Quer interpor recursos contra os gabaritos preliminares da prova do concurso Dataprev 2026? Confira neste artigo!
O Concurso Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência teve suas provas aplicadas neste último domingo, 11. Com isso, os gabaritos preliminares da etapa já foram divulgados.
Se você pretende interpor recurso contra o gabarito do concurso Dataprev, muita atenção: todo o processo deve ser realizado nos dias 14 e 15 de outubro, através do site da FGV.
E, para te ajudar, nossos professores analisaram o resultado e identificaram algumas possibilidades de recursos. Confira abaixo!
“Quem governa uma instituição pública ou privada é sempre objeto do ódio e das queixas dos governados. Os homens estão sempre descontentes porque estão sempre infelizes. Por isso ficam descontentes com o próprio Estado, e também por isso ficam descontentes com quem o governa… Entretanto, no que concerne ao ato de governar, infelizmente existem apenas duas alternativas realmente sensatas: ou abster-se do governo, seja ele público ou privado, ou administrá-lo totalmente em vantagem própria e não dos governados.” (Giácomo Leopardi)
As opções a seguir apresentam observações de caráter linguístico sobre o texto. Assinale a única observação incorreta.
(A) Os adjetivos “pública ou privada” são de conteúdo subjetivo, expressando uma opinião do enunciador do texto.
(B) O segundo período do texto traz uma justificativa para o que é afirmado no período anterior.
(C) O termo “e também” traz uma redundância, que é normalmente aceita.
(D) As duas ocorrências de “por isso” mostram o mesmo antecedente.
(E) O termo “Entretanto” traz o valor de oposição.
GABARITO PRELIMINAR DA BANCA: B
GABARITO PRETENDIDO: A (SUBSIDIARIAMENTE, ANULAÇÃO)
FUNDAMENTAÇÃO:
Solicita-se a alteração do gabarito para a letra A e, subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento da Banca, a anulação da questão.
O enunciado pede que se assinale a “única observação incorreta” sobre o texto. Essa observação é a da alternativa A, e não a da alternativa B, indicada no gabarito preliminar.
A alternativa A é incorreta. Os adjetivos “pública” e “privada” não expressam opinião do enunciador. São adjetivos de relação (classificatórios): indicam a que esfera a instituição pertence, isto é, distinguem um tipo de instituição de outro, sem atribuir a ela qualidade, valor ou avaliação. Que uma instituição seja pública ou privada é um dado de fato, verificável, e não um ponto de vista de quem escreve.
A doutrina gramatical é clara nesse sentido. Fernando Pestana, ao tratar dos adjetivos que expressam “um ponto de vista, um juízo de valor, uma avaliação por parte do locutor do texto”, observa que, se o adjetivo exprime opinião, “pode ser refutado”, e adverte: “Não confunda juízo de valor com juízo de fato. O primeiro trata de opinião individual, por isso tem valor subjetivo, e o segundo trata de atestação, por isso tem valor objetivo”. Não há como refutar, por discordância de opinião, a afirmação de que uma instituição é pública ou privada: trata-se de juízo de fato. O mesmo autor registra que os adjetivos pospostos ao substantivo “têm normalmente valor objetivo, denotativo; são frequentemente descritivos”, que é exatamente a posição de “pública ou privada” no texto.
Na mesma direção, a Gramática comentada (FIGUEIREDO, 2021) define o adjetivo de relação como “aquele que tem valor semântico objetivo (não expressa opinião de quem fala), normalmente deriva de um substantivo, por sufixação, não pode variar em grau e vem sempre depois de um substantivo”. Os adjetivos em análise cumprem todos esses critérios: equivalem a “do público”/“do Estado” e “do particular”; não admitem grau (não se diz “instituição muito pública” ou “privadíssima”); e não podem ser antepostos ao substantivo (“*uma pública instituição”). Bechara, ao tratar dos graus de coesão nos grupos nominais, mostra esse mesmo comportamento com o exemplo “a situação política atual”: o adjetivo mais coeso ao nome (“política”) não pode mudar de posição (“*a política situação atual”), diferentemente do adjetivo menos coeso (“a atual situação política”).
Ressalte-se, ainda, que a própria banca, na questão 12 desta mesma prova, adotou exatamente esse critério. Ao pedir o adjetivo que “mostra uma opinião do enunciador, indicando uma qualidade”, a FGV considerou correta a opção “papel crucial” e tratou como não opinativos os adjetivos de relação “objetivos empresariais”, “soluções tecnológicas” e “processos estruturais”. “Pública” e “privada” pertencem à mesma categoria de “empresariais” e “tecnológicas”. Admitir que eles expressam opinião do enunciador contradiz o gabarito da questão 12 e a jurisprudência da própria banca, que em outras provas recentes (Prefeitura de Canaã dos Carajás, 2025; Prefeitura de Macaé, 2024) distinguiu os adjetivos valorativos, como “importante” e “bom”, dos classificatórios, como “internacional” e “português”.
A alternativa B, por sua vez, não deve ser tomada como incorreta. Ao afirmar que o segundo período “traz uma justificativa” para o que é afirmado no anterior, a observação emprega “justificativa” no sentido amplo de razão, motivo: o segundo período (“Os homens estão sempre descontentes porque estão sempre infelizes”) responde por que quem governa é sempre objeto do ódio e das queixas dos governados. Há, de fato, entre os dois períodos, uma relação lógica em que o segundo fundamenta o primeiro, e é isso que a alternativa registra.
Concede-se que o mais preciso seria a alternativa falar em “causa”, e não em “justificativa”. Os dois períodos mantêm entre si uma relação de causa e consequência: o primeiro afirma um fato, o de que quem governa é sempre objeto do ódio e das queixas dos governados, e o segundo apresenta a sua causa, o descontentamento permanente dos homens. Conforme a distinção feita por Pestana, há explicação quando o que se segue apenas sustenta a afirmação de quem fala, como uma dedução ou uma constatação, sem ser a origem do fato afirmado; há causa quando o que se segue é aquilo que dá origem ao fato. Este é o caso do texto: a infelicidade dos homens é a origem do descontentamento. Essa imprecisão terminológica, contudo, não torna a observação B falsa na mesma medida em que é falsa a observação A, que atribui valor opinativo a adjetivos de relação.
Ainda que essa Banca entenda que a alternativa B é incorreta por trazer, a rigor, uma relação de causa, e não de justificativa, a questão deve, no mínimo, ser anulada. Nesse caso, haveria duas observações incorretas, a A e a B, o que contraria o comando da questão, que pede a “única observação incorreta”. Com duas respostas possíveis, o item não permite a avaliação objetiva do candidato.
Das duas, uma: ou a alternativa B é aceitável, e o gabarito deve ser alterado para a letra A, única observação incorreta; ou a alternativa B é incorreta e, como a A também o é, a questão não tem resposta única e deve ser anulada. Em nenhuma das hipóteses se sustenta o gabarito preliminar.
Diante do exposto, solicita-se a alteração do gabarito para a letra A e, subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento da Banca, a anulação da questão, com a consequente atribuição da pontuação a todos os candidatos.
Referências:
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
FIGUEIREDO, Adriana. Gramática comentada com interpretação de textos para concursos. 6. ed. São Paulo: Saraiva Jur, 2021.
PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
Na fase de diagnóstico estratégico, a análise do ambiente externo de uma sociedade empresária costuma ser organizada a partir de variáveis ambientais agrupadas por categorias, cada uma associada a componentes específicos. Ao realizar essa análise, uma equipe de planejamento verificou o nível de proteção das marcas e das patentes da sociedade empresária frente ao risco de imitação por concorrentes, fator incluído nesse levantamento.
Segundo o quadro de variáveis ambientais utilizado no diagnóstico estratégico, o fator examinado pela equipe é classificado como um componente da variável
(A) legal.
(B) política.
(C) cultural.
(D) econômica.
(E) tecnológica.
Gabarito Preliminar da FGV: Alternativa (E).
Pedido: Alteração do gabarito da questão para a alternativa (A).
EXPLICAÇÃO
O enunciado solicita a classificação do seguinte fator de análise do ambiente externo: “nível de proteção das marcas e das patentes da sociedade empresária frente ao risco de imitação por concorrentes”.
A classificação de variáveis do macroambiente fundamenta-se na análise EST/PESTEL (Político, Econômico, Social, Tecnológico, Ecológico e Legal), consagrada na literatura de Administração Estratégica (MINTZBERG; LAMPEL; QUINN; GHOSHAL, 2006; WRIGHT; KROLL; PARNELL, 2000).
O objeto sob exame da equipe de planejamento não foi a inovação tecnológica em si, mas sim o nível de proteção de ativos imateriais (marcas e patentes) contra a imitação ilícita. A proteção ao uso exclusivo de marcas e invenções é um instituto jurídico disciplinado pelo ordenamento legal de um país (no Brasil, regulado pela Lei de Propriedade Industrial – Lei nº 9.279/1996).
A variável tecnológica diz respeito ao surgimento de novas tecnologias, à taxa de automação, aos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e à velocidade de obsolescência. Já a variável legal abrange as leis, regulamentações, direitos de propriedade e mecanismos de proteção patentária.
A doutrina especializada de Administração Estratégica é categórica sobre o tema:
“Os fatores legais referem-se à legislação e ao arcabouço regulatório que afetam as operações da empresa. Incluem leis de propriedade intelectual, patentes e marcas, direito do consumidor e legislação trabalhista.” (CERTO, Samuel C.; PETER, J. Paul. Administração Estratégica: Planejamento e Implantação da Estratégia. 3. ed. São Paulo: Pearson, 2010, p. 45).
“Leis de proteção à propriedade industrial, registros de marcas e patentes e a defesa jurídica contra cópias e imitações configuram componentes do ambiente político-legal.” (WRIGHT, Peter; KROLL, Mark; PARNELL, John. Administração Estratégica: Conceitos. São Paulo: Atlas, 2000, p. 62).
Reforça o erro do gabarito preliminar o fato de o enunciado citar expressamente a “Proteção de Marcas”. Uma marca comercial não possui qualquer natureza ou conteúdo tecnológico; trata-se de um sinal distintivo protegido estritamente por força de lei (Dimensão Legal). Enquadrar o nível de proteção de marcas na categoria “tecnológica” violenta os conceitos basilares da teoria das organizações.
CONCLUSÃO:
Diante do exposto, resta demonstrado de forma irrefutável que o “nível de proteção de marcas e patentes contra imitação” é uma regra do jogo imposta pelo ecossistema de leis e constitui componente da variável LEGAL (Alternativa A).
Assim, solicita-se a esta Douta Banca Examinadora a ALTERAÇÃO DO GABARITO DA QUESTÃO 60 PARA A ALTERNATIVA (A). Caso a banca considere que a questão gera dubiedade insuperável ao mesclar institutos, requer-se a sua ANULAÇÃO, atribuindo-se a pontuação correspondente a todos os candidatos.
Durante a execução das atividades de trabalho de um projeto, a equipe identificou a necessidade de uma mudança em relação ao que havia sido originalmente definido. A equipe documentou essa mudança, obteve sua aprovação e a incorporou a um plano-base atualizado, sem interromper o monitoramento do cronograma e do orçamento do projeto. Segundo o ciclo de vida do projeto, a fase em que a equipe conduziu esse processo de mudança é denominada
(A) controle.
(B) iniciação.
(C) realização.
(D) planejamento.
(E) encerramento.
Gabarito Preliminar da FGV: Alternativa (C)
Pedido: Anulação por ambiguidade técnica e dupla possibilidade de interpretação.
O enunciado relata que a equipe “documentou essa mudança, obteve sua aprovação e a incorporou a um planobase atualizado” e indaga qual é a denominação correspondente a essa prática.
De acordo com o Guia PMBOK (Project Management Body of Knowledge, 6ª edição, PMI), o ato de rever todas as solicitações de mudança, aprovar mudanças e gerenciar as alterações nas entregas e na linha de base (baseline) do projeto é a definição exata e literal do processo “Realizar o Controle Integrado de Mudanças” (PMI, 2017, p. 113). Este processo pertence inequivocamente ao Grupo de Processos de Monitoramento e Controle.
Ao colocar a alternativa (A) “controle”, a banca apresenta a nomenclatura técnica exata do grupo de processos responsável pelas ações descritas no enunciado. Contudo, ao iniciar a pergunta com “Segundo o ciclo de vida do projeto, a fase…”, a banca examinadora criou uma armadilha terminológica. É pacífico na doutrina que as terminologias “fase” e “processo” são frequentemente sobrepostas na literatura e na prática, especialmente porque as atividades de “Controle” ocorrem ao longo de todo o ciclo de vida.
Se a banca desejava aferir o conhecimento estrito sobre as fases genéricas do ciclo de vida, não deveria ter descrito detalhadamente o fluxo operacional do Controle Integrado de Mudanças, pois isso direciona tecnicamente o raciocínio do candidato especializado para a alternativa (A). A terminologia “realização” (C), embora utilizada por alguns autores minoritários como sinônimo da fase de Execução, não reflete o procedimento de análise e aprovação de mudanças, mas apenas a construção do produto em si.
CONCLUSÃO:
Ao descrever a anatomia do processo de Controle (documentação, aprovação e atualização de plano-base) e disponibilizar a alternativa “controle” (A), o enunciado torna-se dúbio e conflituoso com a alternativa “realização” (C). A formulação da questão não permite distinguir de forma segura se o examinador está cobrando a nomenclatura da atividade exercida (Controle) ou o nome cronológico do período temporal (Fase de Realização/Execução).
Em face da ambiguidade técnica demonstrada e da dupla possibilidade de interpretação à luz do Guia PMBOK, solicita-se a ANULAÇÃO da questão, com a atribuição dos correspondentes pontos a todos os candidatos, em respeito aos princípios constitucionais da segurança jurídica e da objetividade das provas de concurso público.
Uma pesquisa de clima organizacional realizada em uma sociedade empresária identificou, entre as respostas dos colaboradores, os sentimentos de comprometimento, indiferença, distanciamento, receptividade e apatia em relação às atividades de trabalho. O relatório precisou classificar corretamente cada um desses sentimentos dentro dos níveis do continuum de clima organizacional. Segundo esse continuum, o sentimento classificado no nível baixo, negativo e desfavorável é
(A) apatia.
(B) indiferença.
(C) receptividade.
(D) distanciamento.
(E) comprometimento
Gabarito Preliminar da FGV: Alternativa (D)
Pedido: Anulação da questão por dupla possibilidade de resposta e vício de formulação.
É cediço que o gabarito adotado pela banca extraiu a literalidade da expressão “Frieza e distanciamento” de uma figura gráfica específica (diagrama do Continuum do Clima Organizacional) presente na obra de Idalberto Chiavenato. Ocorre que o enunciado omitiu a citação da matriz teórica ou a referência à figura específica do autor, abrindo o escopo analítico para a teoria geral de Comportamento Organizacional e para o próprio texto analítico de Chiavenato.
Quando analisada a referida obra em sua fundamentação textual (e não apenas gráfica), o próprio Idalberto Chiavenato associa de forma direta, expressa e inquestionável o sentimento de apatia ao estado de baixa motivação, frustração e clima organizacional desfavorável.
No livro Gestão de Pessoas: e o novo papel dos recursos humanos nas organizações (4ª edição. Barueri, SP: Manole, 2014), no Capítulo 3, ao discorrer sobre o Clima Organizacional e as consequências da não satisfação das necessidades e da frustração (que rebaixam o clima), o autor pontua categoricamente na página 58:
“A frustração pode levar a desorganização do comportamento, agressividade, reações emocionais e alienação e apatia. […] A apatia e o desinteresse ocorrem quando a pessoa não consegue atingir as metas propostas e tampouco consegue contornar as barreiras.” (CHIAVENATO, 2014, p. 58).
Mais adiante, ao conceituar as características de um clima organizacional negativo e rebaixado, Chiavenato (2014) associa os estados de depressão e desinteresse contínuo exatamente à apatia generalizada dos membros da organização frente ao ambiente de trabalho.
Adicionalmente, a doutrina complementar em Psicologia e Clima Organizacional, amplamente cobrada nos certames públicos, ratifica a “apatia” como o polo mais grave e desfavorável do clima:
LUZ, Ricardo. Gestão do Clima Organizacional. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2003, p. 18-20. O autor elenca os indicadores de um clima organizacional negativo, destacando a apatia e o absenteísmo como os reflexos comportamentais de menor nível na escala de engajamento, denotando o esgotamento do vínculo motivacional do trabalhador.
ROBBINS, Stephen P. Comportamento Organizacional. 11. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005, p. 78. Ao tratar da insatisfação no trabalho (que afeta o clima), Robbins aponta a negligência e a apatia como as respostas passivas e destrutivas mais graves e desfavoráveis na dinâmica organizacional
CONCLUSÃO:
Semanticamente e doutrinariamente, a “apatia” constitui o grau mais profundo e severo de desengajamento emocional, sendo indubitavelmente um sentimento classificado no nível mais “baixo, negativo e desfavorável” do clima organizacional, conforme o próprio Chiavenato (2014, p. 58) ensina no corpo textual de sua obra.
Ao dispor nas alternativas tanto o “distanciamento” (D) quanto a “apatia” (A), sem delimitar no enunciado que exigia exclusivamente a decoreba de um diagrama específico do autor (omitindo a fonte), a banca elaborou uma questão com duas assertivas corretas segundo a literatura técnica da disciplina de Administração.
Diante da flagrante ambiguidade gerada e do respaldo bibliográfico ora apresentado, solicita-se a ANULAÇÃO da questão, com a atribuição dos pontos a todos os candidatos, preservando-se a lisura, a objetividade e a segurança jurídica do certame.
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