{"id":1793410,"date":"2026-08-17T09:26:00","date_gmt":"2026-08-17T12:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/concursos.estrategia.com\/portal\/?p=1793410"},"modified":"2026-08-17T09:26:04","modified_gmt":"2026-08-17T12:26:04","slug":"informativo-stj-896-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/concursos.estrategia.com\/portal\/informativo-stj-896-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 896 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/08\/17092425\/stj-info-896.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_fqlg1FJEgLQ\"><div id=\"lyte_fqlg1FJEgLQ\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/fqlg1FJEgLQ\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><button tabindex=\"0\" class=\"play\"><\/button><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/fqlg1FJEgLQ\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/fqlg1FJEgLQ\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-gratuidade-de-justica-para-pessoa-juridica-tema-1424\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; GRATUIDADE DE JUSTI\u00c7A PARA PESSOA JUR\u00cdDICA (TEMA 1424)<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A demonstra\u00e7\u00e3o da hipossufici\u00eancia econ\u00f4mico-financeira da pessoa jur\u00eddica, para fins de gratuidade de justi\u00e7a, <strong>reclama esclarecimentos sobre a situa\u00e7\u00e3o financeira e patrimonial<\/strong> (do ativo e passivo ao fluxo de caixa, com participa\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias e contas banc\u00e1rias); <strong>provas restritas \u00e0 inatividade ou \u00e0 queda de faturamento N\u00c3O bastam<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.225.061-PE e REsp 2.234.386-PE, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Corte Especial, por unanimidade, julgados em 23\/6\/2026 (Tema 1424).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Sumiu Express Transportes acumulou d\u00edvidas, fechou as portas de fato e, acionada em ju\u00edzo, requereu a gratuidade de justi\u00e7a juntando declara\u00e7\u00e3o do contador de que estava inativa e a DCTF sem movimento. O ju\u00edzo indeferiu: papel que atesta paralisa\u00e7\u00e3o nada diz sobre o que a empresa tem ou deixa de ter. A transportadora insistiu at\u00e9 o STJ, que afetou a quest\u00e3o ao rito dos repetitivos. Provar que parou de faturar equivale a provar que n\u00e3o pode pagar o processo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 98, <em>caput<\/em>, e art. 99, \u00a7 3\u00ba<\/strong><em> (t\u00eam direito \u00e0 gratuidade a pessoa natural ou jur\u00eddica com insufici\u00eancia de recursos; a presun\u00e7\u00e3o de veracidade da declara\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia \u00e9 restrita \u00e0 pessoa natural).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 481\/STJ<\/strong><em> (faz jus \u00e0 gratuidade a pessoa jur\u00eddica, com ou sem fins lucrativos, que demonstrar a impossibilidade de arcar com os encargos processuais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Nem liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, recupera\u00e7\u00e3o judicial ou fal\u00eancia geram presun\u00e7\u00e3o de insufici\u00eancia: a precariedade deve ser demonstrada. A exce\u00e7\u00e3o legal fica por conta do art. 51 do Estatuto da Pessoa Idosa, em favor das institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas ou sem fins lucrativos que atendem pessoas idosas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Tese do Tema 1424: exige-se a <strong>radiografia patrimonial da empresa<\/strong>, com indica\u00e7\u00e3o de ativo, passivo, patrim\u00f4nio l\u00edquido, resultado do exerc\u00edcio, fluxo de caixa, participa\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias e saldos banc\u00e1rios; inatividade ou queda de faturamento, isoladas, s\u00e3o insuficientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Documentos aptos: balan\u00e7o patrimonial, demonstra\u00e7\u00e3o de resultado dos \u00faltimos exerc\u00edcios, declara\u00e7\u00e3o de imposto de renda, DEFIS do Simples Nacional, extratos de todas as contas, laudo ou per\u00edcia cont\u00e1bil; a prova da paralisa\u00e7\u00e3o das atividades nem sequer \u00e9 obrigat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O apelo das empresas em crise tem l\u00f3gica aparente: quem n\u00e3o fatura n\u00e3o teria como custear o processo, e <strong>a declara\u00e7\u00e3o de inatividade seria o retrato fiel da pen\u00faria<\/strong>, dispensando burocracia adicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Corte Especial desmontou o racioc\u00ednio: faturamento zero convive com patrim\u00f4nio robusto. <strong>Empresa parada pode guardar im\u00f3veis, aplica\u00e7\u00f5es e participa\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias<\/strong>, e \u00e9 essa fotografia completa que revela se h\u00e1 ou n\u00e3o capacidade de pagar as despesas do feito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Do outro lado, alegou-se excesso de formalismo: exigir tanto documento de quem j\u00e1 quebrou <strong>transformaria o benef\u00edcio em porta estreita demais<\/strong>, asfixiando o acesso \u00e0 justi\u00e7a do empresariado em dificuldade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A resposta est\u00e1 na arquitetura do CPC: a presun\u00e7\u00e3o de veracidade favorece a pessoa natural, e dela a pessoa jur\u00eddica n\u00e3o desfruta. <strong>Comprovar a incapacidade econ\u00f4mica \u00e9 \u00f4nus de quem pede<\/strong>, e a lista de meios id\u00f4neos \u00e9 ampla o bastante para n\u00e3o fechar a porta a quem realmente n\u00e3o pode pagar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o da hipossufici\u00eancia econ\u00f4mico-financeira da pessoa jur\u00eddica para a obten\u00e7\u00e3o da gratuidade de justi\u00e7a (Tema 1424\/STJ):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) satisfaz-se com a declara\u00e7\u00e3o de inatividade firmada por contador ou com a DCTF, documentos que fazem presumir a falta de recursos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) exige a demonstra\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o financeira e patrimonial da empresa, n\u00e3o bastando comprovar inatividade ou queda de faturamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) presume-se em favor da pessoa jur\u00eddica sem fins lucrativos, dispensada a comprova\u00e7\u00e3o exigida das sociedades empres\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) decorre do regime de liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, de recupera\u00e7\u00e3o judicial ou de fal\u00eancia a que submetida a requerente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende da prova da paralisa\u00e7\u00e3o das atividades, requisito indispens\u00e1vel \u00e0 concess\u00e3o do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A Corte Especial rejeitou o atalho: pap\u00e9is que atestam paralisa\u00e7\u00e3o ou queda de receita nada revelam sobre ativo, aplica\u00e7\u00f5es e participa\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias da requerente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. \u00c9 a tese do Tema 1424: a radiografia patrimonial completa da requerente, das participa\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias \u00e0s aplica\u00e7\u00f5es em conta, \u00e9 o que autoriza o benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A S\u00famula 481\/STJ aponta o oposto: com ou sem fins lucrativos, a pessoa jur\u00eddica comprova a impossibilidade de arcar com os encargos; a exce\u00e7\u00e3o legal socorre as institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas voltadas \u00e0s pessoas idosas (art. 51 do Estatuto da Pessoa Idosa).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Mesmo em liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, recupera\u00e7\u00e3o ou fal\u00eancia, inexiste presun\u00e7\u00e3o de insufici\u00eancia de recursos em favor da empresa; a precariedade financeira reclama prova efetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O julgado registra que demonstrar a paralisa\u00e7\u00e3o nem sequer \u00e9 obrigat\u00f3rio: o que se exige \u00e9 o conjunto documental da insufici\u00eancia patrimonial, a exemplo de balan\u00e7o, demonstra\u00e7\u00e3o de resultado e extratos.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir se a mera apresenta\u00e7\u00e3o de documentos que atestam a inatividade ou a queda de faturamento da pessoa jur\u00eddica &#8211; a exemplo de declara\u00e7\u00e3o assinada por contador ou da Declara\u00e7\u00e3o de D\u00e9bitos e Cr\u00e9ditos Tribut\u00e1rios Federais (DCTF) &#8211; revela-se suficiente para comprovar a hipossufici\u00eancia econ\u00f4mico-financeira autorizadora da concess\u00e3o de gratuidade de justi\u00e7a&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c0 luz do disposto no <em>caput<\/em> do artigo 98 do C\u00f3digo de Processo Civil &#8211; CPC, al\u00e9m da pessoa natural, tem direito \u00e0 gratuidade da justi\u00e7a a pessoa jur\u00eddica &#8211; brasileira ou estrangeira &#8211; &#8220;com insufici\u00eancia de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honor\u00e1rios advocat\u00edcios&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diferentemente da pessoa natural &#8211; em rela\u00e7\u00e3o a qual h\u00e1 presun\u00e7\u00e3o relativa de veracidade da declara\u00e7\u00e3o de insufici\u00eancia de recursos (artigo 99, \u00a7 3\u00ba, do CPC) -, a pessoa jur\u00eddica, com ou sem fins lucrativos, deve comprovar, de forma efetiva, a sua incapacidade econ\u00f4mico-financeira para arcar com as despesas do processo. Nesse sentido \u00e9 o teor da S\u00famula n. 481\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos da jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ainda que se trate de pessoa jur\u00eddica submetida ao regime de liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, de recupera\u00e7\u00e3o judicial ou de fal\u00eancia, a concess\u00e3o do benef\u00edcio somente ser\u00e1 poss\u00edvel se comprovada a precariedade da sua situa\u00e7\u00e3o financeira, inexistindo, em seu favor, presun\u00e7\u00e3o de insufici\u00eancia de recursos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Atualmente, a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o a essa regra geral encontra-se no artigo 51 da Lei n. 10.741\/2003 (Estatuto da Pessoa Idosa), segundo o qual &#8220;as institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas ou sem fins lucrativos prestadoras de servi\u00e7o \u00e0s pessoas idosas ter\u00e3o direito \u00e0 assist\u00eancia judici\u00e1ria gratuita&#8221;. Assim, comprovado o car\u00e1ter associativo sem fins lucrativos de tais entidades e a sua atua\u00e7\u00e3o na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os em favor da popula\u00e7\u00e3o idosa, defere-se a gratuidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Consoante cedi\u00e7o no STJ, a mera apresenta\u00e7\u00e3o de documentos que atestam a inatividade ou a queda de faturamento da pessoa jur\u00eddica &#8211; a exemplo de declara\u00e7\u00e3o assinada por contador ou da Declara\u00e7\u00e3o de D\u00e9bitos e Cr\u00e9ditos Tribut\u00e1rios Federais (DCTF) &#8211; n\u00e3o se revela suficiente para comprovar a hipossufici\u00eancia econ\u00f4mico-financeira autorizadora da concess\u00e3o de gratuidade de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso porque a demonstra\u00e7\u00e3o da incapacidade da pessoa jur\u00eddica para arcar com as despesas processuais reclama esclarecimentos sobre a sua situa\u00e7\u00e3o financeira e patrimonial &#8211; com a indica\u00e7\u00e3o do seu ativo, passivo, patrim\u00f4nio l\u00edquido, resultado do exerc\u00edcio, fluxo de caixa, participa\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias, saldos e aplica\u00e7\u00f5es em contas banc\u00e1rias -, o que n\u00e3o se concretiza com a mera prova de inatividade ou de queda de faturamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, a prova de eventual paralisa\u00e7\u00e3o das atividades da pessoa jur\u00eddica nem sequer \u00e9 obrigat\u00f3ria para fins de concess\u00e3o da benesse, mas sim a juntada de um conjunto de documentos &#8211; p\u00fablicos ou particulares &#8211; que evidencie, de forma efetiva, a insufici\u00eancia patrimonial ou financeira para arcar com as despesas processuais, a exemplo do Balan\u00e7o Patrimonial, da Demonstra\u00e7\u00e3o de Resultado dos \u00faltimos exerc\u00edcios, da Declara\u00e7\u00e3o de Imposto de Renda, da Declara\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00f5es Socioecon\u00f4micas e Fiscais (DEFIS) da empresa optante do Simples Nacional, de extratos banc\u00e1rios de todas as contas de que seja titular, de eventual laudo ou per\u00edcia cont\u00e1bil, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema 1424\/STJ: &#8220;A demonstra\u00e7\u00e3o da hipossufici\u00eancia econ\u00f4mico-financeira da pessoa jur\u00eddica, para fins de obten\u00e7\u00e3o de gratuidade de justi\u00e7a, reclama esclarecimentos sobre a sua situa\u00e7\u00e3o financeira e patrimonial &#8211; com a indica\u00e7\u00e3o do seu ativo, passivo, patrim\u00f4nio l\u00edquido, resultado do exerc\u00edcio, fluxo de caixa, participa\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias, saldos e aplica\u00e7\u00f5es em contas banc\u00e1rias -, o que n\u00e3o se concretiza com a mera prova de inatividade ou de queda de faturamento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-estelionato-sem-pericia-e-prova-da-materialidade\" class=\"wp-block-heading\">2. ESTELIONATO SEM PER\u00cdCIA E PROVA DA MATERIALIDADE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 luz da persuas\u00e3o racional e do art. 167 do CPP, <strong>admite-se a mitiga\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia de prova pericial<\/strong> na hip\u00f3tese de desaparecimento dos vest\u00edgios e, em car\u00e1ter excepcional, quando o conjunto probat\u00f3rio, dotado de <strong>elevada confiabilidade, coer\u00eancia e converg\u00eancia<\/strong>, demonstra de forma cabal a materialidade delitiva, tornando o exame t\u00e9cnico meramente confirmat\u00f3rio ou redundante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 10\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tib\u00farcio arquitetou um estelionato com documentos falsos e deixou rastro digital: e-mails negociando a fraude e extratos banc\u00e1rios registrando o caminho do dinheiro de Josefina. Condenado sem exame pericial nos pap\u00e9is, recorreu apostando na letra do art. 158 do CPP: infra\u00e7\u00e3o que deixa vest\u00edgios exige corpo de delito, e nem a confiss\u00e3o supre a falta. A trilha de e-mails e extratos vale pela per\u00edcia que n\u00e3o se fez?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, arts. 155, 158 e 167<\/strong><em> (o juiz forma a convic\u00e7\u00e3o pela livre aprecia\u00e7\u00e3o da prova; a infra\u00e7\u00e3o que deixa vest\u00edgios exige exame de corpo de delito, insupr\u00edvel pela confiss\u00e3o; a prova testemunhal supre a falta do exame quando os vest\u00edgios desaparecem).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O art. 158 consagra hip\u00f3tese excepcional de prova vinculada, mas n\u00e3o institui tarifa\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria desconectada da realidade dos autos: deve ser lido em sistema com o modelo da persuas\u00e3o racional e com o dever de fundamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O art. 167 opera como cl\u00e1usula de flexibiliza\u00e7\u00e3o: al\u00e9m do desaparecimento dos vest\u00edgios, dispensa-se excepcionalmente o exame quando elementos documentais e registros objetivos, de elevada fidelidade emp\u00edrica, cumprem fun\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria equivalente \u00e0 da per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd N\u00e3o se trata de substitui\u00e7\u00e3o livre da prova t\u00e9cnica: a mitiga\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e acervo robusto, coerente e convergente, que torne o exame redundante do ponto de vista epist\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A defesa apostou na regra cl\u00e1ssica: crime que deixa vest\u00edgios pede corpo de delito, e <strong>o descumprimento do art. 158 do CPP geraria nulidade insan\u00e1vel<\/strong>, pouco importando a for\u00e7a dos demais elementos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Terceira Se\u00e7\u00e3o recusou o fetiche da forma. <strong>A prova vinculada \u00e9 exce\u00e7\u00e3o dentro de um sistema regido pela persuas\u00e3o racional<\/strong>: o objetivo da norma \u00e9 garantir certeza qualificada sobre a materialidade, n\u00e3o impor ritual vazio quando essa certeza j\u00e1 est\u00e1 nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Persistia o receio de eros\u00e3o da garantia: flexibilizar o exame t\u00e9cnico <strong>abriria caminho para condena\u00e7\u00f5es apoiadas em prova fr\u00e1gil<\/strong>, devolvendo ao processo penal a l\u00f3gica que o corpo de delito veio conter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Da\u00ed o duplo filtro fixado: excepcionalidade e equival\u00eancia funcional. <strong>S\u00f3 elementos objetivos de alta fidelidade, como e-mails e extratos banc\u00e1rios corroborados por testemunhas<\/strong>, autorizam dispensar a per\u00edcia, e ainda assim quando ela nada acrescentaria al\u00e9m de confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante \u00e0 exig\u00eancia de exame de corpo de delito para a comprova\u00e7\u00e3o da materialidade do estelionato praticado mediante falsidade documental:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) comporta exce\u00e7\u00e3o restrita ao desaparecimento dos vest\u00edgios, caso em que a prova testemunhal supre o exame (art. 167 do CPP).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) foi superada pelo sistema da persuas\u00e3o racional, que autoriza a livre substitui\u00e7\u00e3o da per\u00edcia pelos demais meios de prova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) pode ser suprida pela confiss\u00e3o do acusado, desde que corroborada por prova testemunhal colhida sob o crivo do contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) admite mitiga\u00e7\u00e3o excepcional quando o conjunto probat\u00f3rio, confi\u00e1vel e convergente, cumpre fun\u00e7\u00e3o equivalente \u00e0 da per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) sobrep\u00f5e a prova t\u00e9cnica aos demais elementos, vedada a condena\u00e7\u00e3o fundada em documentos e testemunhos, embora harm\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A Terceira Se\u00e7\u00e3o leu o art. 167 do CPP como cl\u00e1usula de flexibiliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o como rol fechado: a dispensa alcan\u00e7a tamb\u00e9m o acervo de elevada fidelidade emp\u00edrica capaz de fazer as vezes do exame t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A regra do art. 158 permanece de p\u00e9 nos delitos que deixam vest\u00edgios; o que se admite \u00e9 mitiga\u00e7\u00e3o excepcional, n\u00e3o a troca livre da per\u00edcia por outro meio de prova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O pr\u00f3prio art. 158 do CPP nega \u00e0 confiss\u00e3o a aptid\u00e3o de suprir o corpo de delito; o que legitimou a condena\u00e7\u00e3o foi o conjunto documental objetivo, n\u00e3o a palavra do acusado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. E-mails trocados entre os envolvidos e extratos banc\u00e1rios, corroborados por testemunhas, reconstru\u00edram com seguran\u00e7a a din\u00e2mica fraudulenta, tornando o exame meramente confirmat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A prova t\u00e9cnica, embora qualificada, n\u00e3o prevalece de modo autom\u00e1tico sobre os demais elementos: \u00e9 valorada dentro do conjunto, \u00e0 luz da persuas\u00e3o racional.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se \u00e9 prescind\u00edvel a per\u00edcia quando houver elementos documentais e testemunhais suficientes para comprovar a materialidade do crime de estelionato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, ao dispor que quando a infra\u00e7\u00e3o deixar vest\u00edgios, ser\u00e1 indispens\u00e1vel o exame de corpo de delito, direto ou indireto, n\u00e3o podendo supri-lo a confiss\u00e3o do acusado, o art. 158 do C\u00f3digo de Processo Penal consagra hip\u00f3tese excepcional de prova vinculada no processo penal brasileiro, cuja finalidade \u00e9 assegurar um padr\u00e3o qualificado de certeza quanto \u00e0 materialidade nos delitos que deixam vest\u00edgios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal exig\u00eancia, todavia, n\u00e3o institui regime de tarifa\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria absoluta, dissociado da realidade emp\u00edrica revelada nos autos, devendo ser interpretada de forma sistem\u00e1tica com o art. 155 do CPP, segundo o qual o juiz formar\u00e1 sua convic\u00e7\u00e3o pela livre aprecia\u00e7\u00e3o da prova produzida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa perspectiva, o sistema processual penal brasileiro estrutura-se sobre o modelo da persuas\u00e3o racional, no qual a prova vinculada constitui exce\u00e7\u00e3o e deve ser compreendida em conson\u00e2ncia com a necessidade de fundamenta\u00e7\u00e3o e com a valora\u00e7\u00e3o cr\u00edtica do acervo probat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal compreens\u00e3o evidencia que a prova t\u00e9cnica, embora qualificada, n\u00e3o se sobrep\u00f5e, de forma absoluta, aos demais elementos probat\u00f3rios, devendo ser valorada no contexto do conjunto probat\u00f3rio, \u00e0 luz do sistema da persuas\u00e3o racional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, o art. 167 do CPP, ao admitir a prova testemunhal na hip\u00f3tese de desaparecimento dos vest\u00edgios, deve ser compreendido n\u00e3o apenas em sua literalidade, mas como express\u00e3o de uma cl\u00e1usula de flexibiliza\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia pericial, fundada na necessidade de preserva\u00e7\u00e3o da confiabilidade da prova da materialidade, e n\u00e3o na imposi\u00e7\u00e3o de formalismo probat\u00f3rio desnecess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, para al\u00e9m das hip\u00f3teses de desaparecimento dos vest\u00edgios, revela-se admiss\u00edvel, em car\u00e1ter excepcional, a mitiga\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia do exame pericial quando o conjunto probat\u00f3rio constante dos autos &#8211; notadamente composto por elementos documentais, registros objetivos ou outros meios de prova dotados de elevada fidelidade emp\u00edrica &#8211; mostrar-se apto a demonstrar, de forma segura e inequ\u00edvoca, a materialidade delitiva, desempenhando fun\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria equivalente \u00e0 da per\u00edcia t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o se trata de admitir a livre substitui\u00e7\u00e3o da prova pericial, mas de reconhecer que, em situa\u00e7\u00f5es excepcionais, a produ\u00e7\u00e3o do exame t\u00e9cnico revela-se prescind\u00edvel diante de um acervo probat\u00f3rio robusto, coerente e convergente, cuja aptid\u00e3o demonstrativa torne a per\u00edcia meramente redundante sob o ponto de vista epist\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa linha, o livre convencimento motivado n\u00e3o autoriza o afastamento arbitr\u00e1rio da exig\u00eancia legal, mas legitima a valora\u00e7\u00e3o racional de elementos probat\u00f3rios que, embora diversos da per\u00edcia formal, sejam suficientes para a forma\u00e7\u00e3o de um ju\u00edzo de certeza quanto \u00e0 exist\u00eancia do fato t\u00edpico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, no caso sob exame, em que a materialidade do crime de estelionato, perpetrado mediante falsidade documental, foi estabelecida sem per\u00edcia t\u00e9cnica, a situa\u00e7\u00e3o excepcional restou devidamente configurada, porquanto o Tribunal de origem se amparou em um conjunto probat\u00f3rio consistente e convergente, formado por elementos documentais objetivos &#8211; notadamente e-mails trocados entre os envolvidos e extratos banc\u00e1rios -, corroborados por prova testemunhal, os quais permitiram a reconstru\u00e7\u00e3o segura da din\u00e2mica fraudulenta e evidenciaram, de forma inequ\u00edvoca, a materialidade delitiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-agrotoxicos-com-formula-alterada-e-reparacao-coletiva\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; AGROT\u00d3XICOS COM F\u00d3RMULA ALTERADA E REPARA\u00c7\u00c3O COLETIVA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coloca\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos no mercado <strong>com altera\u00e7\u00e3o da f\u00f3rmula, sem comunica\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o<\/strong>, acarreta danos ao meio ambiente, aos consumidores e \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica; tratando-se de <strong>direitos difusos (art. 81, par\u00e1grafo \u00fanico, I, do CDC), imp\u00f5e-se a repara\u00e7\u00e3o por danos materiais<\/strong>, sem \u00f3bice \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o imediata do <em>quantum<\/em> indenizat\u00f3rio na senten\u00e7a coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AREsp 2.507.448-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, por maioria, julgado em 16\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A AgroForte Defensivos vendia dois agrot\u00f3xicos com composi\u00e7\u00e3o diferente da aprovada: mexeu nas f\u00f3rmulas e n\u00e3o comunicou a mudan\u00e7a para a devida aprova\u00e7\u00e3o. O MPF ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica e obteve condena\u00e7\u00e3o por danos materiais com o valor j\u00e1 definido na senten\u00e7a. A AgroForte recorreu com um trunfo processual: em tutela coletiva, a condena\u00e7\u00e3o deveria ser gen\u00e9rica, relegando a conta \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o. A regra da senten\u00e7a gen\u00e9rica vale para qualquer direito coletivo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 81, par\u00e1grafo \u00fanico, I a III<\/strong><em> (difusos: transindividuais, indivis\u00edveis, com titulares indeterminados ligados por circunst\u00e2ncias de fato; coletivos stricto sensu: grupo ligado por rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica base; individuais homog\u00eaneos: os de origem comum).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 95<\/strong><em> (na tutela dos individuais homog\u00eaneos, em caso de proced\u00eancia, a condena\u00e7\u00e3o ser\u00e1 gen\u00e9rica, fixando a responsabilidade do r\u00e9u pelos danos causados).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A CF consagra o meio ambiente equilibrado com repara\u00e7\u00e3o integral (art. 225, \u00a7 3\u00ba) e a defesa do consumidor como direito fundamental e princ\u00edpio da ordem econ\u00f4mica (arts. 5\u00ba, XXXII, e 170, V); a ACP presta-se \u00e0 repara\u00e7\u00e3o de les\u00f5es patrimoniais e imateriais (Lei n. 7.347\/1985, art. 1\u00ba, I e II).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Direitos difusos e coletivos s\u00e3o essencialmente coletivos: o objeto indivis\u00edvel permite estabelecer desde logo, com a proced\u00eancia, o montante da repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A t\u00e9cnica da senten\u00e7a gen\u00e9rica com liquida\u00e7\u00e3o posterior (arts. 91 a 100 do CDC) pertence aos direitos acidentalmente coletivos (individuais homog\u00eaneos), em que se apuram a quem \u00e9 devido (<em>cui debeatur<\/em>) e quanto \u00e9 devido (<em>quantum debeatur<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>&nbsp;Direitos <em>individuais homog\u00eaneos<\/em><\/strong><\/td><td><strong>Direitos <em>difusos<\/em><\/strong><\/td><\/tr><tr><td>Direitos acidentalmente coletivos<\/td><td>Objeto indivis\u00edvel<\/td><\/tr><tr><td>Senten\u00e7a gen\u00e9rica com liquida\u00e7\u00e3o posterior<\/td><td>Estabelece-se desde logo o montante da repara\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A tese recursal soava t\u00e9cnica: toda condena\u00e7\u00e3o coletiva seria gen\u00e9rica por defini\u00e7\u00e3o, e <strong>antecipar o valor na senten\u00e7a atropelaria o rito bif\u00e1sico do CDC<\/strong>, desenhado para separar o <em>an debeatur<\/em> da conta final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O argumento confunde as categorias. <strong>O rito bif\u00e1sico serve aos direitos individuais homog\u00eaneos<\/strong>, que precisam identificar cada lesado e cada preju\u00edzo; nos difusos, indivis\u00edvel o objeto e indeterminados os titulares, nada h\u00e1 para individualizar depois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Ainda se tentou negar a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o de consumo: agrot\u00f3xico \u00e9 insumo de produtor rural, <strong>mercado empresarial distante do consumidor final<\/strong>, o que afastaria o microssistema protetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A maioria da Primeira Turma olhou para a ponta da cadeia. <strong>A f\u00f3rmula adulterada contamina do aplicador ao prato do consumidor<\/strong>: a les\u00e3o se projeta sobre toda a cadeia produtiva e alcan\u00e7a a sa\u00fade p\u00fablica, atraindo o CDC e legitimando o valor fixado de imediato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a condena\u00e7\u00e3o por danos materiais em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica fundada na venda de agrot\u00f3xicos com f\u00f3rmula alterada sem aprova\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o competente:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) comporta a fixa\u00e7\u00e3o imediata do <em>quantum<\/em> indenizat\u00f3rio na senten\u00e7a, cuidando-se de les\u00e3o a direito difuso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) exige condena\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica, reservando-se \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o a defini\u00e7\u00e3o do montante, nos moldes do art. 95 do CDC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) depende do fracionamento da les\u00e3o entre os consumidores finais, titulares determin\u00e1veis do direito violado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) afasta a incid\u00eancia do CDC, restrita a controv\u00e9rsia \u00e0 cadeia produtiva agr\u00edcola, alheia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) limita-se aos danos imateriais coletivos, vedada a recomposi\u00e7\u00e3o patrimonial pela via da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. Sendo indivis\u00edvel o objeto e indeterminados os titulares atingidos pela desconformidade das f\u00f3rmulas, o direito \u00e9 difuso, e a proced\u00eancia j\u00e1 pode quantificar a repara\u00e7\u00e3o, como manteve a Primeira Turma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A condena\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica do art. 95 do CDC \u00e9 t\u00e9cnica dos direitos individuais homog\u00eaneos, nos quais resta apurar a margem de heterogeneidade; n\u00e3o alcan\u00e7a os direitos essencialmente coletivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O caso envolve titulares indeterminados ligados por circunst\u00e2ncia de fato, marca dos direitos difusos; n\u00e3o h\u00e1 les\u00e3o a fracionar por consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A quest\u00e3o se projeta sobre toda a cadeia produtiva, dos usu\u00e1rios dos defensivos aos consumidores dos alimentos afetados, e o art. 21 da Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica integra os dois sistemas de tutela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O art. 1\u00ba, I e II, da Lei n. 7.347\/1985 admite a ACP para les\u00f5es patrimoniais e morais; a recomposi\u00e7\u00e3o material foi exatamente o que se determinou.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica ajuizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal com o objetivo de responsabilizar a r\u00e9 pela coloca\u00e7\u00e3o de dois produtos agrot\u00f3xicos no mercado com a altera\u00e7\u00e3o da sua f\u00f3rmula, sem a devida comunica\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o, acarretando danos ao meio ambiente, aos direitos dos consumidores e \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988 empresta \u00eanfase aos direitos fundamentais ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (art. 225) e \u00e0 defesa do consumidor em diversos dispositivos (art. 5\u00ba, XXXII), erigindo-os como princ\u00edpios da ordem econ\u00f4mica (art. 170, VI e V, respectivamente), sendo consagrada, em seu art. 5\u00ba, V, a garantia de indeniza\u00e7\u00e3o por dano material, moral ou \u00e0 imagem, e, de maneira in\u00e9dita em rela\u00e7\u00e3o aos textos constitucionais anteriores, salvaguarda tal prote\u00e7\u00e3o ambiental, garantida mediante a incorpora\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da repara\u00e7\u00e3o integral dos danos a ele causados (art. 225, \u00a73\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Remarque-se, ainda, que a responsabiliza\u00e7\u00e3o de infratores por danos ecol\u00f3gicos e consumeristas comporta perquiri\u00e7\u00e3o de il\u00edcitos de ordem patrimonial ou imaterial, viabilizando-se, por isso, o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica tendo por escopo a repara\u00e7\u00e3o de les\u00f5es patrimoniais, como prescreve o art. 1\u00ba, I e II, da Lei n. 7.347\/1985.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, ressalte-se que o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor \u00e9 aplic\u00e1vel ao caso, considerando que a quest\u00e3o examinada se projeta sobre toda a cadeia produtiva, atingindo desde os consumidores finais dos produtos em discuss\u00e3o, at\u00e9 os consumidores dos alimentos afetados pelo uso de tais agrot\u00f3xicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outrossim, a Lei n. 8.078\/1990 (C\u00f3digo de Defesa do Consumidor) &#8211; aplic\u00e1vel \u00e0 defesa dos demais interesses transindividuais, conforme disposi\u00e7\u00e3o do art. 21 da Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica -, estabelece, em seu art. 81, a conceitua\u00e7\u00e3o dos direitos coletivos <em>lato sensu<\/em>, qualificando-os como (i) difusos, (ii) coletivos e (iii) individuais homog\u00eaneos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, os direitos difusos e coletivos s\u00e3o essencialmente coletivos, isto \u00e9, seu objeto \u00e9 indivis\u00edvel e sua titularidade \u00e9 atribu\u00edda a uma coletividade ou grupo determinado ou indetermin\u00e1vel de pessoas, sendo vi\u00e1vel, desde logo, estabelecer, com a proced\u00eancia do pedido, o montante a ser objeto de repara\u00e7\u00e3o (art. 81, par\u00e1grafo \u00fanico, I e II, do CDC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, os direitos individuais homog\u00eaneos qualificam-se como acidentalmente coletivos, vale dizer, traduzem interesses intrinsecamente individuais cuja tutela, diante de sua origem comum, pode ser realizada coletivamente em ju\u00edzo por autoriza\u00e7\u00e3o legal (art. 81, par\u00e1grafo \u00fanico, III, do CDC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Especificamente quanto a essa categoria de direitos &#8211; e tendo em conta a determinabilidade dos titulares lesados, os quais devem ser os destinat\u00e1rios prec\u00edpuos de eventual repara\u00e7\u00e3o de danos -, a legisla\u00e7\u00e3o dedica-lhes disciplina normativa pr\u00f3pria, determinando no art. 95 do CDC que, &#8220;em caso de proced\u00eancia do pedido, a condena\u00e7\u00e3o ser\u00e1 gen\u00e9rica, fixando a responsabilidade do r\u00e9u pelos danos causados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme compreens\u00e3o do Supremo Tribunal Federal, por meio da qual se verifica que a categoria de direitos individuais homog\u00eaneos conta, para a sua tutela, com as normas contidas nos arts. 91 a 100 do CDC, que contemplam a fase de obten\u00e7\u00e3o de uma senten\u00e7a gen\u00e9rica, com os elementos definidores do n\u00facleo de homogeneidade dos direitos, e, caso procedente o pedido, segue-se para o cumprimento da senten\u00e7a auferindo as situa\u00e7\u00f5es individuais de cada lesado (margem de heterogeneidade, englobante da defini\u00e7\u00e3o de &#8220;a quem \u00e9 devido&#8221; &#8211; <em>cui debeatur<\/em> &#8211; e do montante indenizat\u00f3rio &#8211; <em>quantum debeatur<\/em>), sendo efetivados, por conseguinte, os atos execut\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No \u00e2mbito do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, tamb\u00e9m ficou consolidada, quanto aos direitos coletivos em sentido amplo, a distin\u00e7\u00e3o entre os direitos essencialmente coletivos (difusos e coletivos <em>stricto sensu<\/em>) e os acidentalmente coletivos, em congru\u00eancia \u00e0s li\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias &#8211; com base na determinidade dos sujeitos atingidos e na origem da les\u00e3o (divisibilidade do objeto), com relevante especificidade quanto \u00e0 categoria dos individuais homog\u00eaneos, qual seja, o procedimento dividido em duas fases, conforme previs\u00e3o no CDC &#8211; com a senten\u00e7a gen\u00e9rica e posterior defini\u00e7\u00e3o de par\u00e2metros e dos limites para a fixa\u00e7\u00e3o dos danos (em especial o <em>quantum<\/em> indenizat\u00f3rio).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c0 vista da consigna\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o aos direitos ao meio ambiente equilibrado e \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 sa\u00fade dos consumidores, em raz\u00e3o da desconformidade entre as f\u00f3rmulas dos agrot\u00f3xicos autorizadas e as produzidas e colocadas no mercado, para que se viabilize a tutela jurisdicional mais apropriada para o caso, entende-se que se est\u00e1 diante de direito difuso \u00e0 vista da indivisibilidade do seu objeto e da indeterminabilidade dos seus titulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, no caso, em se tratando de direitos transindividuais (art. 81, par\u00e1grafo \u00fanico, I, do CDC), imp\u00f5e-se a manuten\u00e7\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o por danos materiais fixada nas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, uma vez que as les\u00f5es foram causadas \u00e0 coletividade, envolvendo titulares indeterminados ligados por circunst\u00e2ncia de fato, n\u00e3o havendo \u00f3bice \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o imediata do <em>quantum<\/em> indenizat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-pensao-militar-e-conjuge-separado-de-fato\" class=\"wp-block-heading\">4. PENS\u00c3O MILITAR E C\u00d4NJUGE SEPARADO DE FATO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na separa\u00e7\u00e3o de fato de militar falecido, sem que o ex-c\u00f4njuge percebesse pens\u00e3o aliment\u00edcia, <strong>a depend\u00eancia econ\u00f4mica N\u00c3O se presume<\/strong> para fins de pens\u00e3o por morte: <strong>deve ser comprovada<\/strong> (interpreta\u00e7\u00e3o do art. 7\u00ba, I, c, da Lei n. 3.765\/1960, na reda\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 Lei n. 13.954\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.206.811-CE, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 4\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Morto o sargento Tib\u00farcio, duas mulheres disputaram a pens\u00e3o militar: Josefina, companheira dos \u00faltimos anos, e Crementina, esposa de quem ele estava separado de fato havia tempos, sem lhe pagar pens\u00e3o aliment\u00edcia. Crementina postulou o rateio brandindo a certid\u00e3o de casamento, v\u00ednculo que nunca fora desfeito no papel. Regido o benef\u00edcio pela Lei n. 3.765\/1960, o casamento de papel basta, ou \u00e9 preciso provar que ela dependia do falecido?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 3.765\/1960, art. 7\u00ba, I, c (reda\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 Lei n. 13.954\/2019)<\/strong><em> (considerava dependentes a pessoa desquitada, a separada judicialmente, a divorciada e a ex-convivente, desde que percebessem pens\u00e3o aliment\u00edcia; nada dizia sobre a separa\u00e7\u00e3o de fato).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A pens\u00e3o militar segue lei especial, que afasta o art. 217, II, da Lei n. 8.112\/1990, pr\u00f3prio dos servidores civis; no RGPS e no regime estatut\u00e1rio, o STJ j\u00e1 assentara que a separa\u00e7\u00e3o de fato sem alimentos derruba a presun\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica: a pens\u00e3o por morte ampara quem perdeu a fonte de sustento; o rol do art. 7\u00ba, I, c, \u00e9 exemplificativo e alcan\u00e7a o c\u00f4njuge separado de fato que comprove depender do instituidor ao tempo do \u00f3bito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A Lei n. 13.954\/2019 corrigiu o sil\u00eancio e passou a exigir expressamente que a pessoa separada de fato receba alimentos; a altera\u00e7\u00e3o confirma a leitura final\u00edstica do texto anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A esposa formal tinha um trunfo literal: o dispositivo antigo s\u00f3 cortava o benef\u00edcio de quem rompera o v\u00ednculo no papel sem alimentos, e <strong>sobre a separa\u00e7\u00e3o de fato a lei silenciava<\/strong>, o que jogaria a seu favor a condi\u00e7\u00e3o de casada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Primeira Turma foi buscar o prop\u00f3sito da norma. <strong>Previd\u00eancia protege necessidade, n\u00e3o estado civil de papel<\/strong>: quem vivia separada e sem receber um centavo do militar n\u00e3o perdeu, com a morte dele, nenhuma fonte de sustento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Poderia soar como cria\u00e7\u00e3o judicial de requisito: se o rol legal n\u00e3o menciona a hip\u00f3tese, <strong>estender exig\u00eancias ao separado de fato ampliaria a lei em seu desfavor<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O movimento foi o inverso: o rol exemplificativo permitiu incluir o separado de fato entre os poss\u00edveis dependentes, <strong>desde que provada a depend\u00eancia econ\u00f4mica<\/strong>. A reforma de 2019, ao exigir alimentos expressamente, apenas encampou o que a finalidade da norma j\u00e1 dizia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acerca da pens\u00e3o por morte de militar postulada por c\u00f4njuge separado de fato que n\u00e3o recebia pens\u00e3o aliment\u00edcia, sob a reda\u00e7\u00e3o original da Lei n. 3.765\/1960:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) assegura-se pela subsist\u00eancia formal do casamento, bastando a certid\u00e3o para habilitar o c\u00f4njuge ao rateio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) rege-se pelo art. 217, II, da Lei n. 8.112\/1990, aplic\u00e1vel subsidiariamente aos militares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) era invi\u00e1vel antes da Lei n. 13.954\/2019, cujo texto criou a figura do dependente separado de fato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) presume-se pela condi\u00e7\u00e3o de c\u00f4njuge, incumbindo a quem impugna o \u00f4nus de infirmar a depend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) exige a comprova\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o ao instituidor ao tempo do \u00f3bito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O v\u00ednculo meramente cartorial n\u00e3o cumpre a finalidade da norma, que \u00e9 amparar quem perdeu a fonte de sustento; separada de fato e sem alimentos, a esposa precisa provar que dependia do militar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A Lei n. 3.765\/1960 \u00e9 especial e afasta o regime dos servidores civis; a aproxima\u00e7\u00e3o \u00fatil vem da jurisprud\u00eancia sobre separa\u00e7\u00e3o de fato nos demais regimes, n\u00e3o da incid\u00eancia direta do dispositivo estatut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Mesmo sob a reda\u00e7\u00e3o anterior, o rol foi tido por exemplificativo: o separado de fato podia habilitar-se mediante prova da depend\u00eancia; a lei nova explicitou a exig\u00eancia, sem inaugur\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A presun\u00e7\u00e3o n\u00e3o socorre quem estava separado de fato sem perceber alimentos; o \u00f4nus da prova recai sobre quem postula o benef\u00edcio, n\u00e3o sobre quem o impugna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Foi a conclus\u00e3o da Primeira Turma no REsp 2.206.811: interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica que condiciona a pens\u00e3o \u00e0 prova de que o requerente dependia dos recursos do falecido quando do \u00f3bito.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a ex-companheira separada de fato que n\u00e3o recebia pens\u00e3o aliment\u00edcia faz jus \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de pens\u00e3o por morte de militar, ou se \u00e9 necess\u00e1ria a prova de depend\u00eancia econ\u00f4mica com rela\u00e7\u00e3o ao <em>de cujus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, cuida-se de a\u00e7\u00e3o objetivando o reconhecimento do direito \u00e0 integralidade da pens\u00e3o por morte de militar ou, subsidiariamente, o rateio do benef\u00edcio entre a companheira e a esposa separada de fato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pens\u00e3o por morte de militar \u00e9 regida pela Lei n. 3.765\/1960, lei especial que afasta a aplica\u00e7\u00e3o do art. 217, II, da Lei n. 8.112\/1990, pr\u00f3prio do regime dos servidores civis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a reda\u00e7\u00e3o anterior do art. 7\u00ba, I, c, da Lei n. 3.765\/1960 n\u00e3o contemplava a situa\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge separado de fato, apenas estabelecia que a pessoa desquitada, a separada judicialmente, a divorciada do instituidor ou a ex-convivente, desde que recebesse pens\u00e3o aliment\u00edcia, seria considerada dependente. Com exce\u00e7\u00e3o da ex-convivente, o dispositivo contemplava apenas situa\u00e7\u00f5es de rompimento formal do v\u00ednculo conjugal, sem refer\u00eancia ao contexto da separa\u00e7\u00e3o de fato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, deve-se interpretar o dispositivo conforme a finalidade da norma que instituiu a pens\u00e3o por morte dos militares. Em um regime de previd\u00eancia em que se busca resguardar os dependentes dos efeitos decorrentes do \u00f3bito daqueles que os mant\u00eam, parece claro que a finalidade da norma \u00e9 amparar aqueles que n\u00e3o possuem mais recursos para prover o seu sustento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No \u00e2mbito do Regime Geral de Previd\u00eancia Social (RGPS) e do Regime Pr\u00f3prio de Previd\u00eancia dos Servidores P\u00fablicos da Uni\u00e3o (regidos pela Lei n. 8.112\/1990), inclusive, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 teve a oportunidade de se manifestar in\u00fameras vezes no sentido de que, no caso de separa\u00e7\u00e3o de fato, sem que o ex-c\u00f4njuge perceba alimentos, n\u00e3o se pode presumir a depend\u00eancia econ\u00f4mica, a qual deve ser comprovada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 importante lembrar que, com a Lei n. 13.954\/2019, o legislador corrigiu o sil\u00eancio em que incorrera anteriormente, passando a exigir, expressamente, no art. 7\u00ba, I, c, que a pessoa separada de fato perceba pens\u00e3o aliment\u00edcia para que fa\u00e7a jus ao recebimento da pens\u00e3o por morte, o que corrobora, ainda mais, o fato de que a finalidade da lei era garantir recursos \u00e0queles que n\u00e3o tinham outros meios para prover o seu sustento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica do dispositivo conduz \u00e0 conclus\u00e3o de que o rol de situa\u00e7\u00f5es abarcadas pelo art. 7\u00ba, I, c, da Lei n. 3.765\/1960, com reda\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 dada pela Lei 13.954\/2019, \u00e9 exemplificativo, alcan\u00e7ando tamb\u00e9m o c\u00f4njuge separado de fato, que prove a depend\u00eancia, ao tempo do \u00f3bito, dos recursos do instituidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, conclui-se que, mesmo antes das altera\u00e7\u00f5es promovidas pela Lei n. 13.954\/2019, n\u00e3o havia como se presumir a depend\u00eancia econ\u00f4mica daqueles que estavam separados de fato, mas que n\u00e3o percebiam pens\u00e3o aliment\u00edcia, de modo a ser necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia do <em>de cujus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-edificio-em-app-demolicao-vs-perdas-e-danos\" class=\"wp-block-heading\">5. EDIF\u00cdCIO EM APP: DEMOLI\u00c7\u00c3O vs. PERDAS E DANOS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 desproporcional a <strong>demoli\u00e7\u00e3o integral de edif\u00edcio erguido em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente<\/strong> quando o empreendedor n\u00e3o descumpriu deliberadamente comandos normativos, administrativos ou judiciais: <strong>converte-se a obriga\u00e7\u00e3o de fazer em perdas e danos suplementares<\/strong>, com destina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da parcela pecuni\u00e1ria a projetos vinculados ao ecossistema local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AREsp 2.110.631-SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por maioria, julgado em 4\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Soergue Ltda construiu um pr\u00e9dio de seis pavimentos em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente e terreno de marinha, mas amparada em lei municipal de 2014, autoriza\u00e7\u00e3o judicial e estudos. O im\u00f3vel era tamb\u00e9m cercado de condom\u00ednios id\u00eanticos e separado da praia por via p\u00fablica consolidada desde os anos 1970. As 24 unidades foram vendidas, e Kiko comprou a sua de boa-f\u00e9, com registro em ordem. Anos depois, veio a ordem de derrubada total. Botar abaixo as 24 moradias \u00e9 a resposta proporcional ao dano ambiental?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 499<\/strong><em> (a obriga\u00e7\u00e3o s\u00f3 se converte em perdas e danos a requerimento do autor ou quando imposs\u00edvel a tutela espec\u00edfica ou a obten\u00e7\u00e3o do resultado pr\u00e1tico equivalente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O debate n\u00e3o \u00e9 de fato consumado pela antropiza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, e sim de proporcionalidade da ordem demolit\u00f3ria: a condena\u00e7\u00e3o mira a construtora, mas os principais atingidos seriam os adquirentes de boa-f\u00e9, e a judicializa\u00e7\u00e3o por eles adiaria a satisfa\u00e7\u00e3o do verdadeiro afetado, o meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Sem descumprimento deliberado de ordem legal, administrativa ou judicial na constru\u00e7\u00e3o e na venda, a derrubada integral com desocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 desproporcional; a obriga\u00e7\u00e3o de fazer converte-se em indeniza\u00e7\u00e3o suplementar equivalente ao custo integral do servi\u00e7o (planejamento, execu\u00e7\u00e3o, limpeza e destina\u00e7\u00e3o de entulhos), apurado em liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O montante soma-se \u00e0 condena\u00e7\u00e3o j\u00e1 imposta (um ter\u00e7o do lucro da construtora) e financia projetos vinculados ao ecossistema local, buscando compensa\u00e7\u00e3o <em>in loco<\/em> e, indiretamente, <em>in natura<\/em>, em vez de fundos coletivos globais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A ortodoxia ambiental militava pela retroescavadeira: dano em APP se repara <em>in natura<\/em>, e <strong>tolerar o concreto consolidado premiaria o poluidor<\/strong>, sinalizando que basta construir r\u00e1pido e vender para escapar da restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A maioria da Segunda Turma respondeu com o mapa do caso: alvar\u00e1 fundado em lei municipal, chancela judicial, vizinhan\u00e7a id\u00eantica e unidades nas m\u00e3os de fam\u00edlias que compraram com registro limpo. <strong>Quem pagaria a conta da demoli\u00e7\u00e3o seriam os moradores de boa-f\u00e9<\/strong>, n\u00e3o a construtora condenada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Restava o risco do precedente: converter demoli\u00e7\u00e3o em dinheiro <strong>poderia virar tarifa de licen\u00e7a para degradar<\/strong>, bastando embutir o custo no pre\u00e7o dos apartamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O julgado fechou a porta: a convers\u00e3o pressup\u00f5e a aus\u00eancia de descumprimento deliberado e n\u00e3o isenta o empreendedor. <strong>O custo integral da derrubada vira indeniza\u00e7\u00e3o adicional, carimbada para o ecossistema local<\/strong>, somando-se ao ter\u00e7o do lucro j\u00e1 devido; degradar continuou caro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que se refere ao edif\u00edcio constru\u00eddo em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente com respaldo judicial, administrativo e legal, e vendido a terceiros de boa-f\u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) subsiste a ordem de demoli\u00e7\u00e3o integral, express\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o <em>in natura<\/em> que rege o dano ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) aplica-se a teoria do fato consumado, exonerado o empreendedor pela antropiza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) converte-se a obriga\u00e7\u00e3o de demolir em perdas e danos suplementares, destinados a projetos do ecossistema local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) transfere-se aos adquirentes a obriga\u00e7\u00e3o de demolir, dado o car\u00e1ter <em>propter rem<\/em> das obriga\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) reduz-se a condena\u00e7\u00e3o ao ter\u00e7o do lucro da construtora, quitada a repara\u00e7\u00e3o com a parcela j\u00e1 fixada na origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A tutela espec\u00edfica mostrou-se material e normativamente invi\u00e1vel diante da conclus\u00e3o da obra e da comercializa\u00e7\u00e3o v\u00e1lida das unidades; imp\u00f4-la sacrificaria sobretudo os moradores de boa-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A Segunda Turma frisou que a controv\u00e9rsia n\u00e3o envolve o fato consumado, e a convers\u00e3o n\u00e3o exonera ningu\u00e9m: quem causa les\u00e3o ambiental responde pelas consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. Em analogia ao art. 499 do CPC, a obriga\u00e7\u00e3o de fazer vira indeniza\u00e7\u00e3o equivalente ao custo integral do servi\u00e7o de derrubada, somada ao ter\u00e7o do lucro j\u00e1 imposto e vinculada ao ecossistema atingido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A condena\u00e7\u00e3o se volta contra a construtora; deslocar a demoli\u00e7\u00e3o para os compradores regulares inverteria a l\u00f3gica de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 boa-f\u00e9 prestigiada no julgado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A parcela pecuni\u00e1ria \u00e9 adicional \u00e0 condena\u00e7\u00e3o preexistente: o valor or\u00e7ado da demoli\u00e7\u00e3o, apurado em liquida\u00e7\u00e3o, acresce ao ter\u00e7o do lucro.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a saber se um edif\u00edcio constru\u00eddo em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP) e em terreno de marinha, com base em norma local de 2014, que autorizou a edifica\u00e7\u00e3o de 6 pavimentos, em substitui\u00e7\u00e3o ao regramento da d\u00e9cada de 1970 que os limitava a 3 andares, deve ser integralmente demolido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o empreendimento foi edificado com amparo em autoriza\u00e7\u00e3o judicial e lastro em legisla\u00e7\u00e3o municipal, bem como foi constru\u00eddo em terreno separado da praia e da vegeta\u00e7\u00e3o remanescente por via p\u00fablica consolidada desde a d\u00e9cada de 1970, al\u00e9m de cercado por condom\u00ednios vizinhos de id\u00eantica estrutura, tendo havido a comercializa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima das 24 unidades aut\u00f4nomas a terceiros de boa-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalte-se que a quest\u00e3o em an\u00e1lise n\u00e3o envolve propriamente o debate acerca do fato consumado ante a antropiza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, sen\u00e3o da proporcionalidade da ordem demolit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aqui, a condena\u00e7\u00e3o se volta contra a construtora do edif\u00edcio, obra consumada por for\u00e7a de decis\u00e3o judicial e com base em norma local autorizadora. Entretanto, os principais prejudicados ser\u00e3o os terceiros adquirentes de boa-f\u00e9, que certamente buscar\u00e3o o Judici\u00e1rio para inviabilizar a execu\u00e7\u00e3o dessa determina\u00e7\u00e3o, adiando ainda mais a satisfa\u00e7\u00e3o do verdadeiro afetado, o meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa situa\u00e7\u00e3o peculiar, em que n\u00e3o houve descumprimento deliberado de ordem judicial, legal ou administrativa, seja na constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio ou na venda dos apartamentos, com os atuais propriet\u00e1rios, que igualmente adquiriram o im\u00f3vel de forma regular, com a respectiva anota\u00e7\u00e3o no registro cancelada, mostra-se, de fato, desproporcional a demoli\u00e7\u00e3o integral e desocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O desacolhimento reiterado das pretens\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, quando o pr\u00f3prio dano ambiental talvez pudesse ter sido evitado, influenciou a conduta dos envolvidos, inclusive terceiros adquirentes. Isso n\u00e3o implica isen\u00e7\u00e3o de responsabilidade ou de consequ\u00eancias pelo dano causado, sob pena de premiar o empreendedor que, ao fim e ao cabo, efetive les\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, nos limites da jurisdi\u00e7\u00e3o em inst\u00e2ncia especial, deve ser convertida a obriga\u00e7\u00e3o de fazer constitu\u00edda na demoli\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel em indeniza\u00e7\u00e3o suplementar equivalente aos custos integrais dessa medida, em analogia ao disposto no art. 499 do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mostra-se invi\u00e1vel, portanto, material e normativamente, a tutela espec\u00edfica pleiteada ante a conclus\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o v\u00e1lida do empreendimento a terceiros de boa-f\u00e9. Assim, \u00e9 vi\u00e1vel a convers\u00e3o da imposi\u00e7\u00e3o de fazer em perdas e danos, em favor da coletividade titular dos bens ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, \u00e0 luz do art. 499 do CPC\/2015 e diante da inviabilidade material e normativa de execu\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de fazer consistente na demoli\u00e7\u00e3o integral do edif\u00edcio, constru\u00eddo e comercializado de forma legal, a recupera\u00e7\u00e3o <em>in natura<\/em> do dano deve ser convertida em parcela pecuni\u00e1ria adicional \u00e0 j\u00e1 determinada pelo Tribunal Regional Federal recorrido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A convers\u00e3o implica ser apurado, em liquida\u00e7\u00e3o, o valor do servi\u00e7o integral de demoli\u00e7\u00e3o, desde o planejamento at\u00e9 a limpeza, a destina\u00e7\u00e3o de entulhos e demais servi\u00e7os associados. Esse valor or\u00e7ado deve ser acrescido \u00e0 condena\u00e7\u00e3o j\u00e1 imposta, equivalente a 1\/3 do lucro obtido pela construtora, conforme venha a ser igualmente apurado em liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa parcela espec\u00edfica, sem preju\u00edzo da destina\u00e7\u00e3o dos montantes j\u00e1 aplicados pelo Tribunal Regional Federal, deve ser destinada de forma espec\u00edfica a projetos vinculados ao ecossistema local, conforme deliberado pelo ju\u00edzo de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A medida visa aproximar-se, o m\u00e1ximo poss\u00edvel na esp\u00e9cie peculiar dos autos, da restaura\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria \u00e1rea afetada, mediante compensa\u00e7\u00e3o <em>in loco<\/em> e, indiretamente, <em>in natura<\/em>, sem simplesmente destinar os valores a fundos coletivos globais nem impor a desocupa\u00e7\u00e3o de 24 moradias regularmente adquiridas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, deve ser convertida a obriga\u00e7\u00e3o de fazer, consistente na demoli\u00e7\u00e3o integral do im\u00f3vel, em perdas e danos adicionais, com destina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da parcela pecuni\u00e1ria a projetos vinculados ao ecossistema local.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-tema-692-e-troca-da-modalidade-de-beneficio\" class=\"wp-block-heading\">6. TEMA 692 E TROCA DA MODALIDADE DE BENEF\u00cdCIO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A devolu\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios recebidos por for\u00e7a de tutela provis\u00f3ria (Tema 692\/STJ) <strong>N\u00c3O se aplica quando n\u00e3o houve revoga\u00e7\u00e3o da tutela por improced\u00eancia<\/strong>, mas mera <strong>substitui\u00e7\u00e3o ou adequa\u00e7\u00e3o da modalidade de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio<\/strong>, mantido o desfecho favor\u00e1vel ao segurado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.254.787-RS, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 9\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jaiminho recebeu aposentadoria especial por tutela antecipada. Na apela\u00e7\u00e3o, o tribunal trocou o benef\u00edcio por aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o; desinteressado dessa modalidade, ele ajuizou nova a\u00e7\u00e3o e conquistou em definitivo a aposentadoria especial. No meio do caminho, o INSS passou a descontar o que fora pago sob a tutela, invocando o Tema 692\/STJ, e Jaiminho impetrou mandado de seguran\u00e7a contra as cobran\u00e7as. Houve troca de r\u00f3tulo do benef\u00edcio ou recebimento indevido a restituir?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema 692\/STJ<\/strong><em> (a reforma da decis\u00e3o que antecipa a tutela obriga o autor da a\u00e7\u00e3o a devolver os benef\u00edcios previdenci\u00e1rios indevidamente recebidos, independentemente de boa-f\u00e9, de natureza alimentar ou de previs\u00e3o no t\u00edtulo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A orienta\u00e7\u00e3o foi reafirmada na quest\u00e3o de ordem da Pet 12.482\/DF, com ajustes redacionais e a ressalva de particularidades processuais capazes de justificar tratamento espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O Tema 692 pressup\u00f5e invers\u00e3o do resultado: revoga\u00e7\u00e3o da tutela por improced\u00eancia da pretens\u00e3o. Havendo substitui\u00e7\u00e3o ou adequa\u00e7\u00e3o da modalidade de benef\u00edcio, com desfecho favor\u00e1vel mantido, a devolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se imp\u00f5e; incide a fungibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Pela ratio do Tema 1207\/STJ, aplic\u00e1vel por analogia, a compensa\u00e7\u00e3o entre benef\u00edcios inacumul\u00e1veis se faz m\u00eas a m\u00eas, compet\u00eancia por compet\u00eancia, sem saldo global negativo contra o benefici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A autarquia lia o precedente ao p\u00e9 da letra: a tutela que implantou a aposentadoria especial foi reformada, e <strong>reforma \u00e9 reforma, disparando o dever de devolver<\/strong> consagrado no rito repetitivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Segunda Turma olhou para o resultado, n\u00e3o para o r\u00f3tulo do ato processual. <strong>O segurado jamais deixou de ter direito a um benef\u00edcio<\/strong>: saiu da especial para a de tempo de contribui\u00e7\u00e3o e, ao final, reconquistou a especial; nenhuma improced\u00eancia interrompeu essa cadeia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Ainda assim, havia compet\u00eancias em que o valor pago sob tutela superava o devido na modalidade substituta, e <strong>algum acerto de contas parecia inevit\u00e1vel<\/strong> para impedir enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Para isso serve a r\u00e9gua do Tema 1207: <strong>compensa\u00e7\u00e3o m\u00eas a m\u00eas, no limite de cada compet\u00eancia<\/strong>, evitando tanto o pagamento duplicado quanto a forma\u00e7\u00e3o de d\u00edvida global contra quem sempre teve raz\u00e3o no m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o de valores recebidos por tutela antecipada que implantou aposentadoria especial, depois substitu\u00edda por aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o e, em nova a\u00e7\u00e3o, restabelecida a especial:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) n\u00e3o se imp\u00f5e, ausente revoga\u00e7\u00e3o da tutela fundada na inexist\u00eancia do direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) obriga-se o segurado \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o, na forma do Tema 692\/STJ, irrelevante a natureza do provimento posterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) condiciona-se \u00e0 m\u00e1-f\u00e9 do benefici\u00e1rio, elemento subjetivo erigido em requisito da cobran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) resolve-se por apura\u00e7\u00e3o global das diferen\u00e7as ao final, admitido saldo negativo a consignar da renda mensal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende da previs\u00e3o expressa de restitui\u00e7\u00e3o no t\u00edtulo judicial que substituiu o benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. A Segunda Turma afastou o Tema 692: houve troca e posterior confirma\u00e7\u00e3o da modalidade devida, com desfecho favor\u00e1vel mantido; a fungibilidade entre benef\u00edcios impede tratar o pagamento como indevido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O precedente pressup\u00f5e reforma que inverta o resultado do processo; a concess\u00e3o definitiva da aposentadoria especial confirma a exist\u00eancia cont\u00ednua do direito material do segurado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O Tema 692 dispensa a an\u00e1lise de boa-f\u00e9; o que salvou o segurado n\u00e3o foi o estado subjetivo, e sim a aus\u00eancia de revoga\u00e7\u00e3o por improced\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A ratio do Tema 1207 imp\u00f5e acerto compet\u00eancia por compet\u00eancia, dentro do teto de cada m\u00eas, vedadas a forma\u00e7\u00e3o de saldo devedor contra o benefici\u00e1rio e a execu\u00e7\u00e3o invertida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A dispensa de previs\u00e3o expressa no t\u00edtulo integra o pr\u00f3prio Tema 692; a quest\u00e3o se resolve pela natureza da altera\u00e7\u00e3o (substitui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o improced\u00eancia), e n\u00e3o por algum sil\u00eancio do provimento.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia cinge-se \u00e0 possibilidade de cobran\u00e7a, pelo Instituto Nacional do Seguro Social &#8211; INSS, de valores percebidos a t\u00edtulo de aposentadoria especial implantada por tutela antecipada, posteriormente superada por ac\u00f3rd\u00e3o que assegurou a concess\u00e3o de aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o, bem como, em nova demanda, no contexto de posterior reconhecimento judicial do direito \u00e0 aposentadoria especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Consta dos autos que, desinteressado nesta \u00faltima esp\u00e9cie de benef\u00edcio, o segurado ingressou com nova a\u00e7\u00e3o judicial, sendo reconhecido o direito \u00e0 aposentadoria especial a contar de 29\/7\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em raz\u00e3o disso, o INSS passou a cobrar os valores alcan\u00e7ados ao segurado por for\u00e7a do cumprimento da tutela espec\u00edfica, durante o per\u00edodo de 1\u00ba\/12\/2015 a 31\/3\/2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Irresignado, o segurado impetrou mandado de seguran\u00e7a com vistas \u00e0 concess\u00e3o de ordem para que o INSS deixe de descontar as referidas quantias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A senten\u00e7a julgou parcialmente procedente o pedido, para conceder em parte a seguran\u00e7a, confirmando a medida liminar, a fim de restringir a d\u00edvida do impetrante \u00e0s parcelas de 1\u00ba\/2\/2015 a 28\/7\/2015 e limitar a consigna\u00e7\u00e3o a 10% da renda mensal do benef\u00edcio<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, ao considerar que &#8220;o grau de evid\u00eancia do direito que surgiu com o primeiro julgamento em segundo grau conferiu maior seguran\u00e7a \u00e0 parte autora quanto ao direito reclamado, a refor\u00e7ar a boa-f\u00e9 no recebimento dos valores&#8221;, a Corte recorrida deu provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o do impetrante para obstar quaisquer cobran\u00e7as por parte da autarquia administrativa relativas aos valores discutidos, tidos por irrepet\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A respeito dessa quest\u00e3o controvertida, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ao julgar os Recursos Especiais 1.384.418\/SC e 1.401.560\/MT sob o rito dos repetitivos, consolidou o Tema 692, segundo o qual: &#8220;A reforma da decis\u00e3o que antecipa a tutela obriga o autor da a\u00e7\u00e3o a devolver os benef\u00edcios previdenci\u00e1rios indevidamente recebidos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em momento posterior, ao proceder \u00e0 reaprecia\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria por ocasi\u00e3o do exame da quest\u00e3o de ordem suscitada na Peti\u00e7\u00e3o 12.482\/DF, a Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ reafirmou a orienta\u00e7\u00e3o firmada e promoveu ajustes redacionais destinados \u00e0 adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o superveniente. Al\u00e9m disso, destacou, na ementa, particularidades processuais que, em tese, poderiam justificar tratamento espec\u00edfico e eventual reavalia\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o estabelecida no Tema n. 692\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o referido Tema encontra-se pacificado na jurisprud\u00eancia do STJ, que reconhece a legitimidade da restitui\u00e7\u00e3o das quantias recebidas pelo segurado em cumprimento a provimento judicial de car\u00e1ter provis\u00f3rio posteriormente revogado, independentemente da natureza alimentar da presta\u00e7\u00e3o, da boa-f\u00e9 do benefici\u00e1rio ou de previs\u00e3o expressa no t\u00edtulo judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todavia, a situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica delineada nos autos n\u00e3o se amolda aos contornos definidos no Tema n. 692\/STJ, tendo em vista que n\u00e3o houve revoga\u00e7\u00e3o da tutela provis\u00f3ria em decorr\u00eancia da improced\u00eancia da pretens\u00e3o, mas apenas a adequa\u00e7\u00e3o da modalidade de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio reconhecido, mantendo-se, portanto, o desfecho favor\u00e1vel \u00e0 parte autora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Importa consignar que a referida compreens\u00e3o encontra respaldo em julgados recentes deste Tribunal Superior, que tem reiteradamente recha\u00e7ado a incid\u00eancia do Tema n. 692\/STJ em situa\u00e7\u00f5es de substitui\u00e7\u00e3o ou adequa\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, sem invers\u00e3o do resultado de proced\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, cumpre registrar que o STJ, ao enfrentar controv\u00e9rsia relacionada \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o entre valores oriundos de presta\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias juridicamente incompat\u00edveis e inacumul\u00e1veis, estabeleceu, no \u00e2mbito do Tema n. 1207, par\u00e2metros objetivos para a apura\u00e7\u00e3o dos c\u00e1lculos na fase de cumprimento de senten\u00e7a, nos seguintes termos: &#8220;A compensa\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, recebidas na via administrativa, quando da elabora\u00e7\u00e3o de c\u00e1lculos em cumprimento de senten\u00e7a concessiva de outro benef\u00edcio, com elas n\u00e3o acumul\u00e1vel, deve ser feita m\u00eas a m\u00eas, no limite, para cada compet\u00eancia, do valor correspondente ao t\u00edtulo judicial, n\u00e3o devendo ser apurado valor mensal ou final negativo ao benefici\u00e1rio, de modo a evitar a execu\u00e7\u00e3o invertida ou a restitui\u00e7\u00e3o indevida.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a ratio extra\u00edda do aludido precedente vinculante, aplic\u00e1vel por analogia, refor\u00e7a a premissa de que a altera\u00e7\u00e3o da modalidade de benef\u00edcio promovida por decis\u00e3o judicial, quando incidente sobre compet\u00eancias coincidentes, n\u00e3o autoriza a apura\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as globais em desfavor do benefici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessas circunst\u00e2ncias, o ajuste deve ocorrer de forma segmentada, compet\u00eancia a compet\u00eancia, com o objetivo simult\u00e2neo de impedir o pagamento duplicado e obstar a forma\u00e7\u00e3o de saldo negativo, assegurando, assim, a coer\u00eancia do resultado executivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse panorama, evidencia-se que a posterior concess\u00e3o da aposentadoria especial assume relev\u00e2ncia para a adequada compreens\u00e3o jur\u00eddica da controv\u00e9rsia, na medida em que confirma a exist\u00eancia cont\u00ednua do direito material do segurado e afasta a hip\u00f3tese de revoga\u00e7\u00e3o de tutela fundada na inexist\u00eancia de direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao contr\u00e1rio, verifica-se mera substitui\u00e7\u00e3o da modalidade de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio, situa\u00e7\u00e3o que atrai a aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da fungibilidade e impede a incid\u00eancia do Tema n. 692\/STJ, mormente quanto \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o de valores.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-nbsp-remocao-de-videos-sobre-a-covid-19-e-termos-de-uso\" class=\"wp-block-heading\">7.&nbsp; REMO\u00c7\u00c3O DE V\u00cdDEOS SOBRE A COVID-19 E TERMOS DE USO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Constitui <strong>exerc\u00edcio regular de direito<\/strong> a remo\u00e7\u00e3o, por provedor de aplica\u00e7\u00e3o de internet, de v\u00eddeos que difundam <strong>desinforma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica sobre a Covid-19<\/strong>, em desacordo com diretrizes p\u00fablicas de sa\u00fade e com pol\u00edticas de uso previamente aceitas; <strong>N\u00c3O h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade de express\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.084.220-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 13\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Godines, m\u00e9dico e dono de canal no YouTube, viu v\u00eddeos removidos e a conta suspensa: as publica\u00e7\u00f5es negavam a efic\u00e1cia de m\u00e1scaras e do distanciamento social e afirmavam que as vacinas contaminariam com o v\u00edrus. Ele acionou o Google, e as inst\u00e2ncias de origem mandaram reinserir o conte\u00fado, tratando o caso como livre circula\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es em tema controvertido. A modera\u00e7\u00e3o fundada nos termos de uso aceitos na ades\u00e3o ao servi\u00e7o \u00e9 censura ou contrato?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 188, I; Lei n. 12.965\/2014 (Marco Civil da Internet), art. 2\u00ba, V<\/strong><em> (n\u00e3o constitui ato il\u00edcito o exerc\u00edcio regular de um direito reconhecido; a disciplina do uso da internet no Brasil tem entre seus fundamentos a defesa do consumidor).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O STJ reconhece a legitimidade da atua\u00e7\u00e3o de sites e plataformas (jogos, com\u00e9rcio eletr\u00f4nico, conte\u00fado) diante do uso em desacordo com os termos contratados; no REsp 2.139.749\/SP, a Terceira Turma j\u00e1 validara a retirada de conte\u00fado sobre a Covid-19 contr\u00e1rio \u00e0s pol\u00edticas da plataforma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Os termos de uso que autorizam a modera\u00e7\u00e3o subordinam-se \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, \u00e0s leis e \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel ao ecossistema da internet, sob pena de responsabiliza\u00e7\u00e3o do provedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Comprovada a viola\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usulas expressas, alinhadas \u00e0s principais refer\u00eancias de sa\u00fade p\u00fablica, a suspens\u00e3o do canal e a remo\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos s\u00e3o l\u00edcitas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O tribunal de origem enxergou censura corporativa: em pandemia cheia de controv\u00e9rsias cient\u00edficas, <strong>o debate deveria correr livre<\/strong>, e a plataforma n\u00e3o seria rigorosa na aferi\u00e7\u00e3o da qualidade dos conte\u00fados que hospeda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Terceira Turma reposicionou a r\u00e9gua: negar m\u00e1scaras, distanciamento e vacinas n\u00e3o \u00e9 opini\u00e3o divergente, <strong>\u00e9 desinforma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica em choque com as refer\u00eancias p\u00fablicas de sa\u00fade<\/strong> e com cl\u00e1usulas que o pr\u00f3prio usu\u00e1rio aceitou ao abrir o canal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Sobrava o fantasma do poder privado: deixar a plataforma decidir o que sai do ar <strong>entregaria a curadoria do discurso p\u00fablico a uma empresa<\/strong>, sem contradit\u00f3rio nem juiz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O contrapeso est\u00e1 no pr\u00f3prio julgado: os termos de uso n\u00e3o pairam acima do ordenamento, <strong>subordinam-se \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o e \u00e0s leis, sob pena de responsabiliza\u00e7\u00e3o<\/strong>; dentro dessas balizas, moderar conte\u00fado nocivo \u00e9 executar o contrato, n\u00e3o censurar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a retirada de v\u00eddeos com desinforma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica sobre a Covid-19, promovida pela plataforma com base nas pol\u00edticas de uso aceitas pelo titular do canal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) configura censura privada, vedado ao provedor hierarquizar opini\u00f5es em tema cientificamente controvertido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) depende de ordem judicial pr\u00e9via, reservado ao Judici\u00e1rio o ju\u00edzo sobre a ilicitude do conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) gera dever de indenizar quando o titular do canal for profissional da sa\u00fade habilitado a opinar sobre tratamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) sujeita o provedor \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o de dolo do usu\u00e1rio na difus\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es falsas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) caracteriza exerc\u00edcio regular de direito, respeitados os limites da Constitui\u00e7\u00e3o, das leis e da regulamenta\u00e7\u00e3o da internet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Negar efic\u00e1cia a m\u00e1scaras e distanciamento e atribuir contamina\u00e7\u00e3o \u00e0s vacinas n\u00e3o \u00e9 opini\u00e3o em debate aberto, mas desinforma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica em desacordo com as refer\u00eancias p\u00fablicas de sa\u00fade; a liberdade de express\u00e3o comporta limites.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A modera\u00e7\u00e3o fundada em viola\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usulas previamente aceitas dispensa provimento judicial: trata-se de execu\u00e7\u00e3o do contrato firmado entre usu\u00e1rio e plataforma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A qualifica\u00e7\u00e3o profissional do titular n\u00e3o imuniza o conte\u00fado: o par\u00e2metro \u00e9 a conformidade com as pol\u00edticas contratadas e com as diretrizes sanit\u00e1rias, n\u00e3o o diploma de quem publica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Basta a comprova\u00e7\u00e3o objetiva do descumprimento dos termos expressos; o julgado n\u00e3o erige o dolo do usu\u00e1rio em requisito da modera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Foi a s\u00edntese da Terceira Turma no REsp 2.084.220, na linha do REsp 2.139.749\/SP: atua\u00e7\u00e3o l\u00edcita da plataforma, amparada no art. 188, I, do CC e nos princ\u00edpios do Marco Civil, como a defesa do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O objetivo da discuss\u00e3o \u00e9 decidir se \u00e9 l\u00edcita a modera\u00e7\u00e3o e a remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fado por viola\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas previamente contratadas por provedores de aplica\u00e7\u00e3o de internet, como o Google. Na hip\u00f3tese, houve a retirada do canal do ar por viola\u00e7\u00e3o \u00e0s regras da plataforma, consistentes na divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, tais como a inefic\u00e1cia do uso de m\u00e1scaras e do distanciamento social para conter a dissemina\u00e7\u00e3o da Covid-19 e a afirma\u00e7\u00e3o de que as vacinas provocariam a contamina\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a controv\u00e9rsia consiste em definir se tais informa\u00e7\u00f5es podem ser consideradas opini\u00f5es, e circularem livremente, ou se se enquadram no conceito de &#8220;desinforma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica relacionada \u00e0 Covid-19&#8221; e autorizam a remo\u00e7\u00e3o do conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, a a\u00e7\u00e3o foi proposta por titular de canal no YouTube, m\u00e9dico, contra o Google, alegando suspens\u00e3o de conta, remo\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos e amea\u00e7a de cancelamento do canal por diverg\u00eancia das informa\u00e7\u00f5es veiculadas. O Ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia julgou procedente o pedido para determinar a reinser\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos removidos, cancelar a suspens\u00e3o do canal e levantar eventual preju\u00edzo na monetiza\u00e7\u00e3o. O Tribunal de origem, ao julgar a apela\u00e7\u00e3o do Google, entendeu que a penaliza\u00e7\u00e3o da conta e a remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fados ocorreram de maneira desproporcional, em afronta ao direito \u00e0 livre circula\u00e7\u00e3o de not\u00edcias e opini\u00f5es, destacando que, em se tratando de pandemia da COVID-19, com aspectos controvertidos, o debate deveria ser livre e que a plataforma n\u00e3o seria rigorosa na aferi\u00e7\u00e3o da qualidade dos conte\u00fados, reputando sem fundamento a censura feita pela empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem se posicionado pela legitimidade da a\u00e7\u00e3o de sites e plataformas eletr\u00f4nicas, como de jogos, com\u00e9rcio eletr\u00f4nico ou de conte\u00fado, em raz\u00e3o do uso em desacordo com seus termos de uso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Decidindo mat\u00e9ria semelhante, a Terceira Turma do STJ, por unanimidade, concluiu pela licitude da atua\u00e7\u00e3o da empresa Google ao retirar conte\u00fado relacionado \u00e0 da Covid-19 que contrariava as pol\u00edticas de uso: &#8220;Os termos de uso dos provedores de aplica\u00e7\u00e3o, que autorizam a modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, devem estar subordinados \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, \u00e0s leis e a toda regulamenta\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel direta ou indiretamente ao ecossistema da internet, sob pena de responsabiliza\u00e7\u00e3o da plataforma&#8221; (REsp 2.139.749\/SP, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, julgado em 27\/8\/2024, DJe 30\/8\/2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na oportunidade, a Terceira Turma reconheceu a liberdade de express\u00e3o, mas destacou suas limita\u00e7\u00f5es, transcrevendo trechos dos termos de uso, que, de forma expressa, proibiam a divulga\u00e7\u00e3o de conte\u00fados como a recomenda\u00e7\u00e3o do uso de ivermectina ou hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19, bem como afirma\u00e7\u00f5es de que a hidroxicloroquina seria um tratamento eficaz contra a Covid-19, em alinhamento com as principais refer\u00eancias em sa\u00fade p\u00fablica durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, \u00e9 l\u00edcita a atua\u00e7\u00e3o da plataforma, que, diante da comprova\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o dos termos de uso, expressamente definidos, suspende o canal ou remove v\u00eddeos, em aten\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios estabelecidos no Marco Civil da Internet, como a defesa do consumidor (art. 2\u00ba, V), e demais princ\u00edpios estabelecidos no ordenamento jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-promessa-de-recompensa-e-liquidacao-das-perdas-e-danos\" class=\"wp-block-heading\">8. PROMESSA DE RECOMPENSA E LIQUIDA\u00c7\u00c3O DAS PERDAS E DANOS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No inadimplemento de promessa de recompensa vinculada a concurso promocional, <strong>a liquida\u00e7\u00e3o das perdas e danos N\u00c3O pode se restringir aos lucros cessantes<\/strong>: a indeniza\u00e7\u00e3o abrange <strong>o equivalente pecuni\u00e1rio do pr\u00eamio prometido<\/strong> e os ganhos que o credor teria auferido com o cumprimento no tempo e modo ajustados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.216.463-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 9\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chiquinha, cabeleireira, venceu em 2009 o concurso da Belezapura Cosm\u00e9ticos: quem mais vendesse os produtos ganharia a reforma do sal\u00e3o, pr\u00eamios e participa\u00e7\u00e3o no quadro &#8220;Construindo um Sonho&#8221;, de programa dominical de TV. A promessa n\u00e3o foi honrada. Na fase de conhecimento, reconheceu-se que a apari\u00e7\u00e3o televisiva era parcela consider\u00e1vel do pr\u00eamio; na liquida\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, o tribunal limitou a conta aos lucros cessantes da publicidade perdida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 402, 854 e 947<\/strong><em> (quem por an\u00fancio p\u00fablico promete recompensar contrai a obriga\u00e7\u00e3o de cumprir o prometido; imposs\u00edvel a presta\u00e7\u00e3o na esp\u00e9cie ajustada, substitui-se pelo valor em moeda corrente; as perdas e danos abrangem o que o credor efetivamente perdeu e o que razoavelmente deixou de lucrar).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 499<\/strong><em> (a obriga\u00e7\u00e3o converte-se em perdas e danos a requerimento do autor ou quando imposs\u00edvel a tutela espec\u00edfica ou o resultado pr\u00e1tico equivalente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Danos emergentes e lucros cessantes s\u00e3o preju\u00edzos aut\u00f4nomos e cumul\u00e1veis, sob o princ\u00edpio da repara\u00e7\u00e3o integral; viola a coisa julgada a decis\u00e3o de liquida\u00e7\u00e3o que subverte a l\u00f3gica do t\u00edtulo executivo (REsp 1.905.721\/PE).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Convertida a obriga\u00e7\u00e3o, a conta soma o valor em moeda da presta\u00e7\u00e3o inadimplida e os ganhos frustrados desde a \u00e9poca em que o cumprimento era devido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A leitura da origem tinha um verniz de l\u00f3gica: o que a vencedora perdeu de concreto teria sido <strong>o impulso publicit\u00e1rio e a clientela que ele traria<\/strong>, de modo que estimar esse incremento bastaria para indeniz\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A conta, por\u00e9m, ignora o pr\u00f3prio pr\u00eamio. <strong>A presta\u00e7\u00e3o inadimplida tem equivalente em dinheiro<\/strong> (CC, art. 947), e risc\u00e1-lo da liquida\u00e7\u00e3o deixa sem resposta a perda mais evidente: aquilo que foi prometido e nunca entregue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Argumentou-se ainda que somar pr\u00eamio e faturamento perdido <strong>pagaria duas vezes o mesmo preju\u00edzo<\/strong>, inflando a condena\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do dano real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f S\u00e3o les\u00f5es independentes: uma \u00e9 o desfalque imediato (dano emergente), outra \u00e9 o ganho futuro frustrado (lucro cessante). <strong>A repara\u00e7\u00e3o integral exige as duas parcelas<\/strong>, e o t\u00edtulo transitado em julgado, ao qualificar a apari\u00e7\u00e3o na TV como parcela consider\u00e1vel do pr\u00eamio, blindou essa extens\u00e3o contra cortes na liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descumprida a recompensa prometida em concurso promocional, e reconhecido no t\u00edtulo que a participa\u00e7\u00e3o em programa de TV era parcela consider\u00e1vel do pr\u00eamio, a liquida\u00e7\u00e3o das perdas e danos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) restringe-se aos lucros cessantes, pois o pr\u00eamio inadimplido constitui expectativa sem conte\u00fado patrimonial pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) abrange o equivalente pecuni\u00e1rio do pr\u00eamio e os lucros cessantes decorrentes do inadimplemento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) substitui a indeniza\u00e7\u00e3o pelos danos morais j\u00e1 fixados, vedada a cumula\u00e7\u00e3o de verbas na mesma condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) pode redefinir o alcance da condena\u00e7\u00e3o, comportando a fase de liquida\u00e7\u00e3o ju\u00edzo aut\u00f4nomo sobre a extens\u00e3o dos danos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) computa os lucros cessantes a partir do tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a, marco inicial da mora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O pr\u00eamio prometido tem equivalente em moeda (CC, art. 947); reduzir a conta \u00e0 expectativa de lucro deixa sem repara\u00e7\u00e3o a perda efetivamente sofrida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Repara\u00e7\u00e3o integral: o valor correspondente \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no programa e demais itens prometidos soma-se aos ganhos que a vencedora teria colhido com o aumento do faturamento desde 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Os danos morais de R$ 15.000,00 fixados na fase de conhecimento convivem com a recomposi\u00e7\u00e3o material; s\u00e3o verbas de natureza diversa e cumul\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A liquida\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode subverter o t\u00edtulo: reconhecida na fase de conhecimento a apari\u00e7\u00e3o televisiva como parcela consider\u00e1vel do pr\u00eamio, exclu\u00ed-la depois viola a coisa julgada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Os lucros cessantes correm desde a \u00e9poca em que a obriga\u00e7\u00e3o deveria ter sido cumprida, quando a cabeleireira teria participado do programa e colhido o incremento de clientela.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em decidir se, na hip\u00f3tese de inadimplemento de promessa de recompensa vinculada a concurso promocional, a liquida\u00e7\u00e3o das perdas e danos pode se restringir aos lucros cessantes, excluindo o equivalente pecuni\u00e1rio do pr\u00eamio prometido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 854 do C\u00f3digo Civil &#8211; CC disp\u00f5e que: &#8220;aquele que, por an\u00fancios p\u00fablicos, se comprometer a recompensar, ou gratificar, a quem preencha certa condi\u00e7\u00e3o, ou desempenhe certo servi\u00e7o, contrai obriga\u00e7\u00e3o de cumprir o prometido&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; J\u00e1 o art. 947 do CC estabelece que: &#8220;se o devedor n\u00e3o puder cumprir a presta\u00e7\u00e3o na esp\u00e9cie ajustada, substituir-se-\u00e1 pelo seu valor, em moeda corrente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, o art. 402 do CC determina que: &#8220;as perdas e danos devidas ao credor abrangem, al\u00e9m do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em harmonia com esses dispositivos, o art. 499 do C\u00f3digo de Processo Civil &#8211; CPC prev\u00ea que: &#8220;a obriga\u00e7\u00e3o somente ser\u00e1 convertida em perdas e danos se o autor o requerer ou se imposs\u00edvel a tutela espec\u00edfica ou a obten\u00e7\u00e3o de tutela pelo resultado pr\u00e1tico equivalente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, &#8220;a determina\u00e7\u00e3o das perdas e danos est\u00e1 submetida ao princ\u00edpio da repara\u00e7\u00e3o integral, de maneira que devem abranger tanto o desfalque efetivo e imediato no patrim\u00f4nio do credor, como a perda patrimonial futura&#8221; (REsp 1.919.208\/MA, Terceira Turma, DJe 26\/4\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se, portanto, de dois preju\u00edzos aut\u00f4nomos que n\u00e3o se confundem: danos emergentes e lucros cessantes. Ambos comp\u00f5em as perdas e danos e devem ser indenizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em s\u00edntese, se houver convers\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de fazer em perdas e danos, pela impossibilidade de seu cumprimento (art. 499 do CPC), a indeniza\u00e7\u00e3o deve abranger o valor em moeda correspondente \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o (art. 947 do CC), al\u00e9m dos demais preju\u00edzos decorrentes do inadimplemento, como os ganhos que teria auferido se a obriga\u00e7\u00e3o tivesse sido cumprida no tempo e modo ajustados (art. 402 do CC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a recorrente \u00e9 cabeleireira e foi vencedora, em 2009, de um concurso promocional promovido pela recorrida, a qual prometeu ao participante que mais vendesse seus produtos os seguintes pr\u00eamios: (I) &#8220;a reforma do sal\u00e3o&#8221;; (II) &#8220;participa\u00e7\u00e3o do quadro &#8216;Construindo um sonho&#8217; do programa &#8216;Domingo Legal&#8217; do SBT&#8221;; e (III) &#8220;entrega de pr\u00eamios&#8221;. Apesar de a recorrente ter vencido o concurso, a recorrida n\u00e3o cumpriu sua promessa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na fase de conhecimento, o Tribunal de origem decidiu que, &#8220;a exibi\u00e7\u00e3o da autora no j\u00e1 mencionado programa televisivo representava parcela consider\u00e1vel do pr\u00eamio&#8221;, e condenou a r\u00e9 recorrida a indenizar a autora recorrente: (I) &#8220;por perdas e danos em raz\u00e3o do inadimplemento da obriga\u00e7\u00e3o de fazer, a serem definidos em liquida\u00e7\u00e3o&#8221;; e (II) por danos morais, fixados em R$ 15.000,00.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em sede de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, contudo, o Tribunal decidiu que as perdas e danos objeto de liquida\u00e7\u00e3o abrangem t\u00e3o somente os lucros cessantes correspondentes ao prov\u00e1vel aumento do faturamento em raz\u00e3o da publicidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que, nos termos da jurisprud\u00eancia desta Corte Superior, &#8220;viola a coisa julgada a decis\u00e3o homologat\u00f3ria de c\u00e1lculos proferida em liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, que subverte a l\u00f3gica e distorce o conte\u00fado do t\u00edtulo executivo judicial transitado em julgado&#8221; (REsp 1.905.721\/PE, Quarta Turma, DJEN 14\/5\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por essa raz\u00e3o, se o ac\u00f3rd\u00e3o proferido na fase de conhecimento reconheceu que a participa\u00e7\u00e3o no programa televisivo constitu\u00eda parcela consider\u00e1vel do pr\u00eamio prometido, n\u00e3o pode uma decis\u00e3o na liquida\u00e7\u00e3o excluir esse componente da condena\u00e7\u00e3o, restringindo as perdas e danos apenas aos lucros cessantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nota-se que, se ainda fosse poss\u00edvel o cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o na \u00e9poca da senten\u00e7a, poderia a recorrida ter sido condenada a cumpri-la, assegurando a participa\u00e7\u00e3o da recorrente no programa prometido. No entanto, isso n\u00e3o excluiria a indeniza\u00e7\u00e3o por lucros cessantes, considerando que, desde a \u00e9poca do inadimplemento, a recorrente deixou de lucrar com o prov\u00e1vel aumento de seu faturamento que teria ocorrido com a participa\u00e7\u00e3o no programa em 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, ao limitar a indeniza\u00e7\u00e3o por perdas e danos a uma estimativa do quanto a recorrente &#8220;poderia aumentar em seus ganhos&#8221;, h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da repara\u00e7\u00e3o integral. N\u00e3o basta recompor a mera expectativa de lucro vinculada ao pr\u00eamio. \u00c9 necess\u00e1rio reparar a perda efetivamente sofrida, consistente no valor do pr\u00eamio inadimplido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, no caso, as perdas e danos devem abranger (I) o valor correspondente \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no programa televisivo; e (II) o quanto deixou de lucrar pelo aumento de seu faturamento desde a data em que teria participado do programa.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-valor-da-causa-na-rescisao-de-contrato-built-to-suit\" class=\"wp-block-heading\">9. VALOR DA CAUSA NA RESCIS\u00c3O DE CONTRATO BUILT TO SUIT<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em a\u00e7\u00e3o de rescis\u00e3o de contrato de loca\u00e7\u00e3o na modalidade constru\u00e7\u00e3o ajustada (<em>built to suit<\/em>), <strong>o valor da causa corresponde a 12 meses de aluguel<\/strong>, nos termos do art. 58, III, da Lei n. 8.245\/1991: <strong>a disciplina especial da Lei do Inquilinato prevalece<\/strong> sobre o crit\u00e9rio geral do art. 292, II, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.229.517-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 16\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Vendetudo Atacadista encomendou \u00e0 Construforte um im\u00f3vel sob medida: a contratada encontrou o terreno, ergueu o pr\u00e9dio conforme as especifica\u00e7\u00f5es e o alugou \u00e0 encomendante por R$ 570.000,00 mensais, num contrato <em>built to suit<\/em> de longo prazo. Veio a a\u00e7\u00e3o de rescis\u00e3o, e o valor da causa virou o centro da briga: os R$ 68.400.000,00 do neg\u00f3cio inteiro, como sugere o CPC para as a\u00e7\u00f5es sobre contratos, ou os R$ 6.840.000,00 de doze meses de aluguel, como manda a Lei do Inquilinato? A r\u00e9gua dos honor\u00e1rios dependia da resposta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.245\/1991, arts. 54-A e 58, III<\/strong><em> (no built to suit prevalecem as condi\u00e7\u00f5es livremente pactuadas e as disposi\u00e7\u00f5es procedimentais da Lei do Inquilinato; nas a\u00e7\u00f5es ali nominadas, o valor da causa corresponde a doze meses de aluguel).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 292, II<\/strong><em> (regra geral: na a\u00e7\u00e3o que tiver por objeto a exist\u00eancia, a validade, o cumprimento ou a rescis\u00e3o de neg\u00f3cio jur\u00eddico, o valor da causa \u00e9 o do ato).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Crit\u00e9rio da especialidade: institu\u00edda disciplina pr\u00f3pria na lei de loca\u00e7\u00f5es, dispensa-se o socorro \u00e0s normas ordin\u00e1rias; foi a diretriz do REsp 2.042.594\/SP, que aplicou a lei especial \u00e0 revis\u00e3o de aluguel de contrato <em>built to suit<\/em> em detrimento dos arts. 317 e 478 do CC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O STJ admite interpreta\u00e7\u00e3o extensiva do art. 58, III, para a\u00e7\u00f5es que, embora n\u00e3o listadas no <em>caput<\/em>, guardam v\u00ednculo material com a loca\u00e7\u00e3o e identidade de raz\u00e3o com as nominadas; a rescis\u00f3ria do <em>built to suit<\/em> est\u00e1 nesse grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A parte interessada nos honor\u00e1rios defendia a base cheia: rescis\u00e3o de contrato \u00e9 a\u00e7\u00e3o sobre o neg\u00f3cio jur\u00eddico, e <strong>o art. 292, II, do CPC manda tomar o valor do ato<\/strong>, sem espa\u00e7o para descontos de lei setorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Terceira Turma inverteu a ordem de consulta: primeiro a lei especial, depois o c\u00f3digo. <strong>O art. 54-A submete o <em>built to suit<\/em> \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es procedimentais da Lei do Inquilinato<\/strong>, e valor da causa \u00e9 mat\u00e9ria que ali encontrou regra pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Havia o obst\u00e1culo da letra: o <em>caput<\/em> do art. 58 lista despejo, consigna\u00e7\u00e3o, revisional e renovat\u00f3ria, <strong>sem mencionar a rescis\u00e3o do contrato de constru\u00e7\u00e3o ajustada<\/strong>, o que sugeriria rol fechado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A identidade de raz\u00e3o resolveu: a\u00e7\u00f5es com v\u00ednculo material com a loca\u00e7\u00e3o recebem o mesmo crit\u00e9rio, como j\u00e1 se decidira em precedentes das Turmas de direito privado. <strong>Doze alugu\u00e9is definem a causa<\/strong>, e a manuten\u00e7\u00e3o dos R$ 68.400.000,00 geraria enriquecimento indevido dos patronos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na a\u00e7\u00e3o que busca rescindir loca\u00e7\u00e3o por encomenda (<em>built to suit<\/em>), o valor da causa:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) corresponde ao valor total do neg\u00f3cio jur\u00eddico, na forma do art. 292, II, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) segue o regime geral do C\u00f3digo Civil, refrat\u00e1rio o contrato at\u00edpico \u00e0 disciplina da Lei do Inquilinato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) equivale a doze meses de aluguel, crit\u00e9rio especial da Lei do Inquilinato aplicado extensivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00e9 arbitrado pelo juiz segundo a complexidade da causa, dada a lacuna normativa sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) observa o rol do <em>caput<\/em> do art. 58 da Lei n. 8.245\/1991, que exclui do crit\u00e9rio dos doze alugu\u00e9is as a\u00e7\u00f5es nele n\u00e3o nominadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A premissa metodol\u00f3gica \u00e9 a especialidade: havendo regra pr\u00f3pria no sistema locat\u00edcio, o valor da causa n\u00e3o se desloca para o crit\u00e9rio geral do CPC; a corre\u00e7\u00e3o de R$ 68.400.000,00 para R$ 6.840.000,00 foi mantida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Desde o REsp 2.042.594\/SP, a Terceira Turma assentou que o <em>built to suit<\/em> se submete \u00e0 Lei do Inquilinato, conclus\u00e3o refor\u00e7ada pelo art. 54-A, inclu\u00eddo pela Lei n. 12.744\/2012.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. O art. 54-A remete \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es procedimentais da lei especial, e o art. 58, III, comporta leitura extensiva para as a\u00e7\u00f5es com v\u00ednculo material com a loca\u00e7\u00e3o; doze alugu\u00e9is de R$ 570.000,00 definem a causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 lacuna: a lei especial disciplina o valor da causa, e o crit\u00e9rio legal afasta o arbitramento judicial por equidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A aus\u00eancia de men\u00e7\u00e3o expressa no <em>caput<\/em> n\u00e3o fecha a porta: a identidade de raz\u00e3o com as a\u00e7\u00f5es nominadas autoriza estender o crit\u00e9rio, como j\u00e1 se fizera em outros precedentes.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se, em a\u00e7\u00e3o de rescis\u00e3o contratual de aluguel na modalidade de constru\u00e7\u00e3o ajustada (<em>built to suit<\/em>), o valor da causa deve compreender o total do neg\u00f3cio (art. 292, II, do CPC) ou o equivalente a 12 meses de aluguel (art. 58, III, da Lei n. 8.245\/1991).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o juiz proferiu senten\u00e7a corrigindo o valor da causa para R$ 68.400.000,00. No entanto, o Tribunal de origem, ao analisar o valor da causa a ser considerado para a fixa\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia, alterou o montante anteriormente fixado em R$ 68.400.000,00 para R$ 6.840.000,00 (correspondente a 12 meses do aluguel mensal de R$ 570.000,00), com base no art. 58, III, da Lei n. 8.245\/1991 (Lei do Inquilinato), o qual prev\u00ea que o valor da causa corresponder\u00e1 ao valor de 12 meses de aluguel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a solu\u00e7\u00e3o de controv\u00e9rsias inseridas no campo material da loca\u00e7\u00e3o imp\u00f5e, como premissa metodol\u00f3gica, a observ\u00e2ncia do crit\u00e9rio da especialidade. Uma vez que o legislador instituiu disciplina pr\u00f3pria na Lei n. 8.245\/1991 (Lei do Inquilinato) para a reg\u00eancia de determinados temas, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de buscar solu\u00e7\u00f5es a partir de normas ordin\u00e1rias. Essa foi a diretriz dada pela Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a no julgamento do REsp n. 2.042.594\/SP (DJe 28\/9\/2023), em que se discutia a aplicabilidade do art. 19 da Lei do Inquilinato na revis\u00e3o do valor de contrato de loca\u00e7\u00e3o na modalidade de constru\u00e7\u00e3o ajustada (<em>built to suit<\/em>), quando o valor contratual n\u00e3o correspondesse ao valor de mercado, em detrimento do regime geral do C\u00f3digo Civil previsto nos arts. 317 e 478.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Relembre-se que os contratos <em>built to suit<\/em>, tamb\u00e9m denominados de &#8220;contrato de loca\u00e7\u00e3o com constru\u00e7\u00e3o ajustada&#8221; ou de &#8220;loca\u00e7\u00e3o por encomenda&#8221; e cuja tradu\u00e7\u00e3o corresponde a &#8220;constru\u00eddo para servir&#8221;, s\u00e3o neg\u00f3cios jur\u00eddicos complexos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com a doutrina, &#8220;trata-se de um neg\u00f3cio jur\u00eddico por meio do qual uma empresa contrata a outra, usualmente do ramo imobili\u00e1rio ou de constru\u00e7\u00e3o, para identificar um terreno e nele construir uma unidade comercial ou industrial que atenda \u00e0s exig\u00eancias espec\u00edficas da empresa contratante, tanto no que diz respeito \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o, como no que tange \u00e0s caracter\u00edsticas f\u00edsicas da unidade a ser constru\u00edda. Uma vez constru\u00edda, tal unidade ser\u00e1 disponibilizada, por meio de loca\u00e7\u00e3o, \u00e0 empresa contratante, por determinado tempo ajustado entre as partes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No referido precedente do REsp n. 2.042.594\/SP, estabeleceu-se o entendimento de que o regramento especial deve prevalecer sobre as regras ordin\u00e1rias, e que essa conclus\u00e3o \u00e9 a mais adequada at\u00e9 mesmo diante da reforma legislativa de 2012 que incluiu o art. 54-A, na Lei do Inquilinato &#8211; que trata do contrato <em>built to suit<\/em> &#8211; ao dispor que &#8220;prevalecer\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es livremente pactuadas no contrato respectivo e as disposi\u00e7\u00f5es procedimentais previstas nesta Lei. (Inclu\u00eddo pela Lei n. 12.744, de 2012)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A refer\u00eancia do art. 54-A \u00e0 preval\u00eancia das &#8220;disposi\u00e7\u00f5es procedimentais previstas nesta lei&#8221; indica que o contrato de constru\u00e7\u00e3o ajustada (<em>built to suit<\/em>), embora com peculiaridades negociais pr\u00f3prias, submete-se ao tratamento procedimental da Lei n. 8.245\/1991.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que concerne ao tema do valor da causa, a Lei do Inquilinato cont\u00e9m disciplina pr\u00f3pria, em seu art. 58, III, que disp\u00f5e: &#8220;ressalvados os casos previstos no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 1\u00ba, nas a\u00e7\u00f5es de despejo, consigna\u00e7\u00e3o em pagamento de aluguel e acess\u00f3rio da loca\u00e7\u00e3o, revisionais de aluguel e renovat\u00f3rias de loca\u00e7\u00e3o, observar-se-\u00e1 o seguinte: III &#8211; o valor da causa corresponder\u00e1 a doze meses de aluguel, ou, na hip\u00f3tese do inciso II do art. 47, a tr\u00eas sal\u00e1rios vigentes por ocasi\u00e3o do ajuizamento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda que o <em>caput<\/em> do art. 58 n\u00e3o fa\u00e7a men\u00e7\u00e3o expressa \u00e0 a\u00e7\u00e3o de rescis\u00e3o de contrato na modalidade de constru\u00e7\u00e3o ajustada (<em>built to suit<\/em>), a leitura sistem\u00e1tica da Lei n. 8.245\/1991, especialmente \u00e0 luz do art. 54-A, permite aplicar o regime procedimental da lei especial, de modo que n\u00e3o se justifica deslocar o arbitramento do valor da causa para os crit\u00e9rios gerais da legisla\u00e7\u00e3o processual civil quando h\u00e1 previs\u00e3o especial no sistema locat\u00edcio. Ademais, a jurisprud\u00eancia do STJ admite a interpreta\u00e7\u00e3o extensiva do art. 58, III, da Lei n. 8.245\/1991 para abranger a\u00e7\u00f5es judiciais que, embora n\u00e3o se enquadrem literalmente nas hip\u00f3teses nominadas no <em>caput<\/em>, mant\u00eam v\u00ednculo material com o contrato de loca\u00e7\u00e3o e apresentam identidade de raz\u00e3o com as a\u00e7\u00f5es previstas no art. 58, o que autoriza a fixa\u00e7\u00e3o do valor da causa segundo o crit\u00e9rio especial. Nesse sentido: REsp n.\u00ba 673.231\/SP, Sexta Turma, DJe 29\/8\/2005; AREsp n.\u00ba 2.958.909\/RJ, Quarta Turma, DJEN 19\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, se o contrato de constru\u00e7\u00e3o ajustada (<em>built to suit<\/em>) se submete \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es procedimentais da Lei n. 8.245\/1991, nos termos do art. 54-A, e se h\u00e1 regra espec\u00edfica para o valor da causa no art. 58, a fixa\u00e7\u00e3o desse valor deve observar o crit\u00e9rio do referido dispositivo, por interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e extensiva, de modo a preservar-se a aplica\u00e7\u00e3o preferencial da lei especial em rela\u00e7\u00e3o ao regime ordin\u00e1rio previsto no CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a manuten\u00e7\u00e3o do valor da causa de R$ 68.400.000,00, incompat\u00edvel com a disciplina especial do art. 58, III, da Lei n. 8.245\/1991, poderia gerar o enriquecimento indevido dos patronos da parte recorrente, motivo pelo qual a corre\u00e7\u00e3o do valor da causa realizada no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido se mostra adequada.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-acao-coletiva-de-motoristas-de-aplicativo-e-origem-comum\" class=\"wp-block-heading\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A\u00c7\u00c3O COLETIVA DE MOTORISTAS DE APLICATIVO E ORIGEM COMUM<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00c3O cabe a\u00e7\u00e3o coletiva<\/strong> ajuizada por sindicato de motoristas de aplicativo para discutir a abusividade do aumento do aluguel dos ve\u00edculos <strong>quando ausente origem comum caracterizadora de direitos individuais homog\u00eaneos<\/strong>; a eventual incid\u00eancia do CDC exige a demonstra\u00e7\u00e3o da <strong>vulnerabilidade de cada motorista<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.229.091-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por maioria, julgado em 5\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Rodaleve Locadora reajustou os alugu\u00e9is dos carros usados por motoristas de aplicativo: contratos que giravam em m\u00e9dia em R$ 589,00 saltaram para algo entre R$ 789,00 e R$ 889,00, a depender do modelo, do plano e do cliente. O sindicato da categoria ajuizou a\u00e7\u00e3o coletiva por abusividade, e Jaiminho, motorista filiado, torcia pela causa; cada colega, por\u00e9m, tinha carro, contrato e reajuste diferentes. Sem um fato gerador \u00fanico, a via coletiva se sustenta?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 81, par\u00e1grafo \u00fanico, III<\/strong><em> (direitos individuais homog\u00eaneos s\u00e3o os decorrentes de origem comum, requisito conceitual da tutela coletiva dessa categoria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 485, VI<\/strong><em> (extin\u00e7\u00e3o do processo sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito por aus\u00eancia de interesse processual quando a via eleita \u00e9 inadequada).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A locadora atuou de modo distinto para cada motorista: nem todos alugam com ela, nem todos escolhem o mesmo modelo ou plano, e os aumentos variaram; sem causa comum, os direitos permanecem meramente individuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Teoria finalista mitigada: adquirido o servi\u00e7o no exerc\u00edcio de atividade profissional, o CDC s\u00f3 incide mediante prova da vulnerabilidade do contratante, aferida caso a caso; \u00e9 ela que define, inclusive, a lei de reg\u00eancia de cada situa\u00e7\u00e3o (CC ou CDC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A bandeira sindical tinha apelo: individualmente, nenhum motorista enfrenta a locadora em ju\u00edzo, e <strong>a tutela coletiva existe para equalizar disputas assim\u00e9tricas<\/strong>, prevenindo milhares de a\u00e7\u00f5es pulverizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O acesso coletivo, por\u00e9m, tem um pressuposto conceitual inegoci\u00e1vel: <strong>a origem comum \u00e9 o que transforma feixes de interesses individuais em direito homog\u00eaneo<\/strong>. Modelos, planos e percentuais d\u00edspares revelam contratos d\u00edspares, e n\u00e3o um fato gerador \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Sobrava a carta consumerista: motorista de aplicativo seria <strong>elo fraco diante da locadora, merecedor da prote\u00e7\u00e3o do CDC<\/strong> independentemente das varia\u00e7\u00f5es contratuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A maioria aplicou o finalismo mitigado: quem aluga o carro como ferramenta de trabalho s\u00f3 invoca o CDC provando a pr\u00f3pria vulnerabilidade. <strong>Esse exame \u00e9 for\u00e7osamente individual<\/strong>, a ponto de definir at\u00e9 a lei aplic\u00e1vel a cada contrato, o que sepulta a pretens\u00e3o de resolver tudo numa \u00fanica demanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A respeito da demanda coletiva proposta por sindicato da categoria contra locadora, questionando reajustes de aluguel de ve\u00edculos praticados sobre contratos, modelos e percentuais distintos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) viabiliza-se como tutela de direitos individuais homog\u00eaneos, bastando a semelhan\u00e7a das situa\u00e7\u00f5es dos filiados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) aplica-se o CDC \u00e0 categoria, presumida a vulnerabilidade do motorista profissional perante a locadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) admite-se a via coletiva com posterior liquida\u00e7\u00e3o individual, momento em que as diferen\u00e7as contratuais ser\u00e3o consideradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00e9 inadequada, ausente a origem comum apta a caracterizar direitos individuais homog\u00eaneos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) resolve-se pela improced\u00eancia do pedido, reconhecida no m\u00e9rito a licitude dos reajustes praticados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Semelhan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 homogeneidade: sem o v\u00ednculo da origem comum, situa\u00e7\u00f5es parecidas continuam sendo direitos meramente individuais, insuscet\u00edveis de julgamento em bloco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Pela teoria finalista mitigada, o uso profissional do ve\u00edculo imp\u00f5e a demonstra\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade de cada motorista; sem ela, a rela\u00e7\u00e3o se rege pelo C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A t\u00e9cnica da senten\u00e7a gen\u00e9rica pressup\u00f5e n\u00facleo de homogeneidade a liquidar depois; aqui as diferen\u00e7as est\u00e3o na pr\u00f3pria causa (modelos, planos, percentuais), o que desfaz o n\u00facleo desde a origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. Foi a conclus\u00e3o da maioria da Terceira Turma: falta interesse processual (CPC, art. 485, VI) diante da atua\u00e7\u00e3o individualizada da locadora perante cada contratante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O processo n\u00e3o foi resolvido no m\u00e9rito: a inadequa\u00e7\u00e3o da via levou \u00e0 extin\u00e7\u00e3o por falta de interesse processual, sem ju\u00edzo sobre a licitude dos aumentos.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-8\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em decidir se \u00e9 cab\u00edvel a\u00e7\u00e3o coletiva, ajuizada por sindicato, para defesa de interesses dos motoristas de aplicativo de transporte privado individual, diante do aumento do pre\u00e7o, por locadora, do aluguel dos ve\u00edculos utilizados para essa atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os direitos individuais homog\u00eaneos s\u00e3o divis\u00edveis. No entanto, porque est\u00e3o ligados entre si pelo v\u00ednculo da origem comum, o sistema jur\u00eddico autoriza a sua tutela coletiva, prestigiando o direito fundamental de acesso \u00e0 justi\u00e7a e a efic\u00e1cia na preven\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de requisito conceitual, sem o qual n\u00e3o h\u00e1 sentido de julgar em conjunto situa\u00e7\u00f5es que, embora semelhantes, n\u00e3o decorrem de um mesmo fato gerador. Sem uma causa comum, os direitos s\u00e3o apenas individuais, perdendo-se a dimens\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o direito que se pretende proteger n\u00e3o se caracteriza como individual homog\u00eaneo, pois n\u00e3o se verifica uma origem comum para a alegada abusividade contratual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a locadora de ve\u00edculos atuou de forma distinta para cada motorista. Da narrativa do recurso especial, l\u00ea-se que a &#8220;m\u00e9dia dos contratos ora anexados \u00e9 de R$ 589,00&#8221; e que os reajustes seriam &#8220;para valores entre R$ 789,00 a R$ 889,00&#8221;, o que evidencia particularidades na atua\u00e7\u00e3o da locadora que precisam ser consideradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, nem todos os motoristas de aplicativo alugam carros pela locadora recorrida; nem todos os motoristas que alugam carros pela locadora optam pelo mesmo modelo; nem todos os motoristas que optam pelo mesmo modelo escolhem id\u00eantica condi\u00e7\u00e3o\/plano contratual; nem todos os aumentos foram id\u00eanticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o coletiva \u00e9 via inadequada para a tutela pretendida por aus\u00eancia de interesse processual, nos termos do art. 485, VI, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, quanto ao conceito de consumidor, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, pautada em uma interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica do art. 2\u00ba, do CDC, adere \u00e0 teoria finalista mitigada, que viabiliza a aplica\u00e7\u00e3o da lei consumerista sobre situa\u00e7\u00f5es em que, apesar de o produto ou servi\u00e7o ser adquirido no exerc\u00edcio de atividade empresarial, haja vulnerabilidade da parte adquirente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, \u00e9 incontroverso que os motoristas utilizam os ve\u00edculos em suas atividades profissionais. Por isso, somente ser\u00e1 aplic\u00e1vel o CDC se restar demonstrada a vulnerabilidade do motorista. A eventual abusividade no aumento dos pre\u00e7os (em valores, percentuais, contextos e contratos diferentes) deve ser aferida individualmente, pois os elementos concretos diferenciar\u00e3o, inclusive, qual a lei aplic\u00e1vel a cada situa\u00e7\u00e3o (ou seja, se a abusividade deve ser aferida com base no CC ou no CDC), n\u00e3o existindo origem comum a ser tutelada coletivamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-familia-acolhedora-descadastrada-e-guarda-provisoria\" class=\"wp-block-heading\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; FAM\u00cdLIA ACOLHEDORA DESCADASTRADA E GUARDA PROVIS\u00d3RIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Formados v\u00ednculos socioafetivos, <strong>\u00e9 poss\u00edvel manter a crian\u00e7a sob a guarda provis\u00f3ria de fam\u00edlia acolhedora mesmo ap\u00f3s o descadastramento volunt\u00e1rio<\/strong> do Programa Fam\u00edlia Acolhedora, at\u00e9 o julgamento final da a\u00e7\u00e3o de destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar: <strong>\u00e9 a medida que melhor atende aos interesses do adotando<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 4\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mariazinha chegou em tenra idade ao lar de Dona Genoveva e Seu Curumim, fam\u00edlia acolhedora cadastrada no programa municipal. O hist\u00f3rico era de idas e vindas: retiradas do lar materno, acolhidas, devolvidas, institucionalizadas e novamente acolhidas. Quando Dona Genoveva solicitou o descadastramento volunt\u00e1rio do programa, rompendo o v\u00ednculo formal com a pol\u00edtica p\u00fablica, cogitou-se transferir Mariazinha para abrigo enquanto tramitava a destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar. Mais de dois anos de conviv\u00eancia pesam menos que o descadastro?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Princ\u00edpio do melhor interesse da crian\u00e7a e do adolescente<\/strong><em> (norte hermen\u00eautico das medidas de prote\u00e7\u00e3o; o acolhimento institucional \u00e9 excepcional, reservado \u00e0s hip\u00f3teses de efetivo risco).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A jurisprud\u00eancia do STJ privilegia a manuten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a na fam\u00edlia guardi\u00e3 em ambiente seguro, ainda que sob guarda de fato (HC 747.318\/RS); meros ind\u00edcios de ado\u00e7\u00e3o \u00e0 brasileira ou de burla ao cadastro de adotantes n\u00e3o autorizam o abrigamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O descadastramento volunt\u00e1rio rompe o v\u00ednculo formal com a pol\u00edtica p\u00fablica, mas n\u00e3o decide o destino das crian\u00e7as: o que se sopesa \u00e9 se a retirada do lar atende aos seus interesses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Guarda provis\u00f3ria mantida at\u00e9 o julgamento final da destitui\u00e7\u00e3o, ressalvada a reaprecia\u00e7\u00e3o diante de altera\u00e7\u00e3o substancial e superveniente da situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica; a primazia do acolhimento familiar vale at\u00e9 nas hip\u00f3teses de ado\u00e7\u00e3o <em>intuitu personae<\/em> e de suspeita de fraude no registro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O desligamento do programa parecia decisivo: sem o selo estatal, <strong>a perman\u00eancia das crian\u00e7as perderia o lastro jur\u00eddico<\/strong>, e a fila do cadastro de adotantes restaria atropelada por um atalho afetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Terceira Turma trocou a pergunta: o que importa n\u00e3o \u00e9 o status da fam\u00edlia no programa, <strong>\u00e9 o custo humano de mais uma ruptura na vida de quem j\u00e1 foi retirado, devolvido e abrigado<\/strong>. Repetir o ciclo s\u00f3 somaria sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O contraponto institucional era s\u00e9rio: flexibilizar cadastros <strong>poderia estimular manobras para driblar a ordem cronol\u00f3gica da ado\u00e7\u00e3o<\/strong>, minando a isonomia entre pretendentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A resposta veio na medida: guarda provis\u00f3ria, n\u00e3o definitiva, <strong>ressalvada a reaprecia\u00e7\u00e3o se a situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica mudar<\/strong>; dois anos de cuidado e desenvolvimento sadio pesaram mais que o rompimento formal com a pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a perman\u00eancia de crian\u00e7as com fam\u00edlia acolhedora que se descadastrou voluntariamente do Programa Fam\u00edlia Acolhedora, na pend\u00eancia da a\u00e7\u00e3o de destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) admite-se a manuten\u00e7\u00e3o da guarda provis\u00f3ria, formados v\u00ednculos socioafetivos que a recomendam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) imp\u00f5e-se o acolhimento institucional, rompido o v\u00ednculo formal que legitimava a guarda pela pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) exige-se a inscri\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da fam\u00edlia no cadastro de adotantes, sob pena de burla \u00e0 ordem cronol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) veda-se a perman\u00eancia, pois a guarda de fato n\u00e3o gera efeitos jur\u00eddicos em favor dos guardi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) torna-se definitiva a coloca\u00e7\u00e3o, antecipando-se o desfecho da destitui\u00e7\u00e3o em favor dos acolhedores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. Acolhidas em tenra idade e convivendo h\u00e1 mais de dois anos com a fam\u00edlia, as crian\u00e7as formaram la\u00e7os cuja ruptura repetiria o hist\u00f3rico de idas e vindas; a guarda provis\u00f3ria foi mantida at\u00e9 o desfecho da destitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O rompimento formal com a pol\u00edtica p\u00fablica n\u00e3o responde \u00e0 pergunta decisiva, que \u00e9 o melhor interesse dos infantes; o abrigamento \u00e9 excepcional e reservado ao efetivo risco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A jurisprud\u00eancia prestigia o conv\u00edvio familiar seguro mesmo diante de ind\u00edcios de burla ao cadastro e \u00e0 ordem cronol\u00f3gica, insuficientes, por si, para o acolhimento institucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A guarda de fato em ambiente seguro \u00e9 valorizada e pode at\u00e9 desaguar em ado\u00e7\u00e3o; negar-lhe efeito contraria a primazia do acolhimento familiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A guarda permanece provis\u00f3ria at\u00e9 o julgamento final da destitui\u00e7\u00e3o, aberta a revis\u00e3o se o quadro f\u00e1tico mudar de forma relevante no curso da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-9\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em decidir acerca da possibilidade de manuten\u00e7\u00e3o dos infantes sob a guarda provis\u00f3ria de fam\u00edlia acolhedora, mesmo ap\u00f3s o seu descadastramento volunt\u00e1rio do Programa Fam\u00edlia Acolhedora, at\u00e9 a conclus\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 un\u00edssona no sentido de que acolhimento institucional \u00e9 medida excepcional, somente justific\u00e1vel nas hip\u00f3teses em que haja efetivo risco \u00e0 crian\u00e7a, mas n\u00e3o nas hip\u00f3teses em que apenas existam ind\u00edcios de ado\u00e7\u00e3o \u00e0 brasileira, burla ao cadastro nacional de adotantes e \u00e0 ordem cronol\u00f3gica, situa\u00e7\u00f5es em que deve ser privilegiada a manuten\u00e7\u00e3o do conv\u00edvio familiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deve-se sempre privilegiar a manuten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a na fam\u00edlia guardi\u00e3, desde que se revele &#8220;ambiente seguro de acolhimento familiar, ainda que sob o regime de guarda de fato, a qual eventualmente poder\u00e1 ser regularizada por meio da ado\u00e7\u00e3o, desde que, \u00e9 claro, ela n\u00e3o esteja em uma situa\u00e7\u00e3o concreta de risco&#8221; (HC 747318\/RS, Terceira Turma, DJe 5\/8\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, conquanto a fam\u00edlia acolhedora tenha solicitado o seu descadastramento do Programa Fam\u00edlia Acolhedora, o que implicou o rompimento formal com a pol\u00edtica p\u00fablica de acolhimento, \u00e9 igualmente relevante examinar e sopesar se a retirada das crian\u00e7as do lar em que convivem \u00e9 a medida que melhor atende aos seus interesses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o conjunto probat\u00f3rio d\u00e1 conta de que os infantes, em tenra idade, foram retirados do lar materno, colocados em fam\u00edlia acolhedora, devolvidos ao lar materno, acolhidos institucionalmente e novamente colocados na fam\u00edlia acolhedora. Repetir esse hist\u00f3rico de sucessivas rupturas de la\u00e7os apenas implicaria sofrimento aos infantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, sugere-se que j\u00e1 se formaram suficientes v\u00ednculos socioafetivos entre as impetrantes e os pacientes, que foram acolhidos pelas fam\u00edlias acolhedoras em tenra idade e com elas permanecem por mais de dois anos, recebendo os cuidados necess\u00e1rios para o seu desenvolvimento sadio e seguro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, poss\u00edvel a manuten\u00e7\u00e3o dos infantes sob a guarda provis\u00f3ria das fam\u00edlias impetrantes at\u00e9 o julgamento final de m\u00e9rito da a\u00e7\u00e3o de destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar, ressalvada a reaprecia\u00e7\u00e3o da guarda dos pacientes diante de eventual altera\u00e7\u00e3o substancial e superveniente da situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica no curso da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A orienta\u00e7\u00e3o pela primazia do acolhimento familiar vem sendo seguida inclusive nas hip\u00f3teses espec\u00edficas de ado\u00e7\u00e3o <em>intuitu personae<\/em> por adotantes n\u00e3o inscritos nos cadastros oficiais ou, ainda, diante da suspeita de fraude no registro de nascimento, reconhecendo-se a preval\u00eancia da an\u00e1lise do melhor interesse para o adotando. Busca-se preservar, sempre que poss\u00edvel, os la\u00e7os afetivos formados com a fam\u00edlia substituta, de modo a n\u00e3o comprometer sobremaneira o desenvolvimento saud\u00e1vel e a forma\u00e7\u00e3o da personalidade da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-gratuidade-para-pessoa-fisica-com-reserva-vinculada-a-saude\" class=\"wp-block-heading\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; GRATUIDADE PARA PESSOA F\u00cdSICA COM RESERVA VINCULADA \u00c0 SA\u00daDE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exist\u00eancia de reservas financeiras <strong>N\u00c3O afasta, por si s\u00f3, a presun\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia da pessoa f\u00edsica<\/strong> quando os valores est\u00e3o afetados a necessidades b\u00e1sicas e urgentes, como moradia e sa\u00fade: de paciente em tratamento oncol\u00f3gico <strong>n\u00e3o se pode exigir a liquida\u00e7\u00e3o da reserva para pagar custas<\/strong>, sob pena de obstar o acesso \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 4\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tib\u00farcio vive atualmente com um sal\u00e1rio-m\u00ednimo por m\u00eas e enfrenta um c\u00e2ncer. Juntadas ao longo da vida, suas aplica\u00e7\u00f5es somam cerca de R$ 100.000,00, reserva carimbada para a moradia e para os custos imprevis\u00edveis do tratamento. Na fase recursal, requereu a gratuidade de justi\u00e7a, e o tribunal negou: quem guarda cem mil conto pode pagar custas. Reserva de sobreviv\u00eancia \u00e9 sinal de riqueza?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 98 e art. 99, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 7\u00ba<\/strong><em> (gratuidade \u00e0 pessoa natural com insufici\u00eancia de recursos; o indeferimento exige elementos que evidenciem a falta dos pressupostos, e o pedido pode ser formulado na inst\u00e2ncia recursal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 14.238\/2021 (Estatuto da Pessoa com C\u00e2ncer), art. 2\u00ba, I<\/strong><em> (respeito integral \u00e0 dignidade da pessoa humana como princ\u00edpio essencial da prote\u00e7\u00e3o ao paciente oncol\u00f3gico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Patrim\u00f4nio ou reservas, isoladamente, n\u00e3o derrubam a presun\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia quando a liquidez est\u00e1 comprometida com necessidades b\u00e1sicas; cerca de R$ 100.000,00 diante de doen\u00e7a grave s\u00e3o reserva de sobreviv\u00eancia (exames, medicamentos, emerg\u00eancias), n\u00e3o riqueza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Com renda de um sal\u00e1rio-m\u00ednimo, o gasto com custas subtrai recursos do combate \u00e0 doen\u00e7a; a insufici\u00eancia do art. 98 do CPC afere-se de modo a preservar a dignidade e o m\u00ednimo existencial. Tramita, ali\u00e1s, o PL 917\/2024, que acrescenta \u00a7 9\u00ba ao art. 98 para assegurar a gratuidade aos pacientes em tratamento de c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A negativa da origem seguia aritm\u00e9tica fria: <strong>saldo de seis d\u00edgitos em aplica\u00e7\u00f5es n\u00e3o combina com pobreza processual<\/strong>, e o benef\u00edcio deve ser reservado a quem nada tem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Terceira Turma trouxe o contexto que faltava \u00e0 conta: renda de um sal\u00e1rio-m\u00ednimo e neoplasia maligna em tratamento. <strong>Diante de uma doen\u00e7a de custo alto e imprevis\u00edvel, cem mil reais s\u00e3o colch\u00e3o de sobreviv\u00eancia<\/strong>, seguran\u00e7a para exames, rem\u00e9dios e emerg\u00eancias hospitalares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Poderia objetar-se que abrir essa porta <strong>convidaria litigantes com patrim\u00f4nio a se declararem pobres<\/strong>, fragilizando o filtro do art. 99, \u00a7 2\u00ba, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O crit\u00e9rio fixado \u00e9 a afeta\u00e7\u00e3o: o que descaracteriza a riqueza n\u00e3o \u00e9 o n\u00famero, <strong>\u00e9 o carimbo das necessidades b\u00e1sicas sobre a reserva<\/strong>, moradia e sa\u00fade \u00e0 frente; o ordenamento, do texto constitucional ao Estatuto da Pessoa com C\u00e2ncer, ampara quem litiga sem sacrificar o pr\u00f3prio tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao pedido de gratuidade de justi\u00e7a formulado por pessoa f\u00edsica com renda de um sal\u00e1rio-m\u00ednimo, reservas de cerca de R$ 100.000,00 e tratamento oncol\u00f3gico em curso:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) indefere-se, pois a exist\u00eancia de aplica\u00e7\u00f5es financeiras afasta a presun\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia da pessoa natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) concede-se parcialmente, com parcelamento das custas na propor\u00e7\u00e3o do saldo mantido em conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) exige-se a comprova\u00e7\u00e3o do comprometimento integral da renda mensal, irrelevante a destina\u00e7\u00e3o das reservas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) subordina-se \u00e0 impenhorabilidade das aplica\u00e7\u00f5es, crit\u00e9rio que define a concess\u00e3o do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) defere-se, afetada a reserva a necessidades b\u00e1sicas e urgentes de moradia e sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A presun\u00e7\u00e3o de veracidade da declara\u00e7\u00e3o da pessoa f\u00edsica n\u00e3o cai pela simples exist\u00eancia de reservas; decisivo \u00e9 que a liquidez esteja comprometida com moradia e tratamento de custo elevado e imprevis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. N\u00e3o foi essa a solu\u00e7\u00e3o: exigir que o paciente consuma parte da reserva, ainda que aos poucos, retiraria recursos do combate \u00e0 doen\u00e7a; o benef\u00edcio foi deferido por inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Renda de um sal\u00e1rio-m\u00ednimo e afeta\u00e7\u00e3o das reservas foram lidas em conjunto; o norte \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o da dignidade e do m\u00ednimo existencial, n\u00e3o uma contabilidade de comprometimento total.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O julgado n\u00e3o condiciona a gratuidade \u00e0 penhorabilidade dos ativos; o par\u00e2metro \u00e9 o acesso \u00e0 justi\u00e7a sem sacrif\u00edcio das necessidades b\u00e1sicas do requerente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Cem mil reais diante de neoplasia maligna s\u00e3o reserva de sobreviv\u00eancia; obrigar sua liquida\u00e7\u00e3o para custas configuraria \u00f3bice ao acesso \u00e0 justi\u00e7a, na linha do Estatuto da Pessoa com C\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-10\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em decidir se houve viola\u00e7\u00e3o aos arts. 98 e 99, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 7\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil, diante da negativa de gratuidade de justi\u00e7a para a pessoa f\u00edsica com renda de um sal\u00e1rio m\u00ednimo e em tratamento oncol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem indeferiu o pedido superveniente de gratuidade da justi\u00e7a com base na exist\u00eancia de saldo em aplica\u00e7\u00f5es financeiras que gira em torno de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Na hip\u00f3tese em exame, oportuno ponderar que o recorrente percebe rendimentos mensais equivalentes a um sal\u00e1rio m\u00ednimo e ainda est\u00e1 em tratamento de neoplasia maligna (c\u00e2ncer), como tamb\u00e9m assinalou a Corte a quo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a exist\u00eancia de patrim\u00f4nio ou de reservas financeiras, por si s\u00f3, n\u00e3o serve de fundamento id\u00f4neo para afastar a presun\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia da pessoa f\u00edsica, especialmente quando a liquidez desse patrim\u00f4nio est\u00e1 comprometida com necessidades b\u00e1sicas e urgentes, como no caso em que o recorrente arca com tratamento oncol\u00f3gico que, como se sabe, \u00e9 excessivamente custoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a exig\u00eancia de que o recorrente liquide parte de suas \u00fanicas reservas financeiras, pouco acima de 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos, destinadas a garantir sua moradia e o custeio do seu tratamento de sa\u00fade para o pagamento de custas processuais, configura \u00f3bice ao acesso \u00e0 justi\u00e7a. A insufici\u00eancia de recursos prevista no art. 98 do CPC deve ser aferida de forma a preservar a dignidade da pessoa humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destaque-se que, com o rendimento de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, qualquer valor gasto com custas judiciais, por \u00f3bvio, representar\u00e1 a retirada de recursos do tratamento da neoplasia maligna de que est\u00e1 acometido, enfermidade que notoriamente possui custos elevados e imprevis\u00edveis. Ademais, o valor de cerca de R$ 100.000,00 (cem mil reais), diante de uma doen\u00e7a grave, n\u00e3o representa riqueza, mas sim mera reserva de sobreviv\u00eancia (seguran\u00e7a para exames, medicamentos e emerg\u00eancias hospitalares).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, \u00e9 de se registrar que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal garante que a sa\u00fade \u00e9 direito de todos e um dever do Estado, de modo que as pessoas acometidas de c\u00e2ncer, doen\u00e7a sabidamente delicada e na maioria das vezes de dif\u00edcil cura, t\u00eam assegurados alguns direitos, como benef\u00edcios previdenci\u00e1rios, isen\u00e7\u00e3o de Imposto de Renda e at\u00e9 mesmo gratuidade de transporte p\u00fablico, n\u00e3o se justificando a recusa ao benef\u00edcio da justi\u00e7a gratuita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o tratamento de neoplasia maligna atrai a incid\u00eancia da Lei n. 14.238\/2021 (Estatuto da Pessoa com C\u00e2ncer), que, em seu art. 2\u00ba, I, fixa, como princ\u00edpio essencial, o respeito integral \u00e0 dignidade da pessoa humana, destacando que o Estado deve garantir condi\u00e7\u00f5es para o pleno exerc\u00edcio de direitos daqueles que se encontram acometidos de c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sendo assim, o custo do processo pode representar uma barreira para quem j\u00e1 se encontra vulnerabilizado por uma enfermidade de alto custo. A prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica conferida pelo citado Estatuto deve ser lida em conjunto com o art. 98 do CPC, garantindo-se a isen\u00e7\u00e3o de custas para preservar a dignidade da pessoa humana e o m\u00ednimo existencial destinado ao tratamento oncol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalte-se ainda que se encontra em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados o Projeto de Lei n. 917\/2024, que acrescenta o \u00a7 9\u00ba ao art. 98 do CPC, com o fim de assegurar a gratuidade aos pacientes em tratamento do c\u00e2ncer, o que demonstra a preocupa\u00e7\u00e3o do parlamento brasileiro com o dever de garantir condi\u00e7\u00f5es para o pleno exerc\u00edcio de direitos, o que abrange o acesso desimpedido ao Judici\u00e1rio, sem o sacrif\u00edcio de qualquer tratamento m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, no caso, a manuten\u00e7\u00e3o do indeferimento da justi\u00e7a gratuita, com base em patrim\u00f4nio destinado a garantir a sobreviv\u00eancia digna ao recorrente, viola frontalmente os dispositivos infraconstitucionais regentes da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-credito-extraconcursal-apos-o-stay-period\" class=\"wp-block-heading\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CR\u00c9DITO EXTRACONCURSAL AP\u00d3S O STAY PERIOD<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exaurido o <em>stay period<\/em> e encerrada a supervis\u00e3o judicial do plano, <strong>o ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o N\u00c3O pode obstar a satisfa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito extraconcursal<\/strong> com fundamento na preserva\u00e7\u00e3o da empresa; a prote\u00e7\u00e3o fundada na <strong>essencialidade do bem \u00e9 excepcional e tempor\u00e1ria<\/strong>, restrita ao per\u00edodo de blindagem e a bens de capital essenciais \u00e0 atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 3.029.709-SP, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 4\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em recupera\u00e7\u00e3o judicial, a Cooperluz viu o banco Cobraforte levar um im\u00f3vel seu \u00e0 hasta p\u00fablica para satisfazer cr\u00e9dito extraconcursal. O per\u00edodo de blindagem (<em>stay period<\/em>) j\u00e1 se exaurira, e a pr\u00f3pria supervis\u00e3o judicial do plano estava encerrada, mas o tribunal local suspendeu o leil\u00e3o: o im\u00f3vel seria indispens\u00e1vel ao soerguimento. A essencialidade do bem sobrevive ao fim da blindagem?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 11.101\/2005, arts. 6\u00ba, \u00a7 4\u00ba, 49, \u00a7 3\u00ba, e 61<\/strong><em> (o stay period suspende as execu\u00e7\u00f5es por prazo determinado; durante ele, veda-se a retirada de bens de capital essenciais \u00e0 atividade; encerrado o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es no bi\u00eanio, cessa a supervis\u00e3o judicial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Desde a Lei n. 14.112\/2020, com aplica\u00e7\u00e3o imediata aos processos em curso, exaurida a blindagem, o ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode barrar a satisfa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito extraconcursal com apoio na preserva\u00e7\u00e3o da empresa (AgInt no AREsp 1.720.538\/SP).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A trava da essencialidade \u00e9 excepcional e tempor\u00e1ria: opera dentro do <em>stay period<\/em> e em favor de bens de capital essenciais; fora dela, a execu\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo extrajudicial prossegue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Entender de outro modo inviabilizaria a satisfa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito que nem sequer foi equalizado no procedimento recuperacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A recuperanda erguia o princ\u00edpio-mor do instituto: sem o im\u00f3vel, a atividade desmorona, e <strong>a preserva\u00e7\u00e3o da empresa justificaria segurar o leil\u00e3o<\/strong> enquanto houvesse esperan\u00e7a de soerguimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Quarta Turma devolveu o princ\u00edpio ao seu leito: <strong>a blindagem \u00e9 regime de exce\u00e7\u00e3o com prazo de validade<\/strong>. Vencido o <em>stay period<\/em> e encerrada a supervis\u00e3o do plano, o credor extraconcursal recupera a plenitude da via executiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Alegava-se ainda a essencialidade do bem: se a lei protege os bens de capital indispens\u00e1veis, <strong>a prote\u00e7\u00e3o deveria acompanhar a empresa enquanto durasse a necessidade<\/strong>, pouco importando o calend\u00e1rio processual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A resposta est\u00e1 na pr\u00f3pria arquitetura legal: a trava do art. 49, \u00a7 3\u00ba, \u00e9 <strong>tempor\u00e1ria por desenho, casada com o per\u00edodo de suspens\u00e3o<\/strong>; eterniz\u00e1-la transformaria o credor extraconcursal, que ficou fora da equaliza\u00e7\u00e3o do plano, em ref\u00e9m permanente da devedora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Encerrados o <em>stay period<\/em> e a supervis\u00e3o judicial do plano de recupera\u00e7\u00e3o, a execu\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito extraconcursal sobre im\u00f3vel tido por essencial \u00e0 atividade da recuperanda:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) permanece obstada, pois o princ\u00edpio da preserva\u00e7\u00e3o da empresa acompanha a devedora at\u00e9 o cumprimento integral do plano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) prossegue, cessada a prote\u00e7\u00e3o excepcional e tempor\u00e1ria fundada na essencialidade do bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) depende de delibera\u00e7\u00e3o da assembleia de credores sobre a aliena\u00e7\u00e3o do ativo essencial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) submete-se ao ju\u00edzo universal da recupera\u00e7\u00e3o, competente para vetar a constri\u00e7\u00e3o mesmo ap\u00f3s o encerramento da supervis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) converte-se em habilita\u00e7\u00e3o concursal, sujeitando o cr\u00e9dito ao rateio previsto no plano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A preserva\u00e7\u00e3o da empresa n\u00e3o \u00e9 salvo-conduto perp\u00e9tuo: ap\u00f3s a blindagem e o fim da supervis\u00e3o, invoc\u00e1-la para barrar cr\u00e9dito extraconcursal inviabilizaria a satisfa\u00e7\u00e3o de quem ficou fora da equaliza\u00e7\u00e3o do plano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Na linha consolidada desde a Lei n. 14.112\/2020, a Quarta Turma liberou a hasta p\u00fablica: a trava da essencialidade vale dentro do per\u00edodo de blindagem e para bens de capital essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A aliena\u00e7\u00e3o decorre de execu\u00e7\u00e3o movida por credor extraconcursal, alheia ao plano; nenhuma delibera\u00e7\u00e3o assemblear a condiciona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Exaurido o <em>stay period<\/em>, cessa o poder do ju\u00edzo recuperacional de frear a constri\u00e7\u00e3o; a suspens\u00e3o determinada na origem foi exatamente o que o STJ desfez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O cr\u00e9dito extraconcursal n\u00e3o se submete aos efeitos do plano nem ao rateio concursal; por isso sua satisfa\u00e7\u00e3o segue pela via executiva pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-11\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o consiste em saber se, exaurido o <em>stay period<\/em> e encerrada a supervis\u00e3o judicial do plano de recupera\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel impedir o prosseguimento de execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo extrajudicial para satisfa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito extraconcursal, com fundamento na essencialidade do bem e no princ\u00edpio da preserva\u00e7\u00e3o da empresa, \u00e0 luz do art. 49, \u00a7 3\u00ba, da Lei n. 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de origem concluiu pela suspens\u00e3o da hasta p\u00fablica, na medida em que o bem im\u00f3vel, por ser essencial, deve ser considerado como absolutamente indispens\u00e1vel para o cumprimento do plano recuperacional e o soerguimento da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, a orienta\u00e7\u00e3o firmada na origem diverge da jurisprud\u00eancia consolidada do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, segundo a qual, &#8220;a partir da entrada em vigor da Lei n. 14.112\/2020, com aplica\u00e7\u00e3o imediata aos processos em tr\u00e2mite, uma vez exaurido o per\u00edodo previsto no art. 6\u00ba, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.101\/2005 (<em>stay period<\/em>), n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que o Ju\u00edzo da Recupera\u00e7\u00e3o Judicial obste a satisfa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito extraconcursal com suporte no princ\u00edpio da preserva\u00e7\u00e3o da empresa.&#8221; (AgInt no AREsp 1.720.538\/SP, Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJEN de 18\/11\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, encerrado o <em>stay period<\/em> e o pr\u00f3prio per\u00edodo de supervis\u00e3o judicial do cumprimento do plano de recupera\u00e7\u00e3o (art. 61, <em>caput<\/em>, da Lei n. 11.101\/2005), n\u00e3o h\u00e1 como impedir o prosseguimento da execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo extrajudicial que visa \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito extraconcursal sob o pretexto de se preservar a empresa. Entender de modo diverso seria permitir a inviabiliza\u00e7\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito que sequer fora equalizado durante o procedimento recuperacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-14-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-litisconsorcio-na-reivindicatoria-posse-vs-registro\" class=\"wp-block-heading\">14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; LITISCONS\u00d3RCIO NA REIVINDICAT\u00d3RIA: POSSE vs. REGISTRO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria, <strong>o litiscons\u00f3rcio passivo necess\u00e1rio define-se pela posse injusta efetivamente exercida<\/strong> sobre o im\u00f3vel, <strong>N\u00c3O pela mera copropriedade registral<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AREsp 3.133.518-MT, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Geremias ajuizou reivindicat\u00f3ria para retomar a \u00e1rea que Nhonho ocupava sem t\u00edtulo. A defesa arguiu nulidade por um detalhe de cart\u00f3rio: P\u00f3pis figurava no registro como copropriet\u00e1ria do im\u00f3vel e n\u00e3o fora citada, embora nunca houvesse pisado na \u00e1rea litigiosa nem exercido posse sobre ela. A reivindicat\u00f3ria exige no polo passivo todos os que constam da matr\u00edcula ou todos os que ocupam o bem?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 114 e 115, I<\/strong><em> (o litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio decorre de lei ou da natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica controvertida; \u00e9 nula a senten\u00e7a de m\u00e9rito proferida sem a cita\u00e7\u00e3o de litisconsorte necess\u00e1rio).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O objetivo da reivindicat\u00f3ria \u00e9 devolver a posse ao propriet\u00e1rio dela privado: r\u00e9us necess\u00e1rios s\u00e3o os que exercem concretamente a posse injusta, n\u00e3o todos os que figuram no registro imobili\u00e1rio, leitura respaldada na doutrina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Efeitos meramente reflexos da senten\u00e7a sobre o patrim\u00f4nio do copropriet\u00e1rio n\u00e3o geram litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio; a exig\u00eancia nasce da afeta\u00e7\u00e3o direta do direito de propriedade ou da situa\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Sem prova de que a copropriet\u00e1ria registral exercia posse sobre a \u00e1rea litigiosa, dispensa-se sua presen\u00e7a no polo passivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A tese defensiva tinha charme dogm\u00e1tico: a reivindicat\u00f3ria discute dom\u00ednio, e <strong>quem divide o dom\u00ednio no registro deveria participar do processo<\/strong>, sob pena de senten\u00e7a <em>inutiliter data<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Quarta Turma separou os planos: o autor n\u00e3o disputa a fra\u00e7\u00e3o ideal da copropriet\u00e1ria, <strong>disputa a posse com quem a exerce injustamente<\/strong>. \u00c9 contra o ocupante que a senten\u00e7a produzir\u00e1 efeitos diretos; ao registro, nada acontece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Poderia restar a d\u00favida do desdobramento: se a senten\u00e7a repercutir no patrim\u00f4nio da copropriet\u00e1ria ausente, <strong>a nulidade do art. 115 n\u00e3o estaria \u00e0 espreita?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O crit\u00e9rio jurisprudencial responde: repercuss\u00e3o reflexa n\u00e3o convoca litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio; <strong>somente a afeta\u00e7\u00e3o direta do direito ou da posse o exige<\/strong>. Sem posse da copropriet\u00e1ria sobre a \u00e1rea, a demanda seguiu v\u00e1lida sem ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria, a forma\u00e7\u00e3o do litiscons\u00f3rcio passivo necess\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) decorre da copropriedade registral, com cita\u00e7\u00e3o da integralidade dos titulares do dom\u00ednio inscritos na matr\u00edcula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) estende-se a quem sofre efeitos reflexos da senten\u00e7a, bastando a repercuss\u00e3o patrimonial indireta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) forma-se com quem exerce concretamente a posse injusta sobre o bem reivindicado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) pressup\u00f5e a cita\u00e7\u00e3o conjunta de possuidores e copropriet\u00e1rios, cumulados os crit\u00e9rios registral e possess\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) mostra-se incab\u00edvel nessa via, demanda que se dirige contra um \u00fanico r\u00e9u por escolha do autor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O registro define a titularidade, n\u00e3o a resist\u00eancia \u00e0 pretens\u00e3o: quem n\u00e3o exerce posse sobre a \u00e1rea litigiosa n\u00e3o precisa integrar o polo passivo, como assentou a Quarta Turma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O STJ distingue os efeitos meramente reflexos, insuficientes para o litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio, da interfer\u00eancia direta no dom\u00ednio ou na posse do terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. A reivindicat\u00f3ria busca recuperar a posse; r\u00e9us necess\u00e1rios s\u00e3o os que a exercem injustamente, formando-se o litiscons\u00f3rcio entre os ocupantes em conjunto, e n\u00e3o entre os copropriet\u00e1rios do registro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 cumula\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios: a posse injusta \u00e9 o dado decisivo, e a copropriet\u00e1ria sem posse sobre a \u00e1rea ficou legitimamente fora da demanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Havendo pluralidade de possuidores injustos, o litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio se forma entre todos eles; o que se rejeita \u00e9 o crit\u00e9rio puramente registral.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-12\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se, em a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria, a copropriedade registral configura litiscons\u00f3rcio passivo necess\u00e1rio, \u00e0 luz dos artigos 114 e 115, I, do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem assentou que, nessa esp\u00e9cie de demanda, a obrigatoriedade de forma\u00e7\u00e3o do litiscons\u00f3rcio passivo n\u00e3o decorre da simples copropriedade registral, mas sim da posse injusta efetivamente exercida sobre o bem reivindicado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ali\u00e1s, o objetivo da a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria \u00e9 justamente a recupera\u00e7\u00e3o da posse pelo propriet\u00e1rio que dela foi privado, de modo que o litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio h\u00e1 de se formar com aqueles que, concretamente, exercem a posse injusta &#8211; e n\u00e3o com todos os que, abstratamente, figuram como copropriet\u00e1rios no registro imobili\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destaque-se que o referido entendimento encontra respaldo na doutrina, segundo a qual, na a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria em que a posse injusta \u00e9 exercida por v\u00e1rios, forma-se litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio entre todos os que a exercem &#8211; e n\u00e3o entre todos os copropriet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal entendimento alinha-se igualmente \u00e0 jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a que distingue os efeitos meramente reflexos da senten\u00e7a sobre o patrim\u00f4nio do copropriet\u00e1rio &#8211; insuficientes para gerar litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio &#8211; da efetiva afeta\u00e7\u00e3o do seu direito de propriedade ou da sua situa\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, a aus\u00eancia de prova de que a copropriet\u00e1ria registral exercia posse sobre a \u00e1rea litigiosa afasta a necessidade de sua inclus\u00e3o no polo passivo da a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-15-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-confissao-extrajudicial-e-atenuante-no-tribunal-do-juri\" class=\"wp-block-heading\">15.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CONFISS\u00c3O EXTRAJUDICIAL E ATENUANTE NO TRIBUNAL DO J\u00daRI<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em processos do Tribunal do J\u00fari, <strong>o juiz togado pode reconhecer a atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea<\/strong> fundada em confiss\u00e3o extrajudicial que conste dos autos e tenha servido \u00e0 apura\u00e7\u00e3o dos fatos, <strong>ainda que a mat\u00e9ria N\u00c3O tenha sido debatida em plen\u00e1rio<\/strong> (aplica\u00e7\u00e3o do Tema 1194\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.257.660-MG, Rel. Min. Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 3\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na delegacia, Creitinho confessou o crime, e a confiss\u00e3o ajudou a montar o quebra-cabe\u00e7a da investiga\u00e7\u00e3o. Em plen\u00e1rio, por\u00e9m, a defesa n\u00e3o tocou no assunto, e o j\u00fari o condenou. Na apela\u00e7\u00e3o, o Tribunal aplicou a atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea, e a acusa\u00e7\u00e3o recorreu: o art. 492, I, b, do CPP mandaria considerar as atenuantes alegadas nos debates, e mexer na pena ofenderia a soberania dos veredictos. O sil\u00eancio da tribuna apaga a confiss\u00e3o que est\u00e1 nos autos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 65, III, d; CPP, art. 492, I, b<\/strong><em> (a confiss\u00e3o espont\u00e2nea atenua a pena; na senten\u00e7a, o juiz presidente considerar\u00e1 as circunst\u00e2ncias agravantes ou atenuantes alegadas nos debates).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema 1194\/STJ<\/strong><em> (a confiss\u00e3o abranda a pena ainda que n\u00e3o utilizada na forma\u00e7\u00e3o do convencimento e mesmo havendo outros elementos suficientes, desde que n\u00e3o haja retrata\u00e7\u00e3o ou, havendo, que a confiss\u00e3o tenha servido \u00e0 apura\u00e7\u00e3o dos fatos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A Lei n. 11.689\/2008 retirou do question\u00e1rio dos jurados a indaga\u00e7\u00e3o sobre agravantes e atenuantes, transferindo a an\u00e1lise, com exclusividade, ao juiz togado na dosimetria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Os jurados decidem por \u00edntima convic\u00e7\u00e3o sobre materialidade, autoria e circunst\u00e2ncias essenciais da imputa\u00e7\u00e3o; a valora\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-jur\u00eddica das atenuantes cabe ao presidente, e o reconhecimento em grau recursal n\u00e3o fere a soberania dos veredictos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A acusa\u00e7\u00e3o apostava na literalidade: se o art. 492, I, b, fala em circunst\u00e2ncias <strong>alegadas nos debates, o que n\u00e3o subiu \u00e0 tribuna estaria precluso<\/strong>, e o tribunal de apela\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ressuscit\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Quinta Turma leu o dispositivo como piso, n\u00e3o como teto: <strong>mandar considerar o debatido n\u00e3o pro\u00edbe reconhecer o que consta dos autos<\/strong>. Desde 2008, agravantes e atenuantes sa\u00edram do question\u00e1rio dos jurados e moram na dosimetria do juiz togado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Restava o argumento de fundo: retocar a pena em apela\u00e7\u00e3o <strong>esbarraria na soberania dos veredictos<\/strong>, pilar constitucional do j\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A soberania protege o veredicto, n\u00e3o a dosimetria: <strong>os jurados julgam o fato; a pena \u00e9 opera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do presidente<\/strong>, revis\u00e1vel pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias. Aplicar o Tema 1194 aos crimes dolosos contra a vida foi consequ\u00eancia natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No procedimento do Tribunal do J\u00fari, a aplica\u00e7\u00e3o, pelo juiz togado, da atenuante decorrente de confiss\u00e3o prestada na fase policial e n\u00e3o debatida em plen\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) esbarra na literalidade do art. 492, I, b, do CPP, que restringe o juiz presidente \u00e0s circunst\u00e2ncias alegadas nos debates.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) compete ao Conselho de Senten\u00e7a, mediante quesito espec\u00edfico sobre a circunst\u00e2ncia atenuante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) exige confiss\u00e3o judicial ratificada em plen\u00e1rio, desprovida de valor dosim\u00e9trico a vers\u00e3o prestada na fase policial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00e9 poss\u00edvel ao juiz togado, constando a confiss\u00e3o dos autos e tendo servido \u00e0 apura\u00e7\u00e3o dos fatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) configura afronta \u00e0 soberania dos veredictos quando operado em grau recursal pelo tribunal de apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O dispositivo determina considerar o que foi debatido, mas n\u00e3o veda o reconhecimento da atenuante presente nos autos; a leitura restritiva foi afastada pela Quinta Turma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Desde a Lei n. 11.689\/2008, o question\u00e1rio n\u00e3o indaga os jurados sobre agravantes e atenuantes: a dosimetria \u00e9 tarefa exclusiva do juiz togado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O Tema 1194 contempla a confiss\u00e3o extrajudicial que, sem retrata\u00e7\u00e3o ou tendo servido \u00e0 apura\u00e7\u00e3o dos fatos, abranda a pena; ratifica\u00e7\u00e3o em plen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 requisito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. A raz\u00e3o de decidir do Tema 1194 aplica-se aos crimes dolosos contra a vida: juiz presidente ou tribunal, na apela\u00e7\u00e3o, aplicam a atenuante com base no acervo processual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A soberania cobre o ju\u00edzo dos jurados sobre materialidade, autoria e circunst\u00e2ncias essenciais; a valora\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-jur\u00eddica das atenuantes fica fora dela, mesmo em grau recursal.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-13\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se, em processos de compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari, o reconhecimento da atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea decorrente de confiss\u00e3o extrajudicial, ainda que a circunst\u00e2ncia n\u00e3o tenha sido objeto de debate em plen\u00e1rio, ofende o art. 492, I, b, do CPP e a soberania dos veredictos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, no julgamento do Tema 1194, pacificou o entendimento de que a atenuante gen\u00e9rica da confiss\u00e3o espont\u00e2nea, prevista no art. 65, inciso III, al\u00ednea d, do C\u00f3digo Penal, \u00e9 apta a abrandar a pena independentemente de ter sido utilizada na forma\u00e7\u00e3o do convencimento do julgador e mesmo que existam outros elementos probat\u00f3rios suficientes, desde que n\u00e3o haja retrata\u00e7\u00e3o ou, havendo-a, que a confiss\u00e3o tenha servido \u00e0 apura\u00e7\u00e3o dos fatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 492, inciso I, al\u00ednea b, do C\u00f3digo de Processo Penal, estabelece que o juiz presidente &#8220;considerar\u00e1 as circunst\u00e2ncias agravantes ou atenuantes alegadas nos debates&#8221;, contudo, n\u00e3o exclui a possibilidade de o magistrado reconhecer e aplicar a atenuante da confiss\u00e3o extrajudicial constante dos autos, ainda que n\u00e3o expressamente ventilada pela defesa perante o Conselho de Senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com a altera\u00e7\u00e3o procedimental promovida pela Lei n. 11.689\/2008, expurgou-se do question\u00e1rio submetido aos jurados a indaga\u00e7\u00e3o espec\u00edfica acerca das circunst\u00e2ncias agravantes e atenuantes. A an\u00e1lise de tais vetores foi transferida de forma exclusiva ao juiz togado por ocasi\u00e3o da dosimetria da pena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cumpre ressaltar que a regra de julgamento das decis\u00f5es do Tribunal do J\u00fari \u00e9 pautada pelo princ\u00edpio da \u00edntima convic\u00e7\u00e3o dos jurados, limitados ao reconhecimento da materialidade, da autoria e das circunst\u00e2ncias f\u00e1tico-jur\u00eddicas essenciais da imputa\u00e7\u00e3o, sendo a valora\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-jur\u00eddica de agravantes e atenuantes tarefa pr\u00f3pria do juiz presidente, de modo que o reconhecimento da atenuante em grau recursal, com base na confiss\u00e3o extrajudicial, n\u00e3o viola a soberania dos veredictos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sendo assim, a raz\u00e3o de decidir firmada no Tema 1194\/STJ \u00e9 plenamente aplic\u00e1vel aos crimes dolosos contra a vida, n\u00e3o configurando ofensa \u00e0 lei federal ou \u00e0 soberania dos veredictos o agir do Tribunal de origem que, em sede de apela\u00e7\u00e3o, reconhece a atenuante em favor do r\u00e9u com base no acervo processual.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-16-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-supressao-de-vereda-em-app-e-o-conceito-penal-de-floresta\" class=\"wp-block-heading\">16.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; SUPRESS\u00c3O DE VEREDA EM APP E O CONCEITO PENAL DE FLORESTA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o delito do art. 38 da Lei n. 9.605\/1998, o elemento normativo &#8220;floresta&#8221; corresponde \u00e0 <strong>forma\u00e7\u00e3o arb\u00f3rea densa, de alto porte, que recobre \u00e1rea mais ou menos extensa<\/strong>: o tipo <strong>N\u00c3O alcan\u00e7a a supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o classificada como vereda<\/strong>, ainda que situada em \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.249.961-MT, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 3\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na fazenda de Crementina, no Cerrado mato-grossense, a \u00e1rea suprimida ficava em APP, mas o laudo pericial a classificou como vereda: solos hidrom\u00f3rficos, buritis e outras palmeiras, sem o porte de uma mata fechada. Denunciada por destruir floresta de preserva\u00e7\u00e3o permanente (art. 38 da Lei n. 9.605\/1998), ela foi absolvida por atipicidade, e o recurso chegou ao STJ com a pergunta em aberto: buritizal \u00e9 floresta para o direito penal?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.605\/1998, art. 38<\/strong><em> (destruir ou danificar floresta considerada de preserva\u00e7\u00e3o permanente, mesmo que em forma\u00e7\u00e3o, ou utiliz\u00e1-la com infring\u00eancia das normas de prote\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Desde o HC 74.950\/SP, o STJ define o elemento normativo &#8220;floresta&#8221; como forma\u00e7\u00e3o arb\u00f3rea densa, de alto porte, a recobrir \u00e1rea de terra mais ou menos extensa; o dado central \u00e9 o grande porte das \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Vereda \u00e9 fitofisionomia t\u00edpica do Cerrado (solos hidrom\u00f3rficos, buritis e palmeiras) e n\u00e3o se amolda ao conceito; estender o tipo para alcan\u00e7\u00e1-la viola a legalidade estrita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Se quisesse criminalizar a destrui\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o em geral nas APPs, o legislador teria usado express\u00e3o abrangente (&#8220;vegeta\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;cobertura vegetal&#8221;); a escolha do termo espec\u00edfico delimita o alcance penal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><\/td><td><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O impulso protetivo era compreens\u00edvel: a vereda regula o regime h\u00eddrico do Cerrado, e <strong>deixar sua destrui\u00e7\u00e3o fora do tipo soaria como licen\u00e7a para devastar<\/strong> justamente os ecossistemas mais fr\u00e1geis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O direito penal, por\u00e9m, n\u00e3o corrige lacunas por amplia\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica. <strong>Floresta, no art. 38, \u00e9 forma\u00e7\u00e3o arb\u00f3rea densa e de alto porte<\/strong>, conceito estabilizado h\u00e1 d\u00e9cadas; buritis esparsos sobre solo encharcado s\u00e3o outra categoria bot\u00e2nica e jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Invocou-se a leitura sistem\u00e1tica: se a APP protege a vegeta\u00e7\u00e3o que a comp\u00f5e, <strong>o tipo deveria acompanhar a extens\u00e3o da tutela administrativa<\/strong>, sob pena de incoer\u00eancia do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Sexta Turma manteve as esferas separadas: a prote\u00e7\u00e3o administrativa e civil da vereda permanece \u00edntegra, <strong>mas a norma incriminadora s\u00f3 alcan\u00e7a o que o texto descreve<\/strong>. Onde o legislador disse floresta, o int\u00e9rprete n\u00e3o pode ler vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relativamente \u00e0 supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o classificada como vereda, situada em \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente, frente ao art. 38 da Lei n. 9.605\/1998:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) tipifica o delito, pois a localiza\u00e7\u00e3o em APP qualifica a vegeta\u00e7\u00e3o como floresta de preserva\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) configura o crime na modalidade floresta em forma\u00e7\u00e3o, dado o potencial de adensamento da fitofisionomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) atrai o tipo penal por interpreta\u00e7\u00e3o extensiva, imposta pela tutela constitucional do meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) equipara-se \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de cobertura vegetal, express\u00e3o que o tipo penal emprega ao lado do termo floresta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00e9 at\u00edpica, restrito o elemento normativo &#8220;floresta&#8221; \u00e0 forma\u00e7\u00e3o arb\u00f3rea densa e de alto porte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A APP delimita o objeto da prote\u00e7\u00e3o ambiental, mas n\u00e3o transmuda a natureza da vegeta\u00e7\u00e3o: sem forma\u00e7\u00e3o arb\u00f3rea densa e de alto porte, falta o elemento normativo do tipo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A cl\u00e1usula &#8220;mesmo que em forma\u00e7\u00e3o&#8221; pressup\u00f5e floresta em desenvolvimento; vereda \u00e9 fitofisionomia pr\u00f3pria do Cerrado, com buritis e solos hidrom\u00f3rficos, n\u00e3o uma mata em crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A relev\u00e2ncia constitucional do meio ambiente n\u00e3o autoriza estender a norma incriminadora a categoria diversa da descrita; a legalidade estrita barra a amplia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O art. 38 emprega o termo espec\u00edfico &#8220;floresta&#8221;; se pretendesse alcan\u00e7ar a vegeta\u00e7\u00e3o em geral, o legislador teria adotado express\u00e3o mais ampla, como registrou a Sexta Turma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Mantida a absolvi\u00e7\u00e3o por atipicidade: o conceito t\u00e9cnico-jur\u00eddico fixado desde o HC 74.950\/SP n\u00e3o abrange a vereda, mesmo dentro de APP.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-14\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia cinge-se \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do termo &#8220;floresta&#8221;, para tipifica\u00e7\u00e3o do delito previsto no art. 38 da Lei n. 9.605\/1998.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A conduta prevista no art. 38 da Lei n. 9.605\/1998 encontra-se assim descrita: &#8220;Destruir ou danificar floresta considerada de preserva\u00e7\u00e3o permanente, mesmo que em forma\u00e7\u00e3o, ou utiliz\u00e1-la com infring\u00eancia das normas de prote\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 se debru\u00e7ou sobre a defini\u00e7\u00e3o de &#8220;floresta&#8221; para fins de caracteriza\u00e7\u00e3o do tipo penal e consignou que: &#8220;o elemento normativo &#8216;floresta&#8217;, constante do tipo de injusto do art. 38 da Lei n\u00ba 9.605\/98, \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o arb\u00f3rea densa, de alto porte, que recobre \u00e1rea de terra mais ou menos extensa. O elemento central \u00e9 o fato de ser constitu\u00edda por \u00e1rvores de grande porte&#8221; (HC 74.950\/SP, Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJ de 10\/9\/2007).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de origem manteve a absolvi\u00e7\u00e3o da r\u00e9 por considerar at\u00edpica a conduta descrita na den\u00fancia, pois a vegeta\u00e7\u00e3o suprimida, embora estivesse em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente &#8211; APP, foi definida em laudo pericial como &#8220;vereda&#8221;, que constitui fitofisionomia t\u00edpica do Cerrado, caracterizada por solos hidrom\u00f3rficos e presen\u00e7a de buritis e outras palmeiras, ou seja, n\u00e3o se trata de floresta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, se a vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se caracteriza como floresta, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ampliar a incid\u00eancia do tipo penal para categoria diversa, pois implicaria viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da legalidade estrita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, se a inten\u00e7\u00e3o do legislador fosse criminalizar a destrui\u00e7\u00e3o ou danifica\u00e7\u00e3o de qualquer tipo de vegeta\u00e7\u00e3o em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, teria utilizado express\u00e3o mais abrangente no tipo penal do art. 38 da Lei n. 9.605\/1998, como &#8220;vegeta\u00e7\u00e3o&#8221; ou &#8220;cobertura vegetal&#8221;, e n\u00e3o o termo espec\u00edfico &#8220;floresta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a supress\u00e3o de vereda, embora em \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente, n\u00e3o se amolda ao conceito t\u00e9cnico-jur\u00eddico exigido pelo tipo penal em quest\u00e3o, impondo-se a manuten\u00e7\u00e3o da absolvi\u00e7\u00e3o por atipicidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div 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