactuada de forma expressa e clara; a previs\u00e3o de taxa anual superior ao duod\u00e9cuplo da mensal basta para a cobran\u00e7a da taxa efetiva anual contratada).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A taxa efetiva \u00e9 uma s\u00f3, expressa em medidas de tempo equivalentes (anual, mensal, di\u00e1ria); a men\u00e7\u00e3o destacada \u00e0 taxa di\u00e1ria s\u00f3 teria utilidade em m\u00fatuo com prazo inferior a um m\u00eas ou para calcular abatimento por antecipa\u00e7\u00e3o de pagamento em fra\u00e7\u00e3o de m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Pactuadas expressamente a capitaliza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria e as taxas efetivas mensal e anual, com valor do empr\u00e9stimo, n\u00famero e valor das presta\u00e7\u00f5es e total da d\u00edvida, n\u00e3o h\u00e1 ilegalidade na cobran\u00e7a das presta\u00e7\u00f5es prefixadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O que a revisional buscava era ler juros simples onde est\u00e1 escrito juros capitalizados, reduzindo a taxa contratada a condi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o seriam obtidas na negocia\u00e7\u00e3o; pretens\u00e3o recha\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A mutu\u00e1ria apoiava-se na exig\u00eancia de clareza: se a capitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 di\u00e1ria, <strong>o contrato deveria estampar a taxa di\u00e1ria correspondente<\/strong>, e a omiss\u00e3o violaria o dever de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Quarta Turma desmontou a aritm\u00e9tica do argumento: <strong>a taxa di\u00e1ria \u00e9 mero desdobramento matem\u00e1tico das taxas mensal e anual informadas<\/strong>; quem conhece estas conhece aquela, e o repetitivo j\u00e1 reputa suficiente a rela\u00e7\u00e3o entre a anual e o duod\u00e9cuplo da mensal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Invocou-se ainda o precedente da Segunda Se\u00e7\u00e3o sobre capitaliza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, <strong>que afastara a taxa di\u00e1ria em contrato semelhante<\/strong>, como sinal de ilegalidade da pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A compatibiliza\u00e7\u00e3o foi o ponto do julgado: mesmo naquele caso, <strong>mantiveram-se as taxas efetivas mensal e anual pactuadas<\/strong>; o que n\u00e3o se admite \u00e9 usar a omiss\u00e3o de um n\u00famero in\u00fatil ao caso para trocar o regime de juros e pagar menos do que o contratado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No financiamento banc\u00e1rio com presta\u00e7\u00f5es prefixadas, posterior \u00e0 MP n. 1.963-17\/2000, que prev\u00ea capitaliza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria e taxas efetivas mensal e anual claras, mas omite o percentual da taxa di\u00e1ria:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) imp\u00f5e-se a substitui\u00e7\u00e3o dos juros capitalizados por juros simples, san\u00e7\u00e3o \u00e0 defici\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) descaracteriza-se a capitaliza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, prevalecendo a periodicidade mensal como pactua\u00e7\u00e3o residual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) mant\u00e9m-se a cobran\u00e7a contratada, clara a pactua\u00e7\u00e3o pelas taxas efetivas mensal e anual informadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) exige-se o rec\u00e1lculo pela taxa m\u00e9dia de mercado divulgada pelo Banco Central para opera\u00e7\u00f5es similares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) anula-se o contrato por v\u00edcio de consentimento, dada a impossibilidade de compreens\u00e3o do custo total.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A troca por juros simples alteraria a taxa efetiva contratada, criando condi\u00e7\u00e3o que a mutu\u00e1ria n\u00e3o obteria na negocia\u00e7\u00e3o; a omiss\u00e3o da taxa di\u00e1ria n\u00e3o gera essa san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A capitaliza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria foi expressamente pactuada; nenhuma degrada\u00e7\u00e3o para periodicidade mensal foi imposta pelo julgado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. Foi a conclus\u00e3o do REsp 2.227.062: informados com clareza os percentuais mensais e anuais efetivos, o valor financiado, as presta\u00e7\u00f5es e o total devido, o n\u00famero omitido s\u00f3 serviria a quem quisesse antecipar pagamentos em fra\u00e7\u00e3o de m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A taxa m\u00e9dia de mercado \u00e9 rem\u00e9dio para abusividade demonstrada da taxa pactuada, discuss\u00e3o que n\u00e3o se confunde com a suposta falha informativa aqui rejeitada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o se cogitou de invalidade do contrato: os elementos essenciais do custo estavam claramente especificados, permitindo a exata compreens\u00e3o da d\u00edvida assumida.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-11\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de a\u00e7\u00e3o revisional de contrato de financiamento banc\u00e1rio na qual a mutu\u00e1ria questionou a legalidade da cobran\u00e7a dos juros pactuados. Sustentou que o contrato n\u00e3o informava expressamente a taxa de juros di\u00e1ria nem a capitaliza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, raz\u00e3o pela qual defendeu a substitui\u00e7\u00e3o dos juros compostos por juros simples, com a consequente redu\u00e7\u00e3o do valor das presta\u00e7\u00f5es e do montante total da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste, assim, em definir se a aus\u00eancia de indica\u00e7\u00e3o expressa da taxa di\u00e1ria de juros compromete a validade da cobran\u00e7a da taxa efetiva anual contratada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso posto, a prop\u00f3sito da legalidade da capitaliza\u00e7\u00e3o de juros em intervalo inferior a um ano, em contratos posteriores \u00e0 data da publica\u00e7\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria n. 1.963-17\/2000 (em vigor como MP 2.170-36\/2001), assim decidiu a Segunda Se\u00e7\u00e3o, sob o rito dos recursos repetitivos, no julgamento do REsp 973.827-RS: &#8220;\u00c9 permitida a capitaliza\u00e7\u00e3o de juros com periodicidade inferior a um ano em contratos celebrados ap\u00f3s 31.3.2000, data da publica\u00e7\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria n. 1.963-17\/2000 (em vigor como MP 2.170-36\/2001), desde que expressamente pactuada&#8221;, bem como &#8220;A capitaliza\u00e7\u00e3o dos juros em periodicidade inferior \u00e0 anual deve vir pactuada de forma expressa e clara. A previs\u00e3o no contrato banc\u00e1rio de taxa de juros anual superior ao duod\u00e9cuplo da mensal \u00e9 suficiente para permitir a cobran\u00e7a da taxa efetiva anual contratada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, h\u00e1 a necessidade de compatibiliza\u00e7\u00e3o do precedente firmado sob o rito dos recursos repetitivos no REsp 973.827-RS, tamb\u00e9m consolidado na S\u00famula n. 541\/STJ, com o ac\u00f3rd\u00e3o da Segunda Se\u00e7\u00e3o no REsp n. 1.826.463\/SC, a prop\u00f3sito especificamente da capitaliza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de juros, no qual, apesar de afastada a taxa di\u00e1ria, igualmente foi mantida a estipula\u00e7\u00e3o contratual das taxas efetivas mensal e anual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como exposto no REsp 973.827-RS, o processo de forma\u00e7\u00e3o da taxa de juros pode ser expresso por meio de juros simples ou de juros compostos, caso em que a mesma taxa efetiva anual ser\u00e1 equivalente a determinada taxa mensal efetiva e tamb\u00e9m a uma taxa di\u00e1ria. N\u00e3o h\u00e1 como desvincular a taxa efetiva de juros de seus equivalentes em diferentes medidas de tempo: anual, mensal ou di\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A men\u00e7\u00e3o destacada \u00e0 taxa di\u00e1ria somente seria \u00fatil ao consumidor caso se cuidasse de contrato de m\u00fatuo com prazo para pagamento inferior a um m\u00eas, ou, em contrato de maior dura\u00e7\u00e3o, na hip\u00f3tese de o devedor pretender antecipar em alguns dias (fra\u00e7\u00e3o do m\u00eas) o pagamento das presta\u00e7\u00f5es. Somente nesses casos, teria utilidade a taxa di\u00e1ria, para calcular o valor dos juros a serem abatidos do saldo devedor, em decorr\u00eancia de eventual antecipa\u00e7\u00e3o pelo devedor em alguns dias do pagamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 data de vencimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o \u00e9 essa, todavia, a hip\u00f3tese: n\u00e3o pretende a mutu\u00e1ria discutir o valor de juros a ser deduzido caso antecipasse em alguns dias (menos de um m\u00eas) o pagamento da d\u00edvida. O que se pretende, assim como no caso julgado sob o rito dos repetitivos, \u00e9 alterar a taxa efetiva de juros contratada, para se ler juros simples onde est\u00e1 escrito juros capitalizados, a fim de reduzir o valor da presta\u00e7\u00e3o e do saldo devedor, para pagar menos juros do que o pactuado, obtendo condi\u00e7\u00f5es que certamente n\u00e3o seriam conseguidas na negocia\u00e7\u00e3o com a institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tendo sido expressamente prevista no contrato, posterior \u00e0 Medida Provis\u00f3ria n. 1.963-17\/2000 (em vigor como Medida Provis\u00f3ria 2.170-36\/2001), a capitaliza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de juros, assim como especificadas as taxas efetivas equivalentes em periodicidade mensal e anual, o valor do empr\u00e9stimo, o n\u00famero e valor das presta\u00e7\u00f5es prefixadas para toda a vig\u00eancia contratual e o valor total da d\u00edvida assumida, n\u00e3o h\u00e1 ilegalidade na cobran\u00e7a das presta\u00e7\u00f5es mensais de valor fixo nele estabelecidas, de modo a alcan\u00e7ar a quita\u00e7\u00e3o do valor total da d\u00edvida claramente especificado no contrato.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-14-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-honorarios-na-extincao-do-cumprimento-provisorio-por-iliquidez\" class=\"wp-block-heading\">14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; HONOR\u00c1RIOS NA EXTIN\u00c7\u00c3O DO CUMPRIMENTO PROVIS\u00d3RIO POR ILIQUIDEZ<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o acolhimento da impugna\u00e7\u00e3o <strong>apenas extingue o cumprimento provis\u00f3rio pela necessidade de pr\u00e9via liquida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a<\/strong>, sem extinguir ou modificar o cr\u00e9dito, <strong>N\u00c3O cabe a fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios sucumbenciais<\/strong> (distin\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao Tema 410\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.233.988-SP, Rel. Min. Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 4\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00edtima de furto de defensivos agr\u00edcolas em sua fazenda, Seu Barriga obteve t\u00edtulo contra a Vigiforte Seguran\u00e7a, que ali prestava vigil\u00e2ncia, e partiu para o cumprimento provis\u00f3rio com planilha pr\u00f3pria do valor. A executada op\u00f4s exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade, e o ju\u00edzo extinguiu a execu\u00e7\u00e3o sem m\u00e9rito: o t\u00edtulo era il\u00edquido e reclamava liquida\u00e7\u00e3o pr\u00e9via (CPC, art. 509), permanecendo intacto o cr\u00e9dito. A vigilante quis honor\u00e1rios pela vit\u00f3ria processual. Extin\u00e7\u00e3o que n\u00e3o apaga nem reduz a d\u00edvida gera sucumb\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 85, \u00a7 1\u00ba, e 509<\/strong> <em>(s\u00e3o devidos honor\u00e1rios no cumprimento de senten\u00e7a, inclusive provis\u00f3rio; a senten\u00e7a il\u00edquida sujeita-se a pr\u00e9via liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento ou pelo procedimento comum).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema 410\/STJ<\/strong> <em>(s\u00e3o cab\u00edveis honor\u00e1rios advocat\u00edcios em raz\u00e3o do acolhimento, ainda que parcial, da impugna\u00e7\u00e3o ao cumprimento de senten\u00e7a).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O repetitivo parte do pressuposto de que o acolhimento da impugna\u00e7\u00e3o extingue, ao menos em parte, a pretens\u00e3o executiva; a hip\u00f3tese \u00e9 diversa quando a decis\u00e3o s\u00f3 remete as partes \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o, com o cr\u00e9dito \u00edntegro e exig\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Sem extin\u00e7\u00e3o ou modifica\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, o acolhimento que apenas antecipa a fase de liquida\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera sucumb\u00eancia; indevidos os honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A executada tinha um repetitivo na manga: impugna\u00e7\u00e3o acolhida gera honor\u00e1rios, <strong>e o Tema 410 n\u00e3o faria ressalvas<\/strong> quanto ao fundamento do acolhimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O repetitivo pressup\u00f5e <strong>derrota que extinga ou encolha a pretens\u00e3o executiva<\/strong>. Mandar liquidar primeiro n\u00e3o derrota ningu\u00e9m: o cr\u00e9dito segue vivo e exig\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Ainda assim, houve trabalho advocat\u00edcio: a exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade prosperou, <strong>e o esfor\u00e7o da defesa teria barrado uma execu\u00e7\u00e3o prematura<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Sucumb\u00eancia mede resultado, n\u00e3o esfor\u00e7o: <strong>o desfecho apenas reorganizou o caminho processual do mesmo cr\u00e9dito<\/strong>; a discuss\u00e3o patrimonial continua aberta, e os honor\u00e1rios acompanhar\u00e3o a sorte definitiva da liquida\u00e7\u00e3o e da futura execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acolhida a impugna\u00e7\u00e3o apenas para extinguir o cumprimento provis\u00f3rio de senten\u00e7a por iliquidez do t\u00edtulo, exigida a pr\u00e9via liquida\u00e7\u00e3o e mantido \u00edntegro o cr\u00e9dito, os honor\u00e1rios sucumbenciais:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) n\u00e3o s\u00e3o devidos, distinguindo-se a hip\u00f3tese daquela que fundamenta o Tema 410\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) s\u00e3o devidos, pois o acolhimento da impugna\u00e7\u00e3o, ainda que parcial, gera sucumb\u00eancia na forma do repetitivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) s\u00e3o devidos pela metade, proporcionais ao car\u00e1ter meramente dilat\u00f3rio do resultado obtido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) ficam diferidos para a senten\u00e7a de liquida\u00e7\u00e3o, que os arbitrar\u00e1 em favor de quem lhe deu causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) compensam-se com os honor\u00e1rios da fase de conhecimento, vedada a dupla condena\u00e7\u00e3o da mesma parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. Foi a solu\u00e7\u00e3o do REsp 2.233.988: extin\u00e7\u00e3o que se limitou a exigir a liquida\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, sem apagar nem reduzir o cr\u00e9dito, n\u00e3o atrai a tese do Tema 410 nem justifica a verba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O repetitivo pressup\u00f5e acolhimento que extinga ou modifique a pretens\u00e3o executiva, ainda que em parte; a mera remessa \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o escapa dessa moldura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. N\u00e3o existe meia sucumb\u00eancia na hip\u00f3tese: ausente derrota substancial do exequente, a verba simplesmente n\u00e3o \u00e9 devida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O julgado n\u00e3o difere o arbitramento: nega o cabimento na extin\u00e7\u00e3o do cumprimento provis\u00f3rio; a liquida\u00e7\u00e3o ter\u00e1 regime pr\u00f3prio de sucumb\u00eancia conforme seu resultado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Nenhuma compensa\u00e7\u00e3o foi cogitada; a raz\u00e3o de decidir \u00e9 a aus\u00eancia de extin\u00e7\u00e3o ou modifica\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, n\u00e3o um encontro de contas entre fases.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-12\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se s\u00e3o cab\u00edveis honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia em decorr\u00eancia da extin\u00e7\u00e3o do cumprimento provis\u00f3rio de senten\u00e7a, quando o acolhimento da impugna\u00e7\u00e3o n\u00e3o acarreta a extin\u00e7\u00e3o ou modifica\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, mas apenas determina a pr\u00e9via liquida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na origem, o exequente alegou ter sofrido preju\u00edzos decorrentes de furto de defensivos agr\u00edcolas em sua fazenda, onde a executada prestava servi\u00e7os de vigil\u00e2ncia, e promoveu cumprimento provis\u00f3rio de senten\u00e7a para cobrar indeniza\u00e7\u00e3o, apresentando planilha com o valor devido. A senten\u00e7a acolheu a exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade e extinguiu o cumprimento de senten\u00e7a sem julgamento do m\u00e9rito por iliquidez do t\u00edtulo, impondo pr\u00e9via liquida\u00e7\u00e3o nos termos do art. 509 do CPC. O Tribunal de origem negou provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o e manteve a senten\u00e7a, assentando que o direito do exequente ao recebimento persiste e deve ser apurado em liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme tese fixada pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a no julgamento do Tema 410, s\u00e3o cab\u00edveis honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia em raz\u00e3o do acolhimento, ainda que parcial, da impugna\u00e7\u00e3o ao cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal entendimento, firmado na vig\u00eancia do CPC\/1973, parte do pressuposto de que o acolhimento da impugna\u00e7\u00e3o resulta na extin\u00e7\u00e3o do cumprimento de senten\u00e7a, ainda que parcial. De igual modo, nos termos do art. 85, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/2015, s\u00e3o devidos honor\u00e1rios no cumprimento provis\u00f3rio de senten\u00e7a .<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todavia, o STJ tem entendido que, nas hip\u00f3teses em que o acolhimento da impugna\u00e7\u00e3o n\u00e3o acarreta a extin\u00e7\u00e3o ou modifica\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, mas apenas determina a pr\u00e9via liquida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel a fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios sucumbenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse cen\u00e1rio, considerando a distin\u00e7\u00e3o do caso daqueles que deram ensejo \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o da tese repetitiva do Tema 410 &#8211; uma vez que a extin\u00e7\u00e3o do cumprimento provis\u00f3rio de senten\u00e7a se deu unicamente em raz\u00e3o da necessidade de pr\u00e9via liquida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, sem extinguir ou modificar o cr\u00e9dito, que continua sendo exig\u00edvel -, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-15-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-estupro-de-vulneravel-e-distinguishing-excepcional\" class=\"wp-block-heading\">15.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ESTUPRO DE VULNER\u00c1VEL E DISTINGUISHING EXCEPCIONAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em hip\u00f3teses excepcional\u00edssimas anteriores \u00e0 Lei n. 15.353\/2026, admite-se o <strong><em>distinguishing<\/em> em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presun\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade do art. 217-A do CP<\/strong> (Tema 918 e S\u00famula 593\/STJ), afastando-se a interven\u00e7\u00e3o penal diante de <strong>diferen\u00e7a et\u00e1ria reduzida, anu\u00eancia familiar, rela\u00e7\u00e3o afetiva est\u00e1vel, forma\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia, gera\u00e7\u00e3o de filho e aus\u00eancia de viol\u00eancia ou abuso<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 9\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dorival tinha 18 anos quando come\u00e7ou, de forma gradual e \u00e0s claras, o relacionamento com Marlene, de 13: procurou a m\u00e3e dela para formalizar o namoro, foi acolhido na casa da fam\u00edlia, acompanhou a gesta\u00e7\u00e3o e passou a sustentar o lar e o filho do casal, que j\u00e1 contava mais de um ano quando do julgamento. Denunciado por estupro de vulner\u00e1vel, foi absolvido na origem, e a acusa\u00e7\u00e3o recorreu empunhando a S\u00famula 593\/STJ: consentimento de menor de 14 anos \u00e9 juridicamente irrelevante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 217-A; Tema 918 e S\u00famula 593\/STJ<\/strong> <em>(a idade inferior a 14 anos \u00e9 crit\u00e9rio objetivo: consentimento, experi\u00eancia sexual anterior ou relacionamento amoroso n\u00e3o afastam o crime de estupro de vulner\u00e1vel).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 15.353\/2026<\/strong> <em>(estabeleceu expressamente a impossibilidade de relativiza\u00e7\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o absoluta de vulnerabilidade; o julgado alcan\u00e7a somente fatos anteriores \u00e0 sua vig\u00eancia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ATEN\u00c7\u00c3O<\/strong>: \u201cCP, art. 217-A. [&#8230;] \u00a7 4\u00ba-A. \u00c9 absoluta a presun\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade da v\u00edtima e inadmiss\u00edvel sua relativiza\u00e7\u00e3o. \u00a7 5\u00ba As penas previstas no&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;e nos \u00a7\u00a7 1\u00ba, 3\u00ba e 4\u00ba deste artigo aplicam-se independentemente do consentimento da v\u00edtima, de sua experi\u00eancia sexual, do fato de ela ter mantido rela\u00e7\u00f5es sexuais anteriormente ao crime ou da ocorr\u00eancia de gravidez resultante da pr\u00e1tica do crime.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda As turmas criminais e a Terceira Se\u00e7\u00e3o j\u00e1 haviam admitido, em situa\u00e7\u00f5es excepcionais, o afastamento da resposta penal apesar da tipicidade formal, quando o conjunto concreto n\u00e3o recomenda a interven\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Vetores da distin\u00e7\u00e3o: diferen\u00e7a de idade reduzida, anu\u00eancia familiar desde o in\u00edcio, relacionamento est\u00e1vel e p\u00fablico, constitui\u00e7\u00e3o de n\u00facleo familiar, nascimento de filho e inexist\u00eancia de viol\u00eancia ou abuso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd No caso, a resposta penal desampararia a jovem e a crian\u00e7a, material e afetivamente, comprometendo n\u00facleo familiar funcional; mantida a absolvi\u00e7\u00e3o pelo interesse superior da v\u00edtima e do filho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A acusa\u00e7\u00e3o tinha a seu favor a arquitetura do sistema: a idade-limite do art. 217-A \u00e9 <strong>crit\u00e9rio objetivo blindado contra relativiza\u00e7\u00f5es<\/strong>, exatamente para impedir que o consentimento do vulner\u00e1vel vire tese defensiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Quinta Turma n\u00e3o negou a regra, delimitou-lhe a aplica\u00e7\u00e3o: a tipicidade formal estava configurada, <strong>mas o quadro concreto reunia todos os vetores excepcionais<\/strong> reconhecidos pela jurisprud\u00eancia para a distin\u00e7\u00e3o frente ao repetitivo e \u00e0 s\u00famula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O risco do precedente era evidente: cada flexibiliza\u00e7\u00e3o <strong>abre fresta para a normaliza\u00e7\u00e3o de relacionamentos abusivos<\/strong> travestidos de romance consentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Duas conten\u00e7\u00f5es fecham a porta: o car\u00e1ter excepcional\u00edssimo da hip\u00f3tese, aferido por vetores cumulativos e contexto sem qualquer viol\u00eancia, e o corte temporal, <strong>pois a Lei n. 15.353\/2026 vedou a relativiza\u00e7\u00e3o para os fatos posteriores<\/strong>; o <em>distinguishing<\/em> sobrevive apenas como r\u00e9gua do passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a presun\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade no estupro de vulner\u00e1vel (CP, art. 217-A) em fatos anteriores \u00e0 Lei n. 15.353\/2026:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) cede diante do consentimento da v\u00edtima, elemento que descaracteriza o tipo desde a Lei n. 12.015\/2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) n\u00e3o comportava exce\u00e7\u00e3o alguma, uniformizada a mat\u00e9ria pelo Tema 918 e pela S\u00famula 593 do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) transfere-se ao ju\u00edzo c\u00edvel, competente para avaliar a validade do consentimento nas rela\u00e7\u00f5es familiares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) admite <em>distinguishing<\/em> excepcional\u00edssimo diante de diferen\u00e7a et\u00e1ria reduzida, fam\u00edlia constitu\u00edda e aus\u00eancia de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende de per\u00edcia psicol\u00f3gica que ateste a maturidade da v\u00edtima ao tempo dos fatos, requisito pr\u00e9vio da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A regra permanece a do crit\u00e9rio objetivo: consentimento, experi\u00eancia anterior ou namoro n\u00e3o afastam, por si, o crime; o que se admitiu foi distin\u00e7\u00e3o excepcional\u00edssima pelo conjunto concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. \u00d3rg\u00e3os criminais do Tribunal, inclu\u00edda a Terceira Se\u00e7\u00e3o, j\u00e1 afastavam a resposta penal em situa\u00e7\u00f5es excepcionais; o precedente aplica essa linha, restrita a fatos anteriores \u00e0 lei nova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A mat\u00e9ria \u00e9 penal e foi resolvida na pr\u00f3pria esfera criminal, pela manuten\u00e7\u00e3o da absolvi\u00e7\u00e3o; nenhum deslocamento de compet\u00eancia foi cogitado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. Foi a conclus\u00e3o da Quinta Turma: diferen\u00e7a et\u00e1ria reduzida, anu\u00eancia familiar, rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel, filho em comum e aus\u00eancia de viol\u00eancia autorizaram a distin\u00e7\u00e3o frente ao Tema 918 e \u00e0 S\u00famula 593, em fatos pr\u00e9-Lei n. 15.353\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Nenhum laudo de maturidade integra os vetores da distin\u00e7\u00e3o; o exame recai sobre o contexto objetivo do relacionamento e o interesse superior da v\u00edtima e do filho.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-13\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se, em fatos anteriores \u00e0 Lei n. 15.353\/2026, \u00e9 poss\u00edvel relativizar, em hip\u00f3teses excepcional\u00edssimas, a presun\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade do art. 217-A do C\u00f3digo Penal mediante <em>distinguishing<\/em> em rela\u00e7\u00e3o ao Tema 918\/STJ e \u00e0 S\u00famula n. 593\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem entendeu que, embora esteja formalmente caracterizada nos autos a conjun\u00e7\u00e3o carnal com menor de 14 anos de idade, n\u00e3o houve les\u00e3o relevante \u00e0 dignidade sexual da v\u00edtima, pois a rela\u00e7\u00e3o ocorreu de forma consentida, sem viol\u00eancia, com diferen\u00e7a et\u00e1ria reduzida, anu\u00eancia da fam\u00edlia, resultando na constitui\u00e7\u00e3o de n\u00facleo familiar est\u00e1vel e no nascimento de um filho, que \u00e0 \u00e9poca do julgamento j\u00e1 tinha mais de um ano de idade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Corte <em>a quo<\/em> considerou que a aplica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica do art. 217-A do C\u00f3digo Penal e da S\u00famula 593 do STJ, de modo descontextualizado, seria desproporcional e produziria efeitos mais gravosos \u00e0 pr\u00f3pria v\u00edtima e \u00e0 crian\u00e7a, ao desestruturar a fam\u00edlia existente e privar o menor da presen\u00e7a paterna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme registrado, os fatos sob exame s\u00e3o anteriores \u00e0 Lei n. 15.353\/2026, a qual estabeleceu expressamente a impossibilidade de relativiza\u00e7\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o absoluta de vulnerabilidade da v\u00edtima do crime de estupro de vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Firmada essa premissa, registre-se que a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a se desenvolveu ao longo dos anos para interpretar o art. 217-A do C\u00f3digo Penal, inclu\u00eddo pela Lei n. 12.015\/2009, no sentido de que a idade da v\u00edtima menor de 14 anos de idade constitui crit\u00e9rio objetivo, de modo que eventual consentimento, experi\u00eancia sexual ou relacionamento amoroso entre a v\u00edtima e o acusado n\u00e3o descaracteriza a conduta delituosa, em linha com o Tema 918 e com a S\u00famula 593, ambos do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, em hip\u00f3teses excepcionais, tanto as turmas criminais quanto a Terceira Se\u00e7\u00e3o j\u00e1 admitiram a relativiza\u00e7\u00e3o do posicionamento consolidado para afastar condena\u00e7\u00f5es ou manter absolvi\u00e7\u00f5es em casos envolvendo o crime do art. 217-A, quando, a despeito da configura\u00e7\u00e3o da tipicidade formal da conduta, o conjunto de circunst\u00e2ncias concretas n\u00e3o recomenda a interven\u00e7\u00e3o estatal penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, quando o quadro f\u00e1tico \u00e9 composto por elementos como (i) diferen\u00e7a de idade reduzida entre a v\u00edtima e o r\u00e9u, (ii) anu\u00eancia familiar, (iii) relacionamento amoroso est\u00e1vel, (iv) constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia, (v) gera\u00e7\u00e3o de filho e (vi) aus\u00eancia de situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia e abuso, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a admite a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o da lei penal, a despeito da configura\u00e7\u00e3o do crime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese em an\u00e1lise, a absolvi\u00e7\u00e3o do r\u00e9u deve ser mantida, porquanto o conjunto f\u00e1tico-probat\u00f3rio possui os elementos que autorizam a distin\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao tema repetitivo e ao enunciado sumular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, os fatos teriam ocorrido no per\u00edodo em que a v\u00edtima contava com 13 anos de idade e o r\u00e9u era maior de idade, com 18 anos. Em ju\u00edzo, a v\u00edtima relatou que o relacionamento com o r\u00e9u se iniciou de forma gradual, volunt\u00e1ria e consentida, com ci\u00eancia e anu\u00eancia de sua m\u00e3e desde o in\u00edcio, evoluindo para namoro est\u00e1vel, conviv\u00eancia sob o mesmo teto e posterior gravidez, sendo o r\u00e9u presente, prestando aux\u00edlio material e emocional, acompanhando consultas m\u00e9dicas e dividindo as tarefas dom\u00e9sticas; afirmou, ainda, que sempre agiu por vontade pr\u00f3pria e que o relacionamento conta com o apoio das fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a genitora da v\u00edtima confirmou que o r\u00e9u procurou formalmente a fam\u00edlia para &#8220;pedir a m\u00e3o da filha em namoro&#8221;, que tinha conhecimento da idade da adolescente, que acolheu o casal em sua resid\u00eancia, acompanhou toda a gesta\u00e7\u00e3o, reconheceu o apoio prestado pelo r\u00e9u \u00e0 filha e ao neto, e destacou que jamais houve oculta\u00e7\u00e3o do relacionamento, tampouco oposi\u00e7\u00e3o familiar relevante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, o r\u00e9u declarou que iniciou o relacionamento com o consentimento da m\u00e3e da v\u00edtima, desconhecia a ilicitude penal da conduta, que passou a conviver com a adolescente a convite da fam\u00edlia, assumiu integralmente o sustento da casa, mant\u00e9m v\u00ednculo afetivo est\u00e1vel com a v\u00edtima e seu filho, a considera sua companheira e afirmou que sempre contou com a aceita\u00e7\u00e3o social e familiar da uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conquanto seja inconteste a configura\u00e7\u00e3o da tipicidade formal na esp\u00e9cie, o cen\u00e1rio f\u00e1tico consolidado pelo decurso do tempo n\u00e3o pode ser ignorado e n\u00e3o recomenda a interven\u00e7\u00e3o penal neste momento. Na realidade, eventual resposta estatal na seara penal, com o encarceramento do r\u00e9u, que n\u00e3o possui antecedentes criminais, resultar\u00e1 na interfer\u00eancia em n\u00facleo familiar funcional, com crian\u00e7a de tenra idade, com potencial de desamparar a jovem e a crian\u00e7a, tanto no aspecto material quanto no afetivo, al\u00e9m de comprometer a estabilidade de n\u00facleo familiar constitucionalmente protegido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a responsabiliza\u00e7\u00e3o penal, neste caso concreto, de forma excepcional\u00edssima n\u00e3o cumpriria nenhuma fun\u00e7\u00e3o social, mas, pelo contr\u00e1rio, geraria consequ\u00eancias completamente disfuncionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante desse cen\u00e1rio, mostra-se juridicamente adequada a manuten\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o absolut\u00f3ria, porquanto lastreada nas peculiaridades concretas, no interesse superior da v\u00edtima e do filho, e em conson\u00e2ncia com a orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial desta Corte quanto \u00e0 possibilidade de distin\u00e7\u00e3o dos entendimentos vinculantes em situa\u00e7\u00f5es excepcionais anteriores \u00e0 Lei n. 15.353\/2026.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-16-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-velocidade-incompativel-no-art-311-do-ctb-e-prova-objetiva\" class=\"wp-block-heading\">16.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; VELOCIDADE INCOMPAT\u00cdVEL NO ART. 311 DO CTB E PROVA OBJETIVA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A condena\u00e7\u00e3o pelo art. 311 do CTB exige <strong>prova segura e objetiva de que o agente trafegou em velocidade incompat\u00edvel com a seguran\u00e7a<\/strong>, com extrapola\u00e7\u00e3o do limite aplic\u00e1vel \u00e0 via; <strong>N\u00c3O basta a percep\u00e7\u00e3o testemunhal de condu\u00e7\u00e3o perigosa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no AREsp 2.295.304-DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 9\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas proximidades de uma escola, Kiko avan\u00e7ou o sinal vermelho, quase colidiu com outro carro e por pouco n\u00e3o atropelou um pedestre, segundo testemunhas que descreveram a cena com riqueza de detalhes. Faltou, por\u00e9m, qualquer medi\u00e7\u00e3o: nenhum radar, laudo ou registro objetivo da velocidade empreendida. Condenado pelo art. 311 do CTB, que pune trafegar em velocidade incompat\u00edvel com a seguran\u00e7a em locais como esse, recorreu. Impress\u00e3o de testemunha substitui veloc\u00edmetro?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTB, art. 311<\/strong> <em>(trafegar em velocidade incompat\u00edvel com a seguran\u00e7a nas proximidades de escolas, hospitais, esta\u00e7\u00f5es de embarque e desembarque, logradouros com grande movimenta\u00e7\u00e3o ou concentra\u00e7\u00e3o de pessoas, gerando perigo de dano).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O elemento t\u00edpico &#8220;velocidade incompat\u00edvel&#8221; n\u00e3o se confunde com condu\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel: descumprir outras normas de tr\u00e2nsito, ainda que de forma grave, n\u00e3o preenche automaticamente o tipo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A percep\u00e7\u00e3o subjetiva de testemunhas n\u00e3o supre a demonstra\u00e7\u00e3o objetiva da extrapola\u00e7\u00e3o do limite aplic\u00e1vel \u00e0 via; sem prova id\u00f4nea, imp\u00f5e-se a absolvi\u00e7\u00e3o quanto a esse delito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O senso comum jogava contra o motorista: quem fura sinal e quase atropela transeunte <strong>obviamente estaria em velocidade perigosa<\/strong>, e as testemunhas apenas relataram o que qualquer pessoa perceberia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Quinta Turma separou os il\u00edcitos: o art. 311 pune um dado espec\u00edfico, <strong>a velocidade incompat\u00edvel com a via, elemento que reclama aferi\u00e7\u00e3o objetiva<\/strong>; manobras arriscadas configuram outras infra\u00e7\u00f5es, n\u00e3o este crime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Mas exigir radar em flagrantes de rua <strong>tornaria o tipo letra morta<\/strong>, pois raramente h\u00e1 medi\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel no instante da conduta&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A resposta \u00e9 de garantia: a dificuldade probat\u00f3ria do Estado n\u00e3o relaxa o standard da condena\u00e7\u00e3o penal; <strong>sem demonstra\u00e7\u00e3o segura do elemento t\u00edpico, o resultado \u00e9 a absolvi\u00e7\u00e3o<\/strong>, como se restabeleceu no caso quanto ao delito de velocidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a condena\u00e7\u00e3o pelo crime de trafegar em velocidade incompat\u00edvel com a seguran\u00e7a (art. 311 do CTB), a prova do elemento t\u00edpico:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) satisfaz-se com relatos testemunhais que descrevam condu\u00e7\u00e3o perigosa no local protegido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) decorre da viola\u00e7\u00e3o concomitante de outras normas de tr\u00e2nsito, como o avan\u00e7o de sinal vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) presume-se do resultado de perigo concreto, como a quase colis\u00e3o ou o quase atropelamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) dispensa-se quando o fato ocorre nas proximidades de escolas, \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o refor\u00e7ada pelo tipo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) exige demonstra\u00e7\u00e3o segura e objetiva da extrapola\u00e7\u00e3o do limite aplic\u00e1vel \u00e0 via.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A percep\u00e7\u00e3o subjetiva das testemunhas n\u00e3o supre a exig\u00eancia de demonstra\u00e7\u00e3o objetiva do elemento t\u00edpico, ainda que o relato evidencie dire\u00e7\u00e3o arriscada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O descumprimento de outras normas de tr\u00e2nsito configura il\u00edcitos pr\u00f3prios; &#8220;velocidade incompat\u00edvel&#8221; \u00e9 elemento espec\u00edfico que n\u00e3o se preenche por tabela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O perigo de dano integra o tipo, mas n\u00e3o dispensa a prova da velocidade: presumir o elemento a partir do resultado inverteria o \u00f4nus probat\u00f3rio em desfavor do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A localiza\u00e7\u00e3o qualifica o cen\u00e1rio t\u00edpico, sem relaxar o standard probat\u00f3rio quanto \u00e0 conduta nele praticada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Foi a conclus\u00e3o do AgRg no AREsp 2.295.304: sem prova id\u00f4nea da extrapola\u00e7\u00e3o do limite da via, restabelece-se a absolvi\u00e7\u00e3o quanto ao art. 311 do CTB.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-14\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se a condena\u00e7\u00e3o pelo art. 311 do C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro &#8211; CTB demanda verifica\u00e7\u00e3o objetiva da extrapola\u00e7\u00e3o relevante do limite aplic\u00e1vel \u00e0 via, ou se \u00e9 suficiente a percep\u00e7\u00e3o testemunhal de condu\u00e7\u00e3o perigosa no local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O tipo penal descrito no art. 311 do CTB tem por elemento &#8220;trafegar em velocidade incompat\u00edvel&#8221;, o que n\u00e3o se confunde com a condu\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel do ve\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, nada obstante reste evidente o descumprimento de diversas normas de tr\u00e2nsito por parte do recorrente, uma vez que h\u00e1 provas consistentes indicando que teria avan\u00e7ado sinal vermelho, quase colidiu com outro ve\u00edculo e quase atropelou um transeunte, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar, com a seguran\u00e7a que se imp\u00f5e para uma condena\u00e7\u00e3o penal, que ele trafegou em &#8220;velocidade incompat\u00edvel&#8221; com aquela admitida para a via, dado que n\u00e3o pode ser inferido pela mera &#8220;percep\u00e7\u00e3o&#8221; das testemunhas. Com efeito, a percep\u00e7\u00e3o subjetiva das testemunhas n\u00e3o supre a exig\u00eancia de demonstra\u00e7\u00e3o objetiva do elemento t\u00edpico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, constata-se evidente fragilidade probat\u00f3ria quanto ao enquadramento da conduta do recorrente no tipo penal descrito no art. 311 do CTB, a justificar o restabelecimento, neste ponto, da senten\u00e7a absolut\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-17-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-rompimento-de-obstaculo-sem-pericia-no-furto-qualificado\" class=\"wp-block-heading\">17.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ROMPIMENTO DE OBST\u00c1CULO SEM PER\u00cdCIA NO FURTO QUALIFICADO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel reconhecer a qualificadora do <strong>rompimento de obst\u00e1culo no furto sem exame pericial<\/strong> quando o arrombamento for claramente demonstrado por outros elementos probat\u00f3rios, <strong>como fotografias da porta danificada e o relato da v\u00edtima<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.204.445-SC, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 3\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creitinho arrombou a porta do galp\u00e3o de Seu Madruga e levou o que se guardava l\u00e1 dentro. A per\u00edcia nunca foi feita, mas o processo reuniu fotografias da porta danificada e o relato do dono, que constatou o furto justamente pelo arrombamento. A defesa atacou a qualificadora do art. 155, \u00a7 4\u00ba, I, do CP: crime que deixa vest\u00edgio exige exame de corpo de delito. As fotos e a palavra da v\u00edtima seguram a qualificadora?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 155, \u00a7 4\u00ba, I; CPP, art. 158<\/strong> <em>(o furto \u00e9 qualificado quando praticado com destrui\u00e7\u00e3o ou rompimento de obst\u00e1culo \u00e0 subtra\u00e7\u00e3o da coisa; a infra\u00e7\u00e3o que deixa vest\u00edgios exige, em regra, exame de corpo de delito).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Pela jurisprud\u00eancia do STJ, as qualificadoras do rompimento de obst\u00e1culo e da escalada dependem, em regra, de per\u00edcia, por expressa imposi\u00e7\u00e3o legal aplic\u00e1vel aos delitos que deixam vest\u00edgio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Excepcionalmente, mant\u00e9m-se a qualificadora quando outras provas demonstrarem cabalmente a circunst\u00e2ncia; fotografias do dano somadas ao relato da v\u00edtima tornam a per\u00edcia dispens\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A defesa invocava a regra dura do corpo de delito: vest\u00edgio materializado pede exame t\u00e9cnico, <strong>e a comodidade investigativa n\u00e3o pode corroer a garantia<\/strong> do art. 158 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Sexta Turma aplicou a v\u00e1lvula j\u00e1 consolidada: <strong>a excepcionalidade se abre quando o acervo demonstra cabalmente a circunst\u00e2ncia<\/strong>; a imagem da porta arrombada fala por si, e o relato do dono a contextualiza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Poderia objetar-se que fotografia n\u00e3o revela <strong>a extens\u00e3o nem a autoria do dano<\/strong>, dados que a per\u00edcia formal documentaria com rigor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O que a qualificadora exige \u00e9 a comprova\u00e7\u00e3o do rompimento como meio de execu\u00e7\u00e3o da subtra\u00e7\u00e3o, <strong>e essa realidade ficou estampada nos autos<\/strong>; mantida a incid\u00eancia do art. 155, \u00a7 4\u00ba, I, do CP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 qualificadora do rompimento de obst\u00e1culo no furto, na aus\u00eancia de exame pericial sobre o arrombamento:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) afasta-se, exigido o exame de corpo de delito direto nos crimes que deixam vest\u00edgios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) subsiste quando outros elementos, como fotografias do dano e o relato da v\u00edtima, a demonstrarem cabalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) converte-se em causa de aumento de pena, preservado o n\u00facleo do furto na modalidade simples.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) depende da confiss\u00e3o do acusado quanto ao modo de execu\u00e7\u00e3o, prova apta a suprir a aus\u00eancia do exame t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) mant\u00e9m-se pela palavra da v\u00edtima, prova que basta por si em crimes patrimoniais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A regra da per\u00edcia comporta exce\u00e7\u00e3o consolidada: comprova\u00e7\u00e3o cabal por outros meios preserva a qualificadora, como reconhecido no caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Foi a conclus\u00e3o do REsp 2.204.445: fotografias da porta danificada somadas ao relato do dono do galp\u00e3o tornaram dispens\u00e1vel a prova pericial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. N\u00e3o existe essa convers\u00e3o: ou a qualificadora incide, ou o furto permanece simples; o julgado manteve a forma qualificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O pr\u00f3prio sistema veda que a confiss\u00e3o supra o exame de corpo de delito; a manuten\u00e7\u00e3o se apoiou em elementos objetivos, n\u00e3o na palavra do acusado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O relato da v\u00edtima foi valorado em conjunto com as fotografias do dano; isoladamente, n\u00e3o sustentaria a excepcional dispensa da per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-15\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, em regra, as qualificadoras da destrui\u00e7\u00e3o ou rompimento de obst\u00e1culo e da escalada s\u00f3 podem ser aplicadas ao crime de furto mediante realiza\u00e7\u00e3o de exame pericial, tendo em vista que, por ser infra\u00e7\u00e3o que deixa vest\u00edgio, \u00e9 imprescind\u00edvel a realiza\u00e7\u00e3o de exame de corpo de delito direto, por expressa imposi\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, este Tribunal tem admitido a manuten\u00e7\u00e3o das qualificadoras, de forma excepcional, quando outras provas demonstrarem cabalmente as referidas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, al\u00e9m do relato da v\u00edtima, no sentido de que o furto foi constatado diante do arrombamento da porta do galp\u00e3o que guarnecia a <em>res furtiva<\/em>, h\u00e1 fotografias da porta danificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, a prova pericial mostra-se dispens\u00e1vel, pois o arrombamento est\u00e1 claramente demonstrado por outros elementos probat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, deve ser mantida a qualificadora prevista no art. 155, \u00a7 4\u00ba, I, do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-0ca6a3b1-45b7-477c-a08a-864f2f6f6b48\" 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