Artigo

Análise morfológica: entenda as classes de palavras

Olá, alunos! Hoje vamos falar da análise morfológica! Esse é um dos assuntos fundamentais de Língua Portuguesa para quem se prepara para concursos públicos. Ela consiste na identificação e classificação das palavras de acordo com a classe gramatical a que pertencem.

Em uma questão de prova, o candidato pode ser solicitado, por exemplo, a identificar se determinada palavra é substantivo, adjetivo, pronome, verbo ou advérbio. Para acertar, é fundamental observar o contexto em que a palavra aparece.

É importante também não confundir análise morfológica com análise sintática. Enquanto a primeira procura identificar o que a palavra é, a segunda verifica qual função ela desempenha na oração.

Afinal, quais são as classes de palavras?

Primeiramente, vamos entender quais são as classes de palavras. A gramática tradicional classifica as palavras em dez classes gramaticais.

Substantivo: nomeia seres, objetos, lugares, sentimentos, ações ou conceitos. Exemplos: servidor, cidade, justiça, estudo.

Artigo: acompanha o substantivo, determinando-o ou generalizando-o. Exemplos: o servidor, uma questão.

Adjetivo: caracteriza ou atribui qualidade ao substantivo. Exemplos: prova difícil, servidor competente.

Numeral: indica quantidade, ordem, multiplicação ou fração. Exemplos: dois candidatos, primeiro lugar, metade.

Pronome: pode substituir ou acompanhar um substantivo, estabelecendo relações com as pessoas do discurso. Exemplos: ele, meu, aquele, alguns.

Verbo: expressa ação, estado, fenômeno ou ocorrência. Exemplos: estudar, ser, chover, acontecer.

Advérbio: modifica principalmente verbo, adjetivo ou outro advérbio, indicando circunstâncias como tempo, lugar, modo ou intensidade. Exemplos: estudou muito, chegou cedo.

Preposição: estabelece relação entre palavras. Exemplos: gosto de Português, fui para casa.

Conjunção: liga orações ou termos de mesma função, estabelecendo relações de sentido. Exemplos: estudou e passou; não saiu porque estava cansado.

Interjeição: expressa emoções, sentimentos ou reações. Exemplos: Ah!, Nossa!, Cuidado!

Como fazer uma análise morfológica?

Para realizar uma análise morfológica, o primeiro passo é identificar a palavra que será analisada. Em seguida, deve-se observar sua relação com as demais palavras da oração e determinar a classe gramatical a que pertence.

Considere a oração: “Os candidatos estudaram bastante para a prova.”

Separando cada uma das palavras e indicando as suas classes gramaticais, temos o seguinte:

  • Os → artigo;
  • candidatos → substantivo;
  • estudaram → verbo;
  • bastante → advérbio;
  • para → preposição;
  • a → artigo;
  • prova → substantivo.

O ponto mais importante é que a classificação depende do contexto. Uma palavra não deve ser classificada isoladamente quando sua função pode variar de acordo com a oração.

Veja o termo “bastante”: “Os candidatos estudaram bastante.” Nesse caso, “bastante” é advérbio, pois modifica o verbo “estudaram”.

Por outro lado, veja a seguinte oração: “Bastantes candidatos foram aprovados.” “Bastantes” acompanha o substantivo “candidatos” e funciona como pronome indefinido.

Essa possibilidade de mudança de classe é uma das principais fontes de cobrança em concursos.

análise morfológica

Análise morfológica: principais pegadinhas em concursos

Algumas palavras merecem atenção especial nas provas. O termo “que”, por exemplo, pode exercer diferentes classificações dependendo do contexto. Pode ser pronome, conjunção ou até advérbio, entre outras possibilidades.

O mesmo ocorre com “se”, que pode ser pronome ou conjunção. Já a palavra “a” também exige cuidado. Em “a candidata estudou”, é artigo. Já em “começou a estudar”, funciona como preposição.

Outra dificuldade comum envolve a distinção entre adjetivo e advérbio. Em “o aluno está rápido”, “rápido” caracteriza o substantivo “aluno” por meio de um predicativo e é classificado como adjetivo. Em “o aluno correu rápido”, o termo modifica o verbo “correu”, assumindo valor adverbial.

Também merece atenção a substantivação. Uma palavra de outra classe pode passar a funcionar como substantivo em determinado contexto. Em “O não foi definitivo”, por exemplo, “não”, originalmente advérbio, foi substantivado pelo artigo “o”.

A estratégia para a prova é simples: nunca classifique uma palavra apenas pela sua aparência ou pelo seu significado isolado. Analise sua relação com os demais elementos da oração.

Análise morfológica x análise sintática

A diferença pode ser resumida por uma pergunta:

Análise morfológica: o que a palavra é?

Análise sintática: qual função a palavra exerce?

Considere: “O candidato estudou Português.” Na análise morfológica, “candidato” é substantivo. Na análise sintática, “o candidato” exerce a função de sujeito da oração.

Portanto, uma mesma palavra possui uma classificação morfológica e, dentro da oração, pode exercer determinada função sintática.

Essa distinção é essencial para concursos, pois muitas questões misturam os dois conceitos. Memorizar que morfologia trata das classes gramaticais, enquanto sintaxe trata das funções sintáticas, ajuda a evitar erros.

Questão

Ano: 2026 Banca: FCC Órgão: TJ-CE Provas: FCC – 2026 – TJ-CE – Analista Judiciário – Área Judiciária 

No contexto em que se encontra, a palavra empregada como substantivo está sublinhada em:

Alternativas

A – pois não lhes sobra tempo para examinar o passado.

B – É próprio de uma mente segura e tranquila percorrer todos os períodos.

C – Ninguém voltará de bom grado seu olhar ao passado.

D – o que se foi, o que está sendo e o que há de vir.

E – nada adianta verter líquido até a borda de um recipiente.

A alternativa correta é a C. No caso a palavra foi modificada por pronome. Qualquer palavra alterada por um artigo, pronome ou adjetivo é automaticamente substantivada. Portanto, no contexto, “olhar” funciona como um substantivo (sinônimo de “visão” ou “atenção”).

Considerações finais

Em resumo, a análise morfológica exige domínio das dez classes gramaticais e, principalmente, capacidade de identificar o papel que cada palavra desempenha no contexto em que aparece. Para concursos públicos, o candidato deve dar atenção especial às palavras que podem assumir classificações diferentes, como “que”, “se”, “a”, “como” e “bastante”.

Mais do que decorar conceitos, é importante praticar a identificação das classes gramaticais em frases e questões de prova. Assim, você desenvolve a capacidade de reconhecer rapidamente as principais pegadinhas cobradas pelas bancas.

Por fim, espero que o artigo seja útil para a sua preparação. Desejo bons estudos e boa sorte em sua jornada!

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