Olá, alunos! Já perceberam que diariamente usamos centenas de verbos para expressar nossos pensamentos, utilizamos os tempos e modos verbais de forma automática e natural, sem pensar muito? Isso ocorre porque a lógica dos verbos nos acompanha desde a infância, ainda que não saibamos de cor a classificação dos verbos.
Mas o que é verbo? Verbo é a classe variável (varia em tempo, modo, número, pessoa) que expressa ação, estado, fenômeno e processos em geral. Em provas de concursos públicos, conhecer a classificação dos verbos é fundamental para compreender a análise sintática e identificar corretamente os termos da oração.
Um ponto importante é que um mesmo verbo pode receber classificações diferentes, conforme o critério utilizado. Assim, não se deve confundir, por exemplo, a classificação quanto à conjugação com a classificação quanto à transitividade.
Vamos lá?
Os verbos também podem ser classificados de acordo com o modo e o tempo em que a ação, o estado ou o fenômeno é apresentado.
O tempo se refere a quando a ação ocorre, por exemplo, fiz, faço , farei. No entanto, nem sempre o tempo verbal corresponde a um tempo cronológico real idêntico. Só para ilustrar, pense em alguém dizendo “vou sair”, esse verbo está no presente, mas o tempo real da ação é o futuro.
Já o modo indica a atitude da pessoa que fala em relação ao fato que anuncia. Há três modos verbais: Indicativo (expressa certeza), Subjuntivo (expressa dúvida/hipótese) e Imperativo (expressa ordem/sugestão).
Um ponto que merece atenção: uma das principais diferenças entre o indicativo e o subjuntivo está no grau de certeza atribuído ao fato. Compare:
Ele estuda para concursos. → fato apresentado como real.
Talvez ele estude para concursos. → hipótese ou possibilidade.
Além disso, as categorias de número e pessoa indicam qual pessoa do discurso está relacionada ao verbo e se está no singular ou no plural:
Por fim, é importante não confundir tempo verbal com modo verbal. Se pensarmos no verbo estudar, conjugado como “estudasse” temos modo subjuntivo e tempo pretérito imperfeito. Já em “estudaria”, temos modo indicativo e tempo futuro do pretérito.
A tabela a seguir ajuda a entender melhor as informações trazidas até aqui:
| Verbo – Variantes | Explicação |
| Tempo – momento em que ocorre a ação | Presente; Pretérito; Futuro |
| Modo – diferentes maneiras em que um fato pode se realizar | Indicativo – indica um fato certo. Subjuntivo – enuncia um fato hipotético, duvidoso, possível. Imperativo – exprime ordem, conselho, pedido, proibição. |
| Pessoa – quem realiza a ação verbal | Singular – eu (1ª), tu (2ª), ele (3ª) Plural – nós (1ª), vós (2ª), eles (3ª) |
Para estudar os verbos, o candidato precisa dominar um verbo de cada conjugação, para servir de modelo. Esse modelo vai dar a estrutura geral de qualquer conjugação e se aplicará à maioria dos verbos. Os verbos são divididos em três grupos:
Exemplo: O verbo “estudar” pertence à 1ª conjugação, pois termina em “-ar”. Veja a seguir a conjugação completa desse verbo no modo indicativo.
Já o verbo “Escrever” pertence à 2ª conjugação, cuja vogal temática é “e”.
O verbo “Partir” pertence à 3ª conjugação, caracterizada pela vogal temática “i”.
Lembre-se que essa classificação considera a forma do infinitivo do verbo, e não a forma que aparece conjugada na oração.
Se o candidato dominar a conjugação de cada grupo, será mais fácil conjugar os outros verbos regulares terminados em -AR, -ER e -IR.
A diferença está somente no “radical” da palavra, ou seja, da parte da palavra que traz seu sentido original: “ESTUD”. O restante do verbo é uma combinação de outros componentes, que trarão informações adicionais em relação a esse sentido principal que o radical indica.
Os verbos também podem ser classificados de acordo com sua função na estrutura da oração. Sendo eles: verbo principal, verbo auxiliar e verbo de ligação.
O verbo principal é aquele que possui significado central na locução verbal. O verbo auxiliar, por sua vez, acompanha outro verbo, formando uma locução verbal. Ex.: Os candidatos estão estudando. Nesse caso, “estão” é verbo auxiliar e “estudando” é o verbo principal.
Já o verbo de ligação estabelece uma relação entre o sujeito e uma característica atribuída a ele, o predicativo do sujeito: “A prova está difícil“. Aqui, “está” funciona como verbo de ligação.
No entanto, um verbo não é necessariamente de ligação em todas as situações. O contexto é determinante. Compare os exemplos a seguir:
João está cansado. → verbo de ligação.
João está em casa. → “estar” indica localização e não funciona como simples verbo de ligação.
Agora vamos falar de uma das classificações mais importantes para concursos públicos.
Os verbos podem ser transitivos diretos, transitivos indiretos, transitivos direto e indireto ou intransitivo. Vamos entender cada um deles. O verbo intransitivo possui sentido completo e não exige complemento: Ex.: O bebê nasceu.
O verbo transitivo direto exige complemento sem preposição obrigatória: O candidato estudou a matéria. Nesse caso, “a matéria” é objeto direto. Já o verbo transitivo indireto exige complemento introduzido por preposição: “O candidato precisa de ajuda“ . A expressão “de ajuda” é objeto indireto.
Por fim, temos o verbo transitivo direto e indireto que exige dois complementos: O professor entregou o material aos alunos. Aqui, “o material” é objeto direto, enquanto “aos alunos” é objeto indireto.
Atenção: a transitividade é determinada no contexto da oração. Um mesmo verbo pode apresentar comportamentos diferentes: Ele assistiu ao filme. → transitivo indireto. O médico assistiu o paciente. → transitivo direto.
Outra forma de classificar os verbos considera o seu comportamento durante a conjugação. Nesse critério, eles podem ser regulares, irregulares, defectivos, abundantes ou anômalos.
Os verbos regulares são aqueles que, ao serem conjugados, mantêm o radical e seguem o modelo de conjugação a que pertencem, sem alterações significativas.
Os verbos irregulares apresentam alterações no radical ou nas terminações durante a conjugação, afastando-se do modelo regular. Porém, a irregularidade pode ocorrer apenas em determinadas formas do verbo. Por isso, é importante observar a conjugação completa.
Os verbos defectivos são aqueles que, tradicionalmente, não apresentam todas as formas de conjugação. Isso pode ocorrer por razões relacionadas ao uso, à tradição gramatical ou à dificuldade de determinadas formas.
Um exemplo frequentemente apresentado pelas gramáticas é chover, que é um verbo impessoal e, nesse emprego, normalmente aparece apenas na 3ª pessoa do singular: Choveu muito ontem.
Os verbos abundantes apresentam mais de uma forma de particípio, geralmente uma forma regular e outra irregular. Esse assunto é especialmente importante para concursos por causa do emprego dos particípios com os verbos ter/haver e ser/estar.
Em construções com ter ou haver, tradicionalmente se emprega o particípio regular: “O candidato havia imprimido o documento.” Com ser ou estar, é comum o emprego da forma irregular: “O documento foi impresso.”
Atenção: não conclua que uma forma está errada apenas porque ela é menos utilizada no cotidiano. Em questões de concurso, é necessário observar a norma-padrão e o contexto da construção.
Os verbos pronominais são aqueles que aparecem acompanhados de pronomes pessoais oblíquos átonos — como me, te, se, nos, vos — que participam da estrutura verbal. Entre eles, é importante diferenciar os verbos pronominais, os reflexivos e os recíprocos.
Nos verbos pronominais, o pronome faz parte da própria estrutura do verbo. Nesses casos, o pronome não representa necessariamente o objeto que recebe a ação. Já no verbo reflexivo, o sujeito pratica e, ao mesmo tempo, recebe a ação expressa pelo verbo. Em outras palavras, a ação recai sobre o próprio sujeito.
Na construção recíproca, a ação é praticada mutuamente pelos integrantes de um grupo. Por isso, esse tipo de construção exige, em regra, um sujeito plural.
Em síntese, a classificação dos verbos deve ser estudada considerando os diferentes critérios utilizados pela gramática. Um mesmo verbo pode ser classificado quanto à conjugação, à transitividade, à função na locução verbal ou à sua formação e flexão.
Por isso, para concursos públicos, o ponto essencial é não classificar o verbo isoladamente. Analise sempre a oração e observe a relação estabelecida entre o verbo, seus complementos e os demais termos.
Com esse cuidado, fica muito mais fácil evitar as pegadinhas envolvendo verbos transitivos, intransitivos, de ligação, auxiliares e pronominais, assuntos recorrentes nas provas de Língua Portuguesa.
Espero que o artigo seja útil para a sua preparação. Desejo boa sorte na sua jornada!
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