{"id":1323628,"date":"2023-12-19T02:33:31","date_gmt":"2023-12-19T05:33:31","guid":{"rendered":"https:\/\/concursos.estrategia.com\/portal\/?p=1323628"},"modified":"2023-12-19T02:33:33","modified_gmt":"2023-12-19T05:33:33","slug":"informativo-stj-798-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/concursos.estrategia.com\/portal\/informativo-stj-798-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 798 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Informativo n\u00ba 798 do STJ\u00a0<strong>COMENTADO<\/strong>\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/12\/19023238\/stj-informativo-798.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_-zOp9uHOuks\"><div id=\"lyte_-zOp9uHOuks\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/-zOp9uHOuks\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><button tabindex=\"0\" class=\"play\"><\/button><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/-zOp9uHOuks\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/-zOp9uHOuks\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-precatorios-e-natureza-das-verbas\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Precat\u00f3rios e natureza das verbas<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 100, \u00a7 1\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal traz um rol exemplificativo, de sorte que a defini\u00e7\u00e3o da natureza alimentar das verbas nele elencadas encontra-se vinculada \u00e0 destina\u00e7\u00e3o prec\u00edpua de subsist\u00eancia do credor e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RMS 72.481-BA, Rel. Ministro S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 5\/12\/2023. (Info 798)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crementino impetrou mandado de seguran\u00e7a contra o ato de indeferimento do pedido de pagamento superpreferencial. O valor seria decorrente das remunera\u00e7\u00f5es n\u00e3o pagas durante o per\u00edodo em que Crementino j\u00e1 deveria estar no rol de inativos, recebendo seus proventos sem qualquer contrapresta\u00e7\u00e3o laboral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seu entender, tais valores teriam natureza alimentar, mas o TJ local manteve o indeferimento e os considerou como indenizat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas P\u00fablicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de senten\u00e7a judici\u00e1ria, far-se-\u00e3o exclusivamente na ordem cronol\u00f3gica de apresenta\u00e7\u00e3o dos precat\u00f3rios e \u00e0 conta dos cr\u00e9ditos respectivos, proibida a designa\u00e7\u00e3o de casos ou de pessoas nas dota\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias e nos cr\u00e9ditos adicionais abertos para este fim.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a7 1\u00ba Os d\u00e9bitos de natureza aliment\u00edcia compreendem aqueles decorrentes de sal\u00e1rios, vencimentos, proventos, pens\u00f5es e suas complementa\u00e7\u00f5es, benef\u00edcios previdenci\u00e1rios e indeniza\u00e7\u00f5es por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade civil, em virtude de senten\u00e7a judicial transitada em julgado, e ser\u00e3o pagos com prefer\u00eancia sobre todos os demais d\u00e9bitos, exceto sobre aqueles referidos no \u00a7 2\u00ba deste artigo<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-natureza-alimentar\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Natureza alimentar?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De in\u00edcio, n\u00e3o se olvida que o art. 100, \u00a7 1\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal n\u00e3o encerra um rol taxativo das verbas consideradas de natureza alimentar, mas, antes, t\u00e3o somente exemplificativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o tema, a Terceira Turma entendeu no julgamento do REsp n. 1.815.055\/SP que <strong>a defini\u00e7\u00e3o da natureza alimentar de determinada verba encontra-se vinculada \u00e0 destina\u00e7\u00e3o prec\u00edpua de subsist\u00eancia do credor e de sua fam\u00edlia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa linha de ideias, a defini\u00e7\u00e3o da natureza jur\u00eddica de determinada verba dever\u00e1 ser buscada, tal como assentado pelo STF no julgamento RE n. 470.407\/DF, a partir da possibilidade de sua subsun\u00e7\u00e3o a uma das categorias elencadas no art. 100, \u00a7 1\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso, a hip\u00f3tese n\u00e3o versa a respeito de sal\u00e1rios, vencimentos, proventos, pens\u00f5es e suas complementa\u00e7\u00f5es ou benef\u00edcios previdenci\u00e1rios. O precat\u00f3rio em tela refere-se a cr\u00e9dito oriundo de indeniza\u00e7\u00e3o devida pelo Estado da Bahia, em virtude da demora na concess\u00e3o da aposentadoria do impetrante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido<strong>, o \u00a7 1\u00ba do art. 100 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica n\u00e3o faz remiss\u00e3o a qualquer tipo de indeniza\u00e7\u00e3o fundada em responsabilidade civil,<\/strong> mas especificamente \u00e0s indeniza\u00e7\u00f5es por morte ou invalidez, o que, a toda evid\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 o caso dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a indeniza\u00e7\u00e3o devida pelo Estado da Bahia n\u00e3o tem por escopo assegurar a subsist\u00eancia do recorrente ou de sua fam\u00edlia &#8211; como \u00e9 o caso de seus proventos de aposentadoria -, mas \u00fanica e exclusivamente reparar preju\u00edzos a ele causados em decorr\u00eancia de ato il\u00edcito praticado pela Administra\u00e7\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m evidencia a natureza COMUM do cr\u00e9dito em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 100, \u00a7 1\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal traz um rol exemplificativo, de sorte que a defini\u00e7\u00e3o da natureza alimentar das verbas nele elencadas encontra-se vinculada \u00e0 destina\u00e7\u00e3o prec\u00edpua de subsist\u00eancia do credor e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-in-existencia-de-obrigacao-de-conferir-passe-livre-aos-auditores-fiscais-do-trabalho-nas-pracas-de-pedagios-que-estao-sob-administracao-estadual\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (In)Exist\u00eancia de obriga\u00e7\u00e3o de conferir &#8220;passe livre&#8221; aos Auditores-Fiscais do Trabalho nas pra\u00e7as de ped\u00e1gios que est\u00e3o sob administra\u00e7\u00e3o estadual<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inexiste obriga\u00e7\u00e3o de conferir &#8220;passe livre&#8221; aos Auditores-Fiscais do Trabalho nas pra\u00e7as de ped\u00e1gios que est\u00e3o sob administra\u00e7\u00e3o estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.882.934-SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por maioria, julgado em 5\/12\/2023. (Info 798)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Departamento de Estradas de Rodagem Estadual ajuizou a\u00e7\u00e3o em face da Uni\u00e3o com o objetivo de obter declara\u00e7\u00e3o de inexist\u00eancia de obriga\u00e7\u00e3o de conferir &#8220;passe livre&#8221; aos Auditores-Fiscais do Trabalho nas pra\u00e7as de ped\u00e1gios que est\u00e3o sob administra\u00e7\u00e3o estadual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei n. 10.593\/2002;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 11. Os ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal do Trabalho t\u00eam por atribui\u00e7\u00f5es assegurar, em todo o territ\u00f3rio nacional:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. <s>O Poder Executivo regulamentar\u00e1 as atribui\u00e7\u00f5es privativas previstas neste artigo, podendo cometer aos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal do Trabalho outras atribui\u00e7\u00f5es, desde que compat\u00edveis com atividades de auditoria e fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/s><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 630. Nenhum agente da inspe\u00e7\u00e3o poder\u00e1 exercer as atribui\u00e7\u00f5es do seu cargo sem exibir a carteira de identidade fiscal, devidamente autenticada, fornecida pela autoridade competente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a7 5\u00ba &#8211; No territ\u00f3rio do exerc\u00edcio de sua fun\u00e7\u00e3o, o agente da inspe\u00e7\u00e3o gozar\u00e1 de passe livre nas empr\u00easas de transportes, p\u00fablicas ou privadas, mediante a apresenta\u00e7\u00e3o da carteira de identidade fiscal<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-passe-livre\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Passe livre?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nada!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na origem, foi proposta a\u00e7\u00e3o pelo <a>Departamento de Estradas de Rodagem Estadual em face da Uni\u00e3o com o objetivo de obter declara\u00e7\u00e3o de inexist\u00eancia de obriga\u00e7\u00e3o de conferir &#8220;passe livre&#8221; aos Auditores-Fiscais do Trabalho nas pra\u00e7as de ped\u00e1gios que est\u00e3o sob administra\u00e7\u00e3o estadual<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao m\u00e9rito, a controv\u00e9rsia reside, essencialmente, na aplica\u00e7\u00e3o do art. 34 do Decreto n. 4.552\/2002 (que aprova o Regulamento da Inspe\u00e7\u00e3o do Trabalho),&nbsp;<em>in verbis<\/em>: &#8220;Art. 34. As empresas de transportes de qualquer natureza, inclusive as exploradas pela Uni\u00e3o, Distrito Federal, Estados e Munic\u00edpios, bem como as concession\u00e1rias de rodovias que cobram ped\u00e1gio para o tr\u00e2nsito conceder\u00e3o passe livre aos Auditores-Fiscais do Trabalho e aos Agentes de Higiene e Seguran\u00e7a do Trabalho, no territ\u00f3rio nacional em conformidade com o disposto no art. 630, \u00a7 5\u00ba, da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), mediante a apresenta\u00e7\u00e3o da Carteira de Identidade Fiscal.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ocorre que <strong>os argumentos apresentados pela Uni\u00e3o n\u00e3o se mostram suficientes para levar \u00e0 improced\u00eancia dos pedidos formulados na inicial<\/strong>, pois o art. 34 do Decreto n. 4.552\/2002 concedeu passe livre aos Auditores-Fiscais do Trabalho nas pra\u00e7as de ped\u00e1gio sem que houvesse previs\u00e3o legal nesse sentido. Ora, o art. 11, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 10.593\/2002 (vigente \u00e0 \u00e9poca dos fatos da causa) e art. 630, \u00a7 5\u00ba, da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho n\u00e3o cont\u00eam previs\u00e3o expressa a respeito do livre tr\u00e2nsito nas vias concedidas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o da iniciativa privada, onde h\u00e1 cobran\u00e7a de ped\u00e1gio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessas circunst\u00e2ncias, sob pena de chancelar indevida exorbit\u00e2ncia do poder regulamentar, mostra-se descabida interpreta\u00e7\u00e3o extensiva que iguale passe livre nas empresas de transporte com livre passagem nas pra\u00e7as de ped\u00e1gios. Tais a\u00e7\u00f5es &#8211; usar o transporte coletivo ou cruzar uma pra\u00e7a de ped\u00e1gio -, embora tenham como objetivo final verificar o cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, s\u00e3o completamente diferentes entre si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, <strong>n\u00e3o se antev\u00ea dificuldades para a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica firmar conv\u00eanio com as empresas que exploram rodovias concedidas para que permitam livre passagem aos ve\u00edculos de servi\u00e7o destinados \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista<\/strong>; ou ent\u00e3o, indenizar o Auditor-Fiscal que eventualmente tenha que usar ve\u00edculo particular passar por pra\u00e7as de ped\u00e1gio no exerc\u00edcio de seu cargo, mediante procedimento administrativo de baixa complexidade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inexiste obriga\u00e7\u00e3o de conferir &#8220;passe livre&#8221; aos Auditores-Fiscais do Trabalho nas pra\u00e7as de ped\u00e1gios que est\u00e3o sob administra\u00e7\u00e3o estadual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-aplicabilidade-da-redacao-atual-do-art-1\u00ba-f-da-lei-n-9-494-2007-no-tocante-a-correcao-monetaria\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplicabilidade da reda\u00e7\u00e3o atual do art. 1\u00ba-F da Lei n. 9.494\/2007 no tocante \u00e0 corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reda\u00e7\u00e3o atual do art. 1\u00ba-F da Lei n. 9.494\/2007 \u00e9 inaplic\u00e1vel no tocante \u00e0 corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AREsp 638.541-MA, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 21\/11\/2023, DJe 24\/11\/2023(Info 798)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Presto Servi\u00e7os Ltda ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do Estado do Maranh\u00e3o para cobrar valores n\u00e3o pagos decorrentes de contrato administrativo. O Estado foi condenado, mas a decis\u00e3o teria a deixado de aplicar o artigo 1\u00b0-F da Lei n\u00b0 9.494\/97, modificado pela Lei n\u00b0 11.960\/2009, que disciplina a aplica\u00e7\u00e3o dos juros de mora nas condena\u00e7\u00f5es judiciais impostas \u00e0 Fazenda P\u00fablica, raz\u00e3o pela qual a empresa interp\u00f4s sucessivos recursos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-nbsp-analise-estrategica-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei n. 9.494\/2007:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 1o-F.&nbsp; Nas condena\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 Fazenda P\u00fablica, independentemente de sua natureza e para fins de atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, remunera\u00e7\u00e3o do capital e compensa\u00e7\u00e3o da mora, haver\u00e1 a incid\u00eancia uma \u00fanica vez, at\u00e9 o efetivo pagamento, dos \u00edndices oficiais de remunera\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e juros aplicados \u00e0 caderneta de poupan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-aplicavel-a-redacao-atual\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplic\u00e1vel a reda\u00e7\u00e3o atual?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noopss!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na decis\u00e3o agravada, em considera\u00e7\u00e3o do que firmado pela Primeira Se\u00e7\u00e3o no julgamento do Tema Repetitivo n. 905 (REsp n. 1.495.144\/RS), foi conhecido do agravo para conhecer em parte do recurso especial do Estado para, nessa extens\u00e3o, dar-lhe parcial provimento, para que o seu d\u00e9bito seja pago nos seguintes termos: (a) at\u00e9 dezembro\/2002: juros de mora de 0,5% ao m\u00eas; corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria de acordo com os \u00edndices previstos no Manual de C\u00e1lculos da Justi\u00e7a Federal, com destaque para a incid\u00eancia do IPCA-E a partir de janeiro\/2001; (b) no per\u00edodo posterior \u00e0 vig\u00eancia do CC\/2002 e anterior \u00e0 vig\u00eancia da Lei n. 11.960\/2009: juros de mora correspondentes \u00e0 taxa Selic, vedada a cumula\u00e7\u00e3o com qualquer outro \u00edndice; (c) per\u00edodo posterior \u00e0 vig\u00eancia da Lei n. 11.960\/2009: juros de mora segundo o \u00edndice de remunera\u00e7\u00e3o da caderneta de poupan\u00e7a; corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria com base no IPCA-E.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prop\u00f3sito da corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, no entanto, conforme estabelecido no julgamento do repetitivo acima referido, inaplic\u00e1vel a atual reda\u00e7\u00e3o do art. 1\u00ba-F da Lei n. 9.494\/2007, por isso o regime da tabela utilizada pelo Tribunal de Justi\u00e7a local deve ser aplicado relativamente ao per\u00edodo at\u00e9 a entrad a em vigor do C\u00f3digo Civil de 2002 e tamb\u00e9m quanto ao per\u00edodo posterior \u00e0 entrada em vigor da Lei n. 11.960\/2009.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reda\u00e7\u00e3o atual do art. 1\u00ba-F da Lei n. 9.494\/2007 \u00e9 inaplic\u00e1vel no tocante \u00e0 corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-juros-remuneratorios-devidos-na-devolucao-de-diferencas-de-correcao-monetaria-relativas-a-certificados-de-deposito-bancario-quando-resultantes-de-expurgos-inflacionarios\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Juros remunerat\u00f3rios devidos na devolu\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria relativas a Certificados de Dep\u00f3sito Banc\u00e1rio, quando resultantes de expurgos inflacion\u00e1rios<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na devolu\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria relativas a Certificados de Dep\u00f3sito Banc\u00e1rio, resultantes de expurgos inflacion\u00e1rios, os juros remunerat\u00f3rios somente s\u00e3o devidos at\u00e9 o vencimento da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.601.788-MG, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 28\/11\/2023, DJe 6\/12\/2023. (Info 798) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Banco City foi condenado a pagar diferen\u00e7as de atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria no resgate de Certificados de Dep\u00f3sito Banc\u00e1rio (CDBs), resultantes dos denominados expurgos inflacion\u00e1rios. Os embargos opostos pelo banco foram julgados improcedente e determinado que a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria deveria refletir a varia\u00e7\u00e3o do IPC\/IBGE at\u00e9 fevereiro de 1991 e, ap\u00f3s, a varia\u00e7\u00e3o do IPC\/FGV, e que os juros compensat\u00f3rios seriam devidos at\u00e9 o efetivo pagamento das diferen\u00e7as devidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o chegou ao STJ em recurso especial, no qual o Banco sustenta correta a aplica\u00e7\u00e3o exclusiva da Taxa Selic a t\u00edtulo de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e juros morat\u00f3rios a partir de janeiro de 2003.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-os-juros-sao-devidos-ate-quando\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os juros s\u00e3o devidos at\u00e9 quando?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>At\u00e9 o VENCIMENTO da obriga\u00e7\u00e3o!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na origem, ainda na vig\u00eancia do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973 e antes das altera\u00e7\u00f5es promovidas pela Lei n. 11.232\/2005, institui\u00e7\u00e3o financeira foi condenada a pagar diferen\u00e7as de atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria no resgate de Certificados de Dep\u00f3sito Banc\u00e1rio (CDBs), resultantes dos expurgos inflacion\u00e1rios relativos ao Plano Ver\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hip\u00f3tese em que o t\u00edtulo judicial exequendo determinou a incid\u00eancia dos juros remunerat\u00f3rios &#8220;em total cumprimento do contrato&#8221;, express\u00e3o que deve ser interpretada no sentido de que tais consect\u00e1rios somente s\u00e3o devidos at\u00e9 a data de vencimento das obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Superior Tribunal de Justi\u00e7a entende que, <strong>tanto para os Certificados de Dep\u00f3sito Banc\u00e1rio (CDBs) quanto para os dep\u00f3sitos efetuados em caderneta de poupan\u00e7a os juros remunerat\u00f3rios somente s\u00e3o devidos at\u00e9 o vencimento ou, no segundo caso, at\u00e9 o encerramento da conta-poupan\u00e7a, porque a incid\u00eancia desses consect\u00e1rios decorre de expressa previs\u00e3o contratual<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda, ao determinar que as diferen\u00e7as devidas fossem apuradas pela varia\u00e7\u00e3o do &#8220;IPC&#8221;, e que fosse realizada a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria dos valores encontrados em liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, o t\u00edtulo exequendo n\u00e3o estipulou \u00edndice espec\u00edfico a incidir at\u00e9 o efetivo pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E ainda que o tivesse feito, \u00e9 cedi\u00e7o que a substitui\u00e7\u00e3o de um \u00edndice extinto por outro equivalente n\u00e3o implica viola\u00e7\u00e3o da coisa julgada, tampouco inobserv\u00e2ncia do princ\u00edpio da fidelidade ao t\u00edtulo, j\u00e1 tendo o STJ decidido, em in\u00fameros julgados, que, ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o do IPC\/IBGE em fevereiro de 1991, o \u00edndice que melhor passou a refletir a perda do poder econ\u00f4mico, corro\u00eddo pelo processo inflacion\u00e1rio, \u00e9 o INPC, calculado pela mesma institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na devolu\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria relativas a Certificados de Dep\u00f3sito Banc\u00e1rio, resultantes de expurgos inflacion\u00e1rios, os juros remunerat\u00f3rios somente s\u00e3o devidos at\u00e9 o vencimento da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-obrigatoriedade-da-cobertura-pela-operadora-do-plano-de-saude-de-cirurgias-de-transgenitalizacao-e-de-plastica-mamaria-com-implantacao-de-proteses-em-mulher-transexual\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Obrigatoriedade da cobertura, pela operadora do plano de sa\u00fade, de cirurgias de transgenitaliza\u00e7\u00e3o e de pl\u00e1stica mam\u00e1ria com implanta\u00e7\u00e3o de pr\u00f3teses em mulher transexual<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 obrigat\u00f3ria a cobertura, pela operadora do plano de sa\u00fade, de cirurgias de transgenitaliza\u00e7\u00e3o e de pl\u00e1stica mam\u00e1ria com implanta\u00e7\u00e3o de pr\u00f3teses em mulher transexual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.097.812-MG, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 21\/11\/2023, DJe 23\/11\/2023. (Info 798)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Laurete, mulher transsexual, ajuizou a\u00e7\u00e3o em face da operadora de seu plano de sa\u00fade, Unimais, pretendendo a cobertura de cirurgias de transgenitaliza\u00e7\u00e3o e de inclus\u00e3o de pr\u00f3teses mam\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Unimais contesta o pedido e recorre da condena\u00e7\u00e3o sob o argumento de que o procedimento de mudan\u00e7a de sexo seria experimental, sendo, inclusive, disponibilizado pelo SUS em car\u00e1ter experimental, bem como que a cirurgia pl\u00e1stica mam\u00e1ria possuiria cobertura somente para tratamento de c\u00e2ncer \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 o caso em tela, em que Laurete apenas pleiteia o implante de pr\u00f3tese mamaria est\u00e9tica. Por fim, sustenta que o procedimento n\u00e3o est\u00e1 previsto no rol da ANS, que tem natureza taxativa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei n. 9.656\/1998:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art.&nbsp;10.&nbsp;&nbsp;\u00c9 institu\u00eddo o plano-refer\u00eancia de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, com cobertura assistencial m\u00e9dico-ambulatorial e hospitalar, compreendendo partos e tratamentos, realizados exclusivamente no Brasil, com padr\u00e3o de enfermaria, centro de terapia intensiva, ou similar, quando necess\u00e1ria a interna\u00e7\u00e3o hospitalar, das doen\u00e7as listadas na Classifica\u00e7\u00e3o Estat\u00edstica Internacional de Doen\u00e7as e Problemas Relacionados com a Sa\u00fade, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, respeitadas as exig\u00eancias m\u00ednimas estabelecidas no art. 12 desta Lei, exceto:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/MPV\/2177-44.htm#art1\">(<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I&nbsp;&#8211;&nbsp;tratamento cl\u00ednico ou cir\u00fargico experimental;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">II &#8211; procedimentos cl\u00ednicos ou cir\u00fargicos para fins est\u00e9ticos, bem como \u00f3rteses e pr\u00f3teses para o mesmo fim;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">III &#8211; insemina\u00e7\u00e3o artificial;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;IV &#8211; tratamento de rejuvenescimento ou de emagrecimento com finalidade est\u00e9tica;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V &#8211; fornecimento de medicamentos importados n\u00e3o nacionalizados;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VI &#8211; fornecimento de medicamentos para tratamento domiciliar, ressalvado o disposto nas al\u00edneas \u2018c\u2019 do inciso I e \u2018g\u2019 do inciso II do art. 12;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VII&nbsp;&#8211;&nbsp;fornecimento de pr\u00f3teses, \u00f3rteses e seus acess\u00f3rios n\u00e3o ligados ao ato cir\u00fargico;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IX &#8211; tratamentos il\u00edcitos ou anti\u00e9ticos, assim definidos sob o aspecto m\u00e9dico, ou n\u00e3o reconhecidos pelas autoridades competentes;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">X &#8211; casos de cataclismos, guerras e como\u00e7\u00f5es internas, quando declarados pela autoridade competente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-cobertura-obrigatoria\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cobertura obrigat\u00f3ria?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Aparentemente, SIM!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os procedimentos de afirma\u00e7\u00e3o de g\u00eanero do masculino para o feminino s\u00e3o reconhecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e foram tamb\u00e9m incorporados ao SUS, com indica\u00e7\u00e3o para o processo transexualizador, constando, inclusive, na tabela de procedimentos, medicamentos, \u00f3rteses, pr\u00f3teses e materiais especiais do SUS<\/strong>, vinculados ao CID 10 F640 &#8211; transexualismo (atual CID 11 HA60 &#8211; incongru\u00eancia de g\u00eanero), n\u00e3o se tratando, pois, de procedimentos experimentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os procedimentos que integram a redesigna\u00e7\u00e3o sexual no sexo masculino e a pl\u00e1stica mam\u00e1ria incluindo pr\u00f3tese, descritos na Portaria 2.803\/2013 do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, constam do anexo I do rol de procedimentos e eventos em sa\u00fade da ANS (Resolu\u00e7\u00e3o ANS 465\/2021), sem diretrizes de utiliza\u00e7\u00e3o, a saber: orquiectomia, amputa\u00e7\u00e3o total do p\u00eanis, neovagina, reconstru\u00e7\u00e3o da mama com pr\u00f3tese, dentre outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No processo transexualizador, a cirurgia pl\u00e1stica mam\u00e1ria reconstrutiva bilateral incluindo pr\u00f3tese mam\u00e1ria de silicone \u00e9 procedimento que, muito antes de melhorar a apar\u00eancia, visa \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio g\u00eanero, inclu\u00edda no conceito de sa\u00fade integral do ser humano, enquanto medida de preven\u00e7\u00e3o ao adoecimento decorrente do sofrimento causado pela incongru\u00eancia de g\u00eanero, pelo preconceito e pelo estigma social vivido por quem experiencia a inadequa\u00e7\u00e3o de um corpo masculino \u00e0 sua identidade feminina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tratando-se de procedimentos cir\u00fargicos prescritos pelo m\u00e9dico assistente, que n\u00e3o se enquadram nas exce\u00e7\u00f5es do art. 10 da Lei n. 9.656\/1998, que s\u00e3o reconhecidos pelo CFM e foram incorporados ao SUS para a mesma indica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica (CID 10 F640 &#8211; transexualismo, atual CID 11 HA60 &#8211; incongru\u00eancia de g\u00eanero), e que est\u00e3o listados no rol da ANS sem diretrizes de utiliza\u00e7\u00e3o<\/strong>, encontram-se satisfeitos os pressupostos que imp\u00f5em \u00e0 operadora do plano de sa\u00fade a obriga\u00e7\u00e3o de sua cobertura, conforme preconizado no projeto terap\u00eautico singular norteado por protocolos e diretrizes vigentes para o processo transexualizador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A jurisprud\u00eancia do STJ firmou-se no sentido de que o descumprimento contratual por parte da operadora de sa\u00fade, que culmina em negativa de cobertura para procedimento m\u00e9dico-hospitalar, enseja compensa\u00e7\u00e3o por dano moral quando houver agravamento da condi\u00e7\u00e3o de dor, abalo psicol\u00f3gico ou preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade j\u00e1 debilitada da paciente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 obrigat\u00f3ria a cobertura, pela operadora do plano de sa\u00fade, de cirurgias de transgenitaliza\u00e7\u00e3o e de pl\u00e1stica mam\u00e1ria com implanta\u00e7\u00e3o de pr\u00f3teses em mulher transexual.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-responsabilidade-do-exequente-pela-reparacao-de-eventuais-prejuizos-causados-ao-executado-tendo-em-vista-o-risco-da-execucao\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Responsabilidade do exequente pela repara\u00e7\u00e3o de eventuais preju\u00edzos causados ao executado, tendo em vista o risco da execu\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exequente responde objetivamente pela repara\u00e7\u00e3o de eventuais preju\u00edzos causados ao executado, tendo em vista o risco da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.931.620-SP, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por maioria, julgado em 5\/12\/2023. (Info 798)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CobroMesmo ajuizou a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o em face de Coitadeza Ltda. A executada se viu obrigada a realizar contrata\u00e7\u00e3o de carta de fian\u00e7a para seguran\u00e7a de ju\u00edzo, a fim de exercer o contradit\u00f3rio e evitar excuss\u00e3o patrimonial, que lhe seria ainda mais gravosa, com a inevit\u00e1vel penhora de valor de grande monta \u2013 o valor executado era a \u201cninharia\u201d de R$ 34.2 <em>mi\u00e3o<\/em> (trinta e quatro milh\u00f5es e duzentos mil reais).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ocorre que a execu\u00e7\u00e3o foi posteriormente extinta, raz\u00e3o pela qual Coitadeza ent\u00e3o requereu a responsabiliza\u00e7\u00e3o do exequente pelos preju\u00edzos por ela sofridos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CPC:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 520. O cumprimento provis\u00f3rio da senten\u00e7a impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo ser\u00e1 realizado da mesma forma que o cumprimento definitivo, sujeitando-se ao seguinte regime:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I &#8211; corre por iniciativa e responsabilidade do exequente, que se obriga, se a senten\u00e7a for reformada, a reparar os danos que o executado haja sofrido;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 776. O exequente ressarcir\u00e1 ao executado os danos que este sofreu, quando a senten\u00e7a, transitada em julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obriga\u00e7\u00e3o que ensejou a execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-o-exequente-responde\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O exequente responde?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>OBJETIVAMENTE!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cinge-se a controv\u00e9rsia \u00e0 an\u00e1lise atinente ao cumprimento dos requisitos previstos no art. 776 do CPC para viabilizar a responsabiliza\u00e7\u00e3o do exequente pelos danos provocados ao executado na hip\u00f3tese de extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exequente \u00e9 respons\u00e1vel pelos preju\u00edzos que acarretar ao executado, quando buscar em ju\u00edzo a satisfa\u00e7\u00e3o de d\u00edvida inexistente ou inexequ\u00edvel, seja pela via executiva, seja pela via do cumprimento de senten\u00e7a. Essa expressa responsabiliza\u00e7\u00e3o do exequente encontra-se prevista no sistema processual vigente, cujas normas dos arts. 520, I, e 776 do CPC apenas reproduzem as normas extra\u00eddas dos arts. 475-O e 574 do CPC\/1973, n\u00e3o se tratando, pois, de inova\u00e7\u00e3o legislativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A leitura do texto legal evidencia a irrelev\u00e2ncia do elemento subjetivo do exequente para fins de atribui\u00e7\u00e3o de sua responsabilidade, raz\u00e3o por que pode-se afirmar, em regra, a ado\u00e7\u00e3o da modalidade objetiva para responsabiliza\u00e7\u00e3o do exequente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Esse entendimento no sentido da responsabilidade objetiva do exequente vem sendo acolhido pacificamente pelo STJ quando se est\u00e1 diante de cumprimento provis\u00f3rio de senten\u00e7a, bem como nas hip\u00f3teses de execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo extrajudicial<\/strong>. Tamb\u00e9m no que tange \u00e0 responsabiliza\u00e7\u00e3o do exequente em hip\u00f3teses de cumprimento definitivo da senten\u00e7a, tem-se admitido doutrinariamente a dispensa de perquiri\u00e7\u00e3o de culpa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o da extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o encontra-se superada, em virtude da imutabilidade da decis\u00e3o que efetivamente extinguiu o cumprimento de senten\u00e7a arbitral. \u00c9 fato consumado &#8211; albergado pela coisa julgada &#8211; a extin\u00e7\u00e3o do cumprimento da senten\u00e7a arbitral, que se deu sob o fundamento de aus\u00eancia dos requisitos de exequibilidade do t\u00edtulo (certeza, liquidez e exigibilidade).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse cen\u00e1rio, deve prevalecer a imputa\u00e7\u00e3o da responsabilidade civil objetiva do exequente, que dever\u00e1 suportar o \u00f4nus da extin\u00e7\u00e3o definitiva da execu\u00e7\u00e3o, compreendendo a repara\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos concretos experimentados pela parte executada, ora recorrida, nos termos do art. 776 do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outrossim, no caso, a contrata\u00e7\u00e3o de carta de fian\u00e7a foi necess\u00e1ria para seguran\u00e7a de ju\u00edzo, a fim de ensejar o contradit\u00f3rio e resguardar o executado da excuss\u00e3o patrimonial, que lhe seria ainda mais gravosa, com a inevit\u00e1vel penhora de valor de grande monta &#8211; valor executado de R$ 34.200.000,00 (trinta e quatro milh\u00f5es e duzentos mil reais). Os custos comprovados dessa contrata\u00e7\u00e3o, portanto, enquadram-se no conceito jur\u00eddico de preju\u00edzo, sendo pass\u00edvel de ressarcimento, em hip\u00f3teses de extin\u00e7\u00e3o da demanda executiva.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exequente responde objetivamente pela repara\u00e7\u00e3o de eventuais preju\u00edzos causados ao executado, tendo em vista o risco da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-im-possibilidade-de-deducao-dos-valores-pagos-a-diretores-contratados-sob-o-regime-celetista-a-titulo-de-gratificacoes-ou-participacoes-nos-lucros-e-resultados-do-lucro-real-para-fins-de-estabelecer-a-base-de-calculo-do-irpj-e-da-csll\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de dedu\u00e7\u00e3o dos valores pagos a diretores contratados sob o regime celetista, a t\u00edtulo de gratifica\u00e7\u00f5es ou participa\u00e7\u00f5es nos lucros e resultados, do lucro real, para fins de estabelecer a base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os valores pagos a diretores contratados sob o regime celetista, a t\u00edtulo de gratifica\u00e7\u00f5es ou participa\u00e7\u00f5es nos lucros e resultados, n\u00e3o podem ser deduzidos do lucro real, para fins de estabelecer a base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo sob segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por maioria, julgado em 5\/12\/2023. (Info 798)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caravaggio, empresa de grande porte, paga significativos valores aos seus diretores contratados sob o regime celetista, a t\u00edtulo de gratifica\u00e7\u00f5es ou participa\u00e7\u00f5es nos lucros e resultados, raz\u00e3o pela qual ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual pretende ter reconhecido o direito \u00e0 dedu\u00e7\u00e3o desses valores para fins de estabelecer a base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei n. 10.101\/2000:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art.&nbsp;3<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;A participa\u00e7\u00e3o de que trata o art. 2<sup>o<\/sup>&nbsp;n\u00e3o substitui ou complementa a remunera\u00e7\u00e3o devida a qualquer empregado, nem constitui base de incid\u00eancia de qualquer encargo trabalhista, n\u00e3o se lhe aplicando o princ\u00edpio da habitualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a7&nbsp;1<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;Para efeito de apura\u00e7\u00e3o do lucro real, a pessoa jur\u00eddica poder\u00e1 deduzir como despesa operacional as participa\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do pr\u00f3prio exerc\u00edcio de sua constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-possivel-a-deducao\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a dedu\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De in\u00edcio, <strong>destaca-se que a materialidade do Imposto de Renda das Pessoas Jur\u00eddicas &#8211; IRPJ e da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido &#8211; CSLL deve estar relacionada ao acr\u00e9scimo patrimonial e \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o das regras gerais de dedutibilidade do IRPJ \u00e0 CSLL, observado o disposto no art. 13 da Lei n. 9.245\/1995<\/strong>. Salienta-se, tamb\u00e9m, a tese sobre a &#8220;desnecessidade de a lei prever a dedutibilidade daquilo que, aprioristicamente, n\u00e3o se compatibiliza com a pr\u00f3pria materialidade do tributo&#8221;. De fato, a dedutibilidade de custos e despesas da contribuinte do lucro real para fins de incid\u00eancia da IRPJ e da CSLL \u00e9 a regra, que dispensa a previs\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, se a indedutibilidade deve estar expressa na lei, ela deve ser observada quando presente essa condi\u00e7\u00e3o (de previs\u00e3o expressa). Com efeito, extrai-se do art. 303, do Decreto n. 3.000\/1999, vigente \u00e0 \u00e9poca da atua\u00e7\u00e3o, bem como dos arts. 45, \u00a7 3\u00ba, da Lei n. 4.506\/1964 e 58, par\u00e1grafo \u00fanico, do Decreto-Lei n. 1.598\/1977, que as gratifica\u00e7\u00f5es ou participa\u00e7\u00f5es nos lucros ou resultados pagas aos diretores, enquanto dirigentes de pessoa jur\u00eddica, devem ser adicionados ao lucro l\u00edquido do exerc\u00edcio, para efeito de estabelecer o lucro real, base impon\u00edvel da CSLL e do IRPJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lei n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o entre dirigentes ou administradores contratados sob o regime celetista ou estatut\u00e1rio, n\u00e3o cabendo ao poder judici\u00e1rio se imiscuir na compet\u00eancia do poder legislativo, <strong>devendo se ter defer\u00eancia pela escolha legislativa.<\/strong> Ora, a concess\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o nos lucros ou resultados decorre de negocia\u00e7\u00e3o entre os empregados e a empresa, n\u00e3o sendo poss\u00edvel conceber que diretores executivos, com amplos poderes de representa\u00e7\u00e3o legal, possam ser enquadrados no mesmo polo reconhecido aos empregados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso, a pretens\u00e3o dos contribuintes parte da ideia de que eles estariam inseridos na previs\u00e3o dos arts. 359 do Regulamento do Imposto de Renda &#8211; RIR e 3\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 10.101\/2000, que tratam da dedutibilidade da participa\u00e7\u00e3o dos lucros nos casos de empregados. Todavia, segundo se extrai da origem, nem sequer \u00e9 poss\u00edvel ter certeza que estariam presentes as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias de uma rela\u00e7\u00e3o de emprego propriamente dita, porque ausente um dos requisitos fundamentais para a caracteriza\u00e7\u00e3o desse liame, qual seja, a subordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, com suporte na interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da Lei n. 10.101\/2000, a regra de dedu\u00e7\u00e3o preconizada no art. 3\u00ba, \u00a7 1\u00ba aplica-se apenas \u00e0s despesas relativas ao Pagamento de Participa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados &#8211; PLR aos empregados, exclu\u00eddos, assim, os valores pagos a tal t\u00edtulo a diretores executivos e administradores, mesmo que contratados sob o regime celetista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse panorama<strong>, os arts. 45, \u00a7 3\u00ba, da Lei n. 4.506\/1964 e 58, par\u00e1grafo \u00fanico, do Decreto-Lei n. 1.598\/1977 obstam a dedu\u00e7\u00e3o das gratifica\u00e7\u00f5es ou participa\u00e7\u00f5es nos lucros ou resultados pagas ao diretor empregado do lucro real, base impon\u00edvel do IRPJ e da CSLL<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os valores pagos a diretores contratados sob o regime celetista, a t\u00edtulo de gratifica\u00e7\u00f5es ou participa\u00e7\u00f5es nos lucros e resultados, n\u00e3o podem ser deduzidos do lucro real, para fins de estabelecer a base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-decisoes-proferidas-pelo-superior-tribunal-justica-em-recurso-interposto-contra-o-acordao-confirmatorio-da-pronuncia-como-causa-interruptiva-da-prescricao\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Decis\u00f5es proferidas pelo Superior Tribunal Justi\u00e7a, em recurso interposto contra o ac\u00f3rd\u00e3o confirmat\u00f3rio da pron\u00fancia, como causa interruptiva da prescri\u00e7\u00e3o.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As decis\u00f5es proferidas pelo Superior Tribunal Justi\u00e7a, em recurso interposto contra o ac\u00f3rd\u00e3o confirmat\u00f3rio da pron\u00fancia, n\u00e3o se inserem no conceito do art. 117, inciso III, do C\u00f3digo Penal como causa interruptiva da prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HC 826.977-SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por maioria, julgado em 5\/12\/2023. (Info 798)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creosvaldo, acusado de ter cometido crime de homic\u00eddio, teve concedida ordem para afastara interrup\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o. O crime ocorreu em 2001; a den\u00fancia em 2003; a pron\u00fancia em 2010; a confirma\u00e7\u00e3o pelo TJ local, em 2012 e a decis\u00e3o do STJ em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inconformado, o MP recorreu sustentando que as decis\u00f5es do STJ, em recurso confirmat\u00f3rio da pron\u00fancia, poderiam ser consideradas causas interruptivas da prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Causas impeditivas da prescri\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 116 &#8211; Antes de passar em julgado a senten\u00e7a final, a prescri\u00e7\u00e3o n\u00e3o corre:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I &#8211; enquanto n\u00e3o resolvida, em outro processo, quest\u00e3o de que dependa o reconhecimento da exist\u00eancia do crime;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">II &#8211; enquanto o agente cumpre pena no exterior;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">III &#8211; na pend\u00eancia de embargos de declara\u00e7\u00e3o ou de recursos aos Tribunais Superiores, quando inadmiss\u00edveis; e&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IV &#8211; enquanto n\u00e3o cumprido ou n\u00e3o rescindido o acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; Depois de passada em julgado a senten\u00e7a condenat\u00f3ria, a prescri\u00e7\u00e3o n\u00e3o corre durante o tempo em que o condenado est\u00e1 preso por outro motivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 117 &#8211; O curso da prescri\u00e7\u00e3o interrompe-se:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">III &#8211; pela decis\u00e3o confirmat\u00f3ria da pron\u00fancia;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IV &#8211; pela publica\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a ou ac\u00f3rd\u00e3o condenat\u00f3rios recorr\u00edveis;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-causa-interruptiva-da-prescricao\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Causa interruptiva da prescri\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nana-nina-N\u00c3O!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A controv\u00e9rsia se refere \u00e0 inclus\u00e3o ou n\u00e3o das decis\u00f5es proferidas pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a no conceito de decis\u00e3o confirmat\u00f3ria da pron\u00fancia, constante no art. 117, inciso III, do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O inciso III do art. 117 do C\u00f3digo Penal disp\u00f5e que &#8220;o curso da prescri\u00e7\u00e3o interrompe-se: [&#8230;] pela decis\u00e3o confirmat\u00f3ria da pron\u00fancia&#8221;. <strong>No entanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel considerar que a generalidade do voc\u00e1bulo autoriza a interrup\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o a cada decis\u00e3o proferida ap\u00f3s a pron\u00fancia, sob pena de se desvirtuar a pr\u00f3pria sistem\u00e1tica trazida no referido dispositivo legal<\/strong>. De fato, as causas interruptivas da prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o punitiva listadas no referido dispositivo legal guardam \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com o curso da a\u00e7\u00e3o penal em primeira e segunda inst\u00e2ncias, que s\u00e3o as inst\u00e2ncias nas quais, em regra, \u00e9 formada a culpa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relevante anotar, no ponto, que <strong>o \u00fanico pronunciamento do STJ que pode ser considerado, na hip\u00f3tese, como marco interruptivo da prescri\u00e7\u00e3o, \u00e9 aquele que restabelece a pron\u00fancia, nas hip\u00f3teses em que o r\u00e9u \u00e9 despronunciado pela Corte local<\/strong>. Isso se deve ao fato de que o julgamento pelo Tribunal do J\u00fari apenas se torna poss\u00edvel ap\u00f3s a decis\u00e3o proferida pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a. Dessa forma, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desconsiderar referida decis\u00e3o como marco interruptivo da prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, j\u00e1 tendo a pron\u00fancia sido confirmada pelo Tribunal de Justi\u00e7a, autorizando, inclusive, o julgamento pelo Conselho de Senten\u00e7a, conforme jurisprud\u00eancia un\u00edssona desta Corte Superior e do STF, n\u00e3o h\u00e1 se falar em nova confirma\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o de pron\u00fancia, no julgamento dos recursos manejados para as inst\u00e2ncias extraordin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De fato, &#8220;&#8216;a preclus\u00e3o da decis\u00e3o de pron\u00fancia, dada a aus\u00eancia de efeito suspensivo aos recursos de natureza extraordin\u00e1ria (recursos especial e extraordin\u00e1rio &#8211; art. 637 do CPP), coincide com o exaurimento da mat\u00e9ria em recursos inerentes ao procedimento do J\u00fari apreciados pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias. A interposi\u00e7\u00e3o de recursos especial ou extraordin\u00e1rio contra ac\u00f3rd\u00e3o confirmat\u00f3rio da decis\u00e3o de pron\u00fancia n\u00e3o obstaculiza a realiza\u00e7\u00e3o do julgamento pelo Tribunal do J\u00fari&#8217; (AgR no HC 118.357\/PE, Primeira Turma, Rel\u00aa. Ministra. Rosa Weber, DJe 27\/10\/2017)&#8221;. (EDcl no AgRg no AgRg no AREsp 1.027.534\/BA, Relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe de 22\/11\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De igual sorte<strong>, acaso o r\u00e9u seja impronunciado em primeiro grau e pronunciado em segundo grau, o recurso especial julgado pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a tamb\u00e9m n\u00e3o poderia ser considerado como decis\u00e3o que confirma a pron\u00fancia, haja vista as limita\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0 sua natureza<\/strong>. Com efeito, como \u00e9 de conhecimento, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel o reexame de fatos e provas em recurso especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que diz respeito \u00e0 l\u00f3gica interpretativa adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do HC 176.473\/RR, verifica-se que o Pret\u00f3rio Excelso, ao analisar a extens\u00e3o do significado dos voc\u00e1bulos constantes do inciso IV do art. 117 do C\u00f3digo Penal, considerou que, sistematicamente, n\u00e3o haveria justificativa para tratamentos d\u00edspares entre ac\u00f3rd\u00e3o condenat\u00f3rio e ac\u00f3rd\u00e3o confirmat\u00f3rio, sendo ambos pronunciamentos do Tribunal Estadual a demonstrar a aus\u00eancia de in\u00e9rcia estatal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, em nenhum momento o STF avan\u00e7ou no tema para considerar que as decis\u00f5es proferidas pelo STJ, tamb\u00e9m deveriam ser considerados ac\u00f3rd\u00e3o condenat\u00f3rio ou confirmat\u00f3rio recorr\u00edvel. De fato, a discuss\u00e3o se limitou aos pronunciamentos judiciais de primeiro e segundo graus, destacando-se que a altera\u00e7\u00e3o legislativa apenas confirmou a jurisprud\u00eancia do Pret\u00f3rio Excelso no sentido de que o anterior voc\u00e1bulo &#8220;decis\u00e3o&#8221; j\u00e1 albergava as esp\u00e9cies senten\u00e7a e ac\u00f3rd\u00e3o (HC 92.340\/SC, DJe 8\/8\/2008).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, n\u00e3o obstante a decis\u00e3o proferida por esta Corte Superior revelar &#8220;pleno exerc\u00edcio da jurisdi\u00e7\u00e3o penal&#8221;, tem-se que as decis\u00f5es proferidas pelos Tribunais Superiores n\u00e3o foram contempladas como causas interruptivas da prescri\u00e7\u00e3o, mas apenas as decis\u00f5es proferidas pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias. Trata-se de op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica-legislativa que, a meu ver, n\u00e3o pode ser desconsiderada por meio de interpreta\u00e7\u00e3o extensiva em mat\u00e9ria que deve ser interpretada restritivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relevante ponderar, por fim, que houve recente altera\u00e7\u00e3o legislativa no art. 116 do C\u00f3digo Penal, por meio da Lei n. 13.964\/2019, para incluir causa suspensiva da prescri\u00e7\u00e3o, consistente na pend\u00eancia de &#8220;recursos aos Tribunais Superiores, quando inadmiss\u00edveis&#8221;. Utilizou-se de nomenclatura espec\u00edfica para determinar a suspens\u00e3o do prazo prescricional, com o objetivo de se evitar a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos para os Tribunais Superiores de forma protelat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desse modo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nem recomend\u00e1vel inserir, como regra, as decis\u00f5es proferidas pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a como marcos interruptivos da prescri\u00e7\u00e3o, quer no inciso III quer no inciso IV do art. 117 do C\u00f3digo Penal, haja vista se tratar de dispositivos legais que devem ser interpretados restritivamente e que guardam estreita rela\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o da culpa, a qual n\u00e3o \u00e9 propriamente examinada nos recursos para os Tribunais Superiores.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As decis\u00f5es proferidas pelo Superior Tribunal Justi\u00e7a, em recurso interposto contra o ac\u00f3rd\u00e3o confirmat\u00f3rio da pron\u00fancia, n\u00e3o se inserem no conceito do art. 117, inciso III, do C\u00f3digo Penal como causa interruptiva da prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-in-compatibilidade-entre-o-efeito-de-perda-do-cargo-previsto-no-art-92-i-do-codigo-penal-e-a-substituicao-da-pena-privativa-de-liberdade-por-restritiva-de-direitos\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (In)Compatibilidade <\/a>entre o efeito de perda do cargo previsto no art. 92, I, do C\u00f3digo Penal e a substitui\u00e7\u00e3o da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 incompatibilidade entre o efeito de perda do cargo previsto no art. 92, I, do C\u00f3digo Penal e a substitui\u00e7\u00e3o da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no REsp 2.060.059-MG, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 30\/11\/2023, DJe 6\/12\/2023. (Info 798)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creide, oficial de justi\u00e7a, foi condenada por falsidade ideol\u00f3gica a pena superior a 1 ano, por crime praticado com viola\u00e7\u00e3o de dever funcional, uma vez que a aben\u00e7oada inseriu declara\u00e7\u00f5es falsas em mandados judiciais de intima\u00e7\u00e3o com a finalidade de omitir o descumprimento de seu dever funcional. A mo\u00e7a reiteradamente deixava de executar as dilig\u00eancias determinadas nos mandados em tempo h\u00e1bil, frustrando a realiza\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia e\/ou retardando a pr\u00e1tica de atos processuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na condena\u00e7\u00e3o, o TJ local n\u00e3o aplicou o efeito de perda do cargo p\u00fablico, consoante o disposto no art. 92, I, a, do CP, ao argumento de que seria situa\u00e7\u00e3o mais gravosa do que a pena que lhe restou substitu\u00edda. O MP ent\u00e3o recorreu da decis\u00e3o e, em decis\u00e3o monocr\u00e1tica, o ministro do STJ deu provimento ao recurso especial para decretar a perda do cargo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inconformada, Creide interp\u00f4s agravo regimental no qual sustenta que as penas impostas foram duas restritivas de direitos, sendo que os efeitos espec\u00edficos da condena\u00e7\u00e3o, previstos no art. 92, I, do CP, seriam muito mais gravosos que a san\u00e7\u00e3o principal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CP:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 92 &#8211; S\u00e3o tamb\u00e9m efeitos da condena\u00e7\u00e3o:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I &#8211; a perda de cargo, fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou mandato eletivo:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou viola\u00e7\u00e3o de dever para com a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-efeitos-incompativeis\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Efeitos incompat\u00edveis?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>N\u00e3o necessariamente!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A imposi\u00e7\u00e3o da pena de perda do cargo, emprego ou fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, deve ser adequadamente fundamentada, sendo uma consequ\u00eancia administrativa da condena\u00e7\u00e3o imposta<\/strong>. Exigindo-se, para tanto, apenas o preenchimento dos requisitos objetivos para sua aplica\u00e7\u00e3o, quais sejam: pena privativa de liberdade igual ou superior a 1 ano, nos casos de crimes praticados com abuso de poder ou viola\u00e7\u00e3o de dever para com a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou pena privativa de liberdade igual ou superior a 4 anos, nos demais crimes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso, o Tribunal estadual manteve a condena\u00e7\u00e3o por falsidade ideol\u00f3gica \u00e0 pena superior a 1 ano, por crime praticado com viola\u00e7\u00e3o de dever funcional, uma vez que a acusada inseriu declara\u00e7\u00f5es falsas em mandados judiciais de intima\u00e7\u00e3o, por quatro vezes distintas, com a finalidade de omitir o descumprimento de seu dever funcional, tendo, por motivo injustificado, deixado de executar as dilig\u00eancias determinadas nos mandados em tempo h\u00e1bil, frustrando a realiza\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia e\/ou retardando a pr\u00e1tica de atos processuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, n\u00e3o aplicou o efeito de perda do cargo p\u00fablico, consoante o disposto no art. 92, I,&nbsp;<em>a<\/em>, do CP, ao argumento de que seria situa\u00e7\u00e3o mais gravosa do que a pena que lhe restou substitu\u00edda. Nesse aspecto, nada impede que, baseando-se na pr\u00f3pria fundamenta\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o, o STJ reveja as consequ\u00eancias jur\u00eddicas dela decorrentes, o que corresponde \u00e0 revalora\u00e7\u00e3o de provas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, o entendimento majorit\u00e1rio da Tribunal&nbsp;<em>a quo<\/em>&nbsp;n\u00e3o encontra amparo na jurisprud\u00eancia do STJ, pois, de fato, n\u00e3o h\u00e1 incompatibilidade entre o efeito de perda do cargo previsto no art. 92, inciso I, do C\u00f3digo Penal e a substitui\u00e7\u00e3o da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos (AgRg no AREsp 2.010.695\/DF, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1\u00aa Regi\u00e3o), Sexta Turma, DJe de 10\/6\/2022).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 incompatibilidade entre o efeito de perda do cargo previsto no art. 92, I, do C\u00f3digo Penal e a substitui\u00e7\u00e3o da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-im-possibilidade-do-enquadramento-do-galpao-destinado-para-atividades-comerciais-no-conceito-de-domicilio\"><a>10.&nbsp; (Im)Possibilidade do enquadramento do <\/a>galp\u00e3o destinado para atividades comerciais no conceito de domic\u00edlio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O galp\u00e3o destinado para atividades comerciais n\u00e3o se enquadra no conceito de domic\u00edlio, ainda que por extens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 845.545-SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 17\/10\/2023, DJe 20\/10\/2023. (Info 798)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creiton foi condenado pelo crime de tr\u00e1fico de drogas, uma vez que em seu galp\u00e3o comercial foram encontradas v\u00e1rias papeletas de coca\u00edna. Sua defesa ent\u00e3o impetrou HC no qual sustenta a nulidade das provas, uma vez que entende tratar-se de domic\u00edlio por extens\u00e3o, j\u00e1 que o local da apreens\u00e3o das drogas, apesar de ser local destinado ao com\u00e9rcio, n\u00e3o possu\u00eda qualquer sorte de circula\u00e7\u00e3o de pessoas, tampouco permanecia aberto para a entrada de qualquer indiv\u00edduo que assim desejasse.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">XI &#8211; a casa \u00e9 asilo inviol\u00e1vel do indiv\u00edduo, ningu\u00e9m nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determina\u00e7\u00e3o judicial;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-domicilio\"><a>10.2.2. Domic\u00edlio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nem a pau!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordin\u00e1rio 603.616\/RO, apreciando o Tema n. 280 da Repercuss\u00e3o Geral, de Relatoria do Ministro Gilmar Mendes, firmou a tese de que o ingresso em domic\u00edlio sem mandado judicial, tanto durante o dia quanto no per\u00edodo noturno, somente \u00e9 leg\u00edtimo se baseado em fundadas raz\u00f5es, devidamente amparadas pelas circunst\u00e2ncias do caso concreto, que indiquem situa\u00e7\u00e3o de flagrante no interior da resid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, no HC 598.051\/SP, estabeleceu diretrizes e par\u00e2metros a fim de que seja <strong>reconhecida a exist\u00eancia de fundada suspeita de flagrante delito e, portanto, se tenha como devidamente justificado e aceit\u00e1vel juridicamente o ingresso de for\u00e7as policiais na resid\u00eancia de cidad\u00e3os, abarcando, ainda, as hip\u00f3teses em que existe a alega\u00e7\u00e3o que houve consentimento expresso e volunt\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias salientaram que o local seria um galp\u00e3o utilizado para atividade comercial. Desse modo, como se trata de estabelecimento comercial aberto ao p\u00fablico, n\u00e3o se vislumbra o enquadramento no conceito de domic\u00edlio, ainda que por extens\u00e3o. Assim, <strong>n\u00e3o \u00e9 abarcada, na hip\u00f3tese, pela prote\u00e7\u00e3o constitucional prevista no art. 5\u00ba, inciso XI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, foi ressaltado a realiza\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancias durante v\u00e1rios dias, tendo sido observada movimenta\u00e7\u00e3o at\u00edpica, bem como o fato de que &#8220;na delegacia, assistido por advogado, o acusado nada mencionou sobre invas\u00e3o dos policiais \u00e0 empresa ou eventual excesso em suas condutas, ao contr\u00e1rio, disse que, ap\u00f3s ter sido devidamente cientificado da dilig\u00eancia, autorizou o ingresso e, de pronto, confessou que havia drogas em algumas placas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mesmo sentido, &#8220;o estabelecimento comercial &#8211; em funcionamento e aberto ao p\u00fablico &#8211; n\u00e3o pode receber a prote\u00e7\u00e3o que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal confere \u00e0 casa. Assim, n\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o \u00e0 garantia constitucional da inviolabilidade do domic\u00edlio, a caracterizar a ocorr\u00eancia de constrangimento ilegal&#8221; (AgRg nos EDcl no HC 704.252\/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Parciornik, Quinta Turma, julgado em 29\/3\/2022, DJe 4\/4\/2022).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O galp\u00e3o destinado para atividades comerciais n\u00e3o se enquadra no conceito de domic\u00edlio, ainda que por extens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-im-possibilidade-de-desconsideracao-pelo-juiz-no-tocante-a-cronologia-das-etapas-da-valoracao-das-provas\"><a>11.&nbsp; (Im)Possibilidade de desconsidera\u00e7\u00e3o pelo juiz no tocante \u00e0 <\/a>cronologia das etapas da valora\u00e7\u00e3o das provas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O juiz n\u00e3o pode desconsiderar a cronologia das etapas da valora\u00e7\u00e3o das provas, devendo primeiro avaliar as provas que sustentam a hip\u00f3tese acusat\u00f3ria e, somente depois, e apenas nos casos em que se verifique que a hip\u00f3tese acusat\u00f3ria tem efetivo suporte, analisar as provas que que sustentam as teses defensivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.042.215-PE, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por maioria, julgado em 3\/10\/2023, DJe 25\/10\/2023. (Info 798)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma a\u00e7\u00e3o criminal, o Juiz deu pouca import\u00e2ncia \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de duas testemunhas: uma que, em ju\u00edzo, ofereceu retrata\u00e7\u00e3o; outra que afirmou que o r\u00e9u n\u00e3o teria qualquer envolvimento com o inc\u00eandio criminoso pelo qual foi acusado porque, durante todo o dia, esteve na casa de sua genitora (onde foi visit\u00e1-lo).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A defesa, em revis\u00e3o criminal, alega que n\u00e3o foi aplicada a mesma l\u00f3gica para a valora\u00e7\u00e3o dessas declara\u00e7\u00f5es se comparadas \u00e0quelas proferidas pelos desafetos do acusado. Isto porque, enquanto essas duas testemunhas tiveram seus relatos automaticamente descartados, as declara\u00e7\u00f5es oferecidas por seus inimigos teriam sido recebidas como se fossem o fiel reflexo da verdade dos fatos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CPP:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art.&nbsp;621.&nbsp;&nbsp;A revis\u00e3o dos processos findos ser\u00e1 admitida:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>I&nbsp;&#8211;&nbsp;quando a senten\u00e7a condenat\u00f3ria for contr\u00e1ria ao texto expresso da lei penal ou \u00e0 evid\u00eancia dos autos;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>II&nbsp;&#8211;&nbsp;quando a senten\u00e7a condenat\u00f3ria se fundar em depoimentos, exames ou documentos comprovadamente falsos;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-como-deve-agir-o-juiz\"><a>11.2.2. Como deve agir o juiz<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com estrita observ\u00e2ncia \u00e0 cronologia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>das etapas da valora\u00e7\u00e3o das provas!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o objetivo de sustar os efeitos secund\u00e1rios da condena\u00e7\u00e3o, o sentenciado ajuizou revis\u00e3o criminal com fundamento no art. 621, I e II, do CPP no Tribunal de origem. Segundo a defesa, a senten\u00e7a condenat\u00f3ria contrariou a evid\u00eancia dos autos (inciso I) ao se fundar em depoimentos comprovadamente falsos (inciso II). Afirmando que a pretens\u00e3o era o mero reexame de provas, a Corte&nbsp;<em>a quo<\/em>&nbsp;negou provimento ao pedido de revis\u00e3o criminal. No entanto, diferentemente do que o Tribunal regional compreendeu, n\u00e3o se pode manter uma condena\u00e7\u00e3o cujo \u00fanico fundamento sejam testemunhos oferecidos por desafetos do acusado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Efetivamente, cabe questionar se justamente para se resolver o&nbsp;<em>punctum saliens<\/em>&nbsp;acaso n\u00e3o seria fundamental compreender o contexto s\u00f3cio-pol\u00edtico em que os fatos se deram. Curiosamente, este que foi considerado &#8220;desimportante&#8221; pelo julgador de piso pode ser de compreens\u00e3o fundamental da din\u00e2mica f\u00e1tica ocorrida. A desconsidera\u00e7\u00e3o do contexto de rivalidade \u00e9tnico-territorial entre os xucurus de Ororub\u00e1 e os xucurus de Cimbres haveria sido o ponto de partida de uma incorreta atribui\u00e7\u00e3o de credibilidade a testemunhos que, ao contr\u00e1rio, seriam merecedores de recep\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica (testemunhos inid\u00f4neos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Valorar racionalmente provas de tipo testemunhal \u00e9 desafio composto por crit\u00e9rios, como o denominado aus\u00eancia de incredibilidade subjetiva, o qual diz respeito a motivos escusos que a testemunha possa ter para oferecer declara\u00e7\u00f5es que n\u00e3o condizem com o ocorrido<\/strong>. Entre os motivos escusos, podem ser listados &#8220;a presen\u00e7a de elementos de intimida\u00e7\u00e3o, o desejo de vingan\u00e7a, estar sob a influ\u00eancia de outras pessoas, etc&#8221;. Logo, ao valorar um testemunho buscando decidir se se justifica ou n\u00e3o t\u00ea-lo como \u00fatil \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o dos fatos, o juiz n\u00e3o se pode eximir de avaliar eventual exist\u00eancia dessas outras motiva\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, buscando sistematizar os desafios da atividade de valora\u00e7\u00e3o da prova, a doutrina explica que a hip\u00f3tese f\u00e1tica oferecida pela acusa\u00e7\u00e3o dever\u00e1 passar por diversas etapas: i) a confirma\u00e7\u00e3o, ii) a falsifica\u00e7\u00e3o e iii) a compara\u00e7\u00e3o entre ela e a(s) hip\u00f3tese(s) advers\u00e1ria(s). A rela\u00e7\u00e3o entre tais etapas \u00e9 de prejudicialidade. Ou seja: uma hip\u00f3tese f\u00e1tica primeiro deve ser confirmada, para, s\u00f3 depois, ser submetida \u00e0 falsifica\u00e7\u00e3o; finalmente, apenas depois de sua falsifica\u00e7\u00e3o \u00e9 que se sua compara\u00e7\u00e3o com as hip\u00f3teses alternativas que tamb\u00e9m pretendam reconstruir historicamente o caso individual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na cronologia da atividade probat\u00f3ria, antes devem ser analisadas &#8211; individual e coletivamente &#8211; todas as provas que sustentam a hip\u00f3tese acusat\u00f3ria; depois, e apenas nos casos em que se verifique que a hip\u00f3tese acusat\u00f3ria tem efetivo suporte de provas dignas de confian\u00e7a epist\u00eamica, \u00e9 que se abre o caminho para, enfim, proceder-se \u00e0 an\u00e1lise das provas que prestariam sustento \u00e0s hip\u00f3teses defensivas (isto \u00e9, daquelas que se prestam \u00e0 falsifica\u00e7\u00e3o da hip\u00f3tese acusat\u00f3ria).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hip\u00f3teses acusat\u00f3rias que nem sequer foram confirmadas (porque a valora\u00e7\u00e3o individual indica que as provas que lhe ofereceriam suporte, em realidade, carecem de confiabilidade epist\u00eamica) n\u00e3o precisam ser refutadas pela defesa. O juiz n\u00e3o pode desconsiderar a cronologia dessas etapas, sob pena de facilitar verdadeira invers\u00e3o do \u00f4nus da prova no caso concreto, exigindo da defesa o que primeiro caberia \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o. Nessas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em compara\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses acusat\u00f3ria e defensiva, j\u00e1 que a acusat\u00f3ria n\u00e3o satisfez condi\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel para que pudesse ser considerada provada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sendo assim, \u00e9 fundamental ter-se em mente que uma revalora\u00e7\u00e3o &#8211; ou metavalora\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, valora\u00e7\u00e3o da valora\u00e7\u00e3o &#8211; por vezes, pode-se mostrar necess\u00e1ria. Nessas situa\u00e7\u00f5es, a conclus\u00e3o sobre os fatos a que o juiz chegou n\u00e3o estaria l\u00f3gica e racionalmente autorizada pelas provas que constam do conjunto. Em outras palavras, determinadas situa\u00e7\u00f5es evidenciam a necessidade de se reconhecer que o racioc\u00ednio probat\u00f3rio de primeira inst\u00e2ncia se sujeita a um ju\u00edzo posterior quanto \u00e0 sua corre\u00e7\u00e3o l\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nenhum magistrado est\u00e1 livre de cometer erros e, em que pese a revis\u00e3o criminal seja de fato expediente a ser utilizado excepcionalmente, sobre o Tribunal pende o dever de conservar a sensibilidade necess\u00e1ria \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o da exce\u00e7\u00e3o, quando seus ju\u00edzes tiverem uma, bem diante de suas vistas<\/strong>. Na hip\u00f3tese, verifica-se erro inferencial que se deveu \u00e0 omiss\u00e3o valorativa de algumas provas que deixaram de ser valoradas como deveriam pelo Ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O s\u00e9rio compromisso de se evitar erros sobre os fatos imp\u00f5e controle epist\u00eamico sobre a qualidade de cada um dos elementos probat\u00f3rios, n\u00e3o devendo o julgador se deixar impressionar por narrativas persuasivas, por\u00e9m falsas. Sendo assim, proceder \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de valora\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria individual e em conjunto na reconstru\u00e7\u00e3o dos fatos \u00e9 fundamental cautela epist\u00eamica. Do contr\u00e1rio, o racioc\u00ednio probat\u00f3rio n\u00e3o estaria infenso a conclus\u00f5es, em realidade, precipitadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso, o Juiz singular deixou de dar a devida import\u00e2ncia \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de duas testemunhas: uma que, em ju\u00edzo, ofereceu retrata\u00e7\u00e3o; outra que afirmou que o recorrente n\u00e3o teria qualquer envolvimento com o inc\u00eandio criminoso porque, durante todo o dia, esteve na casa de sua genitora (onde foi visit\u00e1-lo), medicado e em repouso. Ao que tudo indica, n\u00e3o foi aplicada a mesma l\u00f3gica para a valora\u00e7\u00e3o dessas declara\u00e7\u00f5es se comparadas \u00e0quelas proferidas pelos desafetos do recorrente. Isto porque, enquanto essas duas testemunhas tiveram seus relatos automaticamente descartados, as declara\u00e7\u00f5es oferecidas por seus inimigos foram recebidas como se fossem o fiel reflexo da verdade dos fatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Haveria sido mais do que bem-vinda redobrada aten\u00e7\u00e3o do julgador quanto \u00e0 presen\u00e7a de motivos escusos capazes de animar narrativas n\u00e3o correspondentes \u00e0 realidade dos fatos. Era esperado que o Juiz houvesse levado em considera\u00e7\u00e3o que, aos olhos daquelas pessoas, a condena\u00e7\u00e3o do recorrente representava horizonte extremamente vantajoso. Impende constatar que o d\u00e9ficit de corrobora\u00e7\u00e3o da hip\u00f3tese acusat\u00f3ria por elementos probat\u00f3rios externos e independentes deixou caminho aberto \u00e0 conclus\u00e3o de que haveria prova da autoria delitiva acusado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de conclus\u00e3o apressada porque, conquanto seja precisa a interpreta\u00e7\u00e3o do Magistrado no que respeita ao extremo grau de viol\u00eancia de que as multid\u00f5es s\u00e3o capazes, s\u00e3o epistemicamente fr\u00e1geis as evid\u00eancias de que ele se valeu para creditar ao r\u00e9u a autoria dos fatos. Considerando que a not\u00edcia da morte rapidamente se difundiu, n\u00e3o deixa de ser plaus\u00edvel que os ind\u00edgenas xucurus de Ororub\u00e1, diante da perda de seu l\u00edder, hajam se decidido, em um \u00edmpeto de raiva e vingan\u00e7a, pelas a\u00e7\u00f5es que acabaram sendo perpetradas. E, se essa \u00e9 uma hip\u00f3tese razo\u00e1vel, ainda que a oferecida pela acusa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m o possa ser, o processo penal ordena institucionalmente que se priorize a primeira em detrimento da segunda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O&nbsp;<em>standard<\/em>&nbsp;de prova pr\u00f3prio do processo penal prescreve que, enquanto haja d\u00favida razo\u00e1vel acerca da inoc\u00eancia do acusado, pesa sobre o juiz a obriga\u00e7\u00e3o de absolv\u00ea-lo.<\/strong> Efetivamente, somente se superada &#8211; com argumentos convincentes e explicitados pelo juiz &#8211; a d\u00favida sobre a autoria delitiva, tem-se como v\u00e1lido o ju\u00edzo condenat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, por entender que o caso apresenta manifesta falha epist\u00eamica na valora\u00e7\u00e3o de provas relevantes constantes de seu acervo probat\u00f3rio, houve sim, viola\u00e7\u00e3o do art. 621 do C\u00f3digo de Processo Penal, especificamente da hip\u00f3tese de que trata seu inciso I. A condena\u00e7\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 evid\u00eancia dos autos, porque as evid\u00eancias dos autos n\u00e3o permitiam uma segura condena\u00e7\u00e3o do recorrente, al\u00e9m da d\u00favida razo\u00e1vel exigida para uma decis\u00e3o condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O juiz n\u00e3o pode desconsiderar a cronologia das etapas da valora\u00e7\u00e3o das provas, sob pena de facilitar verdadeira invers\u00e3o do \u00f4nus da prova no caso concreto, exigindo da defesa o que primeiro caberia \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-imediata-privacao-de-liberdade-nos-termos-do-acordo-de-colaboracao-premiada-e-ofensa-a-cf-ou-lei-de-regencia\"><a>12.&nbsp; Imediata priva\u00e7\u00e3o de liberdade nos termos do acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada e ofensa \u00e0 CF ou lei de reg\u00eancia.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto san\u00e7\u00e3o premial at\u00edpica, a imediata priva\u00e7\u00e3o da liberdade, nos termos do acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada, condicionada \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o judicial, n\u00e3o ofende a Constitui\u00e7\u00e3o ou a lei de reg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Corte Especial, por maioria, julgado em 23\/11\/2023. (Info 798)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crementino firmou acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada, condicionado \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o judicial. Ap\u00f3s o ato, foi determinada a imediata priva\u00e7\u00e3o de liberdade, conforme previsto no acordo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ocorre que a defesa de Crementino entende que tal priva\u00e7\u00e3o antes da conclus\u00e3o do processo incorreria em ofensa \u00e0 CF\/88.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo sob segredo de justi\u00e7a. Caso imaginado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei n. 12.850\/2013:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 4\u00ba O juiz poder\u00e1, a requerimento das partes, conceder o perd\u00e3o judicial, reduzir em at\u00e9 2\/3 (dois ter\u00e7os) a pena privativa de liberdade ou substitu\u00ed-la por restritiva de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investiga\u00e7\u00e3o e com o processo criminal, desde que dessa colabora\u00e7\u00e3o advenha um ou mais dos seguintes resultados:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I &#8211; a identifica\u00e7\u00e3o dos demais coautores e part\u00edcipes da organiza\u00e7\u00e3o criminosa e das infra\u00e7\u00f5es penais por eles praticadas;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">II &#8211; a revela\u00e7\u00e3o da estrutura hier\u00e1rquica e da divis\u00e3o de tarefas da organiza\u00e7\u00e3o criminosa;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">III &#8211; a preven\u00e7\u00e3o de infra\u00e7\u00f5es penais decorrentes das atividades da organiza\u00e7\u00e3o criminosa;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IV &#8211; a recupera\u00e7\u00e3o total ou parcial do produto ou do proveito das infra\u00e7\u00f5es penais praticadas pela organiza\u00e7\u00e3o criminosa;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V &#8211; a localiza\u00e7\u00e3o de eventual v\u00edtima com a sua integridade f\u00edsica preservada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-verifica-se-ofensa-a-cf\"><a>12.2.2. Verifica-se ofensa \u00e0 CF?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopss!!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A controv\u00e9rsia consiste em analisar a possibilidade de se obstar o cumprimento da pena privativa de liberdade at\u00e9 que haja senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria transitada em julgado em desfavor do apenado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A colabora\u00e7\u00e3o premiada, meio de obten\u00e7\u00e3o de provas, possui a natureza jur\u00eddica de neg\u00f3cio jur\u00eddico e, como tal, garante \u00e0s partes razo\u00e1vel margem de defini\u00e7\u00e3o do conte\u00fado da aven\u00e7a, abrangendo os deveres assumidos e as vantagens alcan\u00e7\u00e1veis, mas n\u00e3o sem limites.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme entendimento firmado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (Pet 13.974\/DF), <strong>\u00e9 leg\u00edtima a fixa\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es premiais at\u00edpicas no bojo do acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada, n\u00e3o estando as partes limitadas aos benef\u00edcios do art. 4\u00ba,&nbsp;<em>caput<\/em>, da Lei n. 12.850\/2013, desde que n\u00e3o haja &#8220;viola\u00e7\u00e3o \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (pena de car\u00e1ter perp\u00e9tuo &#8211; art. 5\u00ba, XLVII, &#8216;b&#8217;) ou ao ordenamento jur\u00eddico<\/strong> (obriga\u00e7\u00e3o de levantamento de sigilo de dados de terceiros), bem como \u00e0 moral e \u00e0 ordem p\u00fablica (penas vexat\u00f3rias)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dentre tais san\u00e7\u00f5es premiais at\u00edpicas admitidas pelo ordenamento jur\u00eddico figura o pronto cumprimento, ap\u00f3s a necess\u00e1ria homologa\u00e7\u00e3o judicial do acordo, da priva\u00e7\u00e3o da liberdade nos ben\u00e9ficos termos pactuados, em regime diferenciado, domiciliar, independentemente do quantitativo da pena previsto no tipo e com progress\u00e3o de regime em termos mais vantajosos<\/strong> do que aqueles previstos na Lei n. 7.210\/1984.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A priva\u00e7\u00e3o de liberdade pactuada, oriunda do acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada, sequer equivale \u00e0 pris\u00e3o-pena, visto que oriunda da livre negocia\u00e7\u00e3o das partes, ausente a forma\u00e7\u00e3o judicial da culpa, sendo efeito do eventual descumprimento ou da recusa dos termos do regime n\u00e3o o retorno coercitivo \u00e0 pris\u00e3o, mas sim apenas a rescis\u00e3o do acordo, com o oferecimento da den\u00fancia e a perda dos benef\u00edcios outrora assegurados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso, o colaborador n\u00e3o foi denunciado, havendo o par\u00e1grafo \u00fanico da cl\u00e1usula 6\u00aa previsto que, em rela\u00e7\u00e3o aos fatos objeto do acordo e desde que cumprida a aven\u00e7a, tal provid\u00eancia processual n\u00e3o ser\u00e1 adotada. Em consequ\u00eancia &#8211; nos diversos casos em que a colabora\u00e7\u00e3o premiada envolve o n\u00e3o oferecimento da den\u00fancia -, a tese proposta pela diverg\u00eancia levaria a situa\u00e7\u00f5es insustent\u00e1veis, nas quais o benef\u00edcio auferido pelo colaborador n\u00e3o encontraria correspond\u00eancia em qualquer medida restritiva, seja a multa, sejam as restri\u00e7\u00f5es de direitos (v.g., presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade) ou a limita\u00e7\u00e3o da liberdade em regime diferenciado, tendo em vista que nunca sobrevir\u00e1 senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, mesmo nos casos em que existir den\u00fancia, n\u00e3o se pode argumentar que apenas a execu\u00e7\u00e3o imediata da restri\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade estaria alijada dos acordos de colabora\u00e7\u00e3o premiada, permitindo-se &#8211; independentemente de senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria transitada em julgado &#8211; a aplica\u00e7\u00e3o de outras medidas menos gravosas, em especial as restritivas de direitos ou a multa. Na realidade, apenas o reconhecimento de que n\u00e3o se est\u00e1 a tratar de pena &#8211; mas sim de condi\u00e7\u00e3o do acordo, sujeita ao controle do magistrado respons\u00e1vel pela homologa\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 capaz de garantir utilidade pr\u00e1tica ao instituto da colabora\u00e7\u00e3o premiada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, <strong>o Supremo Tribunal Federal j\u00e1 homologou acordos de colabora\u00e7\u00e3o premiada nos quais prevista a execu\u00e7\u00e3o das medidas restritivas antes da prola\u00e7\u00e3o de qualquer senten\u00e7a<\/strong> (Pet 6.138 e Pet 6.049). Nesse sentido, ao contr\u00e1rio do pontuado no voto divergente, o fato de os acordos de colabora\u00e7\u00e3o mencionados precederem o julgamento das ADCs n. 43, 44 e 54 n\u00e3o \u00e9 elemento decisivo, pois o entendimento ent\u00e3o vigente no STF apontava ser poss\u00edvel, sem m\u00e1cula ao princ\u00edpio constitucional da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia, o in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o da pena somente ap\u00f3s a prola\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o condenat\u00f3rio em segundo grau (HC 126.292, Ministro Teori Zavascki, julgado em 17\/2\/2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, a execu\u00e7\u00e3o imediata das condi\u00e7\u00f5es fixadas no acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada ocorria, desde antes, como exce\u00e7\u00e3o \u00e0 ent\u00e3o exig\u00edvel decis\u00e3o condenat\u00f3ria em segundo grau de jurisdi\u00e7\u00e3o, a demonstrar que o diferencial repousava no car\u00e1ter negocial da medida, a afastar o momento a partir de quando as medidas seriam, caso fossem pena, execut\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, <strong>caso o colaborador opte por n\u00e3o mais continuar recolhido nos estritos termos do regime diferenciado pactuado, estar\u00e1 o Minist\u00e9rio P\u00fablico autorizado a considerar rescindido o acordo, com a ado\u00e7\u00e3o das medidas processuais da\u00ed decorrentes<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto san\u00e7\u00e3o premial at\u00edpica, a imediata priva\u00e7\u00e3o da liberdade, nos termos do acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada, condicionada \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o judicial, n\u00e3o ofende a Constitui\u00e7\u00e3o ou a lei de reg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-c36da8c7-50b7-408c-b0a8-8299ad5e13f0\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/12\/19023238\/stj-informativo-798.pdf\">stj-informativo-798<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/12\/19023238\/stj-informativo-798.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-c36da8c7-50b7-408c-b0a8-8299ad5e13f0\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 798 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! 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DIREITO ADMINISTRATIVO 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Precat\u00f3rios e natureza das verbas RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A O art. 100, \u00a7 1\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal traz um rol exemplificativo, de sorte que a defini\u00e7\u00e3o da natureza alimentar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"post_tipo":"article","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"tax_estado":[],"class_list":["post-1323628","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cursos-e-concursos"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v28.6 (Yoast SEO v28.6) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Informativo STJ 798 Comentado<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/concursos.estrategia.com\/portal\/informativo-stj-798-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Informativo STJ 798 Comentado\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Informativo n\u00ba 798 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! 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DIREITO ADMINISTRATIVO 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Precat\u00f3rios e natureza das verbas RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A O art. 100, \u00a7 1\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal traz um rol exemplificativo, de sorte que a defini\u00e7\u00e3o da natureza alimentar [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/concursos.estrategia.com\/portal\/informativo-stj-798-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Estrat\u00e9gia Concursos\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2023-12-19T05:33:31+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2023-12-19T05:33:33+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"53 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"NewsArticle\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/informativo-stj-798-comentado\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/informativo-stj-798-comentado\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Jean Vilbert\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\"},\"headline\":\"Informativo STJ 798 Comentado\",\"datePublished\":\"2023-12-19T05:33:31+00:00\",\"dateModified\":\"2023-12-19T05:33:33+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/informativo-stj-798-comentado\\\/\"},\"wordCount\":10660,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/#organization\"},\"articleSection\":[\"Concursos P\u00fablicos\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/informativo-stj-798-comentado\\\/#respond\"]}],\"copyrightYear\":\"2023\",\"copyrightHolder\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/#organization\"}},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/informativo-stj-798-comentado\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/informativo-stj-798-comentado\\\/\",\"name\":\"Informativo STJ 798 Comentado\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2023-12-19T05:33:31+00:00\",\"dateModified\":\"2023-12-19T05:33:33+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/informativo-stj-798-comentado\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/informativo-stj-798-comentado\\\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/informativo-stj-798-comentado\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Informativo STJ 798 Comentado\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"description\":\"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/portal\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/#organization\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"url\":\"https:\\\/\\\/concursos.estrategia.com\\\/\",\"logo\":\"https:\\\/\\\/content.estrategia.com\\\/frontend-landing-pages\\\/logo\\\/logo-concursos-colored-schema.svg\",\"address\":{\"@type\":\"PostalAddress\",\"streetAddress\":\"Alameda Xingu, 350 - 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