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Quadro principal do balanço orçamentário para a SEFAZ-SC

Quadro principal do balanço orçamentário para a SEFAZ-SC

Poucas demonstrações aparecem tanto em provas fiscais quanto o balanço orçamentário. Ele confronta o que foi planejado na LOA com o que de fato foi arrecadado e gasto, e cada coluna esconde detalhes que as bancas adoram explorar.

Quem mira a SEFAZ-SC precisa enxergar o quadro principal coluna por coluna. A seguir, a estrutura, as regras de preenchimento e os pontos que mais derrubam candidatos em Contabilidade Pública.

O que é o balanço orçamentário – Quadro principal do balanço orçamentário para a SEFAZ-SC

A Lei nº 4.320/64, nos artigos 101 a 106, fixa as bases das demonstrações contábeis do setor público. Dentro desse conjunto, o balanço orçamentário tem uma missão bem definida: evidenciar as receitas e despesas previstas em confronto com as realizadas.

Com a convergência às normas internacionais, especialmente a NBC TSP 11, o conjunto vigente das DCASP passou a reunir seis demonstrações obrigatórias:

  • Balanço Patrimonial;
  • Demonstração das Variações Patrimoniais (DVP);
  • Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido;
  • Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC);
  • Balanço Orçamentário;
  • Balanço Financeiro.

Todas elas devem vir acompanhadas de notas explicativas e de informação comparativa com o período anterior. Esse detalhe, embora pareça periférico, costuma aparecer em itens de certo ou errado.

Regime orçamentário – Quadro principal do balanço orçamentário para a SEFAZ-SC

Toda a lógica do balanço orçamentário parte do art. 35 da Lei 4.320/64. Pertencem ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas e as despesas nele legalmente empenhadas. Na prática, a receita é reconhecida na arrecadação e a despesa, no empenho.

Daí decorre a regra mais importante de toda a demonstração: o resultado orçamentário compara receita arrecadada com despesa empenhada. Despesa liquidada ou paga não entra nessa conta, e trocar esses conceitos é um erro clássico em prova.

Contas do PCASP utilizadas

O balanço orçamentário é elaborado com informações de duas classes do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público, utilizadas conjuntamente:

Classe 5, Orçamento aprovadoClasse 6, Execução do orçamento
Grupo 2, Previsão da receita e fixação da despesaGrupo 2, Realização da receita e execução da despesa

Uma questão já cobrada afirmava que as informações vinham apenas da Classe 6. A assertiva estava incorreta, justamente porque a previsão e a fixação estão registradas na Classe 5.

Três quadros que formam a demonstração

O balanço orçamentário não se resume a uma única tabela. Segundo o MCASP, ele é composto por três quadros distintos, cada um com finalidade própria:

  1. Quadro principal: receitas previstas e realizadas, despesas fixadas e executadas;
  2. Quadro da execução dos restos a pagar não processados;
  3. Quadro da execução dos restos a pagar processados.

Enquanto os dois últimos acompanham obrigações herdadas de exercícios anteriores, o quadro principal retrata o orçamento corrente. É nele que se concentra a maior parte das cobranças sobre colunas, fórmulas e equilíbrio.

Colunas da receita orçamentária – Quadro principal do balanço orçamentário para a SEFAZ-SC

No lado das receitas, o detalhamento segue a categoria econômica e a origem. Os valores são registrados líquidos das deduções, como restituições, descontos, retificações, deduções para o FUNDEB e repartições de receita tributária entre entes, quando registradas como dedução.

ColunaConteúdoPonto de atenção
Previsão inicial (a)Valor previsto na LOAPermanece inalterado durante todo o exercício
Previsão atualizada (b)Reestimativa da receita ao longo do anoMuda com excesso de arrecadação, operações de crédito, novas naturezas, remanejamentos e atualizações monetárias autorizadas por lei após a LOA
Receitas realizadas (c)Valores efetivamente arrecadadosBase do resultado orçamentário
Saldo (d) = c – bDiferença entre realizado e previstoPositivo indica excesso; negativo, insuficiência de arrecadação

Quando não há reestimativa, a coluna de previsão atualizada simplesmente repete os valores da previsão inicial. Já o contrário nunca acontece: excesso de arrecadação não altera a previsão inicial, apenas a atualizada.

Receitas correntes e de capital – Quadro principal do balanço orçamentário para a SEFAZ-SC

A estrutura das receitas no quadro principal se divide em duas categorias econômicas. As receitas correntes (I) abrangem impostos, taxas e contribuições de melhoria, contribuições, receita patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços, transferências correntes e outras receitas correntes.

As receitas de capital (II), por sua vez, englobam operações de crédito, alienação de bens, amortizações de empréstimos, transferências de capital e outras receitas de capital. O quadro ainda apresenta, em linha separada, as operações de crédito de refinanciamento, internas e externas, mobiliárias e contratuais, que compõem o subtotal com refinanciamento.

Colunas da despesa orçamentária – Quadro principal do balanço orçamentário para a SEFAZ-SC

As despesas aparecem por categoria econômica e grupo de natureza da despesa. A classificação funcional entra apenas de forma complementar. Repare na diferença: receitas usam origem, despesas usam grupo de natureza, e as bancas gostam de inverter os termos.

ColunaConteúdoPonto de atenção
Dotação inicial (e)Valor fixado na LOANão se altera no exercício
Dotação atualizada (f)Dotação inicial + créditos adicionais abertos/reabertos + atualizações monetárias – anulaçõesAcompanha a aprovação de créditos adicionais
Despesas empenhadas (g)Valores comprometidos por empenhoBase do resultado orçamentário
Despesas liquidadas (h)Direito do credor reconhecido no exercícioNão inclui liquidação de RP não processados
Despesas pagas (i)Desembolsos efetivos–
Saldo da dotação (j) = f – gDotação atualizada menos empenhadoRepresenta a economia de despesa

A estrutura da despesa contempla as despesas correntes (VIII)pessoal e encargos sociais, juros e encargos da dívida e outras despesas correntes, e as despesas de capital (IX), formadas por investimentos, inversões financeiras e amortização da dívida.

Reserva de contingência e demais grupos

Além das duas categorias, o quadro apresenta a reserva de contingência (X), a amortização da dívida/refinanciamento (XII) e a reserva do RPPS. A reserva de contingência destina parte das receitas para passivos contingentes, outros riscos fiscais e abertura de créditos adicionais.

Importante: ela aparece como grupo separado entre as despesas e não integra o campo saldo de exercícios anteriores. Essa confusão já virou pegadinha recorrente.

Saldo de exercícios anteriores e equilíbrio formal – Quadro principal do balanço orçamentário para a SEFAZ-SC

Para que o total das receitas seja sempre igual ao total das despesas, o quadro adota uma convenção simples: o déficit é apresentado no lado das receitas, e o superávit, no lado das despesas.

Ainda assim, pode surgir desequilíbrio entre a previsão atualizada da receita e a dotação atualizada. O motivo é que o superávit financeiro do exercício anterior (ativo financeiro – passivo financeiro) não é receita do exercício corrente, já que foi arrecadado antes. No entanto, as despesas pagas com esses recursos são empenhadas no ano corrente e, portanto, são despesas orçamentárias dele.

O mesmo raciocínio vale para a reabertura de créditos especiais e extraordinários promulgados nos últimos quatro meses do exercício anterior. Para registrar essas situações, existe o campo saldo de exercícios anteriores, composto por:

  • recursos arrecadados em exercícios anteriores;
  • superávit financeiro efetivamente utilizado para abertura de créditos adicionais e empenho;
  • reabertura de créditos adicionais (especiais ou extraordinários autorizados nos últimos quatro meses do exercício anterior).

Para conferir o equilíbrio, some, na coluna previsão atualizada, o total das receitas e o saldo de exercícios anteriores. O resultado deve ser igual ao total da coluna dotação atualizada.

Balanços não consolidados – Quadro principal do balanço orçamentário para a SEFAZ-SC

Entidades que não arrecadam receitas diretamente, mas executam despesas para prestar serviços públicos, podem apresentar desequilíbrio e até déficit orçamentário. Isso não configura irregularidade. A exigência é que uma nota explicativa informe o montante das transferências financeiras recebidas e concedidas ligadas à execução orçamentária.

Em resumo, o quadro principal é o coração do balanço orçamentário: previsão inicial e dotação inicial ficam congeladas, as colunas atualizadas acompanham os créditos e as reestimativas, e o resultado sempre confronta arrecadação com empenho. Se você está se preparando para a SEFAZ-SC, vale montar o quadro de memória, com cada coluna e sua fórmula, e revisar as convenções de equilíbrio e o saldo de exercícios anteriores até que fiquem automáticos na hora da prova.

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Julio

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