Ficando para trás na vida? O risco da comparação
Enquanto você estuda para concursos, seus amigos parecem estar avançando. Um conseguiu uma promoção, outro comprou um apartamento, alguns estão casando, tendo filhos ou conquistando a estabilidade financeira que você ainda procura.
Enquanto isso, sua rotina continua envolvendo PDFs, questões, revisões e a incerteza sobre quando chegará a aprovação.
Essa situação pode provocar a sensação de estar ficando para trás na vida, especialmente quando os resultados dos estudos demoram a aparecer. Entretanto, comparar trajetórias tão diferentes pode distorcer a percepção sobre o próprio progresso e transformar uma escolha profissional de longo prazo em motivo constante de ansiedade.
Quando a comparação com amigos começa a prejudicar
A comparação com amigos costuma acontecer de forma quase automática. Afinal, observamos as conquistas das pessoas próximas e tentamos entender como nossa própria vida está evoluindo.
O problema aparece quando utilizamos essas conquistas como parâmetro obrigatório para avaliar nosso sucesso.
Em pesquisa brasileira publicada na revista Psico-USF, Fagundes, Marot e Natividade (2020) identificaram uma associação negativa entre determinada dimensão da comparação social no Instagram e a autoestima dos participantes.
Embora o estudo não tenha investigado especificamente concurseiros, seus resultados ajudam a compreender por que acompanhar constantemente a evolução dos outros pode afetar a maneira como enxergamos nossas próprias capacidades.
Além disso, existem circunstâncias que raramente entram nessa comparação: condições financeiras, apoio familiar, oportunidades profissionais, responsabilidades pessoais e escolhas realizadas ao longo dos anos.
O gráfico abaixo ilustra essa diferença:

Por isso, comparar apenas os resultados finais de trajetórias diferentes raramente oferece uma avaliação justa do próprio desenvolvimento.
Sua preparação também representa uma escolha de vida
É importante reconhecer que estudar para concursos envolve renúncias reais. Muitas vezes, o candidato adia viagens, reduz gastos e deixa de aproveitar determinadas oportunidades profissionais para investir em uma carreira que considera mais promissora.
Consequentemente, pode surgir a impressão de que todos estão vivendo enquanto sua vida permanece em espera.
Entretanto, o desenvolvimento profissional não segue uma trajetória única.
Silva e Melo-Silva (2021), ao investigarem transições de carreira, identificaram diferentes motivações para mudanças profissionais, incluindo busca por autonomia, melhores condições de vida e crescimento.
No caso dos concursos, o candidato também está fazendo uma escolha orientada por objetivos futuros. Ainda assim, essa decisão precisa continuar fazendo sentido dentro da sua realidade financeira, familiar e pessoal.
Se o planejamento exige sacrifícios que se tornaram insustentáveis, talvez seja necessário ajustar prazos, carga horária ou buscar uma oportunidade intermediária.
A aprovação continua sendo um objetivo importante, mas não precisa exigir que todas as outras dimensões da vida sejam abandonadas.
Aprenda a reconhecer seu próprio progresso
Uma forma de reduzir a sensação de estar ficando para trás na vida é mudar os indicadores utilizados para avaliar sua evolução.
Em vez de observar apenas salários, casamentos ou conquistas materiais de outras pessoas, procure acompanhar aquilo que está acontecendo dentro da sua preparação.
Você pode avaliar quatro aspectos:
- Constância: está conseguindo manter uma rotina compatível com sua realidade?
- Conhecimento: quais disciplinas e assuntos conseguiu consolidar?
- Desempenho: seus percentuais de acertos estão evoluindo?
- Planejamento: está conseguindo identificar erros e ajustar sua preparação?
Evely Boruchovitch (1999), ao estudar estratégias de aprendizagem, destaca a importância da metacognição e do monitoramento do próprio desempenho.
Para os concursos, isso significa reconhecer avanços que nem sempre aparecem nas redes sociais ou nas conversas com amigos.
O gráfico seguinte apresenta um modelo simples para acompanhar esses resultados:

Esses indicadores ajudam a tornar o progresso mais visível, mesmo quando a aprovação ainda não aconteceu.
Continue vivendo enquanto estuda
Outro cuidado importante envolve a maneira como o candidato organiza sua rotina.
Alguns concurseiros passam a interpretar qualquer momento de lazer como uma perda de tempo. Recusam encontros, abandonam atividades físicas e deixam de participar de acontecimentos familiares porque acreditam que deveriam estar estudando.
Entretanto, uma preparação que pode durar anos precisa ser sustentável.
Por isso, vale reservar momentos para amigos, família, atividade física e experiências pessoais. Além disso, reduzir o consumo de perfis que estimulam comparações excessivas pode ajudar a preservar uma relação mais equilibrada com a preparação.
Seu projeto de aprovação deve fazer parte da sua vida, sem necessariamente ocupar todos os espaços dela.
Onde a Platinum pode ajudar
A sensação de estagnação também pode surgir quando o candidato não consegue identificar se sua preparação está avançando conforme o esperado.
Ele estuda durante meses, mas não possui indicadores claros sobre desempenho, dificuldades e evolução. Consequentemente, acaba utilizando as conquistas de outras pessoas como referência.
Nesse contexto, a Platinum do Estratégia Concursos oferece o diferencial do acompanhamento personalizado.
Com orientação de um coach, o aluno pode organizar sua rotina considerando disponibilidade de tempo, objetivos e dificuldades individuais. Além disso, o acompanhamento do desempenho nas questões permite identificar avanços e ajustar prioridades ao longo da preparação.
Essa organização ajuda o candidato a construir metas realistas e avaliar o próprio progresso de maneira mais objetiva, sem depender constantemente da comparação com outros estudantes. Clique aqui e estude com a Platinum!
Conclusão
A sensação de estar ficando para trás na vida pode aparecer quando os resultados da preparação demoram, especialmente enquanto amigos e familiares conquistam novos marcos pessoais e profissionais.
Entretanto, essas comparações precisam considerar que cada trajetória envolve circunstâncias, prioridades e oportunidades diferentes.
Por isso, acompanhe seus próprios indicadores, preserve momentos importantes da vida pessoal e avalie periodicamente se o caminho escolhido continua compatível com seus objetivos.
A aprovação pode transformar significativamente sua vida, mas sua vida também precisa continuar acontecendo durante a preparação.
O importante é construir uma trajetória que faça sentido para você, sem transformar o calendário de conquistas dos outros em uma cobrança permanente.
Referências bibliográficas
Boruchovitch, E. (1999). Estratégias de aprendizagem e desempenho escolar: considerações para a prática educacional. Psicologia: Reflexão e Crítica, 12, 361–376.
Fagundes, L. S.; Marot, T. A.; Natividade, J. C. (2020). Uso do Instagram, comparação social e personalidade como preditores da autoestima. Psico-USF, 25(4), 711–724.
Silva, M. P.; Melo-Silva, L. L. (2021). Transições na carreira na perspectiva de psicólogos: motivos e estratégias de enfrentamento. Interação em Psicologia, 25.